31/12/08

Poema de Ano Novo


Recomeça….

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…

Miguel Torga

29/12/08

MONUMENTO AO EÇA DE QUEIROZ

(Clique para ampliar)




Quem sobe a Rua do Alecrim e chega ao Largo Barão de Quintela depara com um bonito monumento no centro de um canteiro de relva. São duas figuras em bronze, uma representando o escritor Eça de Queiroz que segura nos braços uma figura feminina, desnuda, apenas coberta com leves véus. Esta segunda figura é uma alegoria à Verdade. Na base, há, esculpida, uma frase do próprio Eça, escrita em português antigo– “Sobre a nudez forte da verdade o manto diáphano da phantasia”. Digamos que esta seria uma das características da sua forma de escrever.

Este grupo escultórico, ali colocado em 26 de Julho de 2001, é uma réplica de um outro, em pedra, feito em 1903 por Teixeira Lopes e inaugurada no mesmo ano. Devido aos sucessivos vandalismos que nele foram fazendo, houve que o substituir por este, em bronze, guardando-se, muito acertadamente, o original no Museu da Cidade.

Ora, se vos falo hoje nisto, é apenas para vos contar dois episódios bem humorados relacionados com esta estátua.

O primeiro passou-se entre o meu pai e um seu conhecido, pessoa pouco letrada mas, que nunca perdia ocasião de ‘se dar ares’ e fazer alarde de alguma coisa que, a seus olhos pudesse impressionar os outros. A sua mania da grandeza chegou ao ponto de mandar fazer cartões de visita em que os seus apelidos Marques de Sá mudaram para “Marquês de Sá”. Igualmente um dia mostrando ao meu pai as instalações dos galináceos, no seu quintal, apontou o cercado dos patos dizendo: “aqui é o meu patíbulo”!

Mas contemos então as tais histórias relacionadas com o monumento:

Desta vez, este nosso homem viera a Lisboa e tendo visto a estátua a que nos referimos, resolvera mesmo escrever num papel a frase que nela encontrara, para a repetir depois, ao meu pai, com o seu ar mais solene e erudito. Eu tentarei reproduzir na escrita o modo como ele a leu:
_ “Sobre a núdes forte da vérdade, o manto diapano da pantásia”…

Anos mais tarde numa conversa de amigas, tendo eu contado este episódio, alguém presente respondeu com um outro a que achei também imensa graça e, portanto, aqui o deixo para os meus leitores:

Aquando da inauguração, da primeira estátua, havia em determinada casa de Lisboa ( quem me contou disse ser de gente de sua família) uma rapariguita que, antes, estivera a servir em casa do próprio Eça de Queiroz. Então, a sua patroa da altura, achando que ela deveria gostar de ir ver o descerrar da estátua do antigo patrão, nesse dia, mandou-a à referida cerimónia. No regresso quis saber as suas impressões e o que ouviu terá sido mais ou menos isto:

_“Pois…foi muito bonito ver toda aquela festa, com música e tudo… achei que o Sr. Dr. até estava muito parecido com o que ele era… agora a senhora dele… essa é que, não estava nada parecida e…até, nem teve jeito nenhum mostrarem-na ali assim… toda em pelota!”

Espero que se tenham divertido com estas bem humoradas histórias de outros tempos!

P.S- A foto que ilustra o post é do blog “Olhares”. Escolhi-a por nela poderem ler a frase a que me refiro no primeiro episódio.

M.A.

28/12/08

Solidariedade


A Susana conseguiu dar felicidade a muitos rostos.

A tragédia bateu à porta destas mulheres.
Algumas muito jovens tinham deixado de sorrir, outras já com mais idade, diziam ter recebido energia na nossa terra.
Todas partem de lágrimas nos olhos, mas felizes com a visita que lhes foi proporcionada.
São estes os exemplos de solidariedade que provam que quando há vontade, tudo é possível!

Um exemplo de solidariedade a não esquecer.

Veja aqui a reportagem
Obrigada Susana. Parabéns a toda a equipa!
fc

27/12/08

POEMA AOS AMIGOS


Não posso dar-te soluções
para todos os problemas da vida,
nem tenho resposta para as tuas dúvidas ou medos,
porém, posso ouvir-te e compartilhá-los contigo.

Não posso modificar
nem o teu passado nem o teu futuro
posso, quando precisares,
estar junto de ti.

Não posso evitar que tropeces.
Somente posso dar-te a minha mão, para te amparar antes de caíres.
Tuas alegrias, teus triunfos, teus êxitos, não são meus.
Mas alegro-me sinceramente se te vejo feliz.

Não julgo as decisões que tomes na vida,
limito-me a apoiar-te, a estimular-te,
e a ajudar-te,
se mo pedes.

Não posso definir-te limites
Dentro dos quais devas actuar
Mas sim, oferecer-te esse espaço
necessário, para cresceres.

Não posso evitar teu sofrimento
quando alguma dor parte teu coração.
Posso porém chorar contigo e recolher os pedaços
para o recompor de novo.

Não posso dizer-te quem és,
nem quem deverias ser.
Somente posso, amar-te como és
e ser teu amigo.

Por estes dias pensei nos meus amigos e amigas.
Não estavas nem acima, nem em abaixo da média.
Não abrias, nem fechavas a lista
Não eras o número um, nem o número final.

Dormir feliz, trocar vibrações de amor.
Saber que estamos próximos.
Melhorar as relações, .aproveitar as oportunidades.
Escutar o coração. Acreditar na vida.

