Como tudo começou

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08/05/12

O MENINO JESUS DA CARTOLINHA OU "L NINO JASUS DE LA CARTOLICA (em dialecto mirandês







 Na Sé Catedral de Miranda do Douro existe uma pequena imagem, (fins do Sec XVII princípio do XVIII), de expressão ingénua, que é bem pouco vulgar na iconografia cristã. É um Menino Jesus que tem a particularidade de aparecer de cartola na cabeça e,  de ter vindo a  usar, aos longo dos tempos, os mais variados fatos que imaginar se pode…As pessoas que se encarregam de o vestir orientam-se, segundo parece, tanto pelas festas litúrgicas, como por um critério pessoal , ou… pura e simplesmente, se sentem  frio ou calor, consoante a época do ano! (Mais informação aqui).


Como justificação para a origem da devoção a este Menino Jesus, conta-se que terá sido  precisamente   em 1711,  estando Miranda do Douro ocupada pelas tropas espanholas  e já tudo parecendo estar perdido que apareceu  um menino, vestido de general e, com espada em punho, tal  coragem incutiu nos portugueses que os levou a expulsar os invasores. Este menino não mais foi encontrado. Considerado o facto uma intervenção divina, isso terá então motivado que fosse esculpida a imagem de que falamos e fosse então colocada na Sé. Com mais pormenores, tereis esse relato clicando aqui.


 A origem da oferta e uso das diferentes fatiotas está  pouco definida, bem como o começo do uso da cartola na cabeça do Menino Jesus. Na obra “Tesouros Artísticos de Portugal li, que os primeiros fatos  vieram de uma dama apaixonada, em memória do afecto e saudade pelo seu noivo que havia morrido numa batalha.

Depois desta primeira oferta,  penso que foi fácil surgir o habito de ofertas idênticas e, depois, a devoção enraizada na gente daquela zona  terá feito o resto. Possivelmente, também, o gosto de saberem e, quererem continuar a manter o estatuto de que esta sua imagem é considerada a que mais peças de vestir  possui, contribua para o crescente aumento do seu guarda roupa. 


Em 2011, por exemplo,  o Governador Civil de Bragança decidiu mesmo oferecer-lhe, duas fardas, uma da PSP e outra da GNR... E até de Espanha este Menino Jesus já recebeu  trajes típicos, imaginem!

Em sua honra é feita, anualmente,  uma festa religiosa, com procissão, sendo  o seu andor transportado por crianças. Realiza-se sempre  no Domingo mais próximo do dia de Reis.
Achei que seria interessante dar a conhecer esta curiosidade religiosa do nosso País e, se acaso forem a Miranda do Douro, não deixem de ir à Sé conhecer este invulgar Menino Jesus.
(Todas as imagens foram colhidas na net, menos a que abre o post que é uma foto  feita pelo meu Amigo F.A., a quem agradeço o envio)
M.A.

25/08/11

RELEMBRANDO O ESCUDO




«O escudo foi criado em 22 de Maio de 1911, cinco meses após a Proclamação da República, por decreto do Governo Provisório. O ministro das Finanças era, então, José Relvas. A nova moeda renovou o sistema monetário português, colocou a unidade monetária portuguesa ao nível das dos outros países e evitou as desvantagens práticas do real (moeda da monarquia), cujo valor era muito pequeno, o que obrigava ao emprego de grande número de algarismos para representar na escrita uma quantia. Assim, a taxa de conversão foi fixada em mil réis (reais).»


Este é o começo de um interessante artigo, intitulado “A HISTÓRIA DO ESCUDO”, que eu encontrei na net e que o leitor ficará também a conhecer na íntegra, se decidir aceder ao convite de clicar aqui.


Não foi assim há muito tempo que passamos a usar como moeda o Euro, em substituição do Escudo mas, todos nos recordaremos ainda, da perturbação que esta mudança provocou, especialmente em pessoas de mais idade e, talvez por isso, menos capacidade de adaptação. Depois, como geralmente acontece, “o hábito foi fazendo o monge” e, a pouco e pouco, todos passaram a usar a nova moeda sem inibições de maior, muito embora ainda não se tenha perdido o jeito, de fazer mentalmente, uma vez por outra, a conversão entre as duas moedas, para melhor calcular o custo de uma compra que se faça.






