Como tudo começou

20/04/12

“CONFIDÊNCIA” E… COINCIDÊNCIAS




Hoje, leitores, irei contar-lhes, ainda que resumidamente, uma história passada comigo a qual demonstra que nunca devemos desistir daquilo que pretendemos alcançar. Mesmo passados mais de vinte e cinco anos, como foi o caso de que falarei, pode surgir o bom resultado do nosso esforço.

Há muitos anos atrás, vendo eu, na tv, o programa “E o Resto são Cantigas”, ouvi o Maestro Belo Marques dizendo poemas seus. Foram dois sonetos e o excerto de um poema dedicado a sua mulher, pelos 50 anos de casamento. Porque gostei deles, consegui gravar, escrevê-los e guardá-los.
Procurei livro seu onde pudessem estar publicados, tentando várias vias sem resultado. Pouco tempo depois deu-se também o falecimento do Maestro.
O tal excerto, fui-o dizendo, algumas vezes, em Bodas de Ouro de amigos e, em 14/02/08, assinalando o Dia dos Namorados, resolvi incluí-lo no post deste blog .. Numa nota final, falei da minha pena de ter tentado, em vão, obter a versão completa do poema.
O tempo decorreu e, já este ano, pelo e-mail do blog, uma nossa leitora de Braga informou que tinha o poema completo e que, anos antes já nos contactara sem ter obtido resposta, mas insistia, de novo, na oferta do mesmo. Por qualquer razão, o primeiro mail nunca me chegou às mãos mas, perante este segundo, logo me apressei a responder à leitora de Braga, a qual, tempo depois, efectivamente, mo enviou mas, dizendo também já não possuir o livro onde o lera, nem recordar o nome.
Em nova busca, desta vez também pelo facebook, deparei com alguém que usava o mesmo apelido do Maestro e, pelo contacto depois estabelecido, confirmei ser uma sua Neta. A amabilidade desta senhora foi inexcedível, deu-me o nome do livro, “Post-Scriptum” e mandou-me igualmente fotocópia do poema, tal qual lá se encontra. Ao mesmo tempo dizia-me lamentar já não ter nenhum exemplar do livro para me oferecer.
Claro que o livro está esgotadíssimo, o que entretanto eu já verificara também.
Porém, logo a seguir, descobri que no facebook se criara uma página sobre o Maestro e nela fora publicado o tal poema “Confidência”. Deixei um comentário sobre o mesmo.
Então, no passado dia 25 de Março (faço questão de mencionar a data porque coincidia precisamente, com a da morte do Maestro, ocorrida vinte cinco anos antes ) eu tive a grata surpresa de a sua Neta me informar que o Pai, filho do Maestro, tendo lido o meu comentário, entendera que “eu merecia” um dos exemplares da reedição feita do Post- Scriptum e da qual ele tem ainda alguns exemplares. Cá para mim, de onde quer que o Maestro se encontre, deu um “empurrãozinho” em todo este processo!…
Termino pois, com a satisfação de vos dizer que o Post Scriptum já está em meu poder, guardado com a maior estima.
E agora, tem a palavra o Maestro Belo Marques em:


CONFIDÊNCIA
Sabem?
Tenho uma amante,
Uma loucura, um feitiço.
Uma aleluia de amor.
-Mas o que tenho eu com isso??
Dirá o leitor.
Tem razão, sim senhor.
É feia
esta mania de falar de mim;
Que triste ideia!
Desculpe, sim?!
Porém,
embora lhe faça espanto,
tenho de continuar.
Logo, portanto,
queira escutar:


Tenho uma amante
É tão bom ter uma amante!...
Ela olhou para mim,
seus olhos disseram sim
e eu, nem sei o que disse.
Talvez alguma tolice;
-Depois tudo foi verdade.
Duas verdades numa só vontade,
nós os dois
Ela e eu.
Depois
Aconteceu.
Um ai por outro trocado
um certo atrevimento envergonhado
e meio tonto,
Uma meiga travessura,
um beijo do tamanho da loucura
e pronto.
Foi há momentos? Há cem anos já?
eu sei lá?
Numa feliz partida,
Luminosa como aurora,
Dei uma volta em volta de outra vida
Que minha agora.


