Como tudo começou

31/12/08

Poema de Ano Novo


Recomeça….

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…

Miguel Torga

29/12/08

MONUMENTO AO EÇA DE QUEIROZ

(Clique para ampliar)




Quem sobe a Rua do Alecrim e chega ao Largo Barão de Quintela depara com um bonito monumento no centro de um canteiro de relva. São duas figuras em bronze, uma representando o escritor Eça de Queiroz que segura nos braços uma figura feminina, desnuda, apenas coberta com leves véus. Esta segunda figura é uma alegoria à Verdade. Na base, há, esculpida, uma frase do próprio Eça, escrita em português antigo– “Sobre a nudez forte da verdade o manto diáphano da phantasia”. Digamos que esta seria uma das características da sua forma de escrever.

Este grupo escultórico, ali colocado em 26 de Julho de 2001, é uma réplica de um outro, em pedra, feito em 1903 por Teixeira Lopes e inaugurada no mesmo ano. Devido aos sucessivos vandalismos que nele foram fazendo, houve que o substituir por este, em bronze, guardando-se, muito acertadamente, o original no Museu da Cidade.

Ora, se vos falo hoje nisto, é apenas para vos contar dois episódios bem humorados relacionados com esta estátua.

O primeiro passou-se entre o meu pai e um seu conhecido, pessoa pouco letrada mas, que nunca perdia ocasião de ‘se dar ares’ e fazer alarde de alguma coisa que, a seus olhos pudesse impressionar os outros. A sua mania da grandeza chegou ao ponto de mandar fazer cartões de visita em que os seus apelidos Marques de Sá mudaram para “Marquês de Sá”. Igualmente um dia mostrando ao meu pai as instalações dos galináceos, no seu quintal, apontou o cercado dos patos dizendo: “aqui é o meu patíbulo”!

Mas contemos então as tais histórias relacionadas com o monumento:

Desta vez, este nosso homem viera a Lisboa e tendo visto a estátua a que nos referimos, resolvera mesmo escrever num papel a frase que nela encontrara, para a repetir depois, ao meu pai, com o seu ar mais solene e erudito. Eu tentarei reproduzir na escrita o modo como ele a leu:
_ “Sobre a núdes forte da vérdade, o manto diapano da pantásia”…

Anos mais tarde numa conversa de amigas, tendo eu contado este episódio, alguém presente respondeu com um outro a que achei também imensa graça e, portanto, aqui o deixo para os meus leitores:

Aquando da inauguração, da primeira estátua, havia em determinada casa de Lisboa ( quem me contou disse ser de gente de sua família) uma rapariguita que, antes, estivera a servir em casa do próprio Eça de Queiroz. Então, a sua patroa da altura, achando que ela deveria gostar de ir ver o descerrar da estátua do antigo patrão, nesse dia, mandou-a à referida cerimónia. No regresso quis saber as suas impressões e o que ouviu terá sido mais ou menos isto:

_“Pois…foi muito bonito ver toda aquela festa, com música e tudo… achei que o Sr. Dr. até estava muito parecido com o que ele era… agora a senhora dele… essa é que, não estava nada parecida e…até, nem teve jeito nenhum mostrarem-na ali assim… toda em pelota!”

Espero que se tenham divertido com estas bem humoradas histórias de outros tempos!

P.S- A foto que ilustra o post é do blog “Olhares”. Escolhi-a por nela poderem ler a frase a que me refiro no primeiro episódio.

M.A.

28/12/08

Solidariedade


A Susana conseguiu dar felicidade a muitos rostos.

A tragédia bateu à porta destas mulheres.
Algumas muito jovens tinham deixado de sorrir, outras já com mais idade, diziam ter recebido energia na nossa terra.
Todas partem de lágrimas nos olhos, mas felizes com a visita que lhes foi proporcionada.
São estes os exemplos de solidariedade que provam que quando há vontade, tudo é possível!

Um exemplo de solidariedade a não esquecer.