Esta minha conversa com o leitor tem, por fim, fazer a apresentação de um interessante vídeo que me chegou num e-mail, e que mostra, a par e passo, a sequência das diferentes séries de moedas, múltiplos e submúltiplos do escudo que, durante anos, circularam no nosso país.

Penso que todos irão gostar de as recordar.
Fiquem bem.
M.A.

05/07/11

GRANDE MARCHA DO CENTENÁRIO






Falamos, aqui, no dia 1 de Julho, sobre o cortejo histórico dos festejos do VIII centenário da Tomada de Lisboa aos mouros e, hoje, decidimos trazer a letra da Grande Marcha do Centenário, que, igualmente, no ano de 1947 foi cantada por Amália Rodrigues.
Foram seus autores Raul Ferrão e Norberto Moreira Araújo.

Toda a cidade flutua
No mar da minha canção
Passeiam na rua,
Pedaços de lua
Que caem do meu balão

Deixem Lisboa folgar
Não há mal que me arrefeça
A rir, a cantar, cabeça no ar
Eu hoje perco a cabeça

Lisboa nasceu,
Pertinho do céu
Toda embalada na fé
Lavou-se no rio,
Ai, ai, ai menina
Foi baptizada na Sé

Já se fez mulher
E hoje o que ela quer
É trovar e dar ao pé
Anda em desvario
Ai, ai, ai menina
Mas que linda que ela é

Dizem que eu velhinha sou
Há oito séculos nascida
Nessa é que eu não vou,
Por mim não passou
Nem a morte, nem a vida

O Pajem me fez um fado
Um vali me leu a sina
Não ter namorado,
Nem dor, nem cuidado
E ficar sempre menina

Lisboa nasceu …


Para quem a queira recordar cantada pela própria Amália, também apenas precisa de clicar aqui. Outras artistas a foram também cantando e, mesmo na actualidade, algumas vezes ainda, se ouve esta bonita marcha.
Espero que tenham gostado destas recordações de Lisboa ligadas ao, já um pouco longínquo, ano de 1947.
(A imagem de abertura do post mostra a medalha comemorativa dos festejos a que nos referimos nestes dois posts)
M.A.

21/06/11

LAMEGO


Hoje estou a desafiar os leitores a meterem pés ao caminho, em direcção ao Norte do país, mais propriamente até ao distrito de Viseu. O nosso destino é a monumental cidade de Lamego, para onde, um belo dia, eu fui viver, durante um ano, quando ainda jovem recém-casada e de cuja gente guardo muito gratas recordações.
Não vou demorar-me a descrever em pormenor esta cidade. Se acaso estiverdes interessados em conhecer os dados, geográficos, históricos etc. de Lamego, apenas tereis que clicar aqui.






Irei, sim, deixar-vos com este vídeo que é composto por magníficas imagens da cidade e arredores e que, certamente, vos irá criar apetência para um dia irdes até lá fazer umas férias.
Desejo que esta reportagem fotográfica seja do vosso agrado.


M.A



06/02/11

LISBOA MESMO MUITO ANTIGA



De vez em quando somos agradavelmente surpreendidos pelos tesouros que chegam até ao nosso PC. Desta vez foi um amigo nortenho que nos enviou esta preciosidade.





Dir-se-ia que subimos até ao sótão, abrimos um daqueles baús onde se guardam velharias e aparece perante os nossos olhos um conjunto de imagens, algumas das quais do tempo em que ainda por cá reinava a monarquia, vejam só!

Pois é mesmo verdade, leitores, estamos a partilhar convosco uma Lisboa mesmo, mesmo, muito antiga em algumas fotos e, noutras delas, outra Lisboa não tão velhinha assim…No seu conjunto, porém, consideramos autênticas raridades todas as fotos que se encontram neste vídeo e pensamos irão agradar a quem as possa ver.

A imagem que abre este post mostra o Brasão de Armas da Cidade de Lisboa que fomos recolher no Lello Universal e que, também, nos parece ser interessante dar a conhecer.
Espero que este post tenha sido do vosso agrado e despedimo-nos, dizendo: _Até breve leitores!
M.A.

24/10/10

ELEVADOR DA GLÓRIA FESTEJA 125 ANOS



Caros leitores:

Pelo título do post já ninguém tem dúvidas de quem é o aniversariante de hoje!
Pois é, precisamente no dia 24 de Outubro de 1885 foi inaugurado em Lisboa o elevador com este nome, que passou a transportar os lisboetas desde a Praça dos Restauradores até ao Miradouro de S. Pedro de Alcântara e vice versa. É uma ladeira íngreme, que se sobe num instantinho, graças a este meio de transporte.
Clicando aqui tereis acesso a toda a história relacionada com o elevador da Glória.

