01/04/15
19/03/15
NOVIDADES NO ATELIER DE ARTES DA SIMECQ
O Atelier da Artes da Simecq não se poupa a esforços para criar novas oportunidades de aprendizagem a quem o frequente.
Desta vez, a sua coordenadora Francisca conheceu o Prof. Hernani Cardoso e, em face das obras que dele viu, logo o convidou para um ciclo de aulas. Trata-se de algumas novas técnicas relacionadas com pintura diversa em cerâmica contemporânea.
Parece-nos que será uma óptima altura para o nosso leitor, ou leitora, se aventurar a vir até ao Atelier da Simecq e dar asas ao artista que acredita existir em si.
Gratuitamente, sem qualquer compromisso, pode vir até nós, no dia 27 de Março, às 14 horas, assistir a uma aula de demonstração daquilo que o Mestre em referência terá para lhe ensinar.
Cá estaremos, com todo o gosto, à sua espera!
M.A.
02/12/14
NATAL DE 2014 NA SIMECQ
Amigos:
Os
meses foram passando e de novo estamos em Dezembro, a pensar já no Natal… no bacalhau… nas rabanadas e, porque não, também nas prendas que iremos
oferecer a familiares a amigos.
No que diga respeito aos presentes não há que ter preocupações, pois apenas tereis
que vos deslocar ao Bazar de Natal da Simecq onde vos
será fácil escolher, uma vez que é enorme a diversidade do que
ali se encontra. Tereis sempre alguém a receber-vos com simpatia dando,
igualmente, alguma ajuda, ou sugestão.
Ficaremos à vossa espera.
BOAS
FESTAS PARA TODOS
FC/MA
13/04/14
PINTURA DA SIMECQ NO CENTRAL PARK
Conforme
notícia neste local divulgada, mas que poderá rever clicando aqui encontra-se
patente na Galeria do «Central Park», em Linda a Velha, uma exposição de obras de pintura executadas
no Atelier de Artes da Simecq.
Temos
ali técnicas de pintura em seda, pintura a óleo e em acrílico e também sobre
azulejo. Os temas são variados, consoante o gosto e aptidão de cada executante mas, para além de muita cor, nota-se também um grau de
perfeição bastante elevado.
Neste momento as aulas estão sob a orientação
do Alexandre Palmiro e da Beatriz Cruz que também expõem a
par com os seus alunos.
Dado
o impedimento, por motivo de saúde, da Francisca Tristany, coordenadora do
atelier, estar na montagem desta exposição, o Alexandre, a Beatriz , a Lina e a Lourdes, formaram equipa, para levar a cabo a tarefa em questão e o bom resultado está à vista, nas imagens que vos deixamos. Parabéns a todos pelo trabalho realizado!
Até
ao fim do mês de Maio os nossos leitores não deixem de lá ir fazer uma visita, certos
de que não se vão arrepender.
F.C./M.A.
Etiquetas:
/,
Divulgação de Actividades da Simecq
10/04/14
ERA UMA VEZ UMA PORTA
Era uma vez uma porta
que, em
Moçambique, abria para Moçambique.
Junto da porta havia um porteiro. Chegou um
indiano moçambicano e pediu para passar.
O porteiro escutou vozes dizendo:
- Não abras! Essa gente tem mania que passa à
frente!
E a porta não foi aberta. Chegou um mulato moçambicano, querendo entrar. De novo, se escutaram protestos:
E a porta não foi aberta. Chegou um mulato moçambicano, querendo entrar. De novo, se escutaram protestos:
- Não deixa entrar, esses não são a maioria.
Apareceu um moçambicano branco e o porteiro foi
assaltado por protestos:
-Não abre! Esses não são originais!
E a porta não se abriu. Apareceu um negro moçambicano
solicitando passagem. E logo surgiram protestos:
- Esse aí é do Sul! Estamos cansados
dessas preferências…
E o porteiro negou passagem. Apareceu outro
moçambicano de raça negra, reclamando passagem:
- Se você deixar passar esse aí, nós
vamos-te acusar de tribalismo!
O porteiro voltou a guardar a chave, negando aceder o
pedido.
Foi então que surgiu um estrangeiro, mandando em
inglês, com a carteira cheia de dinheiro. Comprou a porta, comprou o porteiro e
meteu a chave no bolso.
Depois, nunca mais nenhum moçambicano passou por
aquela porta que, em tempos, se abria de Moçambique para Moçambique.
Mia Couto
Nota da autora do post:Uma vez mais trago-vos Mia Couto com este texto tão expressivo que decerto vos deixará a pensar.
M.A.
18/03/14
EXPOSIÇÃO DO ATELIER DE ARTES DA SIMECQ
É com imenso
prazer que estamos a anunciar junto dos nossos leitores e outro público em
geral, mais uma exposição de pinturas executadas no Atelier de Artes da SIMECQ.
Desta vez, o
local escolhido foi a galeria do Central Park,em Linda a Velha, onde esperaremos
pela vossa visita, entre os dias 5 de Abril e 31 de Maio de 2014. Pensamos que darão
por bem empregue uma ida até lá pois a diversidade de arte que ali estará patente é forte motivo para cada um descobrir algo que esteja de acordo com o
seu próprio gosto.
