Actualmente, ouve-se entoar em muitos lados o de profundis pelos livros e pela leitura. A electrónica e as formas de comunicação que lhe estão associadas vão tragando cada vez mais espaços; parece quase impossível que daqui a dez ou vinte anos alguém faça um gesto tão arcaico como abrir um livro. Eu não acredito que isto venha a suceder, porque os livros são indispensáveis. Os livros servem para compreendermos e para nos compreendermos, criam um universo comum a pessoas que vivem muito longe umas das outras. Se eu e tu lemos, por exemplo, Moby Dick, há mil e um assuntos que podemos discutir: as personagens, a intriga, as antipatias e as simpatias, os aspectos emocionantes e os aspectos enfadonhos.
Pensando bem, ler não é mais do que criar um pequeno jardim no interior da nossa memória. Cada livro vai trazendo alguns elementos, um canteiro, um carreiro, um banco onde podemos descansar quando estamos cansados. Ano após ano, leitura após leitura, o jardim vai-se transformando em parque e, nesse parque podemos vir a encontrar mais alguém. Pode descobrir-se uma amizade, pode, - porque não? - encontrar-se o amor, ou mesmo apenas um pouco de alívio num dia particularmente sombrio e tristonho. Ler não é um dever, nem um cálice amargo que tem de ser bebido até ao fundo, esperando receber-se sabe-se lá que benefícios. Ler é criar um pequeno tesouro pessoal de recordações e emoções, um tesouro que não será igual ao de ninguém mais, mas que poderemos partilhar com outras pessoas.
Susana Tamaro escreveu estas frases no seu livro “QUERIDA MATHILDA”. Achei curioso trazê-las a este blog.
M.A.
Iconografia do Nosso Emblema
30/04/08
DISSERTANDO SOBRE OS LIVROS
29/04/08
Ainda o Dia Internacional da Dança
Entre os objetivos do Dia da Dança estão o aumento da atenção pela importância da dança entre o público geral, assim como incentivar governos de todo o mundo para fornecerem um local próprio para dança em todos sistemas de educação, do ensino infantil ao superior.
A dança tem feito parte da cultura humana através da história.
A dança em Portugal depende muito do folclore português e este, por sua vez, das diferentes regiões do país. Das muitas danças que existem, podem destacar-se o Fandango, a Dança de Roda, a Valsa de Dois Passos, a Chotiça, o Corridinho, o Vira e o Verde Gaio.
Algarve
O corridinho é uma das danças tradicionais de maior expressão no Algarve. É dançado aos pares, as raparigas por dentro e os rapazes por fora. Giram no mesmo lugar, movendo os pés de forma rápida. Apesar de ser no Algarve que atinge maior notoriedade, também na Estremadura faz parte do folclore local.
Madeira
Nas diferentes regiões de Portugal há diferentes tradições, e a Madeira não é excepção. O Bailinho da Madeira, ou simplesmente bailinho, é a dança típica mais conhecida da ilha. É acompanhada do brinquinho - o instrumento regional tradicional, feito com castanholas, fitilhos e bonecos de paus, vestidos com o traje regional, que quando chocalhados contra a cana que os sustem, emite som.
Minho
O Minho, sobretudo o Alto Minho, é rico em danças tradicionais, das quais se destacam o Vira a Chula, a Cana Verde e o Malhão. O que mais sobressaí delas, à parte da dança propriamente dita, é o vestuàrio das mulheres, que com as suas cores e acessórios variados, adornam o bailado.
Ribatejo
No Ribatejo a dança com maior difusão é o Fandango. É uma espécie de dança da sedução, o homem gira em torno da mulher cantando e gritando de forma entusiástica. Por vezes a dança é feita por dois homens que "competem", um contra o outro, frente a frente, sapateando o melhor que poderem. .
Trás-os-Montes
Em Trás-os-Montes, os Pauliteiros de Miranda fazem uma dança que se mostra muito relevante no folclore da região. Um grupo de homens vestidos com trajes típico enfrentam-se uns aos outros com palotes. A dança evoluí com o som ritmado dos palotes a baterem e os movimentos dos intervinientes. Nestas "danças-combates" não entram mulheres, e o seu símbolo é a Capa de Honra.
Mais informação aqui
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DIA MUNDIAL DA DANÇA
28/04/08
CONVIDO A CONHECER
Ponte Romana
Calçada Romana
Como tantas outras aldeias da zona, esta, esteve muito tempo isolada e só em 1937 se fez a ligação da E.N 231 a Loriga, que lhe fica a 9 Klm de distância. Anteriormente estas povoações estiveram ligadas por uma via romana e existem ainda várias pontes romanas em bom estado de conservação. É por uma delas que se faz, ainda hoje, a principal entrada na terra. Esta povoação chegou a ter título de vila e tem mesmo um foral concedido em 1514 por D. Manuel I.
No Sec.XIX e até meados do Sec.XX foi até um centro importante de lanifícios.
Passeando, subindo a rua principal, chegamos à sua Igreja Matriz, edifício de meados do Sec XVIII, uma vez que no lintel da porta está gravada a data de 1747. É seu orago Nª.Sª. do Rosário, cuja imagem, em pedra Ançã, (escola de Coimbra) podemos ver no seu interior e é considerada uma das quatro preciosidades escultóricas renascentistas que tem Alvoco da Serra.
As outras três, também esculturas religiosas, na mesma pedra Ançã, encontravam-se na Capela de S. Pedro, mas, por razões de segurança, dado o seu elevado valor artístico, foram transferidas para a Capela de Santo António. Estão colocadas em nichos, num frontal de madeira. Ao centro vemos S. Pedro. à sua dtª. um Espírito Santo e à esqª. uma Santa Catarina. Está em projecto um museu de arte sacra onde estas quatro peças da Renascença, mais umas outras que existem, como por exemplo um sacrário da autoria de João de Ruão (Sec XVI) virão a ser incluídas.
Há também um pequeno museu ligado às lides agrícolas e artesanais e, onde, no piso superior, se mostra o interior de uma habitação rural.
Aproveitando ainda o potencial que a passagem de um rio proporciona, está construída uma piscina pública e também já, iniciada a reconstrução de velhos edifícios como infra-estruturas de apoio à mesma. Felizmente que, sem alterar o sabor primitivo destas casas de paredes de pedra solta, com telhado de lousa.
A gente da terra está consciente do meio em que vive e tem a perfeita noção de que deve preservar os seus valores. Ficamos com essa ideia nas diversas conversas que tivemos. A cortesia com que éramos cumprimentados nas nossas deambulações pelas ruas e becos e a resposta que nos foi dada a alguma informação pedida foram constantes. Por todo o lado, o asseio e arranjo com flores e verduras, também nos deixou uma impressão agradável. Mas, se me permitem uma das notas que salientarei como sinal de que por ali tudo ainda é bastante mais são é que, em inúmeras casas constatamos que a chave da porta se encontrava colocada na fechadura, pelo lado de fora!… Duvidam? Façam uma visita quanto antes …Não sabemos por quanto tempo mais se conservará este costume…
M.A.
27/04/08
Villa de São Cucufate
Só no século IV d.C., grande parte da villa que constituia uma miscelânea entre a primeira e a segunda, foi praticamente demolida, tendo apenas restado alguns alicerces. Uma nova construção foi edificada, desta vez apresentando estruturas de tipo palaciano, que perduraram no tempo até hoje.
O edifício foi abandonado aquando das grandes invasões bárbaras, e só voltou a ser ocupado, mais tarde, por volta do século X d.C., pelos muçulmanos, que fizeram da villa um mosteiro.
De novo abandonado pelos seus ocupantes, aquando da Reconquista Cristã, no século XII, só voltou a ter vida no século XIII, onde se estabeleceu um convento, que permaneceu até ao século XVI e cujo santo padroeiro deu o nome ao edifício que é hoje S. Cucufate.
Apesar de ter sido evacuada provavelmente com a ameaça de ruir, a villa manteve a sua capela, cujo culto foi perpetuado até ao século XVIII. As sucessivas comunidades monásticas que habitaram S. Cucufate souberam, em parte, preservar o património deixado pelos romanos, ao deixarem incólume a residência senhorial, mas arruinaram consideravelmente o espaço destinado à pars rustica, implantando lá um cemitério para os monges, local onde se situava a residência do feitor.
Monumento de valor e extremamente bem conservada, a villa de S. Cucufate ficava situada na circunscrição administrativa de Pax Iulia (Beja), tendo esta cidade sido, provavelmente, a sua grande cliente no mercado do vinho, do pão e do azeite, uma vez que esta produção ficou atestada pela descoberta de grainhas de uvas perto de uns pesos de prensas, e pelo respectivo lagar.
A villa contornada por um ribeiro possuia uma área circundante de terrenos fertéis e cultiváveis, e em redor destes, ricos pastos e bosques. Esta grandiosidade poderia supor que a villa pertenceria a um rico proprietário e que as suas terras constituiam um latifúndio.
Apesar desta suposição, não foram encontradas quaisquer inscrições que revelassem o nome da família, ou famílias, que habitaram a villa, até ao século IV d.C.
A primeira villa
Em local pouco elevado, mas dominando visualmente a paisagem a sul, até Beja, instalou-se em época romana, no séc. I d. C., uma villa, centro de uma exploração agrícola: aí poderia residir o proprietário, organizavam-se os trabalhos necessários à produção, armazenavam-se e transformavam-se os produtos da terra que lhe pertencia.
Foi no decurso deste período, até ao século IV, que a "casa" da primeira instalação se foi progressivamente monumentalizando, tendo passado por duas grandes campanhas de obras.
De muito menores dimensões do que as restantes, a villa apresentava dependências de índole agrícola, cujas divisões serviam, por um lado, de armazéns e de salas de arrumação, e por outro, de espaço habitacional dos proprietários, não existindo, assim, uma distinção patente entre os dois espaços (rural e urbano) constituindo a villa uma quinta relativamente modesta, cujo pátio central, bastante amplo, permitia a entrada para a casa do proprietário, que por sua vez, circundava um pequeno quintal situado nas vertentes sul e oeste da villa.
A pars rustica estaria distribuida pelas fachadas sul e norte, ou seja, dos lados paralelos ao pátio central, e nas imediações da pars urbana.
A segunda villa
Por volta da primeira metade do século II d.C., a villa de São Cucufate sofreu grandes transformações arquitectónicas e ampliou as suas dimensões para cerca do dobro. Possuia novas comodidades próprias ao estilo de vida que os cidadãos romananos cada vez mais fomentavam. Isto também tendo em consideração que os rendimentos económicos provenientes da comercialização dos produtos agrícolas tivessem progredido consideravelmente.
A ligação das villae produtoras com as cidades consumidoras possibilitou não só esse aumento de capitais como o próprio estilo de propriedade foi influenciado pelo ritmo de vida das metrópoles.
Desta feita, a vila foi reconstruída a partir do modelo de casa de peristilo. Na fachada sul, estavam instaladas as termas e as dependências agrícolas, entre as quais um lagar e os armazéns. O complexo termal situava-se na vertente oeste e a villa rustica na vertente leste. A pars urbana estendia-se em volta do peristilo, mas apenas circundando-o de três lados, formando um quadrado, quando o quarto lado constituia a villa rustica.
A Norte, um grande tanque rectangular servia de reservatório, cujas águas eram abastecidas por um aqueduto. Com uma capacidade de 800 metros cúbicos, este tanque assegurava água corrente para a residência senhorial, para a pars rustica, para as termas e para a irrigação de jardins, hortas e pomares.
A villa áulica
Após a destruição da villa anterior, foi de novo edificada uma construção cujos critérios arquitectónicos se elevaram ao máximo do requinte e do luxo, que fizeram de S. Cucufate uma villa de tipo palaciano.
O século IV d.C. testemunhava uma riqueza latifundiária que permitiu esse incremento espacial. Foi neste sentido que uma nova dependência surgiu, a sul, construída de raíz.
A villa de São Cucufate é uma construção rectangular de cerca de 105 por 25 metros, construída em dois pisos. O inferior abobadado poderia servir para armazéns e alojamento dos criados domésticos; o piso superior, de que se conservam alguns pavimentos, servia de residência ao proprietário e sua família. A fachada apreenta um longo patamar descoberto, ao qual se sobe por três escadarias. Este patamar, situado no rés-do-chão, embora mais alto que o nível do piso térreo, mediava, de cada lado duas imponentes aberturas em forma de torreão abobadado, e sua própria configuração faz lembrar a de um palco de grandes dimensões. Essa fachada conduzia a um segundo patamar, já coberto, que se abria para um jardim na rectaguarda, cujo espaço compreendia o antigo tanque da villa II que abastecia todas as dependências e irrigava o jardim circundante.
O primeiro andar da villa urbana era destinado à residência dos proprietários. As paredes parecem ter sido de mármore e o chão revestido por mosaicos. Uma varanda dava acesso à entrada nos quartos, ao terraço situado por cima de uma das torres e à entrada num salão situado no lado oposto da casa.
Apesar de persistir o pequeno tanque semi-circular do antigo peristilo, este último desapareceu, ou pelo menos foi incorporado num sector que pertencia à residência do feitor, tendo, deste modo, perdido toda a sua importância. A villa apresentava, ainda, a Leste, uma pars rustica inteiramente dedicada a oficinas, lagares, armazéns e instalações para os criados. Comportava ainda umas termas para estes últimos e para o villicus.
Existe um aspecto curioso nesta villa. Uma parte que estaria destinada a uma sala de recepção e a umas termas não foi concluída, tendo restado apenas os seus alicerces. Não se sabe o motivo deste abandono, conjectura-se, contudo, que a falta de orçamento o tenha possibilitado.
A Sul, um outro tanque de grandes dimensões servia a villa, e próximo deste, um templo que foi cristianizado, mais tarde, serve de entrada à imponente villa, cuja história e ruínas constituem um perfeito exemplo arqueológico do que foi, há muito tempo, uma propriedade romana que se elevou às custas de uma exploração rural e comercial no Alto Império.
Espólio
O espólio das escavações realizadas por uma equipa luso-francesa liderada por Jorge de Alarcão, R. Étienne e F. Maeyt estão trancados em depósito na Câmara Municipal da Vidigueira. Atendendo ao interesse da sua divulgação para um mais vasto conhecimento do local, espera-se que a promessa que anuncia a sua exposição na Casa do Arco, em Vila de Frandes, possa ser, em breve, uma realidade.
As ruínas de S. Cucufate estão abertas de quarta-feira a domingo, das 9h00 às 12h00 e das 14h00 às 17h00; terça--feira, das 14h30 às 17h00. Encerra à segunda-feira e nos feriados de 1 de Janeiro, Sexta-Feira Santa, Domingo de Páscoa, 1 de Maio e 25 de Dezembro.
Tel:284 441 113
fc
Nota : Fernando obrigada por este contributo
26/04/08
Jogo do BERLINDE
Berlinde também conhecido por bilas ou guelas, entre outros tantos nomes, é uma pequena bola de vidro maciço, pedra, ou metal, normalmente escura, manchada ou intensamente colorida, de tamanho variável, usada em jogos de crianças. As modalidades são tão variadas quanto os nomes que o berlinde recebe, variando de cidade em cidade, de rua em rua, de acordo com a criatividade das crianças. Entretanto, uma das brincadeiras mais conhecidas consiste num círculo desenhado no chão, onde os jogadores devem, com um impulso do polegar, jogar o berlinde. Os jogadores seguintes devem acertar neste, e se conseguirem retirá-la do círculo, ficam propriedade sua. Vence aquele que ficar com maior número de berlindes ganhos aos seus companheiros.
Principais modalidades
- Três covinhas - Esta variante consiste em fazer um percurso de ida e volta no qual o jogador tem que colocar o seu berlinde dentro de cada cova, podendo também acertar nos berlindes dos adversários, afastando-os das covas de forma a dificultar as suas jogadas. O vencedor ganha o número de berlindes pré-estabelecido antes do jogo. Nalgumas regiões as covinhas são cinco, sendo quatro na horizontal e uma na lateral formando um "L".
- Jogo do Mata - Consiste no uso apenas do berlinde principal (abafador). Com um número de jogadores ilimitado, o objectivo é num espaço aberto tentar acertar à vez com o nosso berlinde num qualquer outro berlinde adversário. Se houver sucesso recebe um ou mais berlindes do adversário (conforme acordado) e o jogo procede com nova jogada. Em caso de insucesso passa a vez ao próximo jogador. O jogo só termina por vontade dos jogadores.
- Círculo - É desenhado um círculo no chão, onde os jogadores colocam um número pré-determinado de berlindes, distribuídos à vontade de cada jogador. Sorteado quem inicia, com o seu berlinde a uma distância também pré-determinada tenta tirar do círculo a maior quantidade de bilas que passa a ser suas. Se errar passa a vez a outro. Se o abafador ficar no círculo além da vez o jogador tem de deixá-lo. Usa então outro na sua próxima jogada.
- Estrela - Uma variante do círculo é a estrela onde é colocado um berlinde em cada cruzamento da estrela. Os riscos são desenhados na terra.
- Triângulo - Uma outra versão consiste num triângulo desenhado no chão. É predeterminado a quantidade de berlindes colocados por cada jogador dentro do triângulo e à vez tentam retirá-los com o seu, ficando estes de sua posse. Também vale acertar nos dos adversários para ganhar vantagem ou atrapalhá-los. Ganha-se a vez podendo continuar a sua jogada cada vez que o seu berlinde toca noutro, do triângulo ou mesmo dos adversários. Contudo, numa versão mais competitiva, o jogador que acertar no do adversário, não só o exclui do jogo, como também, passa a possuir as berlindes que por ventura tenham sido retiradas pelo outro do triângulo. Assim, o vencedor será aquele que evitará ser acertado pelos outros e que ficará com todos os berlindes colocados pelos vários jogadores no triângulo.
Fabrico
A Wikipédia ajudou a explicar...
fc
25/04/08
25 de Abril - Dia da Liberdade
Com a revolução de 25 de Abril de 1974, os portugueses iniciaram o caminho da liberdade e da democracia.
Porque vivemos num País Livre, há muita informação disponível sobre a história de Portugal e específicamente sobre o dia 25 de Aril de 1974, dia que ficou conhecido pela "Revolução dos Cravos". É bom que se perceba que graças a esta revolução hoje temos direitos e deveres, temos liberdade de expressão. Podemos ler, escrever, consultar, publicar, dizer.
Antes do25 de Abril, tudo isto estava condicionado.
24/04/08
SIMBOLOGIA DA BANDEIRA PORTUGUESA

