Como tudo começou

02/10/08

O ASTROLÁBIO

Reprodução de um Astrolábio Português


Apesar de não ter sido inventado pelos portugueses, visto que já existia desde a mais remota antiguidade, atribuindo-se a sua criação a Apolónio de Perga (Sec.II-III a.C.) ou a Eudoxo de Cnido (Sec. IV a.C.) foi com os marinheiros lusos que, depois de convenientes adaptações, passou a ser usado para determinar a latitude do lugar através da medida da altura dos astros, quando se iniciou a navegação astronómica.
Até meados do Sec. XV, quando se realizaram os descobrimentos que, grosso modo, correspondem aos do período Henriquino, as navegações fizeram-se com base na “náutica de rumo e estima”, ou seja, utilizando carta e bússola e calculando por estimativa as distâncias navegadas. A expansão nesta primeira fase, foi obra mais de coragem do que de ciência.
Mas, quando os portugueses inventaram a navegação astronómica, como resultado da acumulação de conhecimentos e experiências anteriores e como resposta aos problemas que levantavam as navegações até lugares cada vez mais distantes, logo os “pilotos se deram conta de que o astrolábio era dos instrumentos mais úteis e até, sem dúvida, o mais útil para observações solares”, sublinha Luís de Albuquerque.
Construíram-se centenas de modelos tanto de madeira, como de metal. No entanto poucos sobreviveram até aos nossos dias. A arqueologia subaquática tem contribuído para a recuperação de alguns exemplares. De cinco astrolábios recuperados nos despojos do galeão espanhol Nuestra Senhora de Atocha, afundado em 1622, nas costas da Florida, dois deles foram adquiridos pelo Museu da Marinha.
Apesar desse instrumento ser um testemunho e um símbolo da epopeia dos Descobrimentos até à década de oitenta, em que além daqueles dois, outros três, comprados ou doados, vieram enriquecer o património científico nacional, apenas existia um desses instrumentos em Portugal, pertencente ao Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra. No entanto, no total de sessenta e cinco exemplares conhecidos, vinte e sete foram fabricados por portugueses, ostentando alguns deles o nome dos fabricantes, como Agostinho de Goes ou João Dias, ou exibem características que autenticam a origem lusitana.
Cada astrolábio é conhecido por um nome próprio, correspondente ao navio a que pertenceu, ou, quando este não foi identificado, ao local onde foi achado. Pode acontecer ainda que venha a receber o nome do museu ou instituição onde se encontra guardado.
Se no passado estes instrumentos náuticos foram a chave que permitiu a abertura do Atlântico e a descoberta de novos mundos, hoje, pelo seu incomensurável valor documental, poderão abrir as portas para um melhor conhecimento do período mais glorioso da História de Portugal.

Excerto de um artigo, não assinado, publicado na revista Club do Coleccionador.

M.A.

4 comentários:

Ricardo disse...

e também é um restaurante em Paço de Arcos, onde se come bem e não é assim muito caro, mesmo em frente á Marginal, antes do jardim.
Beijos.
Ricardo

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

O astrolábio sempre foi um instrumento que me fascinou.

M.A. disse...

Para Carlos Barbosa de Oliveira:
Quero confessar-lhe que, nesse fascínio, já somos dois! Acredito que muito mais gente exista sentindo o mesmo, por ser, como diz o texto do post, um objecto que nos liga muito à história.

Volte sempre e dê-nos, quando possível, o seu comentário.

Fatima disse...

Dizem que o astrolábio foi desenvolvido por matemáticos antigos, como:
Euclides, Ptolomeu, Hiparco de Nicéia e pela filósofa e matemática Hipátia de Alexandria.
Tinha que haver uma mulher nestas descobertas científicas......

Sociedade de Instrução Musical e Escolar Cruz Quebradense

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