A SIMECQ e, toda a equipa que ali trabalha, continuam empenhadas
em honrar os propósitos que sempre as orientaram ao longo de toda a sua existência.
Anotem pois,
na vossa agenda, mais este evento. A
SIMECQ agradece a vossa visita.
M.A/FC
11/03/14
LISBOA -O SINAL DE TRÂNSITO MAIS ANTIGO DA CIDADE
Uma curiosidade
histórica.
Sabem onde fica em Lisboa o sinal de
trânsito mais antigo da cidade?
Na Rua do Salvador, n.º 26, em Alfama. Junto segue uma foto, mas antes leiam
esta descrição:
É uma placa que data de 1686 e foi
mandada afixar por D. Pedro II para orientar os coches que passavam por esta
rua estreita.
Diz assim: "Ano de 1686. Sua
Majestade ordena que os coches, seges e liteiras que vierem da Portaria do
Salvador recuem para a mesma parte". Ou seja, o coche que vem de cima
perde prioridade em relação ao coche que vem de baixo.
Esta rua, que foi muito importante há 4
séculos, quando ligava as portas do Castelo de São Jorge à Baixa, é, hoje em
dia, uma pequena travessa, infelizmente cheia de prédios arruinados (como
tantas outras nas redondeza), entre a Rua das Escolas Gerais e a Rua de São
Tomé. A meio da pequena subida há um edifício, fora do alinhamento
dos restantes, que a estrangula.
No tempo de D. Pedro II este
estreitamento era causa de muitas discórdias entre os carroceiros que subiam ou
desciam a rua. Se dois se encontrassem a meio, nenhum cedia
passagem, uma vez que era tarefa difícil fazer recuar os animais.
Houve mesmo lutas e duelos, com feridos e mortos.
Para evitar tais discórdias, foi
publicado então um édito real e afixada esta placa no local, estabelecendo a
prioridade a respeitar em tal situação.
P.S.
–Esta curiosidade foi-me enviada por uma querida amiga que vive em Évora. Eu desconhecia e, portanto, tenho
todo o gosto em aqui partilhar com os nossos leitores mais este bocadinho da
nossa História.
M.A.
01/03/14
FRANCISCO É UM PAPA TODO O TERRENO
O Papa Francisco tem vindo a
surpreender cada um de nós por um comportamento, bastante inusitado, se
comparado com o dos seus antecessores. Desde o início do seu papado que ele se
distanciou daquela pompa e circunstância que estávamos habituados a ver
nas reportagens do Vaticano.
Tanto quanto lhe é possível, é vê-lo
aligeirar o cerimonial que rodeia a sua pessoa procurando aproximar-se mais da
simplicidade de um qualquer homem comum. Começou, desde logo, após a eleição, quando
se apresentou ao povo, na varanda do Vaticano apenas com as vestes brancas. Depois,
a escolha do anel conciliar e cruz peitoral que usa, são
ambos muito simples, manufacturados
apenas com prata. A cruz que passou a
usar como papa é precisamente a mesma que o acompanhou como Cardeal.
Pode ser que um dia venhamos falar,
mais detalhadamente, desta cruz, aqui no blog, explicando o significado dos vários pormenores que nela
aparecem. Para já, deixamos apenas uma chamada de atenção para o Cristo que nela aparece esculpido, o qual não está crucificado e é, pelo contrário, um
Cristo vivo junto do seu rebanho. Reparem na imagem aqui deixada.
Francisco optou, também, por continuar a viver na Casa de Hóspedes
de Santa Marta e não se mudar para os
aposentos do Vaticano, privilegiando
assim o convívio com os amigos e
dispensando a pomposa solidão, que decerto o esperava, nos aposentos
pontifícios.
Não há muito tempo tivemos
oportunidade de ver um filme, cheio de ternura, que mostrava uma criança a
avançar e a aproximar-se do Papa Francisco que, sobre um estrado, falava numa
cerimónia qualquer. Quando, alguém do protocolo pretendeu retirar o garoto,
este agarrou-se com mais força ainda às
vestes do Papa. Logo, Francisco, sem perder o fio ao discurso, pousou a sua mão
direita, sobre a cabeça do pequenito, aconchegando-o a si, dando-lhe, deste
modo, o “salvo conduto” preciso para
continuar onde queria. Acreditamos que este miúdo jamais irá esquecer este
encontro nem o carinhoso acolhimento que
recebeu de Francisco.
Já a seguir, deixamos um apontamento de Aura Miguel
(Jornalista portuguesa muito ligada ao Vaticano) que descreve mais um divertido
episódio com o nosso descontraído amigo Bergoglio, no qual é patente, uma vez
mais, o propósito de não abdicar de
marcar a diferença, não se condicionando nem a protocolos, nem a regras que entenda não serem necessários à missão que desempenha:
Os
croissants mornos do Papa
É assim este Papa: terno e atencioso
com todos. E tão depressa leva bolos quentes ao seu vizinho Ratzinger, como não
hesita em pegar no telefone e dar os parabéns aos seus amigos.
