25/04/12
PEDRA FILOSOFAL
15/10/11
Quando as pétalas começam a cair....

FC
Texto e foto
29/06/11
Sol doirado
20/03/11
CANTIGA DOS AIS de Armindo Mendes de Carvalho (1927/1988)

Os ais de todos os dias,
os ais de todas as noites.
Ais do fado e do folclore,
o ai do ó ai ó linda.
Os ais que vêm do peito,
ai pobre dele, coitado
que tão cedo se finou!
Os ais que vêm da alma.
Ais d’ amor e de comédia,
ai pobre da rapariga
que se deixou enganar…
ai a dor daquela mãe.
Os ais que vêm do sexo,
os ais do prazer na cama.
Os ais da pobre senhora
agarrada ao travesseiro
ai que saudades, saudades,
os ais tão cheios de luto
da viúva inconsolável.
Ai pobre daquele velhinho:
_ai que saudades menina,
ai a velhice é tão triste.
Os ais do rico e do pobre
ai o espinho da rosa
os ais do António Nobre.
Ais do peito e da poesia
e os ais de outras coisas mais.
Ai a dor que tenho aqui,
ai o gajo também é,
ai a vida que tu levas,
ai tu não faças asneiras,
ai mulher és o demónio,
ai que terrível tragédia,
ai a culpa é do António!
Ai os ais de tanta gente…
ai que já é dia oito
ai o que vai ser de nós.
E os ais dos liriquistas
a chorar compreensão?
ai que vontade de rir.
E os ais de D. Dinis
Ai Deus e u é…
Triste de quem der um ai
sem achar eco em ninguém.
Os ais da vida e da morte
Ai os ais deste país…
Mário Viegas gravou este poema num dos seus vídeos e, a verdade, é que o diz com tanta graça que seria mesmo uma pena não o mostrarmos neste blog.
Pensamos que aqueles leitores que ainda o não conheçam terão uma agradável surpresa. Quanto aos demais, mesmo já não sendo novidade vão também, acreditamos, revê-lo com prazer.
Em relação ao seu autor, Armindo Mendes de Carvalho, para os leitores que dele queiram saber mais, convidamo-los a clicarem aqui.
M.A.
28/02/11
JOÃO VILLARET MORREU HÁ 50 ANOS

Tendo nascido em 10 de Maio de 1913 este eminente actor, encenador e declamador português veio a falecer no dia 21 de Janeiro de 1961.
Quem se lembrar do seu programa de poesia na TV recordará, sem dúvida, o ar descontraído com que costumava sentar-se, junto a uma mesa, por vezes brincando com os óculos, um sorriso no rosto, em fundo, o som do piano tocado pelo seu irmão e, depois, a poesia a fluir sem que o espectador se apercebesse do tempo a passar.
Para ele a nossa homenagem . Se o leitor ou leitora o quiser recordar clique aqui, mais aqui e, ainda uma vez mais aqui.
04/02/11
SE ( Rudyard Kipling )

Se és homem p’ra arriscar todos os teus haveres
Num lance corajoso, alheio ao resultado
E, calando em ti mesmo a mágoa de perderes,
Voltas a palmilhar todo o caminho andado;
Se podes ver por terra as obras que fizeste
Vaiadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizeres palavra, e sem um termo agreste
Se podes obrigar o coração e os músculos
A renovar o esforço, há muito vacilante,
É, sem dúvida nenhuma, um poema de qualidade. Se me permitem, sugiro mesmo àqueles que tenham conhecimentos para tal, que o leia no idioma original, o inglês, certa de que tirarão disso um prazer maior ainda.
Porém, leitores, este post de hoje não fica só por aqui, uma vez que venho também mostrar um vídeo que me chegou por e-mail e, onde o seu autor incluiu um texto no qual encontrei algumas semelhanças com o poema inglês. Longe de mim pretender desmerecer no mérito de Kipling mas, ressalvadas as devidas distâncias, creio que ireis concordar comigo. Por outro lado, está feito com certo humor e, nos tempos que correm, essa é uma característica que, considero também importante para amenizar o nosso dia a dia, que nem sempre se apresenta fácil.
M.A.
29/01/11
Namoro
O Amor, Quando Se Revela
O amor, quando se revela,
Mas se isto puder contar-lhe
Fernando Pessoa
23/01/11
Sózinha na praia...
Os dias passam lentamente, sem pressa.
Aqui definho, sentada nesta areia que outrora foi dourada.
Curvo-me perante as memórias.
Espero por uma onda que traga uma mensagem, uma palavra apenas.
Todos passam mas não me vêm.
Não ouvem as minhas histórias.
Correm apressados... caminham, mas não olham.
Quero gritar!
Onde está a minha voz??? Só há silêncio...
O mar murmura, baixinho.
Estou velha. Não o oiço, não o consigo escutar!
Vivo há muitos anos nesta praia. Será esta a minha última morada?
Virá uma onda, que me arranque desta solidão e me deixe navegar?
texto meu
fc
20/12/10
POEMA DE NATAL