E tampouco tenho a pretensão de
Ser o primeiro,
o segundo, ou o terceiro
da tua lista.
Basta que me aceites como amigo.

Obrigada por o seres.



Jorge Luís Borges Acevedo nasceu em Buenos Aires, em 24 de Agosto de 1899 e faleceu em Genebra, ( onde está sepultado), em 14 de Junho de 1986. Foi um escritor, poeta, tradutor, crítico e ensaísta, mundialmente conhecido pelos seus contos e histórias curtas.

Fala-se que o seu bisavô Francisco, seria um português, nascido em 1770, que teria vivido em Moncorvo e depois emigrado para a Argentina, onde casou e veio a morreu

A partir da década de 80, afectado por uma cegueira progressiva passou a dedicar-se mais à poesia.

Estas, são umas brevíssimas notas biográficas do autor do belo poema que apresentamos acima, numa tradução livre do espanhol. Melhor será lê-lo na língua original.

Possivelmente, um dia, aqui falaremos de J.L.Borges mais pormenorizadamente.

M.A.

26/12/08

Exposição "permanente" - Almeirim


Digam lá se isto é ou não espírito criativo.....???

24/12/08

Feliz Natal - Presépio, Alenquer

Na encosta da vila de Alenquer, está instalado este presépio, que mais parece um postal de Natal.


Se é bonito de dia...

...vejam só como é lindo de noite.

E desta forma simples vos desejamos a todos um Feliz Natal.

Os votos para o novo ano, virão a seguir....


Fotos tiradas por mim a semana passada.
FC

23/12/08

CheeseCake doce sem açucar



Para quem não pode ingerir açúcar, aqui vai uma receita doce.

Ingredientes:

1 forma de 22cm de diâmetro.

Para 10 doses

* 175 g de biscoitos de boa qualidade (DIESE), esmagados

* 75 g de margarina magra para barrar

Para o recheio

* 15 g de gelatina em pó

* raspa e sumo de 1 laranja

* 200 g de requeijão magro

* raspa e sumo de 1 limão

* 90 ml / 6 colheres sopa Hermesetas em pó

* 1 manga grande, em puré

* 200 ml queijo fresco magro

* fruta para decorar


Confecção:

Derreter a margarina e misturar nos biscoitos esmagados.
Espalhar esta massa sobre a forma.
Num recipiente pequeno espalhar a gelatina sobre o sumo da laranja, deixar ensopar por 10 minutos e dissolver em banho maria.
Bater o requeijão com as raspas da laranja e do limão; acrescentar o sumo da limão, as Hermesetas, o puré de manga e o queijo fresco. Acrescentar a mistura com a gelatina.
Mexer.
Deitar sobre a base de biscoitos e deixar assentar de um dia para o outro.
Para servir, retire o cheesecake da forma.

Fonte: Hermesetas

Bom apetite
FC

21/12/08

PRESÉPIO



Hoje, estou de novo com os leitores mais pequeninos e, como estamos no Natal nada mais apropriado que trazer-lhes um presépio para brincarem. Se precisarem de ajuda, deve haver por perto um adulto que a dê. Beijinhos para todos e muitos presentes nos sapatinhos.

Divirtam-se clicando aqui.

M.A.

19/12/08

AMPULHETA


Quando o tempo tinha princípio e fim

Estivemos aqui em 13 de Novembro para vos mostrar parte de uma magnífica colecção de ampulhetas. Para quem já não se recorde queira clicar aqui. Hoje voltamos para abordar o tema num sentido mais histórico:

Na história das civilizações, os métodos usados para medir o tempo proporcionam aos historiadores uma leitura multidisciplinar elucidativa sobre as regras sociais, os desenvolvimentos tecnológicos e as técnicas decorativas dominantes nessas sociedades.

Muitos séculos antes de Paris, Londres e, depois, Genebra – que nunca mais perdeu a dianteira adquirida – se terem afirmado no mundo inteiro, a partir do Sec. XVII, como grandes centros relojoeiros, sobretudo depois de C. Huygens ter descoberto a mola em espiral reguladora do balanço do relógio, já a Mesopotâmea, o Egipto, a Grécia e todos os outros grandes centros de irradiação de artes e ciências da Antiguidade Clássica, utilizavam instrumentos de medida do tempo.

Entre esses mecanismos, apesar da sua eficiência ser limitada pela singeleza com que eram idealizados, a clepsidra e, sobretudo a ampulheta, perduraram até aos nossos dias, quanto mais não fosse como símbolos de uma época da História Universal. Outros como o nocturlábio, que eram apontados para a Estrela Polar, usando as guardas das Ursas Maior e Menor como ponteiros, que davam a hora durante a noite, quando havia céu limpo, caíram totalmente em desuso.

A clepsidra, em que a unidade de tempo era medida pela demora de uma certa quantidade da água a passar de um recipiente para o outro, e a ampulheta em que a água era substituída por areia, são, por certo os relógios mais antigos e aqueles que foram usados durante milénios.

Na época dos descobrimentos usavam-se a bordo ampulhetas de uma, duas ou até quatro horas, embora as mais correntes fossem as de meia hora, que já então era designada por “relógio”.
Para poetas e romancistas, a ampulheta foi e é uma permanente fonte de inspiração.
Até ao Sec..XVIII quando John Harrison construiu o primeiro cronómetro, não existiu nenhuma outra alternativa para medir o tempo a bordo dos navios. Se os relógios de sol eram inúteis em dias encobertos, os de pêndulo e de mola não eram de confiança devido aos balanços do navio.
Por isso, foi a ampulheta que nos disse que Vasco da Gama demorou dois anos a chegar a Calecut e a fazer a sua torna-viagem. Afinal, quem diria que a ampulheta, enquanto unidade de tempo tão pequena pode medir um percurso tão longo…

Este, é um pequeno excerto de um artigo também publicado na revista do Club do Coleccionador.
M.A.