A sala de refeições da Casa Santa
Marta, outrora com pouco movimento, agora está sempre cheia. As mesas raramente
têm lugares livres desde que Francisco optou por viver na famosa casa de
hóspedes do Vaticano. É que entre os comensais está o próprio Papa. Ao lado do
refeitório principal há uma sala reservada para convidados especiais, mas, na
maioria dos casos, Francisco prefere tomar as refeições na sala grande, junto
dos outros hóspedes.
A mesa do Papa é sempre a mesma e está
colocada a um canto da sala, mas já aconteceu o sucessor de Pedro sentar-se de
surpresa num lugar vago de outras mesas, conversando de surpresa e animadamente
com os outros comensais. O serviço, tipicamente italiano, inclui primeiro e
segundo pratos, mas – tal como os outros hóspedes - Francisco levanta-se para
ir ao "buffet" servir-se de salada e outros acompanhamentos e, sempre
que passa entre as mesas, não resiste e mete conversa com quem está sentado.
Quem vive na Casa Santa Marta garante
que o clima é muito cordial e bem-disposto. Mas os homens da segurança têm
agora mais dores de cabeça, porque a rotina não encaixa no "estilo
Bergoglio" e, por isso, nunca se sabe o que pode acontecer.
Há dias, durante o pequeno-almoço, o
Papa não estava na sua mesa habitual, nem em qualquer outro lado. Começou a
gerar-se uma grande agitação, com vários homens de fato escuro e agentes de
segurança enervados a passar revista a toda a casa. Onde estava o Papa? Por
onde se teria metido? Toda a gente foi interrogada, a casa passada a pente
fino, mas nada! Depois de uns valentes minutos de angústia, descobriram-no
finalmente. Bergoglio caminhava pelo jardim, com passada decidida e um saco de
papel na mão. Quando finalmente os homens da segurança lhe falaram do susto
devido à sua ausência inesperada, Francisco riu-se e explicou que ia ao
mosteiro Mater Ecclesia, onde vive Bento XVI, levar-lhe uns croissants mornos,
"acabadinhos de fazer, como ele gosta".
É assim este Papa: terno e atencioso
com todos. E tão depressa leva bolos quentes ao seu vizinho Ratzinger, como não
hesita em pegar no telefone e dar os parabéns aos seus amigos e, se não
atendem, deixa afectuosos recados no voicemail do telemóvel. Dedica mais horas
a saudar, abraçar e beijar pessoas de todas as idades do que a falar e a ler
discursos. Preocupa-se sobretudo com o lado humano e concreto das pessoas com
quem se cruza, ao ponto de ter pedido à mãe de um bebé acabado de beijar que
lhe pusesse um chapéu porque tinha a cabeça muito quente, ou ainda, no caso de
um outro pequenino que chorava com fome, devolveu-o à mãe para ela amamentar o
bebé, mesmo ali, na Praça de São Pedro! E como é um Papa "todo-o-terreno",
tão preocupado com o quotidiano da vida terrena quanto o é com a vida eterna e
salvação de cada um, a misericórdia é talvez a sua palavra preferida, porque
remete para a esperança e alegria.
Se pudesse,
Francisco gostaria de abraçar todos, "com amor e ternura como fazem
as mães" – tal como explicou numa entrevista, arqueando os braços como
se segurasse um bebé – porque "é assim que deve ser a Igreja: dar carinho,
cuidar e abraçar". E não é este também o melhor retrato de Francisco?
…………………………………………………..
Por
mim estou de acordo. O somatório de tudo quanto se vai observando é mesmo um
maravilhoso retrato de Francisco. A Igreja Católica só tem a ganhar com esta
simplicidade e maneira de actuar do Papa actual.
Desejamos-lhe longa vida e, de todo o coração que ele consiga levar a sua
missão até ao fim. Que não surjam contratempos no seu caminho, que o impeçam de continuar neste ritmo, cheio de bondade,
descontracção, simplicidade, determinação e sobretudo um excelente bom humor
como tem demonstrado. M.A.
Etiquetas:
Divulgação / sobre o Papa Francisco
19/02/14
11 EXPRESSÕES USADAS PELAS MULHERES (os seus verdadeiros significados)
Caros leitores:
Embora esteja a dirigir -me, mais especialmente, ao elemento
masculino mas nada impede que as mulheres leiam também o que vem a seguir.
Recebi esta lista de um meu amigo e,
pela graça que lhe achei, entendi que devia partilhar convosco, leitores do
blog.
De vez em quando o bom
humor também deve fazer farte do nosso dia a dia porque ajuda a desanuviar o espírito de outras
preocupações. Quem escreveu isto, sem dúvida um homem, parece ter feito uma
observação muito atenta das mulheres, e “um trabalho de casa muito
cuidadoso”, porque, em boa verdade,
acerta em muita coisa. Daqui lhe tiro o meu chapéu!
Convido igualmente os
casais a que façam esta leitura em conjunto pois estou convicta que além de proporcionar,
a ambos, um momento de boa disposição poderá dar, também, originar proveitosa reflexão.
11 EXPRESSÕES USADAS
PELAS MULHERES
( os seus verdadeiros significados)
( os seus verdadeiros significados)
¾ "Chega": Esta é a palavra que as mulheres usam para encerrar uma discussão quando elas estão certas e tu tens que te calar.