Nós temos casinha
de frutos de cheiro,
amoras primeiro,
morangos depois.
E cama feitinha
de rama pinheira,
fofinha, mimeira,
que dá para dois.
Às horas primeiras
do nosso noivado
que fora firmado
por todo o porvir,
lembravam fogueiras
que toda esta vida
foi feita à medida
do nosso sentir.
Que santas mentiras,
de doidos pecados
tão mal disfarçados,
que todos os viam!
Que cómicas iras
nos olhos bonitos,
que Deus dos aflitos,
de amor encobriam!
Por vezes ficava
sem voz pensativa,
fazia-se esquiva
mostrando arrelia.


Mas eu amuava
Também por defesa,
sentindo tristeza
por tanta alegria.


Fazíamos tudo
por estarmos sozinhos,
depois nos cantinhos,
pequenos pecados,
Diálogo mudo
de santo segredo
mas sempre com medo
de sermos culpados.
Tenho uma amante
Sonhos meus
Reprovam? Valha-me Deus!
O que é preciso é viver.
A minha amante é tudo a que me prendo
e querem saber?
Há cinquenta anos já. Fiquem sabendo.


Duas sombrinhas no rosto,
dois olhinhos de sol-posto.
Sabem lá como é lindo o meu amor?
Que importa que o tempo passe
pondo-lhe rugas na face?
Pois deixem pôr.
Eu tenho uma amante que os dias não conta,
O tempo amedronta
mas não atropela.
Os anos apagam-se. Por conseguinte,
eu tenho só vinte,
dezoito tem ela.


E é com este poema, composto com palavras tão simples quanto expressivas , que vos deixo, leitores. Perdoem ter este post saído um poucochinho mais extenso.
M.A.


18/04/12

VIDA DE DONA DE CASA NÃO É FÁCIL


Quando, nos tempos que correm se aborda o dia a dia das mulheres,  mães de família, constata-se que, para atenderem a todas as tarefas, com elas relacionadas, sejam as do emprego, as do governo de casa, as que dizem respeito ao núcleo familiar, ou quaisquer outras, todos seremos unânimes em achar que a "coisa não é fácil e as 24 h do dia são sempre escassas para tudo que há a fazer.

Portanto, concordarão que a frase que dá o título ao post e que se ouve a cada instante é efectivamente uma realidade incontestável, não é assim?

Como também entendemos que uma imagem vale mais que 100 palavras, nada melhor que ilustrar com o  exemplo deste vídeo a afirmação feita.


Não obstante termos ido buscar um assunto bastante sério, desta vez, a nossa intenção foi mesmo deixar-vos apenas com um sorriso nos lábios!... Um pouco de bom humor, nos tempos que correm, bem preciso é, caros leitores.
M.A.

16/04/12

CURIOSIDADES DA NATUREZA



Nos Açores, mais propriamente na Ilha do Faial, em 1986, ocorreu uma tremenda tempestade. Na baia da Horta, um fotógrafo encontrava-se a fazer uma reportagem fotográfica de todo aquele espectáculo que o mar enfurecido proporcionava. Ondas de 15 e 20 metros galgavam a costa.

Dois anos mais tarde, esse mesmo fotógrafo verificou que, curiosamente, a onda que aparecia numa das imagens tinha certa semelhança com o perfil do Deus dos Mares, Neptuno. Divulgou então a sua foto pelo mundo e hoje estamos nós a divulgá-la junto dos nossos leitores.

Para melhor se avaliar o tamanho desta onda fiquem a saber que a falésia que se vê, tem uma altura de cerca de 70 metros.
M.A.