O desenho que abre este post é igualmente da autoria da Marta.M.A.
09/11/10
O LAÇO E O ABRAÇO
Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
Então o amor é isso…
M.A.
01/11/10
HABEAS PINHO E DILERMANDO RÉIS

Em Maio de 2008 falamos pela primeira vez neste blog de HABEAS PINHO, um curioso episódio que teve lugar em Campina Grande, Paraíba, Brasil, no ano de 1955.
No primeiro post apresentamos simplesmente os dois poemas que o compõem, com a explicação respectiva. Para recordar o que então foi dito, convidamo-lo a clicar aqui.
Se abordamos, de novo, o mesmo assunto é para apresentar, agora, uma versão em vídeo, que tem a particularidade de ser musicada com um bonito trecho composto por Dilermando Réis. Chama-se este solo de violão “Abismo de Rosas”.
O grande violonista brasileiro de quem falamos (22-9-16 / 2-1-77) ficou conhecido como “O Canhoto de Paraíba”, justamente porque tocava com a mão esquerda, embora num violão igual a qualquer outro. Isto significa que a dificuldade de tocar era acrescida por a colocação das cordas não ter sofrido nenhuma alteração, uma vez que, quando aprendeu, em garoto, tinha mais irmãos a usarem o mesmo instrumento. Compôs e gravou nada mais nada menos de 129 obras para violão.
Esperamos que este post seja, pois, do vosso agrado.
Video recebido num e-mail)
M.A.
26/08/10
E o mar ali tão perto....
21/07/10
LER OU RELER… EIS A QUESTÃO

Não te amo mais.
Então, leitores? Gostaram? Esperamos que sim.
M.A.
11/07/10
ANTONIO ALEIXO

Para fazer a apresentação deste poeta popular fomos buscar a Nota que o seu editor escreveu no I volume do “ESTE LIVRO QUE VOS DEIXO":
«Os versos de António Aleixo foram primeiramente editados em brochuras dispersas: Quando começo a cantar…, 1943; Intencionais, 1945; Auto da Vida e da Morte, 1948; Auto do Curandeiro, 1949. Posteriormente, estes pequenos livros, aos quais se juntou Auto do Ti Jaquim (inédito até à sua inclusão neste livro), foram compilados num único volume – Este Livro Que Vos Deixo…
Bastariam estes factos, e outros existem certamente, para impor a necessidade de manter os vários prefácios e as notas introdutórias que separam cada parte deste livro. Cremos assim ter conseguido ser fiéis ao próprio poeta e permitir aos leitores sentirem mais vivamente a poesia de António Aleixo».
Deixamo-vos agora, leitores, com este vídeo onde se mostram quadras suas. Em algumas delas, o poeta algarvio expressa verdades e desabafos da vida bem amargurada, que viveu.
Se pretender ter acesso à sua biografia queira clicar aqui.
Até breve com outro qualquer tema
M.A.
08/05/10
POEMA DE PABLO NERUDA

Quem morre?
14/03/10
ORAÇÃO DAS MULHERES RESOLVIDAS

Ora isto, vindo escrito por um homem traduz, a nosso ver, uma mentalidade aberta e livre daqueles preconceitos ligados à chamada “guerra dos sexos” em que há, por vezes, a tendência para confundir as diferenças entre um e outro, como superioridades ou inferioridades. Mas claro que isto não é novidade alguma para quem já o conhece, o foi ouvindo na Rádio ou TV ou, teve mesmo oportunidade de ler os livros que escreveu. Se precisar de recordar os seus dados biográficos queira, p.f. clicar aqui.
Convido então todos a lerem e a divertirem-se com a graça saudável que o autor soube imprimir a este poema:
e mantê-los no escuro até que amadureçam e se tornem uma boa companhia para o jantar.
17/02/10
ANTONIO LOBO ANTUNES – Sátira aos homens quando com gripe
Com este abaixamento de temperatura, estamos bastante preocupadas com as constipações e gripes que possam surgir por aí. Tanto mais que, cá por estas bandas, nos desfiles de Carnaval há sempre quem goste de reduzir as peças de vestuário imitando o que se passa noutras latitudes de clima mais ameno e, depois, sofra as consequências do frio que apanhou.Ora, o que trazemos hoje é um poema que retrata, com bastante humor, precisamente um homem quando está (ou pensa que está!) com gripe:
Pachos na testa, terço na mão,
Esperamos que tenham sorrido um pouco com esta rima tão inspirada de António Lobo Antunes. M.A.
02/01/10
QUASE DEUS