17/12/08

NATAL

(Clique para ampliar)


Acabamos de receber este bonito poema da autoria da nossa Amiga Maria Clotilde Moreira e decidimos, de imediato, compartilhá-lo com os nossos leitores.
A foto que apresentamos é de um "registo" feito, há uns anos atrás, pela autora do post.


VOTOS DE BOAS FESTAS

TODOS OS ANOS HÁ NATAL
Apesar da guerra
Apesar da fome
Apesar dos homens sem pátria
E dos povos sem nação

Apesar das lágrimas
Das dores das mães
Das crianças famintas,
Das crianças soldados

Apesar da ganância
Das leis injustas
Das angústias dos sem trabalho
Dos desalojados

Apesar de tanta injustiça

A terra move-se
As tardes caiem
As noites acontecem
E há sempre uma manhã
que nasce Natal!
PAZ AOS HOMENS DE BOA VONTADE

De: Maria Clotilde Moreira

M.A.


16/12/08

OS ANOS DE EXÍLIO DA RAINHA D. AMÉLIA


Colecção Remi Fénérol – 20 de Novembro de 2008 a 30 de Abril de 2009
Casa-Museu Dr Anastácio Gonçalves
A história da que é hoje a colecção Rémi Fénérol começou como um acto único de preservação da memória da Rainha D. Amélia por parte daqueles que a serviram ao longo dos anos, por vezes mais do que uma geração, quer em Portugal quer nos anos de exílio no Reino Unido e em França. O espólio não reclamado por nenhum dos familiares mais próximos de D. Amélia após a sua morte em, em 1951, em grande parte porque não contemplado em testamento, assim como muitos outros objectos que a rainha generosamente ofereceu aos seus empregados durante anos, foi guardado nos sótãos dos Girard-Souza-Moreau, dos Jouve e de outros para quem as peças provenientes da Rainha eram relíquias a guardar.

O actual coleccionador, Remi Fénérol começou por reunir tudo aquilo que dissesse respeito a D. Amélia, que, para além de ser bisneta do rei Luís Filipe de Orleans era rainha. Começava assim a actual Colecção. Ao longo dos anos foram sendo acrescentadas peças provenientes de espólios de outros antigos servidores, comprados directamente a estes ou aos seus familiares, bem como objectos oriundos de leilões de familiares da rainha que haviam recebido peças em herança.
Os objectos que agora se apresentam, são uma pequena selecção de uma colecção maior que reúne os mais variados tipos de obras: vestuário, pequenos objectos de colecção, pintura, fotografia, livros, documentos e parte dos diários da Rainha.

José Alberto Ribeiro
Director da Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

Nota- Este blog publicou em 22 de Agosto passado um apontamento sobre esta última Rainha de Portugal, sob o título de “Confissão de uma mulher”.
Para o reler queira
clicar aqui. Julgo que esta exposição será uma boa oportunidade de ficar a saber um pouco mais sobre esta personalidade da nossa História.

M.A.

15/12/08

Livros

Respondendo ao desafio da Gi, sobre os livros da minha infância, e como continuo pequena, sugiro que neste Natal ofereçam livros.
Hoje também fui comprar alguns aqui e aqui. Ora vejam se não vale a pena...

"Feira do Livro do IPPAR quer aproximar público do património


A I Feira do Livro do Instituto Português do Património Arquitectónico arranca segunda-feira em diversos pontos do país, colocando em promoção cerca de 300 títulos diferentes, revelou esta sexta-feira o IPPAR.

«Vai ser uma oportunidade para os portugueses guardarem um pedacinho do património português», afirmou à Lusa a responsável da divisão comercial do IPPAR, Isabel Melo, acrescentando que a feira do livro vai decorrer «nas lojas de todos os monumentos do Instituto».

Porém, apenas a loja do Palácio Nacional da Ajuda reunirá exemplares das três centenas de livros editados pelo IPPAR, pois os outros monumentos terão apenas algumas das obras, que no certame vão estar disponíveis com um desconto entre os 10 a 80 por cento.

Segundo Isabel Melo, «o IPPAR edita obras com preços muito variáveis, dos dois aos 100 euros, pelo que, com a incidência do desconto, alguns livros poderão ser adquiridos até a 80 cêntimos».

Além dos livros, também vão figurar na feira os três volumes do CD-ROM «Inventário Artístico de Portugal», assinalou a responsável, segundo a qual o ânimo para este certame nasceu «do sucesso que o IPPAR obtém com a sua participação na Feira do Livro de Lisboa».

A iniciativa, que vai «ajudar a escoar» obras publicadas pelo Instituto, pretende, sobretudo, «aproximar o público do património português, pois o leitor que se deslocar à feira pode não resistir à tentação de visitar o monumento», afirmou Isabel Melo.

A I Feira do Livro do IPPAR vai decorrer até 29 de Abril no Palácio Nacional da Ajuda, Panteão Nacional, Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém, Palácio Nacional de Queluz, Palácio Nacional de Sintra e Palácio Nacional de Mafra.

