
Num mail enviado por um amigo, encontrei uma grande colecção de receitas de pratos ligados à gastronomia portuguesa e decidi de imediato partilhá-la com os nossos leitores. Pode ser que alguma dessas receitas desperte o interesse de alguém para a sua mesa da Festa dos Reis.
O texto que se segue é do nosso grande escritor Fialho de Almeida e abre precisamente a colectânea de que vos falo hoje. Pelo rico português em que está escrito acho que será a introdução ideal para todo o resto. Desfrutem pois, leitores, deste apontamento literário e, caso decidam , também das variadas receitas que encontrarem, clicando
aqui.
Gastronomia - Cozinha Tradicional
A propósito de cozinha tradicional, Fialho d’Almeida, num famoso texto do 3º volume de “Os Gatos”, pronuncia-se asim sobre o que é o prato nacional:
“Uma composição culinária, característica, inconfundível. Transmite-se por tradição: os estrangeiros não sabem confeccioná-lo, mesmo naturalizados: tendo chegado até nós por processos lentos, e contraprovas de biliões de experimentadores, sucessivamente interessados em o fixar de forma irrepreensível, resulta ser ele sempre uma coisa eminentemente sápida e sadia. Isto o distingue dos pratos “compostos”, quero dizer daquelas mixórdias de comestíveis e temperos, doseados a poder de balança, exclusivamente científicas, nada intuitivas e meramente inventadas.O prato nacional é como o romanceiro nacional, um produto do génio colectivo: ninguém o inventou e inventaram-no todos: vem-se ao mundo ido por ele, e quando se deixa a pátria, antes de pai e mãe, é a primeira coisa que se lembra. Em Portugal não há província, distrito, terra, que não registe entre os monumentos locais, a especialidade de um petisco raro, sábio, fino, verdadeira sinfonia de sabores sempre sublime.In "À Mesa com Fialho de Almeida"»
Nota da autora do post- À roda dos meus 15 /16 anos decidi arranjar um livro onde iria escrever receitas da cozinha de familia. Para decorar a primeira página copiei, de um jornal um desenho da Laura Costa que completei e colori ao meu jeito, para se adequar ao tema do livro. É essa “velharia” que aparece a abrir o post de hoje.
Até breve leitores com um outro qualquer tema.
M.A.