Hoje teremos um soneto que me parece enquadrar-se ainda no tema aqui tratado ontem. É do poeta João Baptista Coelho e tem por título:
QUASE DEUS
Se a gente se guerreia, vem a ira;
Se em nós entra a inveja, sai razão;
Se o ódio nos domina, ninguém tira
proveito que mereça estar na mão.
Porquê fazermos guerra que retira
O mérito de sermos multidão?
Porquê não temos paz e o mundo gira
Com ela espezinhada pelo chão?
Se a gente penetrar no consciente
E dermos uns aos outros o que temos
Sem ser aqueles ódios, teus e meus,
O Deus dirá que a gente somos gente,
Que a vida tem a paz como queremos
E o homem será mesmo quase Deus.
Já em duas ocasiões anteriores trouxemos ao blog poesia deste Autor que reside em S. Domingos de Rana. Se a quiser relembrar, bem como os dados biográficos do Poeta, faça favor de clicar aqui e aqui.
Fiquem em Paz, leitores!
M.A.
24/12/09
O MILAGRE DA NOITE DE NATAL

A Virgem Mãe, depois de reparar
que ninguém mais se encontrava lá na ermida,
desceu devagarinho do altar,
_como temendo ser surpreendida_
e foi espreitar, pé ante pé,
à janela que deita para a rua:
no Céu, brilhava clara a luz da lua.
Em seu altar sorria S. José…
Nem viv’ alma. E então Nossa Senhora,
segura já de que ninguém a via,
pôs em acção a ideia redentora
que tivera naquele santo dia.
Foi buscar um cestinho de costura
que ocultara no vão de uma janela.
O cesto era pertença da capela:
_não se rompesse a veste ao padre-cura…
Cortou em largas tiras o seu manto,
enfiou uma linha numa agulha
e, depois foi sentar-se para um canto
mas sem fazer a mais ligeira bulha.
Quem a visse coser assim tão bem,
ora enfiando ora puxando a linha,
di-la-ia a melhor costureirinha,
mas nunca, certamente, a Virgem Mãe!
O S.José sorria sempre muito,
olhando-a com sincera devoção:
é que ele bem sabia o meigo intuito
que obrigava a Senhora a tal serão.
Os outros Santos, todos num cochicho,
não perdiam de vista o altar-mor,
o Santo António, para ver melhor,
até ia caindo do seu nicho…
Houve uma Santa – a gentileza manda
sobre o seu nome conservar sigilo –
que até ficou de resplendor à banda,
tais voltas deu para espreitar aquilo.
A Senhora entretanto costurava,
presa num sonho que se não descreve,
alheia ao tempo que fugia breve
e ao pasmo que em redor se condensava.
Esteve assim cosendo horas a fio,
à frouxa luz da trémula candeia.
De entretida, nem dava pelo frio…
E, contudo, nevava sobre a aldeia!
Fez bibes, camisinhas, tudo quanto
pode servir de abafo a um petiz.
Cada vez refulgia mais feliz
o seu olhar imaculado e santo.
E as peças que a Senhora ia acabando
os anjos de um retábulo da igreja
levavam-nas depois num voo brando
– voo de pomba que no Céu adeja –
às criancinhas que andam pelo mundo
sem roupa, sem abrigo e sem família…
A Virgem continuava na vigília.
Havia em roda um soluçar profundo.
Por fim, adormeceu, ou de cansaço
ou por doce milagre de Jesus.
– Um enxoval inteiro no regaço
e na fronte uma auréola de luz!
E de manhã na missa do Natal,
quando o prior saiu da sacristia,
foi encontrar a Virgem que dormia
_ tendo nas mão a agulha e o dedal.
Adolfo Simões Müller
«Caixinha de Brinquedos»
Este poema teve o 1º prémio nacional de Literatura Infantil em 1973
Imagem- Adoração dos Pastores de Jusepe de Ribera
13/09/09
PATATIVA DE ASSARÉ

A sua capacidade criadora, tanto no fazer da poesia como no dedilhar da viola com que se fazia acompanhar, deu-lhe uma projecção que o levou a lugar cimeiro no mundo da música nordestina brasileira. O facto de ter frequentado a escola menos de seis meses não o impediu de fazer poesia cheia de sabedoria, conceitos morais, algum humor, etc. O linguajar caboclo contribuiu também para dar mais graça aos seus versos e o levar à popularidade que alcançou.
Achei que esta seria mais uma figura que merecia ser divulgada aqui neste nosso blog e, para vos despertar a apetência de irem procurar mais rimas suas aqui fica, como amostra, este curto mas significativo poema:
EGOÍSMO
Sem ver as grandes cegueiras
Da sua própria pessoa
Vive o homem sempre às carreiras
Atrás de uma coisa boa.
Quando a coisa boa alcança
Ele ainda não descansa,
Sente um desejo maior,
Esquece aquela ventura,
E corre logo à procura
De outra coisa bem melhor.
Se a segunda ele alcançar,
Aumenta mais a cegueira,
Fica sem se conformar
Correndo atrás de terceira,
Vem a quarta, a quinta, a sexta
E ele sendo o mesmo besta
Correndo atrás de ventura,
Assim esta vida passa
E desgraçado fracassa
No fundo da sepultura.
(Este poema está no seu livro “Ispinho e Fulô”. Alguns outros livros seus: “Inspiração Nordestina, Cantos do Patativa, Patativa de Assaré, Cante lá que eu canto cá, Aqui tem coisa e Cordéis e outros poemas”. Elementos recolhidos na Net)
M.A.
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