Como curiosidade, posso contar-vos também que, a primeira vez que, ainda criança, visitei Lisboa, “dei logo de caras com este elevador”. É que o hotel para onde os meus pais costumavam vir era o Suíço Atlântico, que ainda existe, justamente no princípio da Calçada da Glória. Recordo que foi para mim alguma novidade ser “aquele eléctrico”, de formato bem diferente dos outros que circulavam pelo resto da cidade.
E, feito este curto apontamento, cantemos então os parabéns ao provecto ancião fazendo votos para que permaneça ainda, por muitos anos, no seu contínuo e tão útil sobe e desce.
M.A.

17/10/10

O COMBOIO DA LINHA DO DOURO

(Comboio passando na Estação do Pinhão)


Em Maio de 2008 já nós aqui abordamos o renascer da circulação dos antigos comboios na linha do Douro. A CP anunciava que, todos os sábados, entre Maio e Outubro, o velho comboio a vapor (agora movido a gasóleo) iria percorrer este lindíssimo percurso. Se quiser reler o que então escrevemos queira clicar aqui.




Desta vez trazemos um vídeo, recebido num e-mail, que mostra não só o histórico comboio como ainda algumas das zonas e estações por onde ele passa. Se a uns, de mais idade, este vídeo poderá trazer algumas recordações, a outros, mais novos, quem sabe se despertará o apetite de, um dia, experimentarem fazer igualmente esta viagem.
Até breve, leitores.

M.A.

16/08/10

TAPEÇARIAS DE PASTRANA


Caros Leitores:

Como sugestão para este tempo de férias, se ainda o não fizeram, porque não irem até ao Museu Nacional de Arte Antiga, nas Janelas Verdes?
Qualquer altura é boa para visitar este Museu mas, neste momento, como aliciante temos também lá a exposição temporária “A INVENÇÃO DA GLÓRIA. D. AFONSO V E AS TAPEÇARIAS DE PASTRANA”. Aparecem nela, expostas pela primeira vez em Portugal, as 4 Tapeçarias de Pastrana.
Para quem esteja um pouco esquecido ou ande mais afastado destas coisas, diremos, resumidamente, que se trata de quatro grandes panos, de cerca de 4 x 10 metros cada, tecidos em seda e lã, encomendados pelo nosso rei D. Afonso V, cerca de 1475, nas oficinas flamengas de Tournai, com vista a celebrar e a relatar as conquistas de Arzila e Tanger, no Norte de Africa, em 1471.
Por razões que não estão esclarecidas, estas tapeçarias desapareceram de Portugal e, ao que parece, ficaram esquecidas. Porém, já no princípio do Sec. XX, os historiadores de arte portugueses José Figueiredo e Reynaldo dos Santos conseguiram descobri-las em Espanha, mais propriamente, numa Sacristia da Colegiada de Pastrana (Guadalajara), onde se encontram desde o Sec. XVI. O seu estado de conservação era lamentável mas, hoje, graças a um dispendioso e minucioso processo de restauro custeado por a Fundação espanhola Carlos de Amberes, as tapeçarias retomaram o seu antigo esplendor.
Se pretenderem saber mais sobre este assunto, convidamo-vos a clicar aqui.
Esperamos que esta nossa sugestão seja aceite, com a certeza de que não vos ireis arrepender. Tereis, sem dúvida, uma óptima oportunidade de conhecer um pouco mais da História de Portugal e também 4 obras primas na arte de tapeçaria.
Até breve, com outro assunto.
M.A.

19/07/10

IGREJA DA MEMÓRIA


Esta Igreja, situa-se mais ou menos a meio da Calçada do Galvão, no extremo Sul da freguesia da Ajuda, em Lisboa e, foi mandada construir pelo rei D. José I, em agradecimento por ter escapado apenas ferido, a um atentado sofrido naquele mesmo local, em 3 de Setembro de 1758.
Tudo quanto se relaciona com este atentado é um tanto dúbio e pensamos mesmo não ser uma página da nossa história da qual nos devamos orgulhar. Já foi tema de um post neste blog e poderá recordá-lo clicando aqui.
Digamos, então que foi este episódio que deu depois pretexto a que cinco elementos da família dos Távora e alguns sacerdotes jesuítas fossem executados.

