Como tudo começou

13/05/08

CALÇADA PORTUGUESA



Não creio que exista alguém cujos olhos nunca tenham pousado nas maravilhas que se desenrolam sob os nossos pés, vulgarmente denominadas por Calçada Portuguesa, ou, por Mosaico Português! Fui procurar elementos para saber como tudo começou e …

Em 1842, o Governador de Armas do Castelo de S. Jorge, Tenente. General Eusébio Pinheiro Furtado, aproveitou mão de obra de presidiários para que fosse feita uma calçada em pedra, inventando assim o que veio mais tarde a chamar-se Calçada Portuguesa. O desenho desta obra resumiu-se a um simples zig-zag nas cores branca e preta, mas o seu sucesso foi tal que proporcionou logo ao referido oficial verba para que a zona do Rossio (8.712 metros quadrados) fosse, logo a seguir, revestida também com a mesma calçada. A ideia fez moda e, a pouco e pouco, refinou-se o sentido artístico que associado à funcionalidade, conjugados por sua vez com as cores das pedras, resultaram numa proliferação de autênticas obras primas nas zonas pedonais do nosso pais. Em pouco tempo, as entradas e pátios dos palácios apareciam igualmente revestidos com este empedrado. Daqui, foi apenas só mais um passo para que a ideia passasse fronteiras e hoje, há no estrangeiro muitos locais onde também se pode admirar a nossa calçada. Em 1986 criou-se mesmo uma escola de formação de calceteiros e sabemos que, inclusivamente, se solicitam os nossos mestres artífices para irem lá fora, quer executar, quer ensinar estes trabalhos.


As pedras usadas são as de origem calcária e basáltica, muito vulgarmente nas cores preta e branca, e com menos frequência, as vermelhas e castanhas. No Brasil, aparecem também as azuis e verdes.
A sua execução é basicamente um motivo desenhado no solo, preenchido com pequenas pedras. Por vezes como suporte, usam-se moldes de madeira com o feitio do desenho que se pretende reproduzir e que, uma vez assentes sobre uma camada de areia, são depois pacientemente revestidos com as pedras. Estes moldes têm a vantagem de servirem para multiplicar o motivo várias vezes, sempre com mesmas dimensões. Por vezes, o calceteiro aconchega a pedra na mão esquerda e com a ferramenta, (um pequeno martelo onde uma das pontas é aguçada ) num golpe seco, parte-a ao jeito do contorno do desenho onde encaixará. Depois, todo o campo circundante é preenchido com pedra de cor diferente. Por fim é espalhada mais areia e água e bem calcada, com um maço, toda a superfície.
Da autoria de Sérgio Stichini, foi inaugurado em Dezº de 2006, um monumento ao calceteiro. Fica em Lx, na Rua da Victória, entre as Ruas da Prata e Douradores.
Cesário Verde também se lhes referiu no seu poema “Cristalizações”.
Na pesquisa pela Net encontrei duas quadras, de sabor popular, com que finalizarei este pequeno apontamento. O nome Tony ( talvez um calceteiro?) é seu autor:

Lembrai-vos desta arte,
Penso que tem defesa!
Aparece em toda a parte,
Pois ela é bem portuguesa.

Quis sobretudo ser franco,
Fala aberto o coração!
Trabalho o preto e o branco,
Sou um ourives do chão.
M.A.

8 comentários:

Fatima disse...

O que eu gosto das calçadas Portuguesas!
Aprecio-as mesmo quando insistem em ficar com os meus saltos dos sapatos.
É sem dúivida um Património que tem que ser preservado

EmmaTheias disse...

usa sapatinhos rasos, nem te prendem o salto nem faz mal às costas.
A calçada Portuguesa é um património que, segundo me parece, não acabará tão cedo. Tenho visto alguns aprendizes de vez em quando.

M.A. disse...

E tambémjá aparecem mulheres na profissão de calceteira.

Pepper disse...

Ahahahah!

Esse post foi por causa da minha reclamação dos passeios lisboetas?
Eu adoro a calçada portuguesa, mas bem realizada. Não é aquilo que existe em Lisboa e noutros lados.

Beijos

Restelo disse...

Vou ser muito sincera: não li o post todo. É que vejo "calçada portuguesa" e lembro-me logo dos vários pares de sapatos que estraguei à conta dela! Não que não ache um bonito trabalho, mas definitivamente não vai de mãos dadas com os saltos da moda...
Eheheheh

Fatima disse...

Miké o médico não me quer de saltos rasos, e ainda bem porque eu detesto andar sem saltos.
Profissão de futuro? Duvido com a loucura do cimento......
Pepper não foi por causa da tua reclamação, mas este Património tem que ser preservado.
Restelo bem vinda à SIMECQ.
Pois, com os saltos finihos é mais difícil, mas com treino até se anda bem na calçada.

M.A. disse...

Fátima, o "Baptistinha" já provou que sabe o que diz e do que fala, não é assim?

Véra Oliveira disse...

Parabéns pelo excelente blog. Gostaria de publicar este belo texto.

Sociedade de Instrução Musical e Escolar Cruz Quebradense

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