¾ "5 minutos": Se ela está a arranjar-se significa meia hora. "5 minutos" só são cinco minutos se esse for o prazo que ela te deu para veres futebol antes de ajudares nas tarefas domésticas.
¾ "Nada": Esta é a calmaria antes da tempestade. Significa que ALGO está a acontecer e que deves ficar atento. Discussões que começam em "Nada" normalmente terminam em "Chega".
¾ "Tu é que sabes": É um desafio, não uma permissão. Ela está a desafiar-te, e nesta altura tens que saber o que ela quer... e não digas que não sabes!
¾ Suspiro ALTO: Não é realmente uma palavra, é uma declaração não verbal que frequentemente confunde os homens. Um suspiro alto significa que ela pensa que és um idiota e que só está a perder tempo a discutir contigo sobre "Nada".
¾ "Tudo bem!!!": Uma das mais perigosas expressões ditas por uma mulher. "Tudo bem!!!" significa que ela quer pensar muito bem antes de decidir como e quando vais pagar na mesma moeda pelo que fizeste.
¾ "Obrigada": Uma mulher está a agradecer, não questiones, nem desmaies. Apenas diz "de nada". A menos que ela diga "MUITO obrigada"- isso é PURO SARCASMO e ela não está a agradecer por coisa nenhuma.
Nesse caso, NÂO digas "de nada". Isso apenas provocará o "Esquece".
¾ "Esquece": É uma mulher a dizer "Vai dar uma curva ao bilhar grande.”
¾ "Deixa estar, EU resolvo": Outra expressão perigosa, significando que uma mulher disse várias vezes a um homem para fazer algo, mas agora está ela a fazer. Isto normalmente resulta no homem a perguntar "mas afinal o que é que queres?". Para a resposta da mulher, consulta o ponto 3.
¾ "Sabes, estive a pensar...": Esta expressão até parece inofensiva, mas usualmente precede os Quatro Cavaleiros do Apocalipse.
¾ "Precisamos ter uma conversa!": Estás a 30 segundos de levar com um belo par de patins.
09/02/14
DOIS POEMAS DE JOSÉ JORGE LETRIA
Hoje, escolhemos para os nossos leitores dois
inspirados poemas do livro “Produto Interno Líquido” de José Jorge Letria. Quem
sabe se para alguns vai ser mesmo uma surpresa tomarem contacto com a poesia
deste autor. Se acaso pretenderem conhecer um pouco mais a seu respeito apenas tereis que
clicar aqui.
E agora, amigos tem lugar a poesia:
OS FILHOS
Os filhos estão sempre de partida, já não ficam,
cresceram, têm pressa, têm as suas vidas,
entram e saem, já não se lembram da cor
dos brinquedos que lhes entretinham o sono,
das histórias que lhes traziam o riso.
Os filhos já têm filhos, e casas para terem
os filhos, e compromissos para honrar,
e famílias para alimentar. É assim a vida.
Às vezes fala-se, só de passagem, daquilo
qwue um dia ficará para os filhos:
os livros? A casa? O faqueiro de prata?
Tudo tem o seu tempo e a sua lógica.
É um ciclo que se cumpre e se repete.
Já foi assim antes com os pais, com os avós,
com todos os outros, mais longínquos,
de que só os retratos dão notícia, testemunho.
O tempo dos filhos deixou de ser o meu tempo.
Telefonam de longe, mandam postais,
compram pequenas coisas para nos lembrarmos
dos sítios por onde passaram, onde ficaram.
Eles partem e nós ficamos. Eles partem
um pouco mais todos os dias, cumprindo o ciclo,
escalando os degraus velozes de uma escada
que leva sempre mais longe, mais alto.
E nós ficamos fazendo contas aos dias,
acariciando os objectos do primordial afecto,
dos meses mais mansos e mais quentes da infância.
Um dia os filhos falarão assim dos seus filhos,
como quem envelhece recusando o esquecimento.
Os filhos estão sempre de partida, já não ficam,
cresceram, têm pressa, têm as suas vidas,
entram e saem, já não se lembram da cor
dos brinquedos que lhes entretinham o sono,
das histórias que lhes traziam o riso.
Os filhos já têm filhos, e casas para terem
os filhos, e compromissos para honrar,
e famílias para alimentar. É assim a vida.
Às vezes fala-se, só de passagem, daquilo
qwue um dia ficará para os filhos:
os livros? A casa? O faqueiro de prata?
Tudo tem o seu tempo e a sua lógica.
É um ciclo que se cumpre e se repete.
Já foi assim antes com os pais, com os avós,
com todos os outros, mais longínquos,
de que só os retratos dão notícia, testemunho.
O tempo dos filhos deixou de ser o meu tempo.
Telefonam de longe, mandam postais,
compram pequenas coisas para nos lembrarmos
dos sítios por onde passaram, onde ficaram.
Eles partem e nós ficamos. Eles partem
um pouco mais todos os dias, cumprindo o ciclo,
escalando os degraus velozes de uma escada
que leva sempre mais longe, mais alto.
E nós ficamos fazendo contas aos dias,
acariciando os objectos do primordial afecto,
dos meses mais mansos e mais quentes da infância.
Um dia os filhos falarão assim dos seus filhos,
como quem envelhece recusando o esquecimento.