Justamente dois anos depois, também em 3 de Setembro de 1760 é lançada a primeira pedra deste templo mas, passariam 30 anos até à sua conclusão. É construído no estilo neoclássico e o autor do projecto foi o italiano Giovanni Carlo Bibiena seguido depois por Mateus Vicente de Oliveira.

O nome inicial desta Igreja foi, de acordo com a vontade do monarca, “Igreja de N. Senhora do Livramento e S. José” mas, o povo acabou por igualmente a denominar “Igreja da Memória” e, hoje é este último, o nome pelo qual é mais conhecida.
É também nesta igreja, que numa divisão lateral, está o sarcófago com os restos mortais do Marquês de Pombal, mostrado numa das fotos. Veio transladado de Pombal em 1923.
Em 22 de Abril de 1985 um raio atingiu o zimbório da igreja provocando vários estragos mas, felizmente, que a sua reparação foi feita sem alterar a traça original. Mais pormenores sobre a igreja poderá o leitor encontrar clicando aqui.

A autora do post deixa-vos algumas fotos que fez do seu interior e convida quem a lê a fazer também uma visita a este monumento.
A foto que abre o post foi tirada do livro “Lisboa”, de José V. Adragão, Natália Pinto e Rui Rasquilho.
M.A.

15/07/10

LISBOA NOS TEMPOS DE HOJE

(D. José I - Terreiro do Paço)


Lisboa é sempre um tema eterno e, a ele voltamos uma vez mais. Que os vossos olhos se deliciem com este vídeo que mostra como esta cidade continua a ter inúmeros encantos. Quer o passeio seja diurno ou nocturno, será difícil não nos apaixonarmos pelo que aqui vamos encontrando e, impossível também, não sentirmos a magia do som que acompanha estas imagens.


Para colocar o vídeo em andamento queiram clicar no rectângulo que tem a palavra LISBOA.
(Recebido por mail)
M.A.

23/06/10

GRANDE EXPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS


Desta vez, convidamos os nossos leitores para fazerem connosco, uma viagem de regresso no tempo de, precisamente, 70 anos!

Estamos no dia 23 de Junho de 1940 e, vai ser inaugurada hoje a Grande Exposição do Mundo Português, comemorando simultaneamente as datas da Fundação do Estado Português (1140) e da Restauração da Independência, (1640).

Vamos, então, deslocar-nos até à parte ocidental de Lisboa, mais propriamente até ao local onde hoje se situa a Praça do Império, frente ao Mosteiro dos Jerónimos pois, é aí, que a Exposição está instalada, ocupando uma área de cerca de 560 mil metros quadrados.


Mas, melhor que as nossas palavras, será o vídeo que trazemos que vos mostrará um resumo de imagens deste evento. Na pesquisa feita demos conta da repercussão que este acontecimento teve, na época, tendo sido considerado mesmo, o facto cultural, mais importante do regime. Diz-se que cerca de 3 milhões de visitantes por lá passaram. O custo de cada entrada era de 2$50 e , o encerramento da exposição verificou-se em 2 de Dezembro do mesmo ano.
Se pretender informação mais pormenorizada queira clicar aqui.

(Vídeo recebido num mail. Imagem de abertura e outros dados, recolhidos na net)
M.A.

28/05/10

MIRANDA DO DOURO (3ª PARTE)




Do nosso amigo F. Andrade já publicamos anteriormente dois posts em que foram mostradas as 1ª e 2ª partes das magníficas imagens captadas num passeio nocturno pela cidade em título. Poderão recordá-los aqui e aqui. Hoje trazemos as restantes. Mais do que possam dizer as nossas palavras falará a qualidade de mais este conjunto de fotos que, desta vez, têm como fundo musical Tchaikovky. Como receamos que os dados escritos sejam, no vídeo, pouco visíveis resolvemos, para os mais interessados, deixá-los também nesta apresentação.

