Como tudo começou

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01/08/11

FRASCOS CHINESES PARA TABACO OU RAPÉ




Abre este post uma foto que fiz, algum tempo atrás, no Museu do Oriente, em Lisboa e, que mostra alguns dos frascos de rapé, de uma colecção doada por Manuel Teixeira Gomes. Sei que outra parte desta colecção, ( 88 frascos) está em Coimbra, no Museu Nacional Machado de Castro. Diz-se, que o conjunto reunido por este senhor constituía a segunda maior colecção da Europa.
Para quem não se recorde, o mencionado coleccionador foi o nosso 7º. Presidente da Primeira República (27-05-1860/18-10-1941).


Segundo apuramos a introdução do tabaco, na China, terá sido feita pelos viajantes da Europa Ocidental, na segunda metade do Século XVI. Fumar tabaco era, então, ilegal mas, uma vez moído e usado inalado, considerava-se que deste modo… os seus fins eram medicinais!

No princípio, seria guardado em caixas mas, dado o efeito que a humidade produzia nele, passaram a utilizar frascos por eles permitirem uma melhor conservação. Alguns deles tinham até, presa à tampa, uma pequena colher para retirar o pó do interior.


Esta moda do uso do “pó de inalar” difundiu-se rapidamente entre as classes elevadas, tornando-se mesmo um hábito de cortesia a oferta da pitada de tabaco à visita que chegava.

Assim, estes frascos foram-se tornando cada vez mais sofisticados, transformando-se, a pouco e pouco, em pequenas obras de arte. Os materiais escolhidos para o seu fabrico foram, desde o vidro vulgar ao cristal mais fino, passando por variadas e coloridas pedras e porcelanas, metais preciosos, etc. Foram, igualmente, motivo de inspiração para muitos artistas, que os decoraram com desenhos, pinturas, esmaltes, elaborados trabalhos de cinzel, etc., etc.




Ficou famosa uma importante colecção que reuniu mais de 1700 destes frascos, avaliada em 20 milhões de libras, pertença do casal George e Mary Bloch,. Em Maio de 2010, o jornal inglês Sunday Times anunciou a sua venda, dividida em dez leilões, que se prolongariam por cinco anos. O primeiro lote, composto por 140 frascos, estimou-se então em 250 000 libras.


Porque me chegou às mãos este vídeo, sobre o assunto em questão, resolvi partilhá-lo convosco. Oxalá tenham gostado.M.A.

28/11/10

OS EXPOSTOS



Há anos tive oportunidade de ir ver no Museu de S. Roque, em Lx. uma exposição que salvo erro se intitulou “Os Sinais dos Expostos”. Quem ali se deslocasse tomava contacto com o que foi uma realidade que existente no nosso país por largos anos…
Os “expostos” eram todas aquelas crianças cujo nascimento, por uma ou outra razão, não fora desejado, não iriam ser criadas junto da família e, por conseguinte, se entregavam nas misericórdias. Para assegurar o anonimato desta entrega elas eram depostas na chamada “roda”, que existia na entrada dos conventos.


Tratava-se de um cilindro de madeira que girava num eixo metálico e que, colocado na entrada dos conventos, servia de meio de comunicação. Nesse cilindro apenas havia uma abertura lateral e, uma vez deposta a criança lá dentro, tocava-se uma sineta e alguém do interior, fazendo girar a cx. de madeira até ter acesso à abertura, dali retirava então o bebé. Começava então o ciclo de vida de mais uma criança que iria ser criada longe do aconchego familiar. Dali partiam, geralmente, para casa das chamadas amas, mulheres de posses reduzidas que se encarregavam de as amamentar e, bem ou mal, ir cuidando delas a troco de algum dinheiro.
Como curiosidade a primeira lotaria surgiu em 1783 para “acudir a urgentes necessidades dos Hospitais Reais, dos Expostos e dos Enfermos”.