Os livros vão também estar em promoção no Palácio Nacional da Pena (Sintra), Mosteiro de Santa Maria da Vitória (Batalha), Convento de Cristo (Tomar), Paço dos Duques (Guimarães), Mosteiro de São Martinho de Tibães, Mosteiro de Alcobaça e Fortaleza de Sagres.

Diário Digital / Lusa"

e

"Natal do Livro nas Lojas dos Museus e Palácios

Até 30 de Dezembro

No período de Natal, o Instituto dos Museus e da Conservação renova a sua oferta nas lojas dos Museus e Palácios e na Loja do Palácio Foz, em Lisboa.

Catálogos de colecções e de exposições temporárias, livros de museologia, roteiros e publicações infanto-juvenis, são disponibilizados ao público com descontos apelativos que podem chegar até aos 90%"

fc



14/12/08

UM POEMA DE AMOR



Há já algum tempo que neste blog não aparece poesia. Resolvi portanto ir hoje buscar este bonito soneto do portuguesíssimo António Gedeão.

De seu verdadeiro nome Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, (1906-1997), ele foi um ilustre professor, pedagogo, investigador de História da ciência em Portugal, bem como grande divulgador igualmente da ciência. Participou na realização de alguns manuais escolares especialmente na área da física e da matemática. Académico efectivo da Academia de Ciências de Lisboa e Director do Museu Maynense da mesma Academia de Ciências.
O Ministério da Ciência e da Tecnologia, resolveu, em 1998, escolher a data do seu nascimento, 24 de Novembro, para a comemoração do Dia Nacional da Cultura Científica.

Como poeta, escreveu sob o pseudónimo de António Gedeão. É curioso mencionar que, tendo escrito os seus primeiros versos aos 5 anos, só aos 50 publica o primeiro livro de poesia, por desvalorizar este seu talento. Que pena teria sido nunca termos conhecido a “Pedra Filosofal”, “Poema de Galileu”, ou a “Lágrima de Preta”!
Deixo-vos agora com a leitura deste soneto seu, talvez menos conhecido que os outros poemas mencionados mas, que acho igualmente bonito também. Como sugestão de leitura, convido-vos a irem procurar mais daquilo que ele nos deixou, nos livros, “Máquinas de Fogo”, “Teatro do Mundo”, “Poemas Póstumos”, ou “Poesia Completa”.
M.A
.



A UM TI QUE EU INVENTEI


Pensar em ti é coisa delicada.
É um diluir de tinta espessa e farta
e o passá-la em finíssima aguada
com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em mínima balança,
um armar de arames cauteloso e atento,
um proteger a chama contra o vento,
pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,
um correr sobre lã que ninguém saiba e oiça,
um planar de gaivota como um lábio a sorrir

Penso em ti com tamanha ternura
como se fosses vidro ou película de loiça
que apenas com o pensar te pudesses partir.



António Gedeão
13/Junho/2006


13/12/08

Dia do Pedreiro 13/12


Quando rumou à Capital na procura de melhores condições para a família, iniciou a sua nova profissão de pedreiro.

Na aldeia deixou mulher, filhos, irmãos, pais e demais familiares.

Para todos os trabalhadores vindos de longe, na época, o trabalho na construção implicava dormir na obra de que era automaticamente guarda. Era o responsável não só pelas instalações como também pela guarda das ferramentas.

Vivia como podia, ora aqui ora ali, sem o mínimo de condições, mas esse era o preço pago pela prestação de trabalho longe das azáfamas rurais.

Tudo era melhor que viver no campo a trabalhar de sol a sol. Não que se trabalhasse menos bem pelo contrário, mas porque nas obras tinha um salário.

Sempre dava para mandar dinheiro para a terra, para o sustento dos que lá tinham ficado...

Nas férias numa interminavel viagem de comboio, ia para junto da família. As saudades eram muitas de um e de outro lado.

A chegada do Malheiro era um momento mágico para os mais pequenos; o abrir da mala, a excitação de receber um presente vindo da Capital, a alegria nos rostos, a união da família, tudo era fantástico naquele bocadinho de tempo, que passava rapidamente. Num ápice tudo voltaria ao normal, ao afastamento, à saudade...

Havia contudo tempo para brincar com os filhos, passear com a família, visitar os amigos, caminhar pela aldeia, aconchegar pequenas obras em casa, partilhar conhecimentos adquiridos. Quantas vezes novas receitas culinárias vinham pela mão destes homens para as suas aldeias.

O pedreiro, com as suas mão habeis, construiu ao longo de ruas e avenidas casas modestas e finas com janelas e varandas, prédios altos e vivendas com paredes de mil cores, aplicou azulejos e mosaicos alinhados e nivelados, colocou a folha de louro bem no cimo dos telhados.

Muitos conseguiram estabilizar a vida, e trazer para junto de si a mulher e os filhos, e muitas vezes "davam ainda a mão" a familiares que procuravam tal como eles uma vida melhor. Outros logo que podiam voltavam à aldeia, ou então partiam para um País distante...