Veja aqui a reportagem
Obrigada Susana. Parabéns a toda a equipa!
fc

27/12/08

POEMA AOS AMIGOS


Não posso dar-te soluções
para todos os problemas da vida,
nem tenho resposta para as tuas dúvidas ou medos,
porém, posso ouvir-te e compartilhá-los contigo.

Não posso modificar
nem o teu passado nem o teu futuro
posso, quando precisares,
estar junto de ti.

Não posso evitar que tropeces.
Somente posso dar-te a minha mão, para te amparar antes de caíres.
Tuas alegrias, teus triunfos, teus êxitos, não são meus.
Mas alegro-me sinceramente se te vejo feliz.

Não julgo as decisões que tomes na vida,
limito-me a apoiar-te, a estimular-te,
e a ajudar-te,
se mo pedes.

Não posso definir-te limites
Dentro dos quais devas actuar
Mas sim, oferecer-te esse espaço
necessário, para cresceres.

Não posso evitar teu sofrimento
quando alguma dor parte teu coração.
Posso porém chorar contigo e recolher os pedaços
para o recompor de novo.

Não posso dizer-te quem és,
nem quem deverias ser.
Somente posso, amar-te como és
e ser teu amigo.

Por estes dias pensei nos meus amigos e amigas.
Não estavas nem acima, nem em abaixo da média.
Não abrias, nem fechavas a lista
Não eras o número um, nem o número final.

Dormir feliz, trocar vibrações de amor.
Saber que estamos próximos.
Melhorar as relações, .aproveitar as oportunidades.
Escutar o coração. Acreditar na vida.

E tampouco tenho a pretensão de
Ser o primeiro,
o segundo, ou o terceiro
da tua lista.
Basta que me aceites como amigo.

Obrigada por o seres.



Jorge Luís Borges Acevedo nasceu em Buenos Aires, em 24 de Agosto de 1899 e faleceu em Genebra, ( onde está sepultado), em 14 de Junho de 1986. Foi um escritor, poeta, tradutor, crítico e ensaísta, mundialmente conhecido pelos seus contos e histórias curtas.

Fala-se que o seu bisavô Francisco, seria um português, nascido em 1770, que teria vivido em Moncorvo e depois emigrado para a Argentina, onde casou e veio a morreu

A partir da década de 80, afectado por uma cegueira progressiva passou a dedicar-se mais à poesia.

Estas, são umas brevíssimas notas biográficas do autor do belo poema que apresentamos acima, numa tradução livre do espanhol. Melhor será lê-lo na língua original.

Possivelmente, um dia, aqui falaremos de J.L.Borges mais pormenorizadamente.

M.A.

26/12/08

Exposição "permanente" - Almeirim


Digam lá se isto é ou não espírito criativo.....???

24/12/08

Feliz Natal - Presépio, Alenquer

Na encosta da vila de Alenquer, está instalado este presépio, que mais parece um postal de Natal.


Se é bonito de dia...

...vejam só como é lindo de noite.

E desta forma simples vos desejamos a todos um Feliz Natal.

Os votos para o novo ano, virão a seguir....


Fotos tiradas por mim a semana passada.
FC

23/12/08

CheeseCake doce sem açucar



Para quem não pode ingerir açúcar, aqui vai uma receita doce.

Ingredientes:

1 forma de 22cm de diâmetro.

Para 10 doses

* 175 g de biscoitos de boa qualidade (DIESE), esmagados

* 75 g de margarina magra para barrar

Para o recheio

* 15 g de gelatina em pó

* raspa e sumo de 1 laranja

* 200 g de requeijão magro

* raspa e sumo de 1 limão

* 90 ml / 6 colheres sopa Hermesetas em pó

* 1 manga grande, em puré

* 200 ml queijo fresco magro

* fruta para decorar


Confecção:

Derreter a margarina e misturar nos biscoitos esmagados.
Espalhar esta massa sobre a forma.
Num recipiente pequeno espalhar a gelatina sobre o sumo da laranja, deixar ensopar por 10 minutos e dissolver em banho maria.
Bater o requeijão com as raspas da laranja e do limão; acrescentar o sumo da limão, as Hermesetas, o puré de manga e o queijo fresco. Acrescentar a mistura com a gelatina.
Mexer.
Deitar sobre a base de biscoitos e deixar assentar de um dia para o outro.
Para servir, retire o cheesecake da forma.