Foi esta bandeira, instituída em Novembro de 1910, pouco depois da implantação da República em Portugal (5 de Outº. de 1910).Houve um grande debate para decidir se iriam manter-se as cores azul-branco da monarquia ou se adoptaria o verde-vermelho do Partido Republicano Português. Prevaleceu como já adivinharam a mudança de cores para a nova bandeira, tendo sido a mesma criada e desenhada por Columbano Bordalo Pinheiro, João Chagas e Abel Botelho.
A bandeira é rectangular (2:3), bipartida de verde e vermelho, ocupando a primeira cor ( a que fica junto à haste) dois quintos da largura e a segunda cor os restantes três quintos. Centrado na divisão o Brasão da República, constituído pelo escudo, em formato “português”, sobreposto a uma esfera armilar, cujo diâmetro deve ser igual a metade da altura da bandeira.
Naquilo que me pareceu essencial encontrei uma certa uniformidade. Noutros pormenores há ligeiras diferenças entre os vários autores que consultei..
Posto isto, aqui vai o que pesquisei, quando ao significado das cores e demais elementos que compõem a nossa bandeira:
-Cor Verde: O verde no ideário positivista e republicano (Sec.XIX e XX), simboliza as nações que são guiadas pela ciência. Na versão popular simboliza a esperança no futuro.
-Cor Vermelho rubro: O vermelho é a cor das revoluções democráticas que, desde o Sec. XVIII percorreram a Europa, como a revolução de 1848, a Comuna de Paris (1871) ou a revolução republicana em Portugal, de 31 de Janeiro de 1891. Simboliza a luta dos povos pelos grandes ideais de Igualdade, Fraternidade e Liberdade. Na versão popular simboliza os sacrifícios do povo português ao longo da sua história; a coragem e o sangue dos portugueses mortos em combate.
-Esfera armilar: Emblema do rei D. Manuel I, “O Venturoso”, (1469-1521) e que desde então se manteve presente nas bandeiras de Portugal. É amarela, orlada a preto e simboliza o Universo e a vocação universal dos portugueses. Na versão popular simboliza os descobrimentos portugueses, o mundo que os navegadores portugueses descobriram nos Sec XV e XVI e os povos com quem trocaram ideias e comércio.
-Escudo: O Escudo de Armas, em encarnado, remete para a fundação de Portugal. Simboliza a afirmação da cultura ocidental no mundo e, em particular, dos seus valores cristãos. Os castelos, as quinas e os besantes evocam conquistas, victórias e lendas ligadas à fundação de Portugal por D. Afonso Henriques “O Conquistador”(1109-1185).
- As 5 quinas azuis simbolizam os 5 reis mouros que o mesmo D. Afonso Henriques venceu na Batalha de Ourique.
- Os pontos brancos dentro das quinas, também denominados besantes, simbolizam as 5 chagas de Cristo. Uma lenda conta que Jesus Cristo apareceu a D. Afonso Henriques, antes da Batalha de Ourique e lhe terá prometido a victória. Contando as chagas de todas as quinas e duplicando as da quina do meio, encontramos a soma de 30, representando os 30 dinheiros que Judas recebeu por ter traído Cristo.
- Os 7 castelos, de cor amarela, simbolizam as localidades fortificadas que o nosso primeiro rei conquistou aos mouros.
Muito sucintamente é isto que, no seu conjunto, representa pois a nossa Bandeira Nacional.
23/04/08
AS VOZES DOS ANIMAIS