Capela da Santa Cruz –sécs. XVII e XVIII (Texto do slide 4

Durante a Idade Média, as confrarias da Santa Cruz tinham o piedoso exercício do enterro dos mortos. E, apesar do aparecimento das misericórdias, que as vão substituindo naquele encargo pio, a partir dos fins do séc. XV, a casa de Santa Cruz de Miranda consegue manter-se como uma confraria muito dinâmica, tendo merecido indulgências do Papa Sisto V, em 1589.
A capela do séc. XVII foi completamente reformada na centúria seguinte, conforme nos diz a data marcada por cima do vértice do frontão, que, na sua pureza geométrica, fala a linguagem neoclássica, com ligeiras sílabas de barroco. No seu interior, pode ver-se um quadro do séc. XVIII, sobre a Invenção da Santa Cruz, de Damião Bustamane.

Igreja da Misericórdia –sécs. XVI, XVII e XVIII (Texto do slide 7)

A Santa Casa da Misericórdia foi fundada pelo bispo D. Rodrigo de Carvalho, entre 1554 e 1559. A construção da sua igreja terá ficado pronta em 1589. A janela neoclássica da fachada é do séc. XVIII. Depois da Sé, que ainda não estava concluída, o maneirismo plasmou‐se também neste templo, como nos mostra o arco de meio ponto do portal, ladeado por duas colunas toscanas, com capitéis dóricos. No interior, o retábulo do altar‐mor, o das almas e o da Senhora da Misericórdia, todos do séc. XVII, merecem uma visita atenta. Encostado ao seu lado sul, funcionou, entre 1578 e 1958, o Hospital da Santa Casa.

Castelo –sécs. XI, XIII, XV e XVII (Texto do slide 10)
Obra de D. Dinis, erguida em pequeno aparelho misto de matriz romana pela Ordem de Avis, nos finais do séc. XIII. De forma rectangular, reforçavam-na nos ângulos quatro torres. A de menagem era a maior e fechava o pátio do lado mais frágil da defesa. No canto noroeste, ainda podemos ver a porta da traição. Ao centro, abre-se o poço, com 46 degraus. No início do séc. XV, D. João I acrescentou-lhe a 5ª torre, com as suas armas na fachada sul, a única parcialmente de pé. No séc. XVII, foi envolvida a sul por uma estrutura pirobalística. Já antes, nos finais do séc. XV, a revolução da pólvora tinha obrigado à construção da barreira nova, com bocas de fogo, algumas das quais ainda se mantêm. Aqui residiram também alguns dos primeiros bispos de Miranda, na segunda metade do séc. XVI, enquanto não ficou pronto o paço episcopal. A alcáçova foi arrasada pela explosão do paiol da pólvora, em 8 de Maio de 1762, quando a cidade foi tomada pelo exército de Carlos III de Espanha, durante a Guerra dos Sete Anos que, tendo explodido na América do Norte, em 1757, precipitou, cinco anos depois, o declínio de Miranda do Douro, até então uma das maiores praças de armas de Trás-os-Montes

Esperamos que tenha sido agradável,para todos, percorrer Miranda do Douro através dos olhos deste amigo, a quem agradecemos sinceramente a partilha que fez da sua arte. Para nós foi um privilégio divulgá-la.

M.A.

26/05/10

PONTE DA ARRÁBIDA - PORTO

A Ponte da Arrábida foi a segunda das pontes rodoviárias construídas no Porto, como ligação para a zona de Vila Nova de Gaia. Das seis que ali existem duas delas destinaram-se ao tráfego ferroviário, a de D. Maria Pia (1876), agora já desactivada e que foi substituída pela de S. João, inaugurada em 24 de Junho de 1991.

Quanto às rodoviárias, a primeira foi a de D. Luís I, começada em 1881, depois veio a da Arrábida, inaugurada em 22-5-1963, a seguir a do Freixo, inaugurada em 1995 e finalmente a do Infante D. Henrique, inaugurada em 2003.

Mas, se hoje estamos a destacar a da Arrábida é porque vos queremos mostrar algumas fotografias feitas durante a sua construção. Se acaso algum dos leitores quiser saber mais dados sobre esta ponte é favor clicar aqui. Esperemos que gostem deste post e até breve.
M.A

20/05/10

SER MULHER


O facto de termos nascido mulher foi, naturalmente, condição preponderante para que, sempre, o nosso olhar se mantivesse atento ao que se ia passando, por todo o lado, e que, eventualmente, dissesse respeito ao universo feminino.

Não que os homens ficassem excluídos da nossa atenção, longe disso mas, talvez o que nos levasse a essa observação referida atrás, fosse o facto de, cedo, nos darmos conta de que, sempre se notou uma tendência para se condicionarem as mulheres a um papel de menor importância na sociedade.