Ao pedreiro, homem que no seu fato de macaco cinzento, conhecedor que se tornou da técnica da construção, sabia ler os desenhos, usava com precisão e destreza as ferramentas, chapava massa, assentava o tijolo, enchia placas, punha de pé a estrutura de tantas casas, fica a minha homenagem.

fc




12/12/08

CONTRA A INDIFERENÇA


O nome do Dr. Fernando Nobre já dispensa quaisquer apresentações, quer pelo homem de bem que é, quer pela obra que criou, a AMI, no auxílio a quem mais precisa. Ele diz, quanto a nós com inteira razão, que as duas mais graves doenças da humanidade são a Intolerância e a Indiferença. Convidamos todos os nossos leitores a adicionarem este seu blog aos vossos Favoritos. Nele, acho que todos viremos a encontrar temas que nos farão reflectir seriamente e, quem sabe até, nos levarão também, a crescer um pouco, como pessoas!
Bem haja Dr. Fernando Nobre por ser como é e vir fazendo o que faz!


Deixamo-vos a seguir, em palavras suas, uma vez mais, a manifestação do lema que tem orientado a sua vida:
M.A.

O MEU BLOG “CONTRA A INDIFERENÇA”
A razão deste blog é muito simples: ser um espaço de liberdade onde exprimirei livremente, sem constrangimentos nem rodeios e intermediários, os meus pensamentos e reflexões sobre todos os temas que me interpelam, ou que o venham a fazer, e que me fazem, ou farão, gritar contra a indiferença que, como a intolerância e a ganância, considero ser uma das doenças mais mortíferas da Humanidade.

Assim fazendo espero dar o meu contributo para o reforço da Cidadania Global Solidária. O meu lema será só e apenas este: recusar acomodar-me.

Este blog é mais um passo no assumir das minhas responsabilidades de cidadão do mundo atento e activo. Tudo farei para me manter sempre coerente com os Valores e Princípios que nortearam a minha vida até hoje bem consciente de que, se tenho Direitos inalienáveis, tenho sobretudo Deveres irrecusáveis para com o meu País e o Mundo.
Tentarei pois partilhar com todos vós, meus amigos, as questões que tanto me interpelam e por vezes, confesso, me angustiam ou me iluminam.
Essas questões são: as crises humanitárias, as guerras, a fome, a corrupção, a cidadania global, as alterações climáticas, a exclusão social e a pobreza, as migrações, os direitos humanos, os povos esquecidos, o voluntariado, os conflitos sociais, o civismo, o alertar consciências, a globalização ética e cultural, a governação ou desgovernação global na política ou nas finanças…
Este blog pretende pois apenas dar um singelo contributo à Democracia e à Paz em Portugal e no Mundo em nome do Ser Humano, lutando irredutivelmente pela Liberdade e pela Fraternidade.
Essa é a minha profissão de fé enquanto ser livre que sou.

11/12/08

reCANTOS do JARDIM MUNICIPAL DE OEIRAS












Este espaço verde possui lagos, árvores, patos, pombos e um grande espaço infantil, com um parque de baloiços e outras diversões.
A Ludoteca funciona numa carruagem de carro eléctrico, onde os mais pequenos podem ler, desenhar, pintar e jogar, entre outras actividades.
O jardim, dividido longitudinalmente pela ribeira da Laje, que noutros tempos abasteceu Oeiras, mas pela qual, hoje, apenas corre um ínfimo fio de água, surge da junção de duas quintas: do lado direito, a Quinta do Arriaga, conhecida pelo seu bosque, tanques e arcos; do lado esquerdo, a Quinta do Proença, onde se vêem tanques de rega e o jardim das laranjeiras.
Fotos minhas
fc

10/12/08

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM 1948-2008

(Clique para ampliar)


SEIS DÉCADAS À PROCURA DA SOLIDARIEDADE

NA MESMA CIDADE ONDE FORA PROCLAMADA A HISTÓRICA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO DE 1789, A ONU ADOPTOU, EM 1948, A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM REDIGIDA POR ELEANOR ROOSEVELT E DOIS OUTROS JURISTAS. SESSENTA ANOS DEPOIS, QUAL O ESTADO DESTE PATRIMÓNIO COMUM DA HUMANIDADE? SERÁ QUE AINDA TEM ACTUALIDADE ESSA PROPOSTA DE DIGNIDADE E DECÊNCIA UNIVERSAL? SERÁ QUE A SOLIDARIEDADE SONHADA AINDA PODE DAR FRUTOS?
Os trinta artigos da Declaração organizam-se em torno de quatro grandes dimensões: a das prerrogativas pessoais de todos os indivíduos, como o direito à vida, o direito de não ser torturado ou escravizado, o de ser protegido pela lei e por uma justiça imparcial; a dimensão dos direitos decorrentes da vida em sociedade, como direito à vida privada, à família e à propriedade, o direito de circulação, nacionalidade e asilo; a dimensão das liberdades públicas, como a de pensamento e de crença, a de expressão, reunião e associação, ficando bem explícito, no artigo 21º. que “a vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos”; finalmente, a dimensão dos direitos económicos, sociais e culturais, onde são proclamados os direitos ao trabalho, ao salário ( “igual para trabalho igual”), à segurança social, ao descanso e às férias, bem como os direitos à saúde e ao bem-estar, à educação básica gratuita e à participação na vida cultural e científica.

Hoje, resta saber se a contemporaneidade consegue ainda chamar à colação a Declaração de 1948 – esse contrato de ambições planetárias, esse enorme património comum da humanidade, esse fortíssimo apelo à solidariedade – e rentabilizar tal texto fundador como instrumento de cidadania universal, de revalorização da cultura, do ambiente e da própria vida.

- A 1ª foto (arquivo do Diário de Notícias) mostra Eleanor Roosevelt com o texto da Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovado em 1948.
- A 2ª foto mostra a moeda comemorativa do 60º Aniversário da mesma Declaração, com o valor facial de 2 € e editada pela Casa da Moeda. Foram seus autores Luc Luycx e João Duarte.