Palram pega e papagaio
E cacareja a galinha.
Os ternos pombos arrulham
Geme a rola inocentinha.
Muge a vaca; berra o touro;
Grasna a rã; ruge o leão;
O gato mia; uiva o lobo;
Também uiva e ladra o cão.
Relincha o nobre cavalo;
Os elefantes dão urros; (a)
A tímida ovelha bale;
Zurrar é próprio dos burros.
Regouga a sagaz raposa
(Brutinho muito matreiro)
Nos ramos cantam as aves;
Mas pia o mocho agoureiro.
Sabem as aves ligeiras
O canto seu variar;
Fazem gorgeios às vezes
Às vezes ‘stão a chilrear.
O pardal daninho aos campos,
Não aprendeu a cantar;
Como os ratos e as doninhas,
Apenas sabe chiar.
O negro corvo crucita;
Zune o mosquito enfadonho;
A serpente no deserto
Solta assobio medonho.
Chia a lebre; grasna o pato;
Ouvem-se os porcos grunhir;
Libando o suco das flores,
Costuma a abelha zumbir.
Bramam os tigres, as onças,
Pia, pia o pintainho;
Cucurica e canta o galo;
Late e gane o cachorrinho.
A vitelinha dá berros,
O cordeirinho balidos;
O macaquinho dá guinchos,
A criancinha, vagidos.
A fala foi dada ao homem
Rei dos outros animais.
Nos versos lidos acima,
Se encontram, em pobre rima,
As vozes dos principais.
(a) Também se diz que bramem
M.A.
A um amigo de sempre - O LIVRO
Os primeiros suportes utilizados para a escrita foram tabuletas de argila ou de pedra. A seguir veio o khartés (volumen para os romanos, forma pela qual ficou mais conhecido), que consistia num cilindro de papiro, facilmente transportado. O "volumen" era desenrolado conforme ia sendo lido, e o texto era escrito em colunas na maioria das vezes (e não no sentido do eixo cilíndrico, como se acredita). Algumas vezes um mesmo cilindro continha várias obras, tomo. O comprimento total de um "volumen" era de c. 6 ou 7 metros, e quando enrolado o seu diâmetro chegava a 6 centímetros.
O papiro provém duma planta, que era libertada, livrada (latim libere, livre) do restante da planta - daí surge a palavra liber libri, em latim, e posteriormente livro em Português. Os fragmentos de papiro mais "recentes" são datados do século II a.C..

Na idade média o livro sofre na Europa, as consequências do excessivo fervor religioso, e passa a ser considerado um objecto de salvação. A característica mais marcante da Idade Média é o surgimento do monges copistas, homens dedicados em período integral a reproduzir as obras, dos escribas egípcios ou dos libraii romanos.

Mas a invenção mais importante, já no limite da Idade Média, foi a impressão, no século XIV. Consistia originalmente na gravação em blocos de madeira do conteúdo de cada página do livro; os blocos eram mergulhados em tinta, e o conteúdo transferido para o papel, produzindo várias cópias..
É nesta época que aparecem livros cada vez mais portáteis, inclusive os livros de bolso nomeadamente o romance, a novela, os almanaques.
Na idade Contemporânea, aparece cada vez mais a informação não-linear, seja por meio dos jornais, seja da enciclopédia.
Novos media acabam por influenciar e divergir para novas indústrias, como por exemplo os registos sonoros, a fotografia e o cinema. O acabamento dos livros sofre grandes avanços, surgindo aquilo que conhecemos como edições de luxo.
Nos fins do século XX surgiu o livro electrónico.

E-Book
fc com esta grande ajuda
22/04/08
Ermida de Nossa Senhora da Boa-Viagem
Se essa verde mancha é de rara beleza, há anos que tal paisagem era enriquecida pela visibilidade de três características construções que actualmente se encontram encobertas pelos pinheiros, cedros e outras árvores. Desbastado um pouco o arvoredo, e criado clareiras ao redor de tais edificações, voltaremos a deparar com o Farol do Esteiro -
um dos tais "pirilampos" que à noite orientam a entrada dos navios da barra - a Marca Geodésica (a que chamávamos a garrafa) e que durante o dia tem funções similares às do farol - e no extremo junto à curva que dobramos quando nos encaminhamos para Queijas, temos a bela Ermida de Nossa Senhora da Boa-Viagem com o seu miradouro, de uma vista deslumbrante sobre o Tejo e o Atlântico.
| Integrada no pequeno vale das "Terras do Cano", entre o "Alto do Esteiro" e o "Alto do Reduto Sul", do Forte de Caxias, este local teve ao longo dos séculos diversas ocupações e transformações. Assim, no Século XVII, foi edificado no local um convento destinado a albergar frades arrábicos. Este convento foi designado de Nossa Senhora da Boa Viagem, tendo sido mandado construir por António Faleiro de Abreu. A Imagem Padroeira atingiu então a aura dde grande milagreira, sendo venerada pelo "(…) homens do mar (…) e pelas senhoras nobres e reais em transes de maternidade (…) traduzida em dádivas e promessas de jóias e outras preciosidades". No mesmo século, em 1649, o Conde de Cantanhede, D. António Luís de Meneses, manda construir no monte da Boa Viagem uma pequena fortificação. Todavia, este ponto fortificado que se integrava na linha de defesa da Barra do Tejo, estava já abandonado e em ruína nos finais do Século XVIII. Refere Carlos Callixto, em relação ao Forte de Nossa Senhora da Boa Viagem: "(…) Não tendo sido reedificada esta fortificação, pela tão grande altura a que se situava das águas do rio, considerada inútil para a sua defesa (…)" No decurso do Século XIX, com a extinção das ordens religiosas, o convento foi abandonado, tendo posteriormente os edifícios sido reconstruídos e ampliados para residência de férias e de repouso. Esta estância de veraneio era então muito procurada e frequentada pela elite da época (políticos, comerciantes, escritores, etc.). Mais tarde, com a construção da Estrada Marginal e do Estádio Nacional, parte da propriedade foi expropriada para a Fazenda Pública. Demolições, terraplenagens e remoção de terras modificaram o local transformando-o numa zona aprazível e verdejante. Do antigo convento, forte e casas de veraneio, nada resta, com excepção de alguns vestígios da Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem, situada no Estádio Nacional, e alguns restos da antiga "cerca" onde se cultivava a "horta" e o pomar (nora, tanque, aqueduto, etc.) |
21/04/08
DE NOVO O MEU AMIGO A.