14/04/12

AS TRES PENEIRAS OU UMA QUESTÃO DE BOM SENSO


João, rapaz novo e ainda um pouco inconsciente, entrou num novo emprego e, no final do dia o seu chefe passando junto dele parou para colher dele algumas impressões. Depois de um curto tempo de conversa, João, para se “insinuar” junto do chefe saiu-se com esta:
- Chefe, o senhor nem imagina o que me contaram a respeito do Silva. Disseram-me que ele…
Nem chegou a terminar a frase porque, o chefe chefe, pessoa sensata e bem formada interrompeu-o dizendo::
-Espere um pouco, João. O que me vai me contar já passou pelo crivo das Três Peneiras?
- Peneiras? Que Peneiras, Chefe?
- A primeira, João, é a da VERDADE. Você tem a certeza de que esse facto é absolutamente verdadeiro?
Um certo embaraço do João que acabou por dizer:
- Não. Não tenho, não. O que sei foi o que me contaram, mas eu acho que…
E, novamente, João é interrompido pelo chefe:
- Então esta sua história já vazou a primeira peneira.Vamos então para a segunda peneira que é a da BONDADE.
_Gostaria que o que me vai contar, os outros também dissessem a seu respeito?
- Claro que não! Deus me livre, Chefe! Responde João apressadamente.
- Então, - continua o chefe – a sua história vazou já a segunda peneira. Vamos lá ver o que acontece com a terceira peneira, que é a da NECESSIDADE. Você acha mesmo necessário contar-me esse facto ou prefere agora passá-lo adiante?
- Bom… chefe. Pensando desta forma, vi que não sobrou nada do que eu tinha para contar respondeuo João um tanto encabulado..
-Pois é João ! Já pensou como as pessoas seriam mais felizes se todos usassem essas peneiras?- diz o chefe sorrindo. E continuou:
- Você é ainda muito novo e, portanto, sugiro-lhe que da próxima vez em que ouvir um novo boato por ai, o submeta ao crivo das Três Peneiras: VERDADE - BONDADE - NECESSIDADE antes de obedecer ao impulso de divulgá-lo a outrem. Ter bom senso ajuda sempre na vida.

PESSOAS MESQUINHAS FALAM SOBRE PESSOAS.

PESSOAS COMUNS FALAM SOBRE COISAS

PESSOAS INTELIGENTES FALAM SOBRE IDÉIAS


(Recebido num e-mail, sem indicação do autor )
M.A.

12/04/12

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS – Mário de Andrade




Já há algum tempo que não trazia ao blog um texto tão rico mas ao mesmo tempo com um certo sabor poético, como o de hoje, escolhido entre os que escreveu o brasileiro Mário de Andrade. Para conhecerdes os seus dados biográficos apenas tereis que clicar aqui. Deixo-vos portanto com esta sua inspirada  prosa, intitulada:


O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!


Mario de Andrade (1893 - 1945)
M.A.

Caros leitores:
Esta coisa da informática possibilita que as distâncias físicas se anulem e, de repente, dois seres que não se conhecem, que vivem em locais diferentes, por via de um texto que expressa ideias com as quais se identifiquem criem  uma certa aproximação. Foi o que aconteceu com uma nossa leitora de Espanha, M.G. que tendo gostado de ler "O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS" o comentou e até resolveu traduzi-lo para espanhol e enviá-lo para nós. Ora digam lá que isto não é mesmo formidável! A forma melhor que encontramos para lhe agradecer foi mesmo incluír a dita versão no post, possibilitando, assim que, quem a ele aceda possa dispor do texto, tanto em português como em espanhol. Aqui a deixamos entâo:

EL VALIOSO TIEMPO DE LOS MADUROS

Conté mis años y descubrí que tendré menos tiempo para vivir de aquí en adelante del que ya viví hasta ahora.
Tengo mucho más pasado que futuro.
Me siento como aquel niño que recibió un cuenco de cerezas.
Las primeras, las chupó displicente pero al darse cuenta de que quedan pocas, roe el hueso.
Ya no tengo tempo para lidiar con mediocridades.
No quiero estar en reuniones donde desfilan egos inflamados.
Me inquieto con los envidiosos intentando destruir a quienes admiran,
Codiciando sus puestos, talentos y suerte.
Ya no tengo tiempo para conversaciones interminables, para discutir asuntos inútiles sobre vidas ajenas que no forman parte de la mía.
Ya no tengo tiempo para administrar remilgos de personas que, a pesar de su edad, son inmaduros.
Odio hacer careos de adversarios que lucharon por el majestuoso cargo de secretario-general de la coral.
Las personas no debaten contenidos, sólo los títulos.
Mi tiempo se tornó escaso para debatir títulos, quiero la esencia, mi alma tiene prisa…
Sin muchas cerezas en el cuenco, quiero vivir al lado de gente humana,
muy humana; que sabe reírse de sus tropiezos, no se maravilla con triunfos, no se considera elegida antes de tiempo, no huye de su mortalidad.
Caminar cerca de cosas y personas de verdad,
Lo esencial hace que la vida merezca la pena.
Y para mí, basta lo esencial!


Mario de Andrade (1893 - 1945)

Nota da autora do post-Situações como estas animam-nos a continuar o trabalho que fazemos. M.A.

08/04/12

PÁSCOA DE 2012



Deus, Páscoa de páscoas,

transforma a parte do nosso dia a dia

em festa iluminada!