Excerto de um artigo de Jorge M. Martins publicado na revista do Club do Coleccionador.
Fotos retiradas do mesmo artigo.

M.A.

09/12/08

Convite - exposição pintura - Galeria Aberta


Até ao próximo Sábado pode visitar a exposição.
Hotel Albatroz - Cascais

08/12/08

8 DE DEZEMBRO, FESTA DA IMACULADA CONCEIÇÃO

(Clique para ampliar)



A Imaculada Conceição é um dogma da Igreja Católica Romana e o Papa Pio IX, em 8 de Dezembro de 1854,na Bula Ineffabilis fez a definição oficial do dito dogma, segundo o qual, a Virgem Maria foi preservada do pecado original desde o seu nascimento. Esta festa litúrgica passou então a ser celebrada no dia 8 de Dezembro.

Em Portugal sempre existiu uma devoção grande a Nossa Senhora e, conforme as terras e as gentes assim se foi criando também uma diversidade de nomes sob os quais ela é invocada.

Em Vila Viçosa vamos encontrar um belíssimo Santuário Mariano, justamente dedicado a Nossa Senhora da Conceição cuja imagem está na foto que abre este post. Este Santuário é também igualmente conhecido por “Solar da Padroeira” e, a razão, tem a ver com o facto de, em 25 de Março de 1646, (6 anos após a Restauração da Independência) o rei D. João IV ter decidido proclamar Nossa Senhora da Conceição Padroeira de Portugal, oferecendo-lhe a coroa real com que ele próprio havia sido coroado. A partir desta data, nenhum dos monarcas portugueses que se lhe seguiram, isto é toda a Dinastia Bragantina, voltou a usar este atributo real.

Durante muitos anos esteve também associada a esta festa a comemoração do”Dia da Mãe”, oportunidade dada aos filhos para homenagearem as suas próprias mães. Em dado momento, não sei bem porquê, foi decidido alterar esse hábito e transferir a comemoração às mães para o primeiro domingo de Maio, assim se mantendo na actualidade.

Aqui lhes deixo um breve apontamento para assinalar o dia de hoje.

M.A.

06/12/08

O PINTOR MARAVILHOSO

UM BELO DIA, DEUS ENTORNOU UMAS QUANTAS LATAS DE TINTA SOBRE ESTE NOSSO PLANETA.
ENTÃO… VEJAM ALGUNS EXEMPLOS DO RESULTADO:








Vivemos num mundo maravilhoso.
Façam de cada dia uma maravilha também.
Cultivem a paz .
Vivam simplesmente.
Amem generosamente.
Cuidem-se profundamente.
Falem gentilmente.
Deixem o resto ......com o pintor!!!

M.A.

05/12/08

Parabéns Dr Gonçalves Isabelinha pela passagem do seu 100º aniversário


Joaquim Gonçalves Isabelinha Nasceu em Almeirim a 5 de Dezembro de 1908. Um grande médico, um talentoso desportista, mas, acima de tudo, um homem de uma generosidade incomparável. Amigo de conhecidos e desconhecidos. Conhecido como "o pai dos pobres", deixou o consultório há quatro anos mas continua a ajudar quem lhe pede auxílio. Continua atento às notícias nos jornais, tem sempre dois livros na cabeceira e um bolso cheio de rebuçados.
Na “cidade dos doutores” o seu jeito para a prática do futebol atinge o expoente. A par do curso jogava na Académica, de que é um dos sócios mais antigos. Chegou a defrontar o Porto e o Benfica em jogos amigáveis, pois à época a Académica ainda não disputava o campeonato nacional. Diz que o tratavam por “adversário amigo”. A ligação afectiva a Coimbra foi cimentada pelo nascimento dos seus filhos nessa cidade.
Mas foi também durante a sua estada em Coimbra que ocorreu um dos grandes dramas da sua vida. estava-se na quadra natalícia, andava Joaquim Isabelinha no segundo ano do curso. Na antevéspera de Natal falece a sua mãe e passados doze dias, na véspera de Reis, morre o pai. Acontecimentos nefastos obrigaram-no a tomar decisões que definiram o curso da sua vida.
O então estudante de Medicina assume que não tem jeito para os negócios e decide continuar o curso. Do património deixado pelos pais faz questão de não alienar nada. Recorre a um empréstimo bancário para financiar o resto do curso. Depois de três anos e meio de especialização em Oftalmologia, tirada em Lisboa, assenta arraiais em Santarém. Em 1940 ele e Rui Puga eram os únicos especialistas da área em Santarém. Prestou também serviço no hospital da cidade.
Entendeu sempre a medicina como um sacerdócio. Era frequente aparecerem-lhe no consultório do Largo do Seminário pacientes sem posses para pagar a consulta. Joaquim Isabelinha nunca negou os seus préstimos a ninguém. Quem não podia pagar era assistido gratuitamente. A sua faceta de benemérito, reconhecida pela comunidade, levou-o durante anos a distribuir dinheiro por pessoas carenciadas da sua Almeirim natal, onde tem nome de rua, tal como em Santarém.