Fonte: Hermesetas

Bom apetite
FC

21/12/08

PRESÉPIO



Hoje, estou de novo com os leitores mais pequeninos e, como estamos no Natal nada mais apropriado que trazer-lhes um presépio para brincarem. Se precisarem de ajuda, deve haver por perto um adulto que a dê. Beijinhos para todos e muitos presentes nos sapatinhos.

Divirtam-se clicando aqui.

M.A.

19/12/08

AMPULHETA


Quando o tempo tinha princípio e fim

Estivemos aqui em 13 de Novembro para vos mostrar parte de uma magnífica colecção de ampulhetas. Para quem já não se recorde queira clicar aqui. Hoje voltamos para abordar o tema num sentido mais histórico:

Na história das civilizações, os métodos usados para medir o tempo proporcionam aos historiadores uma leitura multidisciplinar elucidativa sobre as regras sociais, os desenvolvimentos tecnológicos e as técnicas decorativas dominantes nessas sociedades.

Muitos séculos antes de Paris, Londres e, depois, Genebra – que nunca mais perdeu a dianteira adquirida – se terem afirmado no mundo inteiro, a partir do Sec. XVII, como grandes centros relojoeiros, sobretudo depois de C. Huygens ter descoberto a mola em espiral reguladora do balanço do relógio, já a Mesopotâmea, o Egipto, a Grécia e todos os outros grandes centros de irradiação de artes e ciências da Antiguidade Clássica, utilizavam instrumentos de medida do tempo.

Entre esses mecanismos, apesar da sua eficiência ser limitada pela singeleza com que eram idealizados, a clepsidra e, sobretudo a ampulheta, perduraram até aos nossos dias, quanto mais não fosse como símbolos de uma época da História Universal. Outros como o nocturlábio, que eram apontados para a Estrela Polar, usando as guardas das Ursas Maior e Menor como ponteiros, que davam a hora durante a noite, quando havia céu limpo, caíram totalmente em desuso.

A clepsidra, em que a unidade de tempo era medida pela demora de uma certa quantidade da água a passar de um recipiente para o outro, e a ampulheta em que a água era substituída por areia, são, por certo os relógios mais antigos e aqueles que foram usados durante milénios.

Na época dos descobrimentos usavam-se a bordo ampulhetas de uma, duas ou até quatro horas, embora as mais correntes fossem as de meia hora, que já então era designada por “relógio”.
Para poetas e romancistas, a ampulheta foi e é uma permanente fonte de inspiração.
Até ao Sec..XVIII quando John Harrison construiu o primeiro cronómetro, não existiu nenhuma outra alternativa para medir o tempo a bordo dos navios. Se os relógios de sol eram inúteis em dias encobertos, os de pêndulo e de mola não eram de confiança devido aos balanços do navio.
Por isso, foi a ampulheta que nos disse que Vasco da Gama demorou dois anos a chegar a Calecut e a fazer a sua torna-viagem. Afinal, quem diria que a ampulheta, enquanto unidade de tempo tão pequena pode medir um percurso tão longo…

Este, é um pequeno excerto de um artigo também publicado na revista do Club do Coleccionador.
M.A.

17/12/08

NATAL

(Clique para ampliar)


Acabamos de receber este bonito poema da autoria da nossa Amiga Maria Clotilde Moreira e decidimos, de imediato, compartilhá-lo com os nossos leitores.
A foto que apresentamos é de um "registo" feito, há uns anos atrás, pela autora do post.


VOTOS DE BOAS FESTAS

TODOS OS ANOS HÁ NATAL
Apesar da guerra
Apesar da fome
Apesar dos homens sem pátria
E dos povos sem nação

Apesar das lágrimas
Das dores das mães
Das crianças famintas,
Das crianças soldados

Apesar da ganância
Das leis injustas
Das angústias dos sem trabalho
Dos desalojados

Apesar de tanta injustiça

A terra move-se
As tardes caiem
As noites acontecem
E há sempre uma manhã
que nasce Natal!
PAZ AOS HOMENS DE BOA VONTADE

De: Maria Clotilde Moreira

M.A.