UMA SANTA PÁSCOA PARA TODOS OS LEITORES

NESTE ANO DE 2012

F.C/M.A.

06/04/12

REGISTOS


 Quem, de entre os meus leitores, não reparou já, em casa de algum familiar de mais idade, de algum amigo, ou mesmo na sala de um museu, numa pequena moldura que vulgarmente se designa por Registo? Penso que me responderão afirmativamente, mesmo que a esse objecto, não tenham prestado, na altura, uma importância de maior. Para quem não saiba o que é, daremos uma breve explicação:


_Os registos são determinadas composições feitas à base de flores artificiais, missangas, bordados variados, tecidos, fios dourados ou prateados, penas, rendas, galões, etc. que, consoante o maior ou menor gosto e habilidade da pessoa que o fez, enquadram uma imagem religiosa, uma fotografia de alguém querido, uma oração, uma data, enfim, algo que se desejou assinalar. O resguardo desta obra é feito numa caixa de vidro, geralmente de formato facetado.


Pensa-se terem tido origem nos conventos, em que o tempo e a paciência convidavam as freiras e frades à minúcia destes e de outros delicados trabalhos. Em Portugal a maior parte destas pequenas maravilhas datam do Sec. XVIII e da primeira metade do seguinte. A predominância é de cariz religioso; estávamos na altura das peregrinações mais frequentes e, este era também um modo de perpetuar os objectos ou relíquias que as pessoas traziam consigo. As formas adoptadas em cada Registo determinam também nomes diferentes:_ Memórias, Lâminas, Estrelas, Saudades, etc.



Seria grande pretensão da minha parte, neste pequeno apontamento, alongar-me em grandes pormenores, mas gostaria de destacar a continuidade que, nos Açores, se deu a esta arte tão bonita. Ali podemos encontrar ainda hoje quem, utilizando até a simples escama de peixe, com ela faça flores das mais variadas formas que, depois, em conjunto, embelezam os Registos do Senhor Santo Cristo, por exemplo. Da mesma forma empregam o miolo da figueira e até mesmo as cascas de cebolas e alhos, que, da humildade da sua matéria sobem à categoria de obras-primas, pelas mãos de quem as manipula.

Nas várias feiras de velharias que proliferam em quase todas as localidades podem ter a sorte de ainda deparar com algum destes Registos, talvez já meio desfeito. Então, vou revelar um segredo e, ao mesmo tempo, convidar quem me lê a reparar na face posterior do objecto, que, geralmente, é feita em cartão almofadado. Nele vai encontrar quase de certeza restos de papel de jornal colados ou não. Se a sorte continuar do seu lado pode então descobrir a “Certidão de Idade” da peça que tem nas mãos. É que, era uso, estes artistas, escolherem partes de jornal onde estivesse impressa a sua data. Terá sido esta, portanto, a testemunha mais fiel que acompanhou este Registo até às suas mãos!
Quase juro que, numa próxima oportunidade, vai pôr em prática o que lhe contei….

Nota da autora do post – As imagens apresentadas são de registos bastante antigos pertença de amigos meus
M.A.

05/04/12

LES LUTHIERS, O HUMOR ALIADO AO TALENTO MUSICAL


Privilegiando uma vez mais o bom humor, ele vem hoje, associado à música. Melhor dizendo, quem irá explicar como funciona esta dupla, humor e música, serão dois dos componentes do grupo argentino denominado “Les Luthiers”.
Especialmente nos vários países de expressão espanhola, é um grupo com muita popularidade.

Numa breve apresentação diremos que ele foi formado, com cinco elementos, em 1967, por Gerardo Masana. De princípio apresentavam-se com música coral barroca, mas, depois, ao longo dos anos entraram na quase totalidade dos outros géneros musicais, incluindo mesmo os ligados à chamada música ligeira.

O termo “luthier” significa no francês, fabricante de instrumentos musicais de corda e, no caso presente, estes cinco músicos resolveram inventar para os seus espectáculos os mais incríveis instrumentos, construídos por eles próprios, sendo os objectos empregues para tal, também os mais inesperados. Os nomes que escolhem para os referidos instrumentos são igualmente pouco convencionais. E um dos compositores das suas músicas dizem ser um certo… Johann Sebastian Mastropiero!

Para que os nossos leitores avaliem por si próprios da qualidade do grupo “Les Luthiers” vamos fazê-los ouvir uma rapsódia em que entram dois dos seus elementos, Carlos Núnez Cortés, no piano e Daniel Rabinovich numa das “tais invenções”. Queiram então fazer o habitual clique aqui e divirtam-se com o espectáculo.
M.A.