UMA CADELA ENQUANTO ESPERA
A minha cadela nada sabe de
metafísica,
nem dos mistérios que a
palavra encerra
enquanto corre atrás dos
pássaros e das sombras
nos arbustos projectados
sobre a terra batida.
A minha cadela escolhe os
recantos
mais frescos do soalho para
dormir
e sabe que os dias se
repetem iguais e previsíveis,
sensível às ausências e à
rudeza das vozes.
Com ela, a casa parece maior
porque há um fio de afecto a
ligar os quartos,
a unir os gestos, a adoçar
os chamamentos.
A minha cadela nada sabe de
livros
nem dos mistérios que os
povoam,
ignorando até os títulos
daqueles que roeu
enquanto mudava a dentição.
A minha cadela foi precedida por mortes
de outras cadelas que a
doença não poupou
e que eu chorei, como quem
chora sangue do seu sangue.
Sei que espera por mim à
porta, todos os dias,
focinho rente ao chão,
porque sabe
que eu não falto, mesmo que
me atrase.
Amanhã, vou ler-lhe o que
escrevi a seu respeito
e sei que chorará de
comoção, embora
nada saiba de poesia e muito
menos de metafísica.
Há dias em que o cão, nesta
caso a cadela,
é o melhor amigo da poesia,
porque sabe que ela
tem o tamanho do seu coração
quando me espera.
Espero que hajam lido com prazer estes dois poemas e,
quem sabe, nós tenhamos conseguido despertar em vós o desejo de irem comprar o
livro para conhecerem os restantes…
M.A.
05/02/14
CATARINA DE BRAGANÇA - RAÍNHA DE INGLATERRA
Em
1638 nasceu no Paço de Vila Viçosa D. Catarina de Bragança, filha de D João, 8º Duque de
Bragança, (mais tarde rei D. João IV de Portugal) e de sua mulher D Luísa de
Gusmão.
Para
D Catarina de Bragança existiram alguns projectos políticos de união
matrimonial, aliás como era uso na época, mas acabou por vir a casar, em 1692, com
Carlos II de Inglaterra, levando como dote as cidades de Bombaim e Tanger.
Reza
a história que ela foi muito pouco feliz em Londres, quer pelo facto de
como católica devota (razão pela qual nunca foi coroada) se sentir pouco tolerada numa corte
anglicana, de hábitos bastante mais livres do que os seus mas, também, muito especialmente pela contínua
e declarada infidelidade de seu marido, constantemente rodeado de uma vasta lista de amantes.
A
rainha sempre terá procurado “manter as aparências” daquele casamento, tolerando,
conforme lhe foi possível, aquele comportamento dissoluto do rei. Mas, acreditamos, que
na corte mais beneficiaria quem
estivesse nas boas graças do soberano, deste modo claro que, para a rainha, sobrou sempre bastante antipatia e
hostilidade. O facto de não ter dado nenhum herdeiro à coroa pesou também
desfavoravelmente neste contexto.
Diz-se,
que em final de vida, já doente, Carlos II se arrependeu e chegou até a
converter-se à fé católica…Minúcias da História que, pela parte que me cabe me
levam… a sorrir sem fazer qualquer comentário...
Depois
da morte dele em 1685 a rainha decidiu regressar a Portugal onde chegou em
1693. Ainda assumiu, em 1704 a regência do reino a pedido do seu irmão D. Pedro
II mas, foi apenas durante um ano, porque veio a morrer em
1705.
Conta-se
que a influência dela trouxe alguns novos costumes à corte inglesa:
_
O uso dos garfos e a loiça de porcelana na mesa; o conhecimento da laranja e a
compota da mesma; o ter proporcionado ali a audição
da 1ª ópera; o ter criado o hábito do «five o’clock tea», ou seja o chá das cinco, que
se mantém até aos dias de hoje.
Levou também consigo algum mobiliário de
qualidade, como por exemplo alguns contadores
indo-portugueses, até essa data desconhecidos em Inglaterra.
Já
agora, a propósito, não deixarei de vos
falar em duas peças usadas por esta rainha e, que agora podem ser vistas, na FUNDAÇÃO MEDEIROS
E ALMEIDA, em Lisboa:
_A
primeira é um espelho (1670) com moldura de tartaruga, sobre folha de ouro,
formando quadros com vários tecidos bordados a fio de ouro e seda, pedraria e aljófar.
As figuras laterais mostram o rei e a rainha. Segundo uma inscrição
manuscrita no verso do espelho, os bordados terão sido executados por
Mrs. Batson a qual aparece representada no rectângulo inferior.
_A
segunda é um relógio bastante original que terá feito parte do quarto da
rainha. É da mesma época do espelho e está assinado Eduardos East, Londini. A caixa é em
ébano, com alguns ornatos de bronze dourado. Tem porta de vidro com pintura e,
no mostrador, as horas aparecem em algarismos árabes e os quartos de hora em romanos. Depois ,
por baixo, há uma pequena candeia de
azeite que permitia que, mesmo durante a noite, as horas pudessem ser vistas.
Estas
duas fotos, bem como a informação escrita foram retiradas do catálogo editado
pela própria Fundação. Já aqui falamos desta casa-museu em 2007 e, de novo,
sugerimos que os leitores lá façam uma visita, certas estamos de que não
sairão dando por perdido o tempo ali passado.