Felizmente, que muitas foram as que, ao longo dos tempos, lutaram para contrariar e modificar este estado de coisas. Das acções de algumas delas falamos já neste blog e para estas e todas as outras, mesmo não mencionadas, vai sempre, a nossa homenagem e gratidão.

Lentamente, alguma evolução se tem notado e, acreditamos que a melhoria se acentuará à medida que mais mentalidades masculinas se forem também modificando.
Sabemos, no entanto, que ainda há locais onde as disparidades e desigualdades entre os dois sexos continuam inconcebíveis e revoltantes. Onde se mantêm aberrantes hábitos ancestrais e onde, inclusive, até a violência física sobre as mulheres é permitida pela religião e aceite como prática legal.


Como exemplo, vejam com atenção o vídeo que trago e digam, depois, se alguém poderá ouvir, de bom grado, conceitos deste género, difundidos numa estação de TV, sem sentir o estômago virar-se do avesso?

Nota- Embora este vídeo tenha data de 2006, não nos parece que, hoje em dia, por aqueles lados, as coisas estejam muito diferentes. Em Junho de 2009 publicamos um post sobre mesmo tema. Clique aqui se o quiser rever.
M.A.

14/05/10

PASTÉIS DE BELÉM


Quem, encontrando-se em Lisboa, vier visitar o Mosteiro dos Jerónimos e não for ali ao lado provar também os Pasteis de Belém será, digamos assim, como ir a Roma e não ter visto o Papa!

Diz a história que se começaram a fabricar em 1837, justamente no Convento e, até hoje a fama desta guloseima mantém-se viva, prometendo seguir por muitos mais anos ainda. Mas, para saber realmente tudo, em pormenor, faça favor de clicar aqui.

Não se pense que apenas os portugueses os conhecem; desde há muito que a sua fama atravessou também fronteiras! Se alguém disso duvidar basta-lhe chegar perto da Fábrica e seu local de venda, para reparar, seja qual for a hora do dia, nas longas filas de turistas que ali se formam, no intuito de os provar, quentinhos e bem polvilhados com canela e açúcar.

Apresentamos um vídeo que mostra as instalações desta antiga Fábrica e Pastelaria, decorada com bonitos azulejos azuis e brancos e onde se podem ver, também, alguns dos antigos utensílios usados para a confecção destes pastéis. Quem sabe se isto poderá ser mesmo um aliciante convite para que, quem nos leia e viva fora de Lisboa, programe, desde já, uma visita à capital!
M.A.

16/03/10

MIRANDA DO DOURO (2ª PARTE)

Este é o nosso segundo encontro para um passeio nocturno pelas ruas de Miranda do Douro. A primeira parte já foi mostrada aqui no blog em 06/12/09 e, se a quiser rever apenas terá que clicar aqui. A beleza das imagens captadas pelo nosso amigo Fausto Andrade e o som que as acompanha dispensa, de novo, qualquer comentário.
Na eventualidade de, no vídeo, haver alguma dificuldade na leitura dos textos que correspondem aos slides 2 e 12 resolvemos transcrevê-los neste apontamento.
Podem, também, fazer a paragem do vídeo durante o tempo preciso para a leitura dos referidos textos.


ANTIGO PAÇO EPISCOPAL –séc. XVII - (Slide 2)
Os primeiros bispos de Miranda tiveram de habitar no Castelo. Só em 1601 se inicia a construção do Paço Episcopal e do Seminário. Quando ficou pronto, mais de um século depois, a sua opulência não era inferior à da Sé, cujo estilo, renascentista, imitou. O Paço desenvolvia-se em torno de um pátio central, cingido por um claustro em arcada rebaixada, sobre colunas monolíticas. E, embora muito abalado por incêndios sucessivos, durante os sécs. XVII e XVIII, foi a transferência definitiva da sede da Diocese para Bragança, em 1780, que o fez entrar em ruína acelerada. A sombra da sua monumentalidade projecta-se ainda hoje no claustro e no pórtico do Seminário. Mas, não obstante o estado de ruína, o seu poder simbólico mantém-se porque os bispos continuaram sempre a gravar o seu nome no respectivo memorial, à entrada do pórtico renascentista do primeiro Paço Episcopal da Diocese.