A MATEMÁTICA AJUDA SEMPRE…


Shakespeare disse um dia que, embora a vida exija de nós ser encarada com muita seriedade, precisamos igualmente de ter, por perto, um amigo, com bom humor, para “temperar” essa mesma seriedade. Não podia estar mais de acordo. É sempre bom que sempre que possível , no nosso dia a dia, uma graça surja para fazer despertar em nós, um sorriso, que ajude a quebrar a rotina.
Hoje proponho-me ser esse tal amigo e oxalá consiga levar a cabo a missão, isto é, deixá-lo a si, que me lê, com um sorriso no rosto. Queira então entrar comigo nesta pequena brincadeira…

Pense a quantas pessoas já ouviu dizer que, no emprego, estão a dar 100 % do seu esforço. A si, por exemplo talvez até já lhe tivessem pedido que fosse mais além dos 100%, verdade? E que tal, conseguir ir até aos 200% ou mesmo até...ultrapassar essa percentagem?
Ora, aqui fica uma pequena matemática que pode ser útil:

Se às letras do alfabeto
A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S TU V W X Y Z
Atribuirmos uma numeração, teremos portanto
1-2-3-4-5-6-7-8-9-10-11-12-13-14-15-16-17-18-19-20-21-22-23-24-25-26

-Tomemos agora, como exemplos, as palavras seguintes:
DEDICAR-SE ….04+05+04+09+03+01+18+19+05 = 64%
Não adianta “dedicar-se”, pois 64% fica muito aquém!

-SABEDORIA…19+01+02+05+04+15+18+09+01 = 74%
Bom, “sabedoria” também não serve, soma 74% o que continua a ser muito pouco ainda!

-TRABALHAR …10+18+01+02+01+11+08+01+18 = 80%
Subiu um pouco mas, “trabalhar” é evidente que não resulta, ainda fica só nos 80%!

-ATITUDES …O1+20+09+20+21+04+05+19 = 99%
“Atitudes” já o fizeram chegar aos 99%, o que é bonito… mas ainda não suficiente!

Então, vamos concluir, dando-lhe uma brilhante sugestão que o levará ao máximo da sua capacidade e, o que é mais importante ainda, irá fazer de si, justamente, o mais valorizado e levá-lo rapidamente a um lugar de chefia. Experimente:

“DEIXAR CORRER O MARFIM” (Que é como quem diz, não fazer nada)
04+05+09+24+01+18+03+15+18+18+05+18+15+13+01+18+06+09+13 = 213%
Perfeito e resulta, como vê!
Espero que se tenha divertido.

M.A.

03/12/08

O MARÉGRAFO DE CASCAIS – UMA RARIDADE CENTENÁRIA



HÁ UNS CASINHOTOS ESTRANHOS NA NOSSA COSTA. NÃO SÃO MUITOS E A MAIORIA PASSA DESPERCEBIDA. O MAIS CONHECIDO E TAMBÉM O MAIS ILUSTRE LOCALIZA-SE EM CASCAIS, NO LADO DIREITO DA BAIA, JÁ QUASE NA MARINA. ESTÁ UM POUCO ABAIXO DO PASSEIO DA RAINHA DONA MARIA, JUNTO ÀS MURALHAS OESTE DA FORTALEZA. PARECE UMA GUARITA. GUARDA UM MARÉGRAFO.

Em tempos, o marégrafo de Cascais foi um aparelho fundamental para medir a altura das marés, definir o zero hidrográfico e estudar a evolução do nível das águas do mar Está agora ultrapassado por um aparelho mais moderno, muito mais pequeno e mais eficiente, que se localiza nas águas da marina. Mas o velho marégrafo de Cascais, construído em 1882, tem um passado ilustre.
A primeira utilidade dos registos das marés é criar uma série histórica de que se pode extrapolar o futuro. Sabe-se, desde Newton, que as marés são provocadas pela diferença de atracção do nosso satélite sobre os diferentes pontos do nosso planeta. Na parte da Terra virada para a Lua, a atracção é maior e as águas sobem. Na parte da Terra oposta à Lua, a atracção é menor e as águas também sobem afastando-se do nosso satélite. Nas restantes áreas da Terra as águas descem, transferindo-se massas oceânicas para as zonas de maré-alta.
Ao efeito da Lua junta-se, mas em menor grau, o do Sol, exactamente pelas mesmas razões. Umas vezes o nosso satélite aparece alinhado com o Sol, alturas em que a força dos dois astros se adiciona, provocando marés mais fortes, as marés vivas. Outras vezes está em posição desalinhada, causando marés mais fracas.
O movimento das águas depende ainda do recorte da costa, da profundidade das águas costeiras, dos movimentos fluviais, da pressão atmosférica e de muitos outros factores.
No Sec. XIX o célebre físico inglês William Thomson, mais tarde conhecido por Lorde Kelvin, percebeu que a única maneira pratica e eficaz de fazer previsão de marés num determinado porto, consistia em recolher dados sobre a subida e descida das águas e extrapolar esses dados de acordo com um modelo matemático que desenvolveu.
Entrando no casinhoto vê-se ao fundo um poço estreito mas bastante profundo. Uma bóia está suspensa nesse poço e comunica com um aparelho central, permitindo medir o nível da superfície do mar. Como o poço atinge as águas da Baia de Cascais através de um tubo profundo, as ondas são amortecidas e a bóia oscila menos que as águas da baia. Filtra-se o sinal, como se diz em estatística.

Um mecanismo de cabos e roldanas comunica o nível do mar a uma peça que tem no terminal uma caneta. A caneta escreve num papel que está enrolado num tambor. O tambor é movido por um mecanismo de relojoaria bastante preciso que roda lentamente, dando uma volta completa em 24 horas. Ao fim do dia fica registada a evolução do nível das águas. Um funcionário muda a cor da caneta. Ao fim da semana, troca a folha de papel por outra. Retorna-se à estaca zero. Assim tem sido durante décadas e décadas. Os registos do marégrafo de Cascais geram uma das séries de dados mais longas do mundo.