Todos nós podemos imaginar as milhentas razões que davam motivo a esta prática, mas, o que vi nessa exposição que referi no início, fez-me acreditar que, no meio de todas as possíveis personagens intervenientes, as mães seriam, possivelmente, a parte mais sofredora pois, era destas, que vinha a maioria dos “sinais” que ali apareciam ligados aos bebés abandonados.
Fossem eles medalhas, bilhetes escritos com frases amarguradas, roupas com algum monograma, por vezes até só um simples retalho de tecido, de tudo ali aparecia como promessa de que, mais tarde, quando lhes fosse possível, voltariam para recuperar o filho (ou filha) e dariam como referência o “sinal” que o acompanhara no momento da entrega. Pelo valor e requinte ou modesta qualidade desse objecto também o visitante podia deduzir o nível social de onde viria a criança que o trazia consigo.
Geralmente, também, diziam que nome deveria ser posto ao bebé.
Estas crianças por ali ficavam até aos sete anos e, depois, o seu destino era, quase certo, irem servir como criados em alguma casa rica. Não poderiam aspirar a muito mais…

Também ali vi os grandes livros de assento, onde eram registadas as entradas dos bebés e, devo salientar, que impressionava ver que a taxa de mortalidade era realmente muito elevada. Razão disso, penso, ser também a pouca informação que havia, na altura, sobre cuidados infantis.
A roda foi abolida na década de sessenta do Sec XIX mas, em boa verdade, até finais dos anos trinta continuou a verificar-se a pratica de abandonar os bebés em lugares públicos.
Não temos a veleidade de pensar, que hoje, todas as crianças crescem no colo da mãe verdadeira mas, bastante longe estamos destes tempos de que falamos neste post.

Foto de abertura e alguma informação retiradas da Net.
A outra foto mostra o que resta da “roda” existente no Convento de Celas, em Coimbra e que a autora do post foi descobrir, quase irreconhecível, atrás da porta principal desse mesmo Convento.
M.A.

15/11/10

LANÇAMENTO À ÁGUA, EM AVEIRO, DA NAU “PORTUGAL”



Já por duas vezes falamos aqui da Grande Exposição do Mundo Português que se realizou em Lisboa no ano de 1940. À época foi um acontecimento de grande envergadura, como se pode calcular e, como os leitores poderão relembrar nos posts publicados, clicando aqui e também aqui.
Hoje decidimos abordar um episódio menos feliz mas, igualmente, ligado a esta exposição, o qual deve ter sido bastante embaraçoso para os responsáveis pelo projecto dado que se tornou motivo de alguma crítica, por parte de muitos outros.

Estamos a referir-nos a uma imponente Nau, construída nos estaleiros da Gafanha, semelhante aos galeões que fizeram a carreira da Índia, no Sec XVII . Esta bonita Nau estava previsto vir, no dia 8 de Setembro de 1940 para Lisboa e ficar ancorada no Tejo, frente a Belém, onde constituiria um dos principais atractivos da grande Exposição.
Mas, leitores, a verdade é que os planos que se fazem nem sempre decorrem como se prevê e… disso, temos aqui um bom exemplo.
O melhor será convidar-vos a ver aqui o vídeo que trazemos e, se acaso quiserdes saber o resto da história em todos os seus pormenores apenas tereis que clicar aqui também.
Para quem nunca tenha ouvido falar neste episódio temos a certeza que a surpresa vai ser grande, Quereis apostar?
(Elementos recolhidaos na Net)
M.A.

12/11/09

Adivinha

Esta fotografia foi tirada por mim no Norte de Portugal, no Verão num dia de muito calor

A nascente que se vê na foto é numa recatada aldeia

A água é pura, fresca e cristalina

O que está na lata?

fc

10/09/09

ESTAÇÃO DO ROSSIO, NUM FIM DE TARDE


Num fim de tarde, no terraço superior da Estação Ferroviária do Rossio, demos connosco com o pensamento a divagar sobre o que o nosso olhar ia captando em redor. É, então, disso que falaremos no apontamento de hoje:

