Embora este dueto seja, por alguns, atribuído a Gioachino Antonio Rossini, o célebre compositor italiano que, deste modo, estaria a ridicularizar as sopranos que desafinavam nas suas actuações, julgamos que isso não está comprovado. Parece antes tratar-se de uma compilação feita em 1825, com excertos de algumas das suas obras, especialmente da opera Otello mas, o seu autor, teria sido o inglês Robert Lucas Pearsall, sob o pseudónimo G. Berthold. Este dueto é cantado por dois sopranos e a letra não passa do “miau” que é a linguagem habitual de qualquer bichano. Como se adivinha é um trecho musical cheio de bom-humor e ouve-se, geralmente, nos concertos como encore (a)
(a) Para quem possa tenha dúvidas sobre o significado deste termo, diremos que, quando no fim de um concerto, a intensidade dos aplausos do público se faz sentir com calor e prolongadamente, da parte da orquestra ou do solista há, como retribuição, um (por vezes até mais do que um! ) trecho musical extra, deste modo designado.
Há anos, na Gulbenkian, assistimos a um concerto do violinista Igor Oistrakh, onde se gerou um clima tal entre solista e público que os encores se sucederam uns atrás de outros e valeram por um segundo concerto! Se alguém que nos lê também lá tiver estado saberá bem do que falamos porque, de certeza, que não esqueceu tal concerto!
M.A.