O que vou contar situou-se algures no antigo Ultramar, durante o período conturbado da Guerra. Este Amigo procurava manter uma certa neutralidade, convivendo com todos, embora, pelos anos que vivera já por aquelas terras soubesse perfeitamente quem ocupava determinados postos dentro da organização então designada por "guerrilheiros". Sabia também que, sempre que a sua serração estivesse a trabalhar em qualquer encomenda para o exército regular, caíam, como que por acaso, uns morteiros sobre a mesma… Era este o clima que então se vivia por ali…
Como este amigo, tinha também o gosto pela caça, algumas vezes, pegava na arma e embrenhava-se na mata, quer pelo gosto de trazer alguma peça para o jantar ou, de, simplesmente fazer um pouco de exercício.
Então um ruído de motores fez-se ouvir e, chegaram umas viaturas do exército, com soldados, sob o comando de um alferes. Ao verem aquela água tão convidativa, possivelmente extenuados e transpirados no regresso de qualquer missão, não pensaram duas vezes. Num instante se despiram e lançaram todos para dentro de água. O meu Amigo, do sítio em que estava continuou a olhar a cena, sem ninguém do grupo ter dado pela sua presença.
Em dada altura começou a aperceber-se de determinada movimentação na mata envolvente e, aqui, de novo funcionou o conhecimento profundo que este homem tinha da vida na selva. Estava a preparar-se uma emboscada àquele descuidado grupo, que conjuntamente com as roupas, deixara, nas viaturas, também as armas. Não será difícil imaginar o que se poderia ter seguido.
Aquele grupo de jovens nunca terá chegado a saber a quem ficou a dever, com fortes probabilidades, a salvação da vida, mas o bom do nosso Amigo, é que, mais uma vez teve a sua serração bombardeada…
M.A.
20/04/08
19/04/08
JOGO DA MACACA

Chegado ao céu, pisa com os dois pés e retorna pulando da mesma forma até às casas 2-3, de onde o jogador terá que apanhar a pedrinha do chão, sem perder o equilíbrio, e pular de volta ao ponto de partida. Não cometendo erros, joga a pedrinha para a casa 2 e assim sucessivamente, repetindo todo processo.
Se perder o equilíbrio, e tocar com a mão no chão ou se pisar fora dos limites das casas, o jogador passa a vez ao próximo, recomeçando a jogar na sua vez, no ponto em que errou.
Ganha o jogo quem primeiro alcançar o céu.
Numa versão, mais complexa, o jogo não termina aí. Quem consegue chegar ao céu vira-se de costas e atira a pedrinha de lá. A casa onde ela cair passa a ser sua e lá é escrito o seu nome (caso não acerte em nenhuma, passa a vez ao próximo jogador). Nestas casas com "proprietário", nenhum outro jogador pode pisar, apenas o dono pode pisar inclusivé com os dois pés.
Nesta versão, ganha o jogo quem conseguir ser dono da maioria das casas.
18/04/08
FOI INAUGURADO O 1º ECOPONTO MARÍTIMO DO PAÍS

A Agência Cascais Atlântico lançou, hoje, 18 de Abril, o projecto para protecção do mar "Marca Cascais" e inaugurou o Ecoponto Marítimo para combater a poluição marítima.
"O novo Ecoponto Marítimo de Cascais, instalado na Raquete dos Pescadores, local de descarga de pescado, é uma estrutura de contraplacado marítimo para deposição selectiva dos resíduos provenientes dos barcos, como óleos, baterias, velas ou filtros de óleo que, de outra forma, corriam o risco de ser deitados ao mar", explicam os organizadores.
CONVIDO A CONHECER

Ora, o que me proponho hoje contar é o que pesquisei sobre a manufactura desta mesma estátua, bem como, alguns pormenores curiosos que rodearam a sua colocação no lugar em que se encontra.
Ao pensar-se na reedificação de Lisboa após o Terramoto, encarregou-se deste projecto o Capitão Eugénio dos Santos, Arquitecto Civil e Militar e, designou-se já erigir uma estátua ao Rei na nova Praça do Comércio, também conhecida por Terreiro do Paço. Este mesmo Arquitecto fez logo o desenho da estátua , pedestal e grupos de figuras que o adornam.
Seguiu-se a este, um segundo modelo em barro, com quatro palmos de altura, já com várias alterações mais de acordo com o que vemos hoje.
Assim, a obra ficou feita em menos de cinco meses. Ao que sabemos, Bouchardou precisou de cinco anos para fazer o modelo da estátua de Luís XV, em Paris.
Ficou então o modelo em poder do Engº. Bartolomeu da Costa para fazer a fundição em bronze. De novo irei adiantar-me em todo o processo para falar da estátua já pronta. Tem 31,5 palmos (6,93 metros) de altura, 600 quintais de bronze fundido (35.000 Kg.) de peso e, foi a primeira, com estas dimensões, a ser fundida em Portugal.
No dia 22 de Maio de 1775 iniciou-se o transporte desde a Fundição (Zona de Santa Apolónia) até ao Terreiro do Paço, onde só chegou três dias depois. Foi preciso construir uma zorra especial para o efeito e, o sistema de deslocação foi também estudado para evitar que a carga se enterrasse ou danificasse as ruas.
A elevação da estátua para o pedestal foi feita em 27 de Maio. Como se previa afluência de muito povo, para evitar que este perturbasse as manobras, foram destacadas algumas Companhias de Infantaria que formaram um cordão delimitando a zona. Aqui não resisto a referir um facto inconcebível mas que efectivamente aconteceu:
Finalmente no dia 6 de Junho de 1775, dia do 61º aniversário do Rei, é feita a Inauguração, mas, mais uma curiosidade: _Tanto este como a Família Real assistiram escondidos ao acto solene, já que não era aceite prestar honras à Estátua na presença do Monarca.
Nota - Elementos recolhidos de um escrito do Coronel Casimiro Dias Morgado, gentilmente cedido pelo meu Amigo, Coronel de Engenharia Orlando de Azevedo.
M.A.
Teatro em Tires - entrada livre

André Gomes, Bernardo Estrela, João Amarante, Liliana Gonçalves, Mário Jorge, Patrícia Moço, Renato Colaço, Ricardo Neves, Sílvia Afonso, Sofia Campos, Tânia Magalhães e Vera Góis integram o elenco da peça para maiores de 6 anos, adaptada por Clara Gonçalves, igualmente responsável pela direcção artística da peça.
Imperdível a oportunidade de assistir, a custo zero, à sátira social que, criticando os costumes, conta a história de um ancião viúvo que se recusa a abrir os cordões à bolsa, apesar dos elevados rendimentos.
fc
17/04/08
MOITA FLORES FALA SOBRE MULHERES

A sua foto aparece rodeada da legenda ”GOSTO MUITO DE MULHERES” e, depois de ler toda a entrevista, achei que haveria assunto para escrever este pequeno apontamento.
Neste momento sinto já o universo masculino a sorrir ironicamente, achando que uma confissão destas é, por demais, vulgar e corrente, ouvir-se!...
Questionado pelo facto de a maioria das suas obras ser sobre mulheres, respondeu justamente com a dita frase, acrescentando porém, rindo, que…no bom sentido.
Nomeados então três dos títulos de obras suas, Ballet Rose, A Ferreirinha e agora mais recentemente Luísa de Gusmão, quem o entrevistava, perguntou-lhe então, o que tanto o atraía no tema? E a resposta foi a seguinte:
“Em primeiro lugar, comecei a dedicar-me ao universo das mulheres, por razões de índole antropológica. Depois, porque me chateia muito a forma como são tratadas na ficção. E, por fim, porque é um universo mágico. Julgo que se o mundo fosse governado por mulheres seria muito melhor. As mulheres são seres profundamente ricos e inteligentes”.
É ou não é agradável, leitoras, ouvir palavras destas proferidas por um homem? Digamos-lhe todas um “BEM HAJA” e façamos o propósito de corresponder sempre ao bom conceito que ele e a maioria dos homens, felizmente, fazem de nós.
M.A
16/04/08
A ABÓBADA