Defronte de nós, um pouco afastado, o Castelo de S. Jorge, antigamente denominado Castelo dos Mouros, cuja construção primitiva, de tão remota, se perde nos tempos, chama desde logo a nossa atenção, pela posição que ocupa, sobranceira à cidade. Três episódios que a história a ele associa acorreram à nossa memória.
Verdade ou lenda, por exemplo, diz-se que, durante o cerco de Lx., (1147) Martim Moniz morreu entalado numa das portas do castelo, permitindo, com o sacrifício da sua vida, franquear a entrada dos restantes cavaleiros e peões sitiantes para o interior da fortaleza. Foi com a tomada do castelo que terminou o domínio muçulmano na cidade de Lisboa e que o Castelo ficou então sob a invocação que tem até hoje, a de S. Jorge.
Mais tarde, em Agosto de 1499, foi ali também que D. Manuel I, com pompa e honras, terá recebido Vasco da Gama, após o seu regresso da viagem da descoberta do caminho marítimo para a Índia.
E , já no Sec. XVI, ali também, se estreou a 1ª peça de teatro português, comemorativa do nascimento de D. João III, o “Monólogo do Vaqueiro”, de Gil Vicente. Diz a História que a representação se fez na presença de toda a Corte, na câmara da Rainha, ainda parturiente… Roque Gameiro inspirou-se e imaginou numa tela este sarau de teatro.



Enquanto a ideia ainda viajava por tempos idos, o nosso olhar deixou-se prender a um pormenor da cantaria de um dos muros da Estação.


_Estes dois fusos espiralados imitam a forma daqueles pequenos búzios que encontramos nos passeios à beira mar, pensamos nós. Lógico, pois não é sabido que, foi nos motivos marítimos que o estilo manuelino (neste edifício já não na sua forma mais pura) se foi inspirar? Reparando depois no friso que se lhes segue vislumbramos, desta vez, semelhanças, com as bonitas rendas de bilros. E, assim, a nossa imaginação lá foi voando livremente…
Agora, é o ruído do trânsito da cidade que nos desvia a atenção para a encosta mais à direita onde, o casario, acentuadamente pombalino, com pormenores que a incidência do sol mais fazia destacar, nos prendeu, por alguns momentos.


Que bonitas são as varandas em ferro trabalhado! Cada uma delas merecia mesmo uma foto com zoom!
E as águas furtadas, de onde, já alguém disse que, na cidade, se consegue ver o sol nascer mais cedo!


E que dizer, daquela original sacada, cujas três portas se destacam das demais pelo formato triangular dos vidros superiores? Junto ao telhado, até tem aquele remate com os recortes em zinco pintado, tão em voga nos chalets do Sec. XIX .

Foi com pena que, demos então conta, serem já horas de voltar para casa…
(Fotos da autora do post excepto a do quadro de Veloso Salgado que foi tirada da Net)
M.A.

08/06/09

UMA VEZ MAIS LEONARDO DA VINCI


Queiram ver p.f. os posts anteriores clicando (aqui) e (também aqui), para se situarem na Corte de Ludovico Sforza, em Milão, aí pela segunda metade do Sec. XV, altura em que Leonardo foi aí mestre dos banquetes.

«SOBRE A ETIQUETA À MESA DO SENHOR LUDOVICO, MEU AMO E DOS SEUS COMENSAIS
O meu Senhor Ludovico tem o costuma de atar coelhos adornados com fitas às cadeiras dos seus comensais, a fim de que estes possam limpar as mãos engorduradas às costas do animal, costume que eu considero impróprio da época em que vivemos. E, quando depois da refeição, os animais são recolhidos e trazidos para a lavandaria, o fedor infiltra-se nos outros panos que são lavados conjuntamente com eles. Também não me apraz o hábito de o meu Senhor limpar a faca às vestes do vizinho. Porque razão não lhe é possível fazer como os outros membros da corte que a limpam à toalha trazida para o efeito?»

Faço votos para que não se perca o costume actual do uso do guardanapo!...
Por eu ter achado estes usos e costumes tão curiosos é que achei que os devia dar a conhecer aqui.

M.A.
Sociedade de Instrução Musical e Escolar Cruz Quebradense

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