16/12/08

OS ANOS DE EXÍLIO DA RAINHA D. AMÉLIA


Colecção Remi Fénérol – 20 de Novembro de 2008 a 30 de Abril de 2009
Casa-Museu Dr Anastácio Gonçalves
A história da que é hoje a colecção Rémi Fénérol começou como um acto único de preservação da memória da Rainha D. Amélia por parte daqueles que a serviram ao longo dos anos, por vezes mais do que uma geração, quer em Portugal quer nos anos de exílio no Reino Unido e em França. O espólio não reclamado por nenhum dos familiares mais próximos de D. Amélia após a sua morte em, em 1951, em grande parte porque não contemplado em testamento, assim como muitos outros objectos que a rainha generosamente ofereceu aos seus empregados durante anos, foi guardado nos sótãos dos Girard-Souza-Moreau, dos Jouve e de outros para quem as peças provenientes da Rainha eram relíquias a guardar.

O actual coleccionador, Remi Fénérol começou por reunir tudo aquilo que dissesse respeito a D. Amélia, que, para além de ser bisneta do rei Luís Filipe de Orleans era rainha. Começava assim a actual Colecção. Ao longo dos anos foram sendo acrescentadas peças provenientes de espólios de outros antigos servidores, comprados directamente a estes ou aos seus familiares, bem como objectos oriundos de leilões de familiares da rainha que haviam recebido peças em herança.
Os objectos que agora se apresentam, são uma pequena selecção de uma colecção maior que reúne os mais variados tipos de obras: vestuário, pequenos objectos de colecção, pintura, fotografia, livros, documentos e parte dos diários da Rainha.

José Alberto Ribeiro
Director da Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

Nota- Este blog publicou em 22 de Agosto passado um apontamento sobre esta última Rainha de Portugal, sob o título de “Confissão de uma mulher”.
Para o reler queira
clicar aqui. Julgo que esta exposição será uma boa oportunidade de ficar a saber um pouco mais sobre esta personalidade da nossa História.

M.A.

15/12/08

Livros

Respondendo ao desafio da Gi, sobre os livros da minha infância, e como continuo pequena, sugiro que neste Natal ofereçam livros.
Hoje também fui comprar alguns aqui e aqui. Ora vejam se não vale a pena...

"Feira do Livro do IPPAR quer aproximar público do património


A I Feira do Livro do Instituto Português do Património Arquitectónico arranca segunda-feira em diversos pontos do país, colocando em promoção cerca de 300 títulos diferentes, revelou esta sexta-feira o IPPAR.

«Vai ser uma oportunidade para os portugueses guardarem um pedacinho do património português», afirmou à Lusa a responsável da divisão comercial do IPPAR, Isabel Melo, acrescentando que a feira do livro vai decorrer «nas lojas de todos os monumentos do Instituto».

Porém, apenas a loja do Palácio Nacional da Ajuda reunirá exemplares das três centenas de livros editados pelo IPPAR, pois os outros monumentos terão apenas algumas das obras, que no certame vão estar disponíveis com um desconto entre os 10 a 80 por cento.

Segundo Isabel Melo, «o IPPAR edita obras com preços muito variáveis, dos dois aos 100 euros, pelo que, com a incidência do desconto, alguns livros poderão ser adquiridos até a 80 cêntimos».

Além dos livros, também vão figurar na feira os três volumes do CD-ROM «Inventário Artístico de Portugal», assinalou a responsável, segundo a qual o ânimo para este certame nasceu «do sucesso que o IPPAR obtém com a sua participação na Feira do Livro de Lisboa».

A iniciativa, que vai «ajudar a escoar» obras publicadas pelo Instituto, pretende, sobretudo, «aproximar o público do património português, pois o leitor que se deslocar à feira pode não resistir à tentação de visitar o monumento», afirmou Isabel Melo.