Para a construção do Mosteiro fora encarregado pelo rei D. João I, o Arq. Afonso Domingues, porém, dado o facto de este ter cegado o rei entendeu substituí-lo por um irlandês, o conceituado Mestre Ouguet. Isto, como é evidente, custou a aceitar ao Mestre Afonso Domingos o qual dizia que, para a execução desta obra , faltava a "um estrangeiro ter a sua alma aquecida à luz do amor da Pátria!”
Ao que parece, a traça inicial continuou a ser seguida mas, porque em relação ao fecho da abóbada da Sala do Capítulo o critério do irlandês não era o mesmo, resolveu, então, alterar a que fora imaginada por Afonso Domingues.
Estamos agora no dia 6 de Janeiro de 1401 e o rei chegara, já com certo atraso, para o Auto de Celebração dos Reis que se iria representar no Mosteiro. Por tal demora, D. JoãoI deixou para o dia seguinte a visita à Sala do Capítulo, recentemente acabada, com todo o orgulho de Ouguet.
Mas, no dia imediato, quando o rei e comitiva se aproximavam da sala, perante a estupefacção dos presentes o tecto da mesma desmoronou-se, provocando susto em todos e, um forte abalo no irlandês que gritava ter sido o facto provocado por feitiço lançado por Afonso Domingues.
D.João I resolveu devolver ao Arq. Português a direcção da obra, que a prosseguiu conforme a havia delineado de início. Quando, tempos depois chegou a hora de serem tiradas as traves dos simples que haviam servido de suporte à abóbada, apenas ficou, no chão, precisamente no meio, na vertical do fecho, uma pedra onde se foi sentar Afonso Domingues. E ali esteve, três dias e três noites, sem nada comer ou beber, segundo voto que havia feito a Cristo.
Mas, a idade avançada e o longo jejum foram demasiado esforço para o ancião e, no fim do terceiro dia foram participar ao Rei que o velho Mestre havia falecido. As suas últimas palavras terão sido: _”A abóbada não caiu…a abóbada não cairá!
Conta-se, que da pedra onde esteve sentado se esculpiu o busto que, ainda hoje, se encontra, justamente na mesma Sala do Capítulo, perpetuando assim a memória deste grande Arqº. português, Afonso Domingues.
M.A.
15/04/08
Uma visita a Tomar
Rio Nabão
Ingredientes:
24 gemas de ovos ;
1 kg de açúcar
Confecção:
Separam-se as gemas das claras só na altura só na altura em que se vão bater. Batem-se as gemas durante 1 hora à mão ou 20 minutos na máquina eléctrica.Deita-se a massa numa forma oval com tampo, muito bem untada. Introduz-se a forma em banho-maria, já a ferver, e deixa-se cozer durante 1 hora sem nunca parar a fervura da água.Desenforma-se o bolo e corta-se ás fatias (ao alto, nunca horizontalmente) com a espessura de um dedo.Tem-se já o açúcar ao lume a ferver com 1 litro de água e com um ponto muito baixo (basta 102º C). Introduzem-se as fatias nesta calda, deixando-as ferver e virando-as.Colocam-se as fatias numa travessa e regam-se com a calda. Pode enfeitar-se com fios de ovos.
A calda deve ser constantemente acrescentada com pingos de água para impedir que o ponto suba.Estas fatias também são conhecidas por «fatias da china».
Existem em Tomar umas panelas de folha, engenhoso utensílio, nas quais se introduz a forma oval e abaulada de que acima falamos. As referidas panelas são munidas de uma chaminé pela qual se acrescenta água a ferver de modo a manter durante toda a cozedura a forma mergulhada em água a ferver.
Ao bolo dá-se o nome de pão.
14/04/08
Hoje é Dia Mundial do Café

A história do café começou no século IX. Originário das terras altas da Etiópia (possivelmente com culturas no Sudão e Quênia) e difundido para o mundo através do Egipto e da Europa. Mas ao contrário do que se acredita, a palavra "café" não é originária de Kaffa - local de origem da planta -mas sim da palavra árabe "qahwa", que significa "vinho da Arábia", devido à importância que a planta passou a ter para a Arábia.
Uma lenda conta que um pastor chamado Kaldi observou que as suas cabras ficavam mais espertas ao comer as folhas e frutos do cafeeiro. Ele experimentou os frutos e sentiu maior vivacidade. Um monge da região, informado sobre o fato, começou a utilizar uma infusão de frutos para resistir ao sono enquanto orava.
O conhecimento dos efeitos da bebida disseminou-se e no século XVI o café era utilizado no oriente, sendo torrado pela primeira vez na Pérsia.
Na Arábia, a infusão do café recebeu o nome de Kahwah ou Cahue (ou ainda Qah'wa, do original em árabe قهوة). Enquanto na língua turca otomana era conhecido como Kahve, cujo significado original era vinho. A classificação Coffea arabica foi dada pelo naturalista Lineu.
Em 1475 surge em Constantinopla a primeira loja de café.
Por volta de 1570, o café foi introduzido em Veneza, Itália, mas a bebida, considerada maometana, era proibida aos cristãos. Só passou a ser uma bebida de consumo livre, quando o papa Clemente VIII o provou.
Na Inglaterra, em 1652, foi aberta a primeira casa de café do continente europeu, seguindo-se a Itália dois anos depois. Em 1672 cabe a Paris inaugurar a sua primeira casa de café. Foi precisamente na França que, pela primeira vez, se adicionou açúcar ao café, o que aconteceu durante o reinado de Luís XIV, a quem haviam oferecido um cafeeiro em 1713. Na sua peregrinação pelo mundo o café chegou a Java, alcançando posteriormente os Países Baixos e, graças ao dinamismo do comércio marítimo holandês executado pela Companhia das Índias Ocidentais, o café foi introduzido no Novo Mundo, espalhando-se nas Guianas, Martinica, São Domingos, Porto Rico e Cuba. Gabriel Mathien de Clieu, oficial francês, foi quem trouxe para a América os primeiros grãos.
Ingleses e portugueses tentaram a sua sorte nas zonas tropicais da Ásia e da África.
As primeiras plantações dos portugueses no Brasil foram feitas na Região Sudeste do país, em 1727. Francisco de Melo Palheta foi quem introduziu no Brasil o café, depois de uma viagem à Guiana Francesa.
O negócio do café começou, assim, a desenvolver-se de tal forma que se tornou a mais importante fonte de receitas do Brasil durante muitas décadas.
Plantação de café – Brasil.
Os estabelecimentos comerciais na Europa consolidaram o uso da bebida do café, e diversas casas de café ficaram mundialmente conhecidas, como a Virgínia Coffea House, em Londres, e o Café de La Régence em Paris, onde se reuniam nomes famosos como Rousseau, Voltaire, Richelieu e Diderot.
O invento da cafeteira, já em finais do século XVIII, por parte do conde de Rumford, deu um grande impulso à proliferação da bebida, ajudada ainda por uma outra cafeteira de 1802, esta da autoria do francês Descroisilles, onde dois recipientes eram separados por um filtro.
Em 1822 uma outra invenção surge em França, a máquina de café expresso, embora ainda não passasse de um protótipo. Em 1855 é apresentada numa exposição, em Paris, uma máquina mais desenvolvida, mas foi em Itália que a aperfeiçoaram.
Assim, coube aos italianos, apenas em 1905, comercializar a primeira máquina expresso, precisamente no mesmo ano em que foi inventado um processo que permitia descafeinar o café. Em 1945, logo após o final da Segunda Guerra Mundial, a Itália continua a ter a primazia sobre os expressos e Giovanni Gaggia apresenta uma máquina onde a água passa pelo café depois de pressionada por uma bomba de pistão. O sucesso foi notório.
Com a "quebra" da Bolsa de Valores americana em 1929, o Brasil teve a primeira grande crise de superprodução do café, tendo o governo brasileiro promovido a queima de excedentes para tentar manter os preços. Nos finais da década de 30, o Brasil tinha-se visto a braços com outro excedente de produção que foi resolvido com ajuda da Nestlé, quando esta inventou o café instantâneo.
O café é, actualmente, a bebida mais consumida no mundo, sendo servidas cerca de 400 biliões de “bicas”por ano. O tipo de café mais comum é o arábica, ocupando cerca de três quartos da produção mundial, seguido do robusta, que tem o dobro da cafeína contida no primeiro.
Origem : Wikipédia
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ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO, UNS, SIM...OUTROS NÃO!
Muito já se tem falado sobre isto, mas nunca é demais lembrar e apelar para que haja bom senso e sobretudo humanidade de sentimentos para que tal hábito seja de todo abolido, pelos que, se auto denominam racionais.
Mas, já que estou dentro deste assunto não resisto a contar-vos o que me parece ser uma história de sucesso para dois amigos de quatro patas, de suas graças "Sting" e "Zara".
Há cerca de dois meses e meio, algures, numa localidade alentejana, uma cadela deu à luz uma ninhada de sete cachorritos. Talvez ela ainda nem sequer tivesse tido tempo de ver a cor dos seus olhos, ou, até de os amamentar, logo mão humana (melhor dizendo, desumana) agarrou neles e foi colocá-los num local de lixo.
Calhou alguém os ver, compadecer-se do triste destino e recolhê-los. E, nestas coisas, a informática tem sido bem aproveitada, embora, claro, não por iniciativa dos próprios, pois ainda ninguém se lembrou de testar as capacidades dos bichinhos a enviar mensagens!
Todos os dias nos nossos PCs surgem apelos de adopção, para animais abandonados, com uma linguagem que tenta ser o mais convincente possível. E, foi o que aconteceu uma vez mais. Alguém recebeu uma mensagem onde deparou com sete pares de olhos onde luzia o pedido que todos adivinham já. O termo ”luzir” é mesmo o mais adequado porque os cachorros são todos pretos!
Sei que se gerou uma luta interior entre o sim e o não, a ponto de ter sido mesmo apagada a dita foto. Mas, pouco depois a foto recuperou-se e formalizou-se a candidatura à adopção de um. A consciência acalmou-se e, no sábado passado vá de rumar ao Alentejo para recolher “a encomenda”.
Diz-se porém que o homem põe e Deus dispõe e, neste caso, a ajudá-LO houve ainda alguma Fada Madrinha dos Canitos. É que, quando estavam já de regresso com “um” no colo, o coração bateu mais forte, e deram outra meia volta… para recolher mais “uma”… Aqui entre nós, palpita-me, que se houvesse lá em casa lugar para todos teriam vindo mesmo os sete "alentejanos"!
M.A.
"O MARINHEIRO" de Fernando Pessoa
Casa Fernando Pessoa
Câmara Municipal de Lisboa
Rua Coelho da Rocha, nº 16
1250-088 - Lisboa Portugal
Telf: + 351 21 391 32 75
http://mundopessoa.blogs.sapo.pt
M.A.
13/04/08
O Cruzeiro da Cruz Quebrada