Antiga Sé –sécs. XVI e XVIII - (Slide 12)
Até meados do séc. XVI, a dimensão da Arquidiocese de Braga não permitia ao pastor apostólico visitar regularmente o seu rebanho transmontano, muito afastado. Por isso, o Papa Paulo III, a pedido de D. João III, fundou em 1545 a nova diocese de Miranda. A Igreja de Santa Maria, dos finais do séc. XIII, dava assim lugar (e a pedra) à nova Sé, cujo projecto foi elaborado pelos arquitectos Gonçalo de Torralvae Miguel Arruda, muito bem aconselhados pelo próprio Rei, que, como monarca do Renascimento, era um apaixonado pela arquitectura. A primeira pedra foi colocada no dia 24 de Maio de 1552, mas o lajeado do pátio só ficou pronto em 1620, ou 1621. A capela-mor é de meados do séc. XVIII. Templo majestoso, de três naves e transepto, foi a Sé que trouxe o Renascimento para Miranda, muito embora as abóbadas de cruzaria sejam ainda subsidiárias do gótico medieval. O retábulo de S. Bento, (séc. XVI), o do altar-mor, um dos mais imponentes conjuntos esculturais maneiristas do séc. XVII, da escola de Gregório Hernandez, de Valladolid, e o Menino Jesus da Cartolinha(séc. XVIII) fazem parte do recheio da catedral. Mas, numa cidade exígua, ainda tão esmagada pela cerca medieval, a antiga Sé aparece-nos, de repente, como uma escultura imponente, cujos efeitos de surpresa e espectacularidade são os elementos essenciais.

Nota: Uma vez mais sentimo-nos muito felizes pela oportunidade de mostrar um trabalho com a qualidade a que este amigo F. Andrade já nos habituou.
M.A.

13/02/10

NOTAS DE PORTUGAL



«O dinheiro é o meio usado na troca de bens, na forma de moedas ou notas (cédulas), usado na compra de bens, serviços, força de trabalho, divisas estrangeiras ou nas demais transações financeiras, emitido e controlado pelo governo de cada país, que é o único que tem essa atribuição…»

Assim começa a explicação que a Wikipédia nos dá sobre o que é o Dinheiro. Se desejar, clique aqui, para ter acesso à restante informação que lá aparece.
Hoje, apenas fomos buscar este tema para introduzir um curioso vídeo, que nos chegou por e-mail e que nos mostra antigas notas de Portugal.
Espero que seja interessante para os leitores conhecer as mais antigas e, naturalmente, relembrar as mais recentes.


O fundo musical é, quanto a nós, uma das mais bonitas composições que nos deixou o saudoso Carlos Paredes, aqui interpretada por Ricardo Silva
M.A.


10/02/10

PORTO – CASA DA RUA DE S.MIGUEL Nº. 4

(Clique para ampliar)



Não é a primeira vez que vos confessamos a nossa paixão pelo Porto.

Gostamos sobretudo de andar a pé, pelas zonas mais antigas, por ruas e vielas de calçada irregular, surpreendendo-nos aqui e além com os pormenores que vamos descobrimos.
Desta vez, subimos os Clérigos, seguindo depois pela Rua de Trás, para o Morro do Olival e, num instante estávamos na Rua de S. Bento da Vitória. Esta zona foi já também chamada de Judiaria Nova por aí terem sido instaladas as famílias judaicas, no tempo de D. João I.
Era nossa intenção visitar o antigo Mosteiro de S. Bento da Vitória, hoje transformado num centro cultural, mas tal não foi possível nesse dia. Seguimos portanto rua abaixo, fazendo apenas uma curta, paragem para fotografar uma residente que, debruçada na varanda florida da sua casa, conversava para a rua.

Reparem que há também gaiolas com pássaros, nas janelas, apanhando o sol matinal!
Retomando o percurso acabamos por nos deter na esquina que, à direita, contorna para a Rua de S. Miguel. Uma placa assinalava algo, logo na casa com o nº 4. Pois é…leitores, naquela fachada velhinha estão colocados vários painéis de azulejos que se diz terem vindo da sala do capítulo do próprio Mosteiro de S. Bento da Vitória.
São justamente esses azulejos que hoje aqui vos mostramos.



Depois, ainda fomos até ao fim da Rua de S. Bento da Vitória, que termina à esquerda com a Igreja de Nossa Senhora da Vitória e desemboca num pequeno largo, sobranceiro ao Douro.
Ladeando a Igreja fica a Rua da Bateria (ou Bataria) da Vitória. Mas, para falar deste local e de um episódio histórico com ele relacionado , viremos noutra altura.
(Fotos da autora do post)
M.A.