A I Feira do Livro do IPPAR vai decorrer até 29 de Abril no Palácio Nacional da Ajuda, Panteão Nacional, Mosteiro dos Jerónimos, Torre de Belém, Palácio Nacional de Queluz, Palácio Nacional de Sintra e Palácio Nacional de Mafra.

Os livros vão também estar em promoção no Palácio Nacional da Pena (Sintra), Mosteiro de Santa Maria da Vitória (Batalha), Convento de Cristo (Tomar), Paço dos Duques (Guimarães), Mosteiro de São Martinho de Tibães, Mosteiro de Alcobaça e Fortaleza de Sagres.

Diário Digital / Lusa"

e

"Natal do Livro nas Lojas dos Museus e Palácios

Até 30 de Dezembro

No período de Natal, o Instituto dos Museus e da Conservação renova a sua oferta nas lojas dos Museus e Palácios e na Loja do Palácio Foz, em Lisboa.

Catálogos de colecções e de exposições temporárias, livros de museologia, roteiros e publicações infanto-juvenis, são disponibilizados ao público com descontos apelativos que podem chegar até aos 90%"

fc



14/12/08

UM POEMA DE AMOR



Há já algum tempo que neste blog não aparece poesia. Resolvi portanto ir hoje buscar este bonito soneto do portuguesíssimo António Gedeão.

De seu verdadeiro nome Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, (1906-1997), ele foi um ilustre professor, pedagogo, investigador de História da ciência em Portugal, bem como grande divulgador igualmente da ciência. Participou na realização de alguns manuais escolares especialmente na área da física e da matemática. Académico efectivo da Academia de Ciências de Lisboa e Director do Museu Maynense da mesma Academia de Ciências.
O Ministério da Ciência e da Tecnologia, resolveu, em 1998, escolher a data do seu nascimento, 24 de Novembro, para a comemoração do Dia Nacional da Cultura Científica.

Como poeta, escreveu sob o pseudónimo de António Gedeão. É curioso mencionar que, tendo escrito os seus primeiros versos aos 5 anos, só aos 50 publica o primeiro livro de poesia, por desvalorizar este seu talento. Que pena teria sido nunca termos conhecido a “Pedra Filosofal”, “Poema de Galileu”, ou a “Lágrima de Preta”!
Deixo-vos agora com a leitura deste soneto seu, talvez menos conhecido que os outros poemas mencionados mas, que acho igualmente bonito também. Como sugestão de leitura, convido-vos a irem procurar mais daquilo que ele nos deixou, nos livros, “Máquinas de Fogo”, “Teatro do Mundo”, “Poemas Póstumos”, ou “Poesia Completa”.
M.A
.



A UM TI QUE EU INVENTEI


Pensar em ti é coisa delicada.
É um diluir de tinta espessa e farta
e o passá-la em finíssima aguada
com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em mínima balança,
um armar de arames cauteloso e atento,
um proteger a chama contra o vento,
pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,
um correr sobre lã que ninguém saiba e oiça,
um planar de gaivota como um lábio a sorrir

Penso em ti com tamanha ternura
como se fosses vidro ou película de loiça
que apenas com o pensar te pudesses partir.



António Gedeão
13/Junho/2006


13/12/08

Dia do Pedreiro 13/12


Quando rumou à Capital na procura de melhores condições para a família, iniciou a sua nova profissão de pedreiro.

Na aldeia deixou mulher, filhos, irmãos, pais e demais familiares.

Para todos os trabalhadores vindos de longe, na época, o trabalho na construção implicava dormir na obra de que era automaticamente guarda. Era o responsável não só pelas instalações como também pela guarda das ferramentas.

Vivia como podia, ora aqui ora ali, sem o mínimo de condições, mas esse era o preço pago pela prestação de trabalho longe das azáfamas rurais.

Tudo era melhor que viver no campo a trabalhar de sol a sol. Não que se trabalhasse menos bem pelo contrário, mas porque nas obras tinha um salário.

Sempre dava para mandar dinheiro para a terra, para o sustento dos que lá tinham ficado...

Nas férias numa interminavel viagem de comboio, ia para junto da família. As saudades eram muitas de um e de outro lado.