Logo seguido ao Dafundo, fica uma outra povoação que tinha um cruzeiro aparentemente muito venerado pela população. Ora durante as Invasões Francesas o Cristo desse Cruzeiro, moldado em bronze, foi roubado pelos franceses, para ser derretido e fazer canhões. Logo a população garantiu que à noite, sem o seu Cristo, a cruz dava brados ou sejam gritos para o ar. Passou por isso a chamar-se Cruz Que Brada. O tempo que tudo muda e cura, encarregou-se de lhe modificar o nome para Cruz Quebrada, nome que ainda hoje tem.

fcO MEU AMIGO A.
Tenho por hábito dizer que existe uma família por obrigação e outra por devoção: Os nossos Amigos! E julgo que concordam comigo, pois, em relação a esta segunda “família” nós vamos escolhendo e conservando apenas aqueles que nos interessam, o que efectivamente não é possível fazer, quanto à primeira.
Vem isto a propósito de alguém, que já não se encontra entre nós e de quem me apetece falar hoje. Tínhamos bastantes afinidades na forma de encarar a vida e conversar sobre ela, ainda que, entre as nossas idades, não fossem poucos os anos de diferença.
Era um homem bom, um homem de paz, muito sereno, de voz pausada, que tendo ido em novo para o Ultramar, por lá foi vivendo do comércio de exportação de madeiras. Chegou a atingir um certo desafogo financeiro que, felizmente, nunca lhe tirou as características de homem simples que sempre foi. Pela sua rectidão de carácter era uma pessoa muito respeitada tanto pelos brancos como pelos pretos, facto de que, em boa verdade, nem todos os que por lá andaram se poderão orgulhar. Ouvi-lhe um dia dizer que nunca precisara de recorrer às autoridades para ter gente a trabalhar para si.
Sobre todos os anos passados no mato contou-nos inúmeros episódios, alguns muito curiosos mesmo. Mas, ao contrário de outros “africanistas”que conheci, fazia-o sempre com uma certa humildade, bem diferente daquele espírito fanfarrão característico.
Bom, feita esta descrição resta acrescentar que era igualmente um homem cheio de humor, um humor subtil como poderão avaliar daqui a pouco.
Curiosamente, a sua esposa era a antítese dele. Sendo igualmente uma excelente pessoa, nem a serenidade nem a calma lhe assentavam como atributos próprios. Toda extrovertida, falava alto e em bom som e dizia logo, num rompante, tudo quanto tinha para dizer, empregando, se preciso fosse, “as vinte e três letras do abecedário”…Percebem o que quero dizer, não é assim?
Feita a descrição das personagens imaginem agora esta cena:
Estava eu numa cama do hospital após uma operação a um ouvido, quando, eles os dois, me entraram no quarto. A conversa vinha acesa, da parte dela, e apercebi-me de que a divergência estava relacionada com uma mudança de casa que, na altura, faziam.
Fui em defesa dele, já que era o que se impunha, “dada a diferença de forças ser por demais evidente”: Ela vinha mesmo muito zangada…
Conseguindo interromper a torrente de palavras dela, foi então, que o bom do meu Amigo A. teve oportunidade de, com a sua voz pausada, proferir uma das frases que jamais esqueci e que, ainda hoje, acho, definiu, com bastante graça, a sua cara metade:
_Ó menina, quando eu pego no martelo e num prego com a ideia de ir colocar um quadro na parede, esta mulher já me está a dizer que o quadro ficou torto!
P.S.- É possível que um dia volte para lhes contar, da mesma pessoa, um outro episódio que, sem a sua intervenção, teria tido consequências bem graves.
12/04/08
GARRAIADA EM ALGÉS

À esquerda os ninõs de Sevilha Limeno e Gallito como aguazis.
CONVIDO A CONHECER
JOÃO BAPTISTA COELHO

Estive há tempos a assistir a uma tarde de poesia que foi para mim o encontro com a obra deste poeta, morador em S. Domingos de Rana. Gostei bastante do que ouvi e procurei, a seguir, descobrir mais poemas seus. É largamente galardoado em concursos no pais e estrangeiro e, em 29 de Setº de 2005, o balanço totalizava 38 prémios obtidos. Na mesma altura contava já 19 anos de vida literária com um total de 937 galardões dos quais 216 absolutos e cimeiros.
Motivos mais que suficientes para, hoje, vos trazer umas quadras suas, muito simples mas cheias de sentido poético.
RECEITA
Quinhentos gramas de dor;
Quinhentos gramas de mal;
Quinhentos gramas de amor;
E raiva serve de sal.
Quatro colheres de tortura;
Outras tantas de tormento;
Leva uma de ternura
A simular o fermento.
Muita raspa de vaidade;
Um bocado de traição,
A que se junta maldade
Que nos possa encher a mão.
Um pedacinho de medo
Que dá cor e o contraste;
De bondade, leva um dedo;
De alegria, quanto baste.
De trabalho, quanto valhas;
De prantos, mil, para o molho;
De desgraça, ponha “ao calhas”;
E de sorte, ponha “a olho”.
Meio litro de desgosto;
Um quilo de coisas más;
E, no fim, a dar o gosto,
Uma pitada de paz.
Mexa a massa bem mexida;
Leve ao forno muito quente.
E eis o bolo da vida
Que a vida nos serve à gente.
JOGO DO PIÃO
Pião (ou pinhão, como é chamado em algumas partes do Brasil, em curruptela de pião; Xindire, em Maputo; N'teco, em Nampula e Mbila, no Niassa, em Moçambique) é o nome dado emPortuguês aos vários tipos de brinquedo que consistem, na brincadeira clássica e antiga, em puxar uma corda enrolada a um objecto afunilado, geralmente de madeira ou plástico e com uma ponta de ferro, colocando-o em rotação no solo, mantendo-se erguido. Actualmente, há novos materiais para piões e esses materiais permitem girá-los sem a utilização de uma corda.
Nos piões mais antigos, a corda é o intermediário que transmite a força motriz dos braços, fazendo girar o pião em movimentos circulares em torno do próprio eixo que, em equilíbrio, gira (por causa da inércia) até perder sua força e parar.
Os piões mais simples são feitos de plástico ou madeira e giram apenas com a força dos dedos (sem o auxílio e cordas ou molas), até pararem devido ao atrito com a superfície. Quanto mais rápido o pião girar, mais equilibrado ele fica. Dependendo da superfície o pião pode não girar correctamente.
Ao longo da história, o seu uso tem variado da mais simples brincadeira de criança até instrumento de adivinhação e xaanismo. De fato, acredita-se que esta brincadeira (jogo), de origem arcaica, está associada a rituais de adivinhação e interpretação de presságios em certas épocas do ano, utilizando-se o pião para recriar o movimento dos astros, dando possivelmente como fruto a perinola.
Para as comunidades hispânicas (e também do Japão e anglófonas) existe uma ligeira variante do pião, chamada de trompo, na verdade o mesmo pião com um corpo mais bojudo, cuja nomenclatura pode variar segundo o lugar e a época. Existem também múltiplas denominações derivadas do termo "pião", consideradas incorrectas em espanhol Nos países lusófanos, entretanto, é adoptado o termo pião para designar este brinquedo.
FC
11/04/08
Parque Urbano do Jamor
Aqui as crianças podem correr, andar de bicicleta, jogar à bola, experimentar a canoagem, ver as quedas de água, subir e descer pontes, ver os patos que percorrem a pista de canoagem, e até fazer um lanche, porque o espaço é muito agradável e convidativo.
fc10/04/08
O "Chora"... quem foi?
Este era o transporte de passageiros em 1909, e era da Empresa Eduardo Jorge. Os animais trazem o carro de madeira sobre os carris Esta foto foi tirada no CONDEBARÃO em Lisboa
Conhecido como o CHORA, alcunha que alguns afirmam derivar do facto, de "se andar sempre a chorar" junto do seu circulo de amigos, devido às dificuldades que a forte concorrência da Carris lhe trazia, afirmando outros que o alcunha derivava antes, do facto das suas carroças produzirem ruídos que eram semelhantes a lamentos, quando calcorreavam as ruas da cidade. 09/04/08
A BATALHA DE LA-LYS
Assinalando a coragem dos portugueses, em La Couture, no próprio local onde existiu um reduto defendido bravamente por cerca de duas centenas de portugueses ergueu-se um monumento designado PADRÃO DE PORTUGAL.
As tropas portuguesas ficaram até ao final da guerra, tomando também parte na ofensiva final, sob o comando supremo do marechal Foch. Entraram em Lille com os outros aliados e desfilaram em Paris sob o ARCO DO TRIUNFO, na memorável REVISTA DA VICTÓRIA.
Aqui deixamos a nossa homenagem a estes nossos antepassados que honraram deste modo o nome de PORTUGAL.
M.A.
CAMILO CASTELO BRANCO COM HUMOR