M.A.
25/01/14
O AMOLADOR, LEMBRAM-SE?
Quem não recorda, quer tenha
nascido na província ou na cidade, o som, em escala descendente e ascendente, da gaita de beiços de um
amolador de facas e tesouras? Era deste
modo que ele anunciava a sua presença na zona e, quem precisasse de recorrer
aos seus serviços apressava-se a descer à rua para ir ao seu encontro.
Além de
afiarem as lâminas de tesouras ou facas, punham "pingos" nos fundos dos tachos e panelas e, também, consertavam guarda chuvas. Consigo, traziam mesmo alguns velhos exemplares de onde retiravam as varetas
metálicas que iam substituir as que haviam sido partidas ou amolgadas.
Eram, algumas vezes, cidadãos
galegos que se dedicavam a esta profissão e as cantigas com que acompanhavam o
trabalho, denunciavam logo a sua origem.
Ainda hoje recordo, ter
ouvido, na infância, os sons que
acompanhavam uma letra… qualquer coisa como isto: “Lle mandó hacer una rueda… de cutelos e navallas si si…de cutelos e navallas…La rueda xa estava
ancha…”
Nos primeiros tempos, traziam, como instrumento de trabalho, uma roda grande que empurravam, rua fora, por
meio de dois varais. Mais tarde passaram a deslocar-se numa modesta bicicleta
onde fora adaptada uma pedra de esmeril que, por meio de uma correia, se
movimentava com os pedais. A cx. de ferramentas, cuja tampa se abria com dobradiças feitas com uns bocados de cabedal e fechava com um aloquete (no sul é objecto conhecido por cadeado), equilibrava-se normalmente
atrás do selim. E, aquela oficina improvisada, lá os acompanhava, vida fora, de terra em terra no modesto ganha pão diário.
Por graça, havia quem
dissesse até e isso nunca percebi porquê, que o
som da gaita de beiços do amolador anunciava chuva!
E aqui estive eu, falando no pretérito
mas, a verdade, é que, de longe em longe
ainda hoje nos é possível ver, nas ruas, esta figura típica.
Gostaram de recordar?
Até breve!
M.A.
12/01/14
DESCOBERTAS RECENTES FEITAS EM ESCAVAÇÕES EM LISBOA
Enorme rampa de lançamento de barcos do séc. XVI foi descoberta debaixo da
Praça D. Luís, juntamente com vestígios de estruturas de séculos posteriores.
A descoberta tem menos de um mês.
Os arqueólogos encontraram
uma enorme rampa de lançamento de barcos do séc. XVI junto ao mercado da
Ribeira, em Lisboa.
Feita com troncos de madeira
sobrepostos, a estrutura ocupa 300 metros quadrados e data de uma época em que
a cidade sofria os efeitos de sucessivos surtos de peste e epidemias, graças
aos contactos com outras gentes proporcionados pelos Descobrimentos.
Para continuar a trazer de além-mar o ouro, a pimenta e o marfim que lhe
permitiam pagar as contas, o reino investia na construção naval, e a zona
ribeirinha da cidade foi designada como espaço privilegiado de estaleiros.
Os relatos da altura dão
conta de uma cidade cheia de escravos vindos de além-mar, mas também de
mendigos fugidos do resto do país para escapar à fome.
Os arqueólogos nem queriam acreditar na sua sorte quando depararam com a rampa
enterrada no lodo debaixo da Praça D. Luís, a seis metros de profundidade, e
muito provavelmente associada a um estaleiro naval que ali deverá ter existido.
"É impressionante: é
muito difícil encontrar estruturas de madeira em tão bom estado", explica uma
das responsáveis da escavação, Marta Macedo, da empresa de arqueologia Era.
No Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico o achado
também tem sido motivo de conversa, até porque os técnicos desta entidade
foram chamados a acompanhar os trabalhos, que estão a ser feitos no âmbito da
construção de um parque de estacionamento subterrâneo.
A subdirectora do instituto,
Catarina de Sousa, diz que esta e outras estruturas encontradas são, apesar de
muito interessantes, perecíveis, pelo que a sua conservação e musealização na
Praça D. Luís é "praticamente inviável".
Como a escavação ainda não
terminou, os arqueólogos acalentam a esperança de ainda serem brindados, em
níveis mais profundos, com algum barco submerso no lodo, como já sucedeu ali
perto, tanto no Cais do Sodré como no Largo do Corpo Santo e na Praça do
Município. "É possível isso acontecer", admite Catarina de Sousa.
Musealização em estudo.
No séc. XVI toda a zona entre o mercado da Ribeira e Santos era de praias
fluviais.
Mas não era para lazer que
serviam os areais banhados pelo Tejo.
Na História de Portugal
coordenada por José Mattoso, Romero Magalhães conta como, poucos anos após a
primeira viagem de Vasco da Gama à India, "a zona ribeirinha da cidade é
devassada pelos empreendimentos do monarca [D. Manuel I] e dos grandes
armadores".
Depressa surgem conflitos com a Câmara de Lisboa, ao ponto de o rei ter, em
1515, retirado ao município a liberdade de dispor das áreas ribeirinhas para
outros fins que não os relacionados com o apetrecho e reparação das naus,
descreve o mesmo autor.
