Como tudo começou

26/02/09

ANTÓNIO DIABO


Recordando figuras que eu conheci, falarei hoje de um homem que, artista nasceu, artista viveu, artista morreu e, como já é sina em quem da arte vive, sempre com altos e baixos na sua vida.
Chamava-se António José Pereira da Silva, mas todos o conheciam por “António Diabo”. Nunca soube de onde provinha a alcunha.

Comprava e vendia velharias, mas acima de tudo, dedicava-se a esculpir a madeira como poucos. Inteiramente autodidacta, apenas a sua sensibilidade o levava a produzir as suas obras. Aproveitava a configuração de determinado tronco de árvore para dele fazer emergir, por exemplo, um Cristo crucificado, cheio de expressão, ou numa superfície maior de madeira fazia nascer uma Última Ceia magnífica. As suas obras tinham, habitualmente, um cariz religioso, não sei mesmo se terá feito outras fora desse tema.

Foi, por exemplo, alguém que o Leitão de Barros foi buscar para vir trabalhar na Grande Exposição do Mundo Português, em Lisboa, no ano de 1940!
Tinha também a particularidade de só trabalhar quando precisava de ganhar algum dinheiro, fora disso, se lhe faziam uma encomenda sabiam que a entrega da mesma, tanto podia demorar pouco, como …nunca mais chegar esse dia!

Excêntrico, muito bem disposto, muito cuidadoso no vestir, fazia gala de dizer, com frequência, que tinha muitos fatos em casa.
Imaginem até que, chegou ao requinte, de mandar transformar libras de ouro para usar como botões, em determinado casaco preto que tinha. E, com esta indumentária se passeou na terra. Sei, que foi precisamente numa ourivesaria de familiares meus que esses botões foram comprados!

Curiosidades que vão saindo do baú…

(Elementos recolhidos no livro “Um Olhar Sobre o Passado” de António César Guedes)
M.A.

4 comentários:

Rosa M. disse...

Tal como tantas outras coisas, outras pessoas e outros acontecimentos, este António "Diabo" não era do meu conhecimento.
Agradeço-te.
Jinhos

Laura disse...

Que giro, e nem lhe roubaram o casaco, ehhhhhh, mas que homem autodidacta, e realmente, só trabalhava quando precisava, e, fazia ele bem, a vida é para viver sem ser a trabalhar todos os dias, ahhhh. Beijinhos.

Anónimo disse...

Um bem-aventurado. Os artistas da actualidade se não trabalham, nem botões de osso podem ter no casaco.

Marina Bruno da Silva disse...

Bom dia,

Sou bisneta do António Diabo. Li a sua crónica, lisonjeadora da história do meu bisavô que muitos outros recantos tem. Decidi contar-lhe a origem da sua alcunha que perdurou na minha família e se alastrou inclusive ao meu pai, também artista de peças em madeira e em pedra, Zé Diabo.
Ainda nos tempos de meninice, no adro da igreja matriz de oliveira de Azeméis, brincava com outros meninos atirando pedras à imagem do arcanjo Gabriel (ou Miguel, nunca percebi quem matou o “Diabo”) a matar o Diabo. Ganhava quem acertasse na figura do Diabo. O meu bisavô acertou na língua do Diabo, partindo-a. Ora, os miúdos começaram a proferir que o meu bisavô era pior que o Diabo pois derrubou a sua língua e era agora o Diabo, o António Diabo. Assim, de forma simples e inocente a alcunha surgiu e manteve-se até aos dias de hoje.
Uma curiosidade incontornável para a minha família.

Sociedade de Instrução Musical e Escolar Cruz Quebradense

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