Quando foi feito o primeiro levantamento geodésico rigoroso do país, no Sec XIX, foi necessário referir a altitude de cada ponto ao nível do mar. Usaram-se para isso os dados do marégrafo de Cascais.
Na realidade o levantamento estendeu-se de 1857 a 1892 e a publicação das cartas foi feita entre 1862 e 1904. Foi um trabalho muito demorado. Dele resultou a primeira Carta Corográfica de Portugal, na escala de 1 para 1000 000, o que quer dizer que cada centímetro da carta representava um quilómetro e que Portugal aparecia com a largura aproximada de dois metros.

Ao passar por Cascais, não nos esqueçamos de de olhar para aquele modesto casinhoto, meio esquecido na ponta da baia. Passa já um século sobra a data em que ele contribuiu para o primeiro mapa moderno de Portugal. Os marégrafos não se medem aos palmos.

Excerto de um trabalho do Prof. Nuno Crato (Prof de Matemática e Estatística do ISEG), publicado na revista do Club do Coleccionador.
As fotos são do mesmo escrito e mostram a primeira, uma antiga vista da baia com o marégrafo em baixo, à direita.
As outras três,mostram, respectivamente:
- Relógio construído em 1877. Funciona desde a instalação do marégrafo e marca a rotação do tambor.
- O tambor faz uma rotação diária. Todos os dias se muda a cor da caneta.
- Ao fim de uma semana retira-se o papel, onde ficam registados os níveis da água ao fim de sete dias.

M.A.

Dia Internacional do Deficiente 3/12


Hoje queremos deixar um abraço muito especial a todos os portadores de deficiência.


Oxalá tudo vá melhorando de forma a permitir o seu acesso a todos os lugares. Bem sabemos como coisas simples são barreiras difícieis de transpor.


Fica entretanto o link deste blog, para que simbólicamente possamos dar o tal abraço.


fc

01/12/08

Partiu uma amiga

Aos 96 anos de idade, a Srª Dª Fernanda Tristany, partiu hoje para o repouso eterno.
Com uma vida repleta de boas emoções, com uma família fantástica que a acompanhou de forma exemplar até ao último momento, a Srª Dª Fernanda deixou excelentes descendentes.
É mãe da nossa querida Francisca Carvalho, Coordenadora do Atelier da Artes da Simecq e vice Presidente da mesa da Assembleia Geral, avó do Paulo e do Carlos António, atletas da nossa colectividade.

A todos os familiares, sem excepção, filhos, netos, sobrinhos deixamos o nosso abraço.
fc

1º DE DEZEMBRO - RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL

Aclamação de D.João IV



A morte sem sucessão de D. Sebastião, em 1578 deu o trono a seu tio o Cardeal D, Henrique e falecido este, vários acontecimentos originaram que o trono de Portugal caísse no domínio espanhol. Entramos pois na chamada Dinastia Filipina, 1580/1640.
Tempos conturbados estes!

Foi um descontentamento crescente, tanto da burguesia como da aristocracia portuguesas, que, a pouco e pouco, fez nascer um movimento de conspiração (diz-se que seriam 40 os conjurados) o qual culminaria no golpe de 1 de Dezembro de 1640. Nesta madrugada dirigiram-se os fidalgos e restantes homens armados ao Paço da Ribeira, aprisionaram a princesa regente, Duquesa de Mântua, e logo depois o secretário de estado, Miguel de Vasconcelos que, reza a lenda foi assassinado e atirado de uma janela para a rua.

Para futuro Rei de Portugal estava já escolhido o Duque de Bragança, depois, solenemente aclamado, em 15 de Dezembro, no Terreiro do Paço, como D. João IV, o Restaurador.
Sabe-se que sua mulher, D. Luísa de Gusmão terá tido uma acção decisiva junto do marido, a princípio hesitante em colaborar na rebelião contra os Filipes. São-lhe atribuídas as frases históricas de que “vale mais ser rainha uma hora que duquesa toda a vida” e “é preferível morrer reinando do que viver servindo”. Mais se conta ainda que, na mesma altura, ao uso da época, armou cavaleiros os seu dois filhos, Fernão e António para que pudessem também colaborar nesta importante operação da nossa História. É ela ainda que fica a reinar, como Regente, após a morte do rei em 1656.

Este, é pois, um breve apontamento sobre o feito histórico do 1º de Dezembro de 1640 que hoje se comemora. Como complemento, fica também aqui a patriótica letra do Hino da Restauração.

Portugueses celebremos
O dia da Redenção
Em que valentes guerreiros
Nos deram, livre, a Nação.

A Fé dos Campos de Ourique
Coragem deu, e Valor
Aos famosos Quarenta,
Que lutaram com ardor.

P'rá frente! P'rá frente
Repetir saberemos
As proezas portuguesas

Avante! Avante!
É a voz que soará triunfal.
Vá avante, mocidade de Portugal!

Nota- Este hino, ainda hoje é cantado, como marcha popular, em alguns lugares de Portugal fazendo fronteira com Espanha !
-D. João IV é o monarca que dá início à 4ª e última Dinastia da História de Portugal, denominada de “Bragança”.

M.A.
Sociedade de Instrução Musical e Escolar Cruz Quebradense

Localização

Localização
Localização