São as chamadas tercenas,
locais dedicados à função naval e representados em vários mapas da época.
Mais tarde a mesma
designação passa a abranger também o lugar onde se produziam e acondicionavam
materiais de artilharia.
O espólio encontrado pelos arqueólogos inclui uma bala de canhão, um pequeno
cachimbo, um pião, sapatos ainda com salto - na altura os homens também os
usavam -, restos de cerâmica e uma âncora com cerca de quatro metros de
comprimento, além de cordame de barco.
Também há uma casca de coco
perfeitamente conservada, vinda certamente de paragens exóticas para as quais
os portugueses navegavam.
Um relatório preliminar dos trabalhos arqueológicos em curso explica como a zona
da freguesia de S. Paulo se transformou de um aglomerado de pescadores, fora
dos limites da cidade de Lisboa, num espaço importante para a diáspora: "A
expansão ultramarina contribuiu para uma reestruturação do espaço urbano de
Lisboa, que se organiza desde então a partir de um novo centro: a
Ribeira".
Em redor do Paço Real
reúnem-se os edifícios administrativos.
"É na zona ocidental da
Ribeira que a partir das doações de D. Manuel se irão instalar os grandes
mercadores e a nobreza ligada aos altos funcionários de Estado, que irão
auxiliar o rei (...) na expansão ultramarina e na centralização do poder",
pode ler-se no mesmo relatório.
A escavação detectou ainda
restos de outras estruturas mais recentes.
É o caso de uma escadaria e
de um paredão do Forte de S. Paulo, um baluarte da artilharia costeira
construído no âmbito das lutas da Restauração, no séc. XVII. E também do
vestígios do cais da Casa da Moeda, local onde se cunhava o metal usado nas
transacções.
Por fim, foram descobertas
fornalhas da Fundição do Arsenal Real, uma unidade industrial da segunda metade
do séc. XIX.
"Esta escavação vai permitir conhecer três séculos de história
portuária", sublinha outro responsável pela escavação, Alexandre
Sarrazola.
Embora esteja ciente de que
a maioria dos vestígios terá ser destruída depois de devidamente registada em
fotografia e desenho, o arqueólogo diz que algumas das peças encontradas
poderão vir a ser salvaguardadas e mesmo integradas no projecto do
estacionamento, como já sucedeu com os vestígios do parque de estacionamento
subterrâneo do Largo do Camões - ou então transportadas para um museu.
"Face ao desconhecimento do que ainda pode vir a ser encontrado por baixo
da estrutura de madeira do séc. XVI está tudo em aberto", salienta, acrescentando
que a decisão final caberá ao Instituto
do Património Arquitectónico e Arqueológico
Nota da autora do post- Este texto foi-me enviado por
uma amiga a quem agradeço. Por o ter achado interessante partilho-o com os
nossos leitoreS
M.A.
04/01/14
A TI ANA DAS GALINHAS
Todos sabemos haver uma elevada
percentagem de médicos que, a certa altura da vida, se tornam também escritores. Esta profissão pode favorecer e mesmo
incentivar o gosto pela escrita. No estreito
contacto com pacientes, contam-se histórias de vida onde o drama está quase sempre presente e, perante as quais o médico toma o papel de um confidente. Assim, acumulam-se experiências
e são apontamentos, demasiado ricos para
ficarem apenas na sua memória ou fechados numa gaveta.
Se referi o drama, não significa que o caricato e divertido também não aconteçam
na relação médico doente. Alguns
episódios há que despertam o nosso bom humor e também merecem ser divulgadas. Enquadra-se
nestes últimos o caso que hoje contarei neste post:
_O Dr. M. Pinho Rocha (filho) meu conterrâneo e amigo, conceituado
oftalmologista no Porto, no decorrer de amena conversa que entremeava uma consulta com
meu marido, foi abordado por mim sobre
algo que eu sabia ele escrevera. Sorridente, confirmou e, de imediato, nos fez
oferta, autografada, de dois dos livros onde reunira, precisamente, algumas das suas recordações de médico.
Com a modéstia que lhe é
peculiar, advertiu logo serem histórias simples, sem pretensões de maior.
Posso até concordar que, estes livros, nem sejam obra literária de vulto, mas, para mim, têm um valor muito especial. Para além de
serem o fruto da atenção, observação e,
sobretudo, a apurada sensibilidade de um
homem bom, que neles imprimiu um cunho profundamente humano, muitas
das histórias, têm ainda a “saborosa” particularidade
de terem como protagonistas gente que eu também conheci. Em terras pequenas é fácil
isto acontecer, como calculam!
Começando então o relato da história que
escolhi para hoje, direi que a Ti
Ana aqui mencionada, devia esta sua
alcunha ao facto de vender aves de capoeira, no mercado da terra. O primeiro encontro
dela com o autor do livro deu-se, quando
este, ainda miúdo, caiu da bicicleta, na
rua perto de sua casa. A Ti Ana, que ia a passar, terá sido a primeira pessoa a
socorrê-lo. Entrou no “Marcelino”, uma taberna próxima, embebeu o seu lenço em
aguardente e, com ele, limpou aqueles joelhos esfolados, De seguida acompanhou a
criança até junto da família.