03/04/12

FENOMENALMENTE PORTUGUÊS, O DESENRASCANÇO!


Conto, aliás, uma história que ouvi recentemente. Um cidadão português, que sempre desejou ter uma casa com vista para o Tejo, descobriu finalmente umas águas-furtadas algures numa das colinas de Lisboa que cumpria essa condição. No entanto, uma das assoalhadas não tinha janela.


Falou então com um arquitecto amigo para que ele fizesse o projecto e o entregasse à câmara de Lisboa, para obter a respectiva autorização para a obra. O amigo dissuadiu-o logo: que demoraria bastantes meses ou mesmo anos a obter uma resposta e que, no final, ela seria negativa. No entanto, acrescentou, ele resolveria o problema.

Assim, numa sexta-feira ao fim da tarde, uma equipa de pedreiros entrou na referida casa, abriu a janela, colocou os vidros e pintou a fachada. O arquitecto tirou então fotos do exterior, onde se via a nova janela e endereçou um pedido à CML, solicitando que fosse permitido ao proprietário fechar a dita cuja janela.

Passado alguns meses, a resposta chegou e era avassaladora: invocando um extenso número de artigos dos mais diversos códigos, os serviços da câmara davam um rotundo não à pretensão do proprietário de fechar a dita cuja janela.


E assim, o dono da casa não só ganhou uma janela nova, como ficou com toda a argumentação jurídica para rebater alguém que, algum dia, se atreva a vir dizer-lhe que tem de fechar a janela! [....]
Nicolau Santos, in "Expresso online" [...]




Nota da autora do post – Caros leitores, achei este relato uma delícia. Penso que nenhum outro povo, como o português, consegue realmente ter este engenho e arte para “dar a volta” a uma situação. Rendo as minhas homenagens a quem teve esta brilhante ideia. Quem sabe se mais alguém a irá aproveitar…
M.A.

01/04/12

SER SEU AMIGO – Vinícius de Moraes


Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demónio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demónio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase : ' Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus !' Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direcção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas ? Sim??? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu . . . Sabe porquê? Porque... Ser seu amigo já é um pedaço d’Ele !



Nota da autora deste post: _Acrescentar alguma palavra ao que acabou de ler, para quê? Isto é simplesmente Vinicius! Está tudo dito! No entanto, se pretender ouvir o mesmo texto dito por Rolando Boldrin, fica também o vídeo à sua disposição.

M.A.

30/03/12

ESCOLHA OS SEUS NOVOS SAPATOS

Caras leitoras:

Entradas que somos, nós mulheres, nesta Primavera, porquê não pensar já na renovação do guarda roupa e, muito especialmente em arranjar sapatos novos?
Alguém falou em crise?



Ora deitemos isso para trás das costas, porque, perante tanta imaginação na criação do calçado que aqui trazemos hoje, nãi vai haver dona que resista a enfiar o seu pezinho numa maravilha destas!
Duma coisa estamos certas, quando sair à rua assim calçada não vai, com certeza passar despercebida.
A dificuldade estará apenas na escolha dos modelos.








Depois de, segundo esperamos, vos termos feito sorrir com as sugestões apresentadas, despedimo-nos com a amizade de sempre.
M.A  
 P.S.- Se acaso torcer um pé, por favor não nos responsabilize.




28/03/12

FALANDO DE ÁRVORES E NÃO SÓ


Pelo ramo materno descendo de uma família de lavradores e sempre dei conta do amor que o meu avô tinha pela plantação e cultivo de árvores de fruto. Nas suas deambulações pela aldeia, se numa valeta uma pequena semente tivesse germinado, fazendo nascer um caule e meia dúzia de folhas, nos quais ele reconhecesse uma fruteira qualquer, era certo e sabido que logo a trazia, agarrada ao torrão, para que as raízes não sofressem com a mudança de local.

Na quinta onde morava existia portanto uma grande variedade de fruteiras e ele sabia a história de cada uma delas e explicava as enxertias que lhes fizera para que viessem a produzir determinada variedade de fruto. Inclusivamente teve paciência para me ensinar a executar alguns dos enxertos que se usavam e que, mais tarde, orgulhosamente, eu via “pegarem”, como se dizia na altura.

