
A esta pergunta:
“Mas isso de ser oleiro é assim tão especial?”
A resposta veio deste jeito:
“Para mim é, porque sou um oleiro de peças únicas. Começo todas as peças à base de um tronco de barro que transformo numa espécie de ânfora. Nunca trabalhei com moldes ou qualquer outro artifício. Na ânfora de base, modelo o corpo principal, digamos a figura nua. Depois, preparo uma massa de barro delgadinha e corto-a como se fosse fazenda. Então, com paciência, visto a peça tal como um alfaiate cose as diversas partes dos fatos. Intimamente canto e assobio, enquanto lhe coloco um capote, um manto, um capuz, um livro, uma cruz, uma flor. As flores nunca faltam no meu trabalho. Ainda esta noite me saiu das mãos uma Santa, para mim tão bonita, que até parecia que a ouvia espalhar a música que eu cantava, enquanto a criava. Às vezes acontece, cria-se uma harmonia perfeita, entre os céus, eu e a peça.
A minha matéria prima é o barro, de que Deus se serviu para criar o homem”
“Mas isso de ser oleiro é assim tão especial?”
A resposta veio deste jeito:
“Para mim é, porque sou um oleiro de peças únicas. Começo todas as peças à base de um tronco de barro que transformo numa espécie de ânfora. Nunca trabalhei com moldes ou qualquer outro artifício. Na ânfora de base, modelo o corpo principal, digamos a figura nua. Depois, preparo uma massa de barro delgadinha e corto-a como se fosse fazenda. Então, com paciência, visto a peça tal como um alfaiate cose as diversas partes dos fatos. Intimamente canto e assobio, enquanto lhe coloco um capote, um manto, um capuz, um livro, uma cruz, uma flor. As flores nunca faltam no meu trabalho. Ainda esta noite me saiu das mãos uma Santa, para mim tão bonita, que até parecia que a ouvia espalhar a música que eu cantava, enquanto a criava. Às vezes acontece, cria-se uma harmonia perfeita, entre os céus, eu e a peça.
A minha matéria prima é o barro, de que Deus se serviu para criar o homem”

Palavras simples de um homem que também o é. Nascido no Sobreiro, Mafra, em 1920, José Silos Franco, filho de pais pobres, oleiros de profissão, que daí tiravam o parco sustento para o rancho de 16 filhos que lhes nasceu.

Aquando da Exposição do Mundo Português (1940) veio participar nela e, com o dinheiro que lhe renderam as peças que trouxe, comprou uma bicicleta, cuja marca tenho pena de não me recordar, mas que, seria considerada na altura já de um certo luxo e destaque. Acrescentou sorrindo, que, na aldeia, até duvidaram que a bicicleta tivesse sido realmente comprada por si!



Lembrei-me de vos falar hoje deste homem simples e bom, que mostra um semblante transbordante de paz, como já é raro encontrar-se, à nossa volta.
Pietà 1983
Senhora do Ó 1998
Burros a bricarem 1988
Saloia anos 70
Última Ceia 1962
Senhora do Ó 1998
Burros a bricarem 1988
Saloia anos 70
Última Ceia 1962
(Fotos do livro atrás mencionado)
M.A.
M.A.
5 comentários:
Estive há pouco tempo na sua oficina/exposição/espaço de sonho.
É uma pena já não se encontrar o simpático e afável José Franco que, enquanto trabalhava nos ia dando dois ou três dedos de conversa, simples mas cheia de sabedoria.
Ainda me lembro em criança, de ficar a vê-lo correr as mãos pelo barro e sentir o seu calor humano.
O mestre, gostava de convidar os visitantes a beber um Porto com ele.
Partilhei alguns momentos seus naquele atelier mágico.
Tenho uma linda taça feita por ele que me foi oferecida pelo casal Theias cheia de um gostoso arroz doce.
Fátima:
Seria um cálice de Porto ou de Geropiga? É que tenho ideia que era esta última bebida. Tinha até umas minúsculas canequinhas dependuradas pela asa no pipo de onde ela era tirada. De qualquer forma, isso é irrelevante em relação à cortesia deste gesto para com os visitantes.Sabem que durante anos, (julgo que à segunda feira), era seu hábito ir com a mulher até à Ericeira onde, junto
do mar,rezavam o terço?
então e festa de fim-de-ano na SIMECQ? Este ano já se sabe se vai haver festarola ou não?
abreijos amigos.
Homenagem bem merecida a um grande e humilde artista!
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