Começou, deste modo, uma
amizade que perdurou o resto da vida da Ti Ana. Com bastante carinho e graça a descreve, no
diálogo que existiu entre ele já, na condição de médico e ela como sua doente. Estas ditas
conversas eram, geralmente, salpicadas de vocábulos “bem pouco ortodoxos”, como
era jeito da Ti Ana e que o médico lá ia desculpando…
Mas, para abreviar, situemo-nos ao tempo em que, devido ao avançar da idade, a visão
da Ti Ana estava já tão diminuída que a
sua qualidade de vida se tornava cada vez pior… Após alguma luta, este médico
lá a convenceu a deixar-se operar.
Problema seguinte foi a ida para o hospital, “uma estreia
absoluta” para a Ti Ana, a qual acreditava também que, entrada em hospital… era sinónimo de antecâmara da morte!
O médico prometeu-lhe que
ela ficaria lá sob a sua protecção , mas, não deixou de lhe recomendar também, que naquele local, ela devia ter a maior contenção com a língua…
Na véspera da operação, possivelmente entre
suspiros, lá entrou
a Ti Ana no hospital e, conforme a rotina, administraram-lhe um clister de limpeza, facto
que a deixou fula. A partir daqui, darei a palavra ao médico e o que irão ler é
a real transcrição do seu livro:
…No dia seguinte de manhã pediu que me chegasse mais
ao pé dela e, baixinho, contou o que se tinha passado:
« Apareceu aqui uma lambisgóia com umas coisas, disse
que era para me lavar por baixo e até agradeci, mas, quando tal, enfiou-me pelo
c. dentro assim um canudo estreitinho e começou a meter água ou lá o que era, a
barriga começou a medrar; até que tive que dizer alto, senão ainda rebentava. A
sorte dela foi não tentar fazer o mesmo na boca do corpo, porque então ficava a
saber quem é a Ana das Galinhas! E já agora, diga-me uma coisa, era preciso lavar o c. por dentro por causa
das vistas?»
Não foi fácil explicar-lhe a razão de todos estes
cuidados prévios, mas, cá à minha maneira, sempre tentei que compreendesse.
Respondeu-me secamente:
«Agora está, está, e não se fala mais nisso»!…
(Excerto do livro “Memórias
de Médico”, do Dr. M. Pinho Rocha)
Espero ter divertido os
leitores com este delicioso episódio passado há muitos anos atrás, na minha terra, ao tempo
uma bonita vila (hoje cidade) da Beira Litoral.
A Ti Ana já partiu deste mundo mas o médico que a imortalizou deste modo,
felizmente ainda vive e, quem sabe, se já terá escrito muito mais histórias. Vou
tentar saber.
Qualquer dia trarei uma
outra qualquer que irei buscar aos livros que nos ofereceu.
M.A.
29/12/13
ANO NOVO - 2014
Passado que foi o Natal de 2013, daqui a pouco
estaremos a entrar num novo ano. Desta vez será o 2014.
Ano Novo vida nova! É o que sempre se ouve dizer.
É altura de esquecer o que de menos agradável se
passou no ano que terminou e, entre os amigos e conhecidos se trocam-se votos
para que o que se vai encetar traga a todos, inclusive a nos mesmos, a
realização dos sonhos e esperanças que existam nas nossas mentes.
Há sempre uma qualquer meta a atingir e, em cada um
dos 365 dias que estão pela frente multiplicam-se os esforços tentando lá chegar. Umas vezes consegue-se…
outras vezes não…E o tempo vai passando
e, naturalmente, umas tantas alegrias e
tristezas se vão alternando até ao Dezembro seguinte.
Reflectindo sobre este tema lembrei-me de ter lido um apontamento, muito curioso, que fui procurar
para transcrever aqui. É da autoria de Carlos Drummond de Andrade bem como o poema que se lhe segue.
Quem queira conhecer ou, simplesmente relembrar os
dados biográficos deste escritor faça o favor de clicar aqui.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.
Para você, desejo o sonho realizado. O amor esperado. A esperança renovada.
Para você, desejo todas as cores desta vida. Todas as alegrias que puder sorrir, todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano, desejo que os amigos sejam mais cúmplices, que sua família esteja mais unida, que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas. Mas nada seria
suficiente para repassar o que realmente desejo a você. Então, desejo apenas que
você tenha muitos desejos. Desejos grandes e que eles possam te mover a cada
minuto, rumo à sua felicidade!”
RECEITA DE ANO NOVO
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
côr do arco-íris, ou da côr da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
côr do arco-íris, ou da côr da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Neste nosso último post do ano de 2013 fomos buscar
inspiração à escrita deste ilustre homem de letras brasileiro. Pensamos que
quem nos acompanhou só ficou a ganhar com esta escolha porque, certamente, terá apreciado tanto a sua prosa quanto a sua rima.
Pelo menos foi essa a nossa intenção.
Resta-nos associarmo-nos a ele, desejando, para todos
os nossos leitores, tudo quanto de melhor o Ano de 2014 possa trazer, em
especial, muita Saúde, Paz e Amor. Em suma, vivam felizes!
F.C./ M.A.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


