Ali, num pequeno jardim, com um lago ao centro havia até uma citrina que curiosamente, em cada galho, dava diferentes espécies de fruto:_laranjas, limões, limas doces e tangerinas…

Esta incursão ao baú das minhas recordações surgiu por me terem chegado, num e-mail, estas fotos que estou a partilhar convosco.

Alguém, com conhecimentos e bastante paciência, soube transformar o caule de uma árvore numa confortável cadeira. Como diria o nosso saudoso Fernando Pessa:_ E esta hein?

M.A.

26/03/12

POLKA CORAL


Hoje temos música e, por certo, que dada a alegria da peça e a qualidade da interpretação que ides ouvir, ela vos deixará satisfeitos e de sorriso no rosto. Penso que depois destes minutos passados em convívio com os sons de vozes tão afinadas, todos iremos retomar as tarefas do dia com uma melhor disposição. Digam lá se me engano.
Está na altura de vos convidar ao habitual clique aqui.
Espero ter ido ao encontro do vosso gosto também e despeço-me de todos com um até breve, com outro qualquer tema de conversa.
M.A.

24/03/12

COMO AS CRIANÇAS VÊEM O MUNDO




PACIÊNCIA é aquilo que mamãe está sempre a perder
RELÂMPAGO é um barulho rabiscando o céu
PALHAÇO é um homem todo pintado de piadas
SONO é saudade de dormir
ARCO ÍRIS é uma ponte de vento
DESERTO é uma floresta sem árvores
FELICIDADE é uma palavra que tem música
REDE é uma porção de buracos amarrados com barbante
VENTO é ar com muita pressa
COBRA é um bicho que só tem rabo
HELICÓPTERO é um carro com ventilador em cima
ESPERANÇA é um pedaço da gente que sabe que vai dar certo
ALEGRIA é um palhacinho no coração da gente
AVESTRUZ é a girafa dos passarinhos
CALCANHAR é o queixo do pé
MENTIRA (ouve-se o estraçalhar de um vidro no banheiro e o menino grita: “_É mentira do barulho! ”
BRUXA é uma fada que ficou velha e perdeu a dentadura
ENGRAÇADO é o meu boletim do mês passado, porque o deste mês não tem graça nenhuma
ESCURO tenho mais medo de avião que de escuro. É que escuro, não voa nem cai
GÉMEAS eu vi duas meninas de cara repetida
MÃE, quando tu eras pequenina quem era a minha mãe?
INICIATIVA o meu namorado tem iniciativa, o que ele não tem é acabativa
ORGULHO, é o anão pensar que é gigante e a lagartixa pensar que é crocodilo
CABELO é uma coisa que serve para a gente não ficar careca
DIA: Hoje é amanhã de ontem
NOITE é o dia com luz apagada
ELECTRÕES : são os micróbios da electricidade
BOCA é a garagem da língua
REFLEXO é quando a água do lago se veste de árvores
LEQUE é um espanador de ventinho
NEVOEIRO é a poeira do frio
MISTÉRIO é uma coisa que a gente não sabe explicar direito e, quando explica, já não é




Definições colhidas no “Dicionário do Humor Infantil”, publicado em 1998, por Pedro Bloch que foi um médico, de origem ucraniana,  que  mais tarde, se naturalizou brasileiro. Foi também jornalista, dramaturgo, compositor, poeta , bem como autor de mais de cem livros, muitos desses dedicados ao público infanto-juvenil.
Espero ter-vos deixado com um sorriso nos lábios.
M.A.

22/03/12

ORLOJ, O VELHINHO RELÓGIO ASTRONÓMICO DE PRAGA

Praga, capital da república checa tem, na chamada Praça Velha um dos relógios astronómicos mais antigos do mundo. É da época medieval uma vez que vem desde 1410 e ocupa o terceiro lugar em antiguidade. O “decano destes relógios” é o que se encontra em Pádua e que terá sido construído em 1334. Mas, poderá saber isto e muito mais sobre este curioso relógio de Praga se  clicar aqui.

Hoje, queremos partilhar com os nossos leitores algumas fotos do Orloj que nos foram enviadas por um amigo:









Eu já tive ocasião de estar junto deste relógio numa viagem feita por estas paragens. Recomendo a quem tenha oportunidade de visitar esta cidade que o faça, com a certeza de que não se arrependerá.
Até breve leitores.
M.A.