01/12/09

RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA


Na imagem que abre o nosso post de hoje vê-se o Obelisco dos Restauradores, em Lisboa, inaugurado em 1886 sob projecto de António Tomás da Fonseca . Tem 30 m de altura e, as duas figuras de bronze que nele figuram, simbolizam o génio da Liberdade e o génio da Independência. Ele perpetua a memória da Revolução de 1640, quando um grupo de valentes portugueses de insurgiu contra a unificação das coroas de Espanha e Portugal, iniciada em 1580. São passados 369 anos mas, nunca é demais lembrar este importante acontecimento da nossa Historia . Se o quiser recordar poderá mesmo clicar aqui.

A outra imagem, cópia de uma gravura da época, mostra-nos alguns episódios da Restauração:
A- Morte de Miguel de Vasconcelos. B, C e D, respectivamente, Aclamação, Juramento e Coroação de D. João IV, que aparece também no medalhão central.
Finalmente mostramos a cópia de uma miniatura de D. Luísa de Gusmão, mulher de D.João IV, que se destacou também de forma preponderante neste processo. A ela se atribui a frase: “Antes morrer reinando do que acabar servindo”, como forma de encorajamento num momento em que sentiu alguma hesitação no marido, ainda Duque de Bragança, numa das reuniões preparatórias para a Revolução. Igualmente se diz que foi ela própria a armar os seu filhos cavaleiros para se juntarem aos outros fidalgos. Mais tarde, em 1560, já viúva, assumiu com coragem e acerto a regência do Reino durante a menoridade do filho, futuro D. Afonso VI. Parece-nos pois justo salientar também esta figura de Mulher na data que hoje se celebra.

(Imagem do Obelisco, do livro Lisboa, de J.V Adragão e Natália P.R. Rasquilho. Imagem da gravura e miniatura de D.,Luísa de Gusmão da História de Portugal de J. Veríssimo Serrão)
M.A.

06/07/09

MONUMENTO 11-M, EM MADRID


Todos estaremos ainda recordados do atentado de 11/3/04 na estação de Atocha, em Madrid e, creio que o pensamento de cada um de nós, será de repúdio contra esta e todas as outras formas de violência que, infelizmente, se têm vindo a verificar no mundo.

Hoje, venho falar-vos do «Monumento M-11», que foi erigido, não só em memória das 191 vítimas mortais e em homenagem aos mais de 1800 feridos deste atentado, como dedicado também a todas as outras vítimas de atentados terroristas em todo o mundo. Julgo bastante importante salientar este espírito mais abrangente.


Foi inaugurado em 11/3/07 e, na sua visão exterior, deparamo-nos com um enorme cilindro translúcido de 11,3 metros de altura, erguido na praça fronteira à estação de Atocha. Entraram nesta composição 15.100 peças de vidro, com o peso de 8,45 Kg cada uma.

A base do cilindro comunica com uma sala circular no subsolo, com a área de 492,5 m 2, pintada de azul, em cujo centro incide então a luz vinda do exterior. Os visitantes encontram-se ali, então, num ambiente de certo recolhimento e, ao serem naturalmente atraídos para a luminosidade, olhando para cima, deparam-se com inúmeras mensagens, impressas em espiral, dentro de uma “bolha também transparente” que reveste o cilindro de vidro. Estas mensagens foram escolhidas entre as milhares que, nos dias seguintes ao atentado, chegaram, de todo o mundo, dirigidas ao povo espanhol. Em várias línguas aparece bem expresso o sentimento de repúdio pela barbárie alí ocorrida.

Esta sala está pressurizada para manter no ar a tal membrana de ETFE, o material em que estão as ditas mensagens , dispensando assim qualquer outro suporte estrutural.
Sei que este monumento foi uma escolha entre 283 propostas. Ganhou o projecto apresentado por FAM um atelier de jovens arquitectos, que o criou sob o lema: “A LUZ DEDICA UM MOMENTO DO DIA A CADA PESSOA AUSENTE”
A profundidade desta frase está bem adequada ao memorial de que falamos hoje. Será bom reflectirmos nela.

(Agradeço à minha filha as fotos e informação que me possibilitaram escrever este apontamento.)

M.A.
Sociedade de Instrução Musical e Escolar Cruz Quebradense

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