Como tudo começou

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07/07/10

FIA – FEIRA INTERNACIONAL DE ARTESANATO DE 2010


Os pavilhões da FIL (Feira internacional de Lisboa) abriram-se no passado dia 3 de Julho para mais uma FIA, ou seja, a Feira Internacional de Artesanato de 2010.
Até ao próximo dia 11, quem o desejar, poderá ver ali uma variedade grande de peças de artesanato, tanto de Portugal como de mais 34 países abrangendo os 5 continentes. Não esqueçamos, igualmente, a vertente gastronómica, pois, após alimentar o espírito vendo peças, por vezes bem interessantes, chega igualmente a altura de ir retemperar o estômago com óptimos pratos e sobremesas também de origens várias.
Estivemos lá ontem e, para vos dar uma pequena ideia do que vimos, aqui ficam algumas fotos, escolhidas ao acaso:

1- A obra que ganhou o 1º prémio deste ano, de António Cruz.

2 e 3 -Procissão e pormenor de uma Malhada de milho, de Delfim Manuel.

4- Lenços de namorados

5-Rendas de bilros de Peniche

6-Pormenor de colcha em linho e algodão.

7-Bonecas feitas com folhelho de milho.

8-Freiras à mesa.

9-Casal de velhos apaixonados, da Jão

10-Avozinhas em tecido, da Lia Alvadia

11, 12 - Redoma e registo. Artesanato dos Açores.

Esperamos ter-vos despertado a vontade de lá ir, para ver todo o resto. M.A.

20/03/08

FOGAÇA



Por volta dos seculos XV e XVI Portugal sofreu uma grande epidemia, a peste. O povo sofreu os seus efeitos. A doença, a fome e a morte levaram-no a erguer as mãos para o Céu e fizeram uma promessa: se Deus através de S. Sebastião libertasse o povo daquela desgraça, todos os anos seria feita uma procissão onde raparigas honestas e pobres da vila transportariam o pão (Fogaça) à cabeça que seria oferecido às gentes necessitadas.Os senhores da Feira, interpretando este sentimento do povo, decidiram cumprir o seu voto. E então, todos os anos as fogaças eram levadas em procissão que ia da Casa dos Condes até ao Convento dos Lóios (hoje Igreja Matriz).

Mas, muito mais tarde entre 1749 e 1753, deixou de se cumprir o voto. E a peste voltou e com ela voltou a cumprir a tradição a realizar a Festa em Louvor do Mártir S. Sebastião.

A partir de 1753, até hoje, a Câmara realiza esta festa e cumpre o voto da seguinte forma:
- Pela manhã, vai um cortejo da Câmara para a Igreja Matriz. Nele vão as fogaças a cabeça - as autoridades civis e militares do concelho uma banda e a banda dos bombeiros voluntarios de Santa Maria da Feira.. Segue-se a benção das Fogaças e a missa solene com sermão, na Igreja Matriz.
- A tarde, realiza-se a monumental procissão integrando as autoridades civis e miltares concelhias, convidados, associações culturais, desportivas, recreativas, etc, párocos, confrarias, duas Banda de Musica, e as Bandas dos Bombeiros Voluntarios de Santa Maria da Feira e Arrifana, e, naturalmente o andor do Mártir de S. Sebastião, entre outros e as fogaceiras.



Fado das Fogaceiras

Fogaceira linda e nova,
Deixa-me tirar a prova
Duma fogaça das tuas;
Vendendo-as assim a esmo,
São pedaços de ti mesmo
Que vendes por essas ruas.
Quando vais, oh! Fogaceira,
Vender fogaças à feira
Vais tão cheiinha de graças,
Que nos gestos e meneios
As fogaças lembra seios
E os seios lembram fogaças.
Tuas fogaças loirinhas
São certamente irmãzinhas
das fogaças do teu peito,
Pois nem de outra maneira
Se compreende, oh! Fogaceira,
Quas as vendas todas a eito.

Refrão
Fogaceira minha
Que linda que és,
Com a chinelinha~
Toda bordadinha
Na ponta dos pés.
Quando vais andando,
Tens o encantamento,
De rosas dançando,
De lírios bailando
Nas asas do vento.
fc

14/02/08

LENÇO DE NAMORADOS



Desde sempre, os portugueses partiram: ou para ganhar o sustento noutro lugar, ou para a guerra, ou para embarcarem em navios na aventura da Expansão. Em casa ficavam as mulheres e as crianças. Mulheres sós, tristes, que trabalhavam a terra, fiavam o linho, amassavam o pão e iam vivendo de esperança.Ora, na hora da despedida, em certas regiões do norte de Portugal, era “obrigatório” a rapariga apaixonada oferecer um lenço ao namorado. Lenço bordado por ela, com uma quadra da sua autoria. Se bordava com erros ortográficos, isso era pormenor insignificante, o que contava - e conta - são os sentimentos.·Depois dos abraços e beijos de despedida, o rapaz levava algo que lhe faria lembrar a amada distante. Este lenço era como uma carta, mas mais bela e quase indestrutível, bordada em linho fino, no qual - quem sabe! - Algumas lágrimas masculinas cairiam nos momentos de maior tristeza. As cores e as quadras desses lenços são das coisas mais bonitas do nosso património artesanal bordado, pela sua autenticidade e ternura.·É principalmente na região do Minho que esses “lenços de namorados” têm a sua mais bela expressão. Houve-os bordados apenas a branco ou a negro, mas os mais comuns têm muitas cores e há desenhos “obrigatórios”. Nessa linguagem secreta, fique a saber que rosa quer dizer mulher, coração é amor, lírios simbolizam a virgindade, cravos vermelhos são sinónimo de provocação, e os pombinhos significam os namorados como não podia deixar de ser. Isto, só para fazermos uma breve ideia destes sinais de amor, pois há muitos mais.

Felizmente temos as nossas “fontes”, que o património cultural escrito que se pode arquivar (hoje em espaços pequenos, devido aos avanços da informática) não desaparece e vai sendo preservado. Os textos que estão em livros podem sempre ser transpostos para materiais duradouros. As quadras de amor não estão ao relento, por isso ainda vão perdurar certamente por muitas e muitas gerações. Aqui ficam algumas quadras de Amor, retiradas do Cancioneiro Popular, coligido por J. Leite de Vasconcellos.

A carta que eu te escrevo
Sai-me da palma da mão
A tinta sai dos meus olhos
E a pena do coração.

Escrevia-te uma carta
Se tu a soubesses ler,
Mas tu dá-la a ler a outrem,
Tudo se vem a saber.

A carta que me escreveste
Inda não ia acabada
Faltava-le pôr no meio
Uma rosa encarnada.

Cartas de amor são mentiras
E amores mentiras são;
Mentira foi teu amor
Que enganou meu coração.

Escreve-me, amor,escreve.
Lá do meio do caminho;
Se não achares papel,
Nas asas de um passarinho.
Gi Obrigada pela ideia
Sociedade de Instrução Musical e Escolar Cruz Quebradense

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