20/03/12

CURIOSIDADE NAS RUÍNAS DE MACHU PICCHU


Se repararmos nesta primeira foto não iremos encontrar nada de especial mas, todos sabemos que os Incas fizeram coisas muito para além daquilo que podemos imaginar.
É que afinal há mesmo algo de realmente interessante nesta imagem que nos passa despercebido.
Apenas teremos que rodar a foto e olhar de novo.

Vamos então encontrar um rosto humano formado pelos relevos da montanha ao fundo das Ruínas de Machu Picchu.
Mais interessante ainda será observar este rosto no próprio local.
Que magníficos escultores foram os Incas!

(Recebido num e-mail)
M.A.

18/03/12

A ARTE NUMA CHÁVENA DE CAFÉ



A arte pode ter muito a ver com a técnica e o ensino mas, primeiro que tudo nasce na imaginação de alguém. É aí que começa tudo e, de um nada, se há inspiração, num instante surge algo que nos maravilha.

Desta vez, vejam os leitores, a uma simples chávena onde iremos servir um café, vamos adicionar umas natas ou um pouco de chocolate e, com a ponta de um palito mais…a tal imaginação e inspiração logo faremos surgir diversas coisas bem giras.

Procurem aprender neste vídeo que aqui deixo. Depois, numa reunião de amigos vamos lá lançar-lhes o desafio para cada um mostrar o que é capaz de fazer. Tentar não custa e pode ser que surjam novos talentos.
Fiquem bem.
M.A.

16/03/12

ESCALADA DA TORRE DOS CLÉRIGOS EM 1917



Será que os nossos leitores sabem que a Torre dos Clérigos, no Porto, foi escalada por dois acrobatas galegos, em Julho de 1917?
Pois assim aconteceu, dois acrobatas, pai e filho, de nomes D. José e D. Miguel Puertullano, ao que se diz para fazerem promoção de uma marca de bolachas, escalaram, sem quaisquer instrumentos de ajuda, os 76 metros de altura que a torre tem.
Uma vez lá no alto ainda fizeram ainda umas acrobacias na cruz que existe a rematar a torre. Espalharam depois pelo ar o que parecem ser papelinhos coloridos (a). Cá em baixo havia uma enorme multidão observando tudo isto.
E para vos mostrar esta aventura temos mesmo um vídeo de cerca de 8 minutos que foi feito a partir do filme efectuado na altura, por Raul de Caldevilla. Chamo a vossa atenção para a forma como estão vestidos os acrobatas. Calças e camisa e… nem sequer faltou a gravata!
Assim, clicando aqui, tereis oportunidade de desfrutar esta fantástica façanha. Espero que vos seja agradável toda esta sequência de imagens, infelizmente sem qualquer som.

(Filme enviado por um amigo. A foto de abertura foi feita pela autora do post e mostra a parte superior da torre dos Clérigos vista do lado da cadeia da Cordoaria, enquadrada por fachadas e telhados de prédios antigos)
(a) - Numa pesquisa posterior soube que os referidos papelinhos eram publicidade a umas bolachas de uma fábrica portuense. Lá no alto da torre, antes, eles haviam tomado chá acompanhando-o com as ditas bolachinhas.
M.A




15/03/12

Tango Argentino - Salão Nobre SIMECQ 31 Março 2012 (16 às 19h)



Estão todos convidados  a aparecer no nosso Salão Nobre para esta experiência gratuita



A sobretudoTANGO vai realizar uma aula aberta  (gratuita) para todos os que tenham curiosidade em ter um primeiro contacto com esta dança da nossa eleição.
Será, claro, apenas um suave cheirinho, mas que dará as noções fundamentais e poderá abrir o seu apetite para aprofundar o paladar. Mais informações no cartaz.

Se julga que é "pé de chumbo", venha experimentar e verá que é mentira!
Maria João e Eliseu