A chegada do Malheiro era um momento mágico para os mais pequenos; o abrir da mala, a excitação de receber um presente vindo da Capital, a alegria nos rostos, a união da família, tudo era fantástico naquele bocadinho de tempo, que passava rapidamente. Num ápice tudo voltaria ao normal, ao afastamento, à saudade...

Havia contudo tempo para brincar com os filhos, passear com a família, visitar os amigos, caminhar pela aldeia, aconchegar pequenas obras em casa, partilhar conhecimentos adquiridos. Quantas vezes novas receitas culinárias vinham pela mão destes homens para as suas aldeias.

O pedreiro, com as suas mão habeis, construiu ao longo de ruas e avenidas casas modestas e finas com janelas e varandas, prédios altos e vivendas com paredes de mil cores, aplicou azulejos e mosaicos alinhados e nivelados, colocou a folha de louro bem no cimo dos telhados.

Muitos conseguiram estabilizar a vida, e trazer para junto de si a mulher e os filhos, e muitas vezes "davam ainda a mão" a familiares que procuravam tal como eles uma vida melhor. Outros logo que podiam voltavam à aldeia, ou então partiam para um País distante...

Ao pedreiro, homem que no seu fato de macaco cinzento, conhecedor que se tornou da técnica da construção, sabia ler os desenhos, usava com precisão e destreza as ferramentas, chapava massa, assentava o tijolo, enchia placas, punha de pé a estrutura de tantas casas, fica a minha homenagem.

fc




12/12/08

CONTRA A INDIFERENÇA


O nome do Dr. Fernando Nobre já dispensa quaisquer apresentações, quer pelo homem de bem que é, quer pela obra que criou, a AMI, no auxílio a quem mais precisa. Ele diz, quanto a nós com inteira razão, que as duas mais graves doenças da humanidade são a Intolerância e a Indiferença. Convidamos todos os nossos leitores a adicionarem este seu blog aos vossos Favoritos. Nele, acho que todos viremos a encontrar temas que nos farão reflectir seriamente e, quem sabe até, nos levarão também, a crescer um pouco, como pessoas!
Bem haja Dr. Fernando Nobre por ser como é e vir fazendo o que faz!


Deixamo-vos a seguir, em palavras suas, uma vez mais, a manifestação do lema que tem orientado a sua vida:
M.A.

O MEU BLOG “CONTRA A INDIFERENÇA”
A razão deste blog é muito simples: ser um espaço de liberdade onde exprimirei livremente, sem constrangimentos nem rodeios e intermediários, os meus pensamentos e reflexões sobre todos os temas que me interpelam, ou que o venham a fazer, e que me fazem, ou farão, gritar contra a indiferença que, como a intolerância e a ganância, considero ser uma das doenças mais mortíferas da Humanidade.

Assim fazendo espero dar o meu contributo para o reforço da Cidadania Global Solidária. O meu lema será só e apenas este: recusar acomodar-me.

Este blog é mais um passo no assumir das minhas responsabilidades de cidadão do mundo atento e activo. Tudo farei para me manter sempre coerente com os Valores e Princípios que nortearam a minha vida até hoje bem consciente de que, se tenho Direitos inalienáveis, tenho sobretudo Deveres irrecusáveis para com o meu País e o Mundo.
Tentarei pois partilhar com todos vós, meus amigos, as questões que tanto me interpelam e por vezes, confesso, me angustiam ou me iluminam.
Essas questões são: as crises humanitárias, as guerras, a fome, a corrupção, a cidadania global, as alterações climáticas, a exclusão social e a pobreza, as migrações, os direitos humanos, os povos esquecidos, o voluntariado, os conflitos sociais, o civismo, o alertar consciências, a globalização ética e cultural, a governação ou desgovernação global na política ou nas finanças…
Este blog pretende pois apenas dar um singelo contributo à Democracia e à Paz em Portugal e no Mundo em nome do Ser Humano, lutando irredutivelmente pela Liberdade e pela Fraternidade.
Essa é a minha profissão de fé enquanto ser livre que sou.
Sociedade de Instrução Musical e Escolar Cruz Quebradense

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