Quem não conhece este nome, como uma das grandes glórias da literatura portuguesa?
Geralmente ele é lembrado pelo que escreveu, pelos seus amores atribulados, que até à prisão o levaram, pela loucura do seu filho Jorge, pela cegueira que o atacou e até também pelo fim de vida que teve, tão trágico!
Os seus escritos tinham na maioria das vezes um enredo dramático e isso terá sido comentado um dia por Ana Plácido, sua companheira. Como resposta, Camilo escreveu em poucos dias e, atirou para o regaço dela, o seu livro Eusébio Macário cuja trama, diferente de todos os demais, mostra bem a capacidade inventiva do escritor de quem falamos.
Ora, neste blog, como gosto de explorar mais o lado positivo da vida, entendi por bem ir buscar dois episódios que nos mostram um Camilo bem-humorado e com um espírito e graça incontestáveis.
Um dia pediu Camilo a um amigo para esperar na estação de Famalicão o comboio das tantas horas e mandar acompanhar a S. Miguel de Seide determinado bacharel que devia chegar nesse comboio.
O comboio chegou, mas, por mais que o amigo indagasse, não descortinou nenhum bacharel com destino a S.Miguel de Seide. Decerto o bacharel havia perdido o comboio! Nisto, ouviu um empregado da estação, exclamar para um carregador, agitando na mão uma guia:
_Este burro é para ir para Seide!
Num momento tudo se esclareceu. Do comboio fora descarregado um burro que se destinava a Camilo. O bacharel era o burro!
Havia no Porto, na Rua dos Clérigos, um negociante que tinha uma cara muito bochechuda. Em compensação, tinha uma filha que era o mais bonito palminho de cara de todo o bairro. Camilo, sempre que passava e via a rapariga dizia-lhe adeus e sorria, o que não agradava ao comerciante, que, por certo, conhecia a fama de Camilo, como conquistador. Ora, uma ocasião em que o romancista se desfazia em sorrisos e cumprimentos para a pequena, o pai desta, rompeu da loja com um côvado na mão e, em ar ameaçador, voltou-se para Camilo:
_Ó seu sem-vergonha, se vem para aqui desencaminhar a minha filha…
_Sem-vergonha, não! Quem não tem vergonha é você, seu comerciante das dúzias!
_Ah! Eu é que não tenho vergonha?
_Pois claro! – ripostou Camilo – Quando se tem umas bochechas como as suas, não se vem para a rua sem lhes enfiar uma calças!
………………………………………………
P.S.-Quem escreveu isto foi Luís de Oliveira Guimarães e, no volume de onde retirei estes episódios, aparece também, logo nas primeiras páginas esta frase do próprio Camilo:
“É preciso ter chorado para imortalizar o riso no livro, na estrofe, na sentença, na palavra.”
M.A.
Exposição de António Dulcídio e Maria Tereza

Exposição conjunta de António Dulcídio e Maria Tereza. Inauguração dia 12 de Abril (sábado), 16h
Angels Bar, Praia de Carcavelos.
António parabéns pela exposição e pelo seu fantástico trabalho aqui.
FC
08/04/08
AGUSTINA BESSA-LUÍS RECEBE DOUTORAMENTO DE UNIVERSIDADE ITALIANA

I Encontro Nacional Estudantes Marketing

Mais informações a partir do email: encontromarketing@gmail.com ou da consulta do blogue http://enemktcom.blogspot.com/.
07/04/08
A PONTE DO RIALTO

No Sec. XII, neste local, fazia-se a travessia sobre um estrado colocado sobre barcas, depois apareceram algumas pontes em madeira, que, rapidamente se deterioraram até que, em 1524, decidiram construir a primeira, em pedra. A ponte teve então início em 1588, foi seu arquitecto António da Ponte e, a inauguração fez-se em 1591. No entanto, a cobertura em arcos, para as lojas, tornando-a com o aspecto que tem agora, só apareceria mais tarde.
Mas é precisamente para vos contar uma lenda relacionada com esta afirmação que se faz, de que, pela Ponte do Rialto toda a gente passa com certeza que eu aqui estou, junto dos meus leitores:
Diz-se, que, ao regressar da sua grande viagem à China, juntamente com seu irmão Matteo e seu filho Marco, Nicolò Polo chegou a Veneza vestido tão andrajosamente que, sua mulher pegou logo nessas roupas e ofereceu-as ao primeiro pedinte que por ali passou. Nicolò zangou-se com ela mas, depois de pensar um pouco, saiu de casa e encaminhou-se para a Ponte do Rialto disposto a esperar. Faziam-lhe perguntas a que ele não respondia. O tempo passava , sendo cada vez maior o número de pessoas que se juntava à sua volta. E claro, a fazer jus à lenda, também o dito pedinte apareceu por ali. Então, Nicolo pulou de alegria por o seu raciocínio ter batido certo. Comprou uma roupa nova para o pedinte e regressou a casa, feliz, de novo, com os seus farrapos!
É que, nos forros dos ditos trapos, ele escondera, cosendo-as, jóias e pedras preciosas que valiam uma fortuna!
P.S. Elementos da lenda e foto retirados da revista Altaïr.
M.A.
Hoje é o Dia Nacional dos Moinhos

OS MOINHOS DE PORTUGAL ESTARÃO ABERTOS A TODOS!
Moinhos Abertos é uma iniciativa de alcançe nacional com o objectivo de chamar a atenção dos Portugueses para o inestimável valor patrimonial dos nossos moinhos tradicionais, por forma a motivar e coordenar vontades e esforços de proprietários, associações, Autarquias Locais, investigadores, molinólogos, entusiastas e amigos dos moinhos.
Mais informações aquiFC
06/04/08
E a Banda da Simecq tocou e encantou.....
Fica um breve apontamento desta actuação.
FC
CONVIDO A CONHECER:
A Custódia de Belém é uma das nossas peças de ourivesaria sacra de que, ao longo dos anos, mais se tem falado. Vem do tempo opulento das descobertas,(1506) quando o ouro nos chegava aos mesmo tempo que os feitos gloriosos dos nossos heróicos navegadores. Estou a falar, claro, do reinado de D.Manuel I.
Ninguém poderá ficar indiferente ao deparar, numa das vitrines do nosso Museu Nacional de Arte Antiga com esta rendada maravilha saída de mãos de artífices portugueses. Decorrido o momento inicial da visão da Custódia no seu conjunto, o nosso olhar desce para, no friso inferior dela, ler, em letras esmaltadas a branco:
O.MUITO.ALTO.PRINCIPE.E.PODEROSO.SENHOR.REI.DÕ.MANUELI.MDOV.FAZER.DO.OURO.DAS.PRAIAS.DE.QUILVA.AQVABOV.E.CCCCC.VI.
As seis esferas armilares , colocadas à volta do pé, além da inscrição, situam-na no tempo e, as aves e flores também esmaltadas, mostram já a superabundância de detalhes do estilo manuelino.
Na cúpula vê-se S. Pedro abençoando, entre uma série de colunas góticas filigranadas. Mas já o nosso olhar se encanta agora com as figuras dos apóstolos ajoelhados junto do hostiário. O esmalte dos rostos, tem um colorido que resistiu aos séculos e as fisionomias da cada um, todas diferentes entre si, são de uma minúcia que impressiona. Reparemos agora nos corpos e vestes, igualmente de uma grande perfeição.
O Rei guardou-a sempre consigo e, no seu testamento, fez saber nestes termos o destino a dar-lhe:
“Item mando que se dê ao mosteiro de Nossa Senhora de Belém a custódia que fez Gil Vicente para a dita casa e a cruz grande que está no meu thesouro, que fez o dito Gil Vicente.
Subsistem dúvidas se este nome se refere ao que foi também criador de vários autos teatrais conhecidos, se a um seu tio, com o mesmo nome, ourives em Guimarães.
Em linhas gerais aqui lhes trouxe a descrição de uma das mais emblemáticas peças da ourivesaria sacra portuguesa.
M.A.
05/04/08
MALHÔA E A BURRA DO MOLEIRO
O nosso grande pintor Malhôa não tinha, geralmente, dificuldade em arranjar modelos para os quadros que pintava. Todos se prestavam a posar para ele, até mesmo o povo com quem se cruzava pelo campo. Mas um dia…Há sempre um dia em que as coisas correm de maneira diferente. E, aqui, vou mesmo transcrever o que disse Júlio Dantas: Uma vez, Malhôa pediu a um moleiro de Pedrógão que lhe emprestasse a burra para modelo, uma jumentinha ruça, bíblica, com atafais novos e patas ligeiras de fauno, que parecia modelada em barro para um presépio de Machado de Castro. O homem estremeceu, rolou o sombreiro nas mãos, e não quis que Malhôa pintasse a burra.
_Mas porquê?
_Pode o animal ter aí uma dor, e para que há-de a gente estar com questões?
_Mas – insistiu o mestre – eu também pintei o retrato do seu filho e da sua mulher, e não lhes fez mal nenhum.
_Deixá-lo! O meu filho e a minha mulher não me custaram dinheiro; e a burra custou-me quinze moedas. Por fim, lá o convenceu, e a jumentinha do moleiro anima hoje com o seu albardão mourisco de volta em meia-lua, uma das mais mais belas paisagens de Malhôa.