14/03/12

ACORDO ORTOGRÁFICO – José Manuel Fernandes


Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam .
Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros .
Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas .É um fato que não se pronunciam .Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se ?
O que estão lá a fazer ? Aliás, o qe estão lá a fazer ?
Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade .
Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra .
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s” ?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç” .Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som .
Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s” .
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z” .
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z”escreve-se sempre com “z” .
Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k” .Ponha um q.
Não pensem qe me esqesi do som “ch” .O som “ch” será reprezentado pela letra “x”.Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não ?
O “x” xama-se “xis”.Poix é iso mexmo qe fiqa .
Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x” .
Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex .
Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex .
O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural
No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente .
Vejamox o qaso do som “j” .
Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”- ixtu é lójiqu?
Para qê qomplicar ? ! ?
Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j” .
Serto ?
Maix uma letra muda qe eliminamox .
É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem !
Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex ?
Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade ?
Outro problema é o dox asentox.Ox asentox só qompliqam !
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox .A qextão a qoloqar é: á alternativa ?
Se não ouver alternativa, pasiênsia.
É o qazo da letra “a” .Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado .Nada a fazer.
Max, em outrox qazos, á alternativax .Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax lê-se “u” e outrax, lê-se “ô” .
Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso !qe é qe temux o “u” ?
Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil !Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.
Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza :quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e” .
U mexmu para u som “ê” .Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i” .
I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a” .
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex .
Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx” .
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu .
Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum ?


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Caros leitores:


Este texto que vos trouxemos hoje foi, como viram, escrito por José Manuel Fernandes. Porque achamos que se trata de uma crítica muito bem feita e tão cheia de boa disposição, não resistimos a publicá-la no blog.
Muito se tem falado e escrito sobre o Acordo Ortográfico mas, deste modo, com tanto espírito humorístico, confessamos que ainda não encontramos nada igual. Os nossos sinceros parabéns ao seu autor e esperamos que tenham “gostado das sugestões apresentadas”…
(Recebido num e-mail
M.A



11/03/12

TEATRO NA SIMECQ – “ISTO VAI MEUS AMIGOS”



 O grupo de Teatro da Simecq apresentou-se de novo no palco do velhinho, mas sempre bonito, salão Nobre da Sociedade.
Ontem, dia 10 e Março, com a sala cheia, o pano de cena subiu, uma vez mais, para mostrar a quem lá se encontrava, que a Simecq continua viva, cheia de força e com a garra habitual para saber congregar, no mesmo palco, jovens e menos jovens, irmanados no mesmo espírito que a tem norteado ao longo dos anos. Desta vez o tema proposto seria uma chamada de atenção aos tempos que correm.
Como cena de abertura tivemos uma alegoria aos tempos áureos da nossa história:_ Os Descobrimentos. Mostrava-se “uma caravela sulcando as águas” e ouviram-se, declamadas, as oito primeiras estrofes dos Lusíadas:


«Às armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que permitia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino que tanto sublimaram;»











Depois todo o espectáculo se foi desenrolando numa análise crítica àquilo que podemos definir como a realidade dos nossos dias, em que cada um de nós encontra milhentas razões para descrer da capacidade de quem nos governa mas, como é também de tradição com um jeito impar, para vir falar delas sobre as tábuas de um palco… Foi um desfiar de alguns dos muitos problemas que nos afligem, sejam no sector da saúde, ou no da educação, passando pelo mau funcionamento da justiça, pelas políticas sociais e laborais, etc. etc.. Coisas muito sérias foram aqui ditas, por vezes num tom até um pouco brejeiro, mas que nem por isso lhes retirou o sentido da verdade que contêm.
Destaque especial para uma personagem designada, pela autora do texto como “personagem x”e, que atravessando todos os quadros sem pronunciar uma única palavra expressava, por mímica, sentimentos de concordância ou não, com os quais nós próprios nos íamos identificando e que completavam o sentido da cena que se representava.
Junto a este curto apontamento umas quantas despretensiosas fotos que fui fazendo ao longo da representação. Que elas tenham o mérito de vos abrir o apetite para, num dos próximos espectáculos, vos levarem também até à Simecq.

Tendo o espectáculo começado com Camões veio a terminar, na minha opinião também com uma óptima escolha, a incomparável “Pedra Filosofal” de António Gedeão, cuja letra é um eterno hino à esperança! Sempre que o homem sonha…
Falar de quem colabora na peça…não me atrevo…eles são tantos que, fatalmente, iria esquecer alguém e isso seria injusto. Cada um, a seu modo e dentro das possibilidades, creio que terá dado o seu melhor. Os meios são sempre escassos mas, o engenho ultrapassa todas as carências e…quando o sonho nasce a obra acaba sempre por surgir!

Todos merecem louvores e, portanto, a todos deixo aqui as minhas felicitações pelo bom resultado final de mais esta esforço comum. Com gente assim…”ISTO VAI (sempre) MEUS AMIGOS”! Parabéns , Simecq!

P.S.-Espectáculos de 10/3 até 21/4, todos os sábados, às 21,30 h (excepto na Páscoa)
M.A.


Sociedade de Instrução Musical e Escolar Cruz Quebradense

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