Este episódio é ainda Júlio Dantas que o conta, no seu livro Abelhas Doiradas, escrito em 1920.
Uma bela manhã, em Figueiró dos Vinhos, estava Malhoa, com as senhoras, em volta da mesa do almoço, quando a criada anunciou o irmão do regedor de Bairrão (uma das freguesias de Figueiró), que insistia em falar ao artista. Mandaram-no entrar. Era um homem de quarenta anos, cara de Páscoa, tisnado do sol, jaleca de Saragoça, polaina, varapau, um barrete vermelho de campino a rolar nas mãos felpudas:
_Ora com sua licença!
_O mestre perguntou-lhe o que queria. O homem coçou na cabeça, engoliu em seco, olhou em volta as senhoras, gaguejou, riu e acabou por dizer:
_Vocemecê é que é o Senhor Pintor Malhoa?
_Sim senhor. Que é que você quer?
_Queria saber quanto vocemecê leva por pintar umas alminhas do Purgatório para a esmoleira de estrada.
E, lanzudo, desconfiado, hesitante, a face curtida a arrepelar-se num tique nervoso, o zambujo ferrado de estaca no sovaco, contou que fizera aquela promessa às almas se não lhe morressem dois bois eu andavam doentes. O barbeiro da terra tinha-lhe pintado um painel por oito tostões – um ror de dinheiro ! - mas não estava obra acabada. Fora então que o irmão do regedor se lembrara de encomendar a obra ao Senhor Malhoa, que, por muito mal que a fizesse – dizia ele – sempre a havia de fazer melhor. O artista ouviu, acabou de enrolar o cigarro, e, perante o assombro de sua esposa, disse ao homem que aceitava a encomenda e que visse dali a oito dias buscá-lo.
_E quanto é que custa?
_Isso, nós veremos depois.
Passada uma semana, o homem lá veio, calça nova e pescoceira branca domingueira, bateu à porta, entrou, estacou de boca aberta diante de um painel das almas que era uma maravilha, (Malhoa pintara-o com todo o seu talento, sem lhe tirar o sabor da ingénua imaginária popular) e, coçando com ambas as mãos a cabeça chamorra, destampou, aflito:
_Valha-me o Senhor Santo Cristo, que isto vai para mais de oito tostões!
O artista tranquilizou-o. Não era nada. Ofereciam ambos aquele presente às almas do Purgatório. O pobre homem, com o suor do júbilo a empastar-lhe os cabelos da testa, riu, chorou, dançou, travou do painel, embrulhou-o na manta que trazia, e à saída, abraçando respeitosamente o pintor, disse-lhe a meia-voz, para as senhoras não ouvirem, estas palavras que eram a expressão suprema da sua gratidão:
_Ó Senhor Malhoa, venha daí beber um copo de vinho!
E aqui têm como, no pobre estrada de Bairrão, à poeira e ao sol, se está perdendo um retábulo que é a obra carinhosa de um dos príncipes da pintura portuguesa contemporânea.
Nota: -Já que não tenho o tal painel para vos mostrar deixo-vos uma aguarela das "Alminhas do Sr. da Pedra", que existem em Macinhata da Seixa, terra onde nasceu minha Mãe. O desenho a carvão é um auto retrato de Malhôa.
M.A.
04/04/08
03/04/08
ACTUAÇÃO BANDA SIMECQ 6 ABRIL
A entrada para o concerto é gratuita .
Não perca!
FC
02/04/08
LEQUES
Hoje, falarei um pouco sobre leques.
Foram-se tornando sucessivamente mais sofisticados no seu fabrico mas, seria só no Sec XI que o Japão levaria para a China os primeiros leques com varetas, de abrir e fechar, mais ou menos como chegaram até à actualidade.
Até breve, em novo encontro, para uma outra qualquer amena conversa
M. A.
O Dia Internacional do Livro Infantil comemora-se hoje 2 de Abril

Entre os contos de Andersen, destacam-se: O Abeto, O Patinho Feio, A Caixinha de Surpresas, Os Sapatinhos Vermelhos, O Pequeno Cláudio e o Grande Cláudio, O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia, A Roupa Nova do Rei e A Princesa e a Ervilha, dentre outros.
Publicou ainda: O Improvisador (1835), Nada como um menestrel (1837), Livro de Imagens sem Imagens (1840), O romance da minha vida (autobiografia em dois volumes, publicada inicialmente na Alemanha em 1847), mas a sua maior obra foram os contos de fadas (Eventyr og Historier, ou Histórias e Aventuras) que publicou de 1835 à 1872), onde o humor nórdico se alia a uma bonomia sorridente, e onde usa simultaneamente a base constituída por contos populares e uma ironia dirigida aos contemporâneos.
Festa do Pijama na Biblioteca

Festa do pijama, atelier de expressão plástica, uma exposição de ilustração e um serão de contos com um convidado surpresa vão animar a noite, que comemora o Dia Internacional do Livro Infantil e é dirigido a crianças entre os 3 e os 10 anos.
Esta iniciativa intitulada Pijama às Letras começa no dia 28 de Março, na Biblioteca Municipal de Oeiras, pelas 21h15 com o atelier de Expressão Plástica: Quem veio à Biblioteca. A companhia de Teatro Instável apresentará a peça O Pequeno Polegar. Uma exposição com ilustrações originais de Carla Nazareth vai também animar o espaço.
Dia 04 de Abril o Pijama às Letras realiza-se na Biblioteca de Algés e dia 11 de Abril será a vez da biblioteca de Alfragide.
Para os pais e crianças que vão pernoitar na biblioteca está previsto um serão de contos que conta com a participação de todos para contar uma história de embalar, uma actividade conduzida por um convidado surpresa.
Para participar deve fazer uma inscrição prévia na biblioteca. Cada criança pode ser acompanhada por um ou dois adultos, numa proporção de 5 crianças por adulto. Devem levar pijama, saco cama, mochila e os seus livros favoritos.
Sapo
FC
01/04/08
OS LIVROS SÃO OS MEUS OLHOS MÁGICOS
Há muito, muito tempo, vivia na Índia antiga um rapaz chamado Kapil. Além de gostar muito de ler, era extremamente curioso. Tinha a cabeça cheia de perguntas. Por que motivo o Sol era redondo e por que mudava a Lua de forma? Por que cresciam tanto as árvores? E por que razão as estrelas não caíam do céu?
Kapil procurava as respostas em livros de folha de palmeira escritos por homens sábios. E lia todos os livros que encontrava.
Kapil levantou-se com o livro na mão e fez-se ao caminho. Enquanto percorria o duro e acidentado trilho que atravessava a floresta, não parava de ler. De súbito, o seu pé bateu numa pedra. Tropeçou e caiu. E logo um dedo começou a sangrar. Kapil ergueu-se do chão e continuou a caminhar e a ler, com os olhos colados ao livro. Não tardou a bater noutra pedra e, uma vez mais, estatelou-se. Desta feita doeu-lhe mais, mas o texto escrito em folha de palmeira fê-lo esquecer as feridas.
De repente, um clarão surgiu e ouviu-se um riso melodioso. Kapil levantou os olhos e deparou com uma formosa senhora, vestindo um sari branco. Ela sorria e uma auréola de luz rodeava-lhe a cabeça. Estava sentada num cisne branco e gracioso. Numa das mãos trazia um luminoso rolo de pergaminho. Com outras duas segurava um instrumento de cordas chamado veena. Estendeu a quarta mão para o rapaz e disse: "Meu filho, estou impressionada com a tua sede de conhecimento. Quero dar-te uma recompensa. Qual é o teu maior desejo?"
Kapil pestanejou de espanto. Diante dele encontrava-se Saraswati, a Deusa do estudo. No instante seguinte, o rapaz cruzou as mãos, fez uma vénia e murmurou: "Por favor, Deusa, dá-me um segundo par de olhos para os pés, a fim de que eu possa ler enquanto caminho."
"Assim seja" - e a Deusa abençoou-o. Tocou na cabeça de Kapil e a seguir desapareceu entre as nuvens.
Kapil olhou para baixo. Um segundo par de olhos brilhava-lhe nos pés e ele deu um salto de alegria. Logo a seguir, fixou os olhos no livro e desatou a caminhar pela floresta, apenas conduzido pelos seus pés.
Graças ao amor pelos livros, Kapil cresceu e tornou-se um dos sábios mais ilustres da Índia. Em toda a parte era conhecido pela sua imensa sabedoria. Também lhe puseram outro nome, Chakshupad, que em sânscrito significa "aquele cujos pés têm olhos".
Saraswati é a deusa do estudo e do saber, da música e da fala.
Esta é uma antiga lenda indiana sobre um rapaz que descobriu como o saber é transmitido pelas palavras, essas palavras que os homens sábios escreviam em manuscritos de folhas de palmeira.
Os livros são os nossos olhos mágicos. Dão-nos informação e conhecimentos e servem-nos de guias nos difíceis e acidentados caminhos da vida.
MANORAMA JAFA
(tradução: José António Gomes)
Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas
FC


























