Como tudo começou

07/05/08

CONVIDO A CONHECER

CASTELO NOVO

VISTA GERAL DE CASTELO NOVO

Quando íamos a caminho de Alvoco da Serra fizemos uma paragem na aldeia de Castelo Novo, situada da vertente leste da Serra da Gardunha, concelho do Fundão, distrito de castelo Branco. É uma das Aldeias Históricas de Portugal. Pesquisando a sua origem, parece que a edificação do seu castelo, ordenada por D.Sancho I entre 1202 / 1208, deu motivo a que começasse logo a nascer uma povoação em seu redor. O primeiro alcaide do castelo terá sido D. Pedro Guterres e, estas terras foram doações feitas pelos monarcas portugueses à Ordem dos Templários, depois chamada Ordem de Cristo, para, na Beira, ficar assegurada a posse dos domínios conquistados aos muçulmanos no Sec. XIII.
Sabe-se, por documentos encontrados, que no reinado de D.Dinis se fizeram obras no castelo. Depois, já no reinado de D. Manuel I, para novas melhorias, foi para ali um escudeiro real acompanhado de um mestre de obras castelhano. Parece que as coisas azedaram entre os dois e o castelhano teve mesmo que se refugiar na igreja, de lá pedindo clemência ao monarca, que interveio serenando os ânimos e permitindo que o castelhano continuasse o trabalho interrompido. No entanto, o terramoto de 1755 fez tais estragos no castelo que, hoje, pouco dele subsiste, para além da Torre de Menagem.


















No largo por onde se entra em Castelo Novo logo se destaca um monumento barroco, em granito, com pedra de armas de D. João V, denominado Chafariz da Bica. Sobe-se para ele por uns degraus e rodeiam-no alguns bancos e algumas árvores. Daqui, partimos para a visita à aldeia e, a cada passo encontramos motivo para novas paragens. São vários os edifícios com marca de terem sido habitados por gente senhorial e muitos mais os exemplos da típica construção beirã, de granito e sem reboco, que são justamente a imagem de marca desta histórica aldeia.










No Largo do Município vemos um edifício quinhentista, os Antigos Paços do Concelho, e junto a este mais um Chafariz também do período barroco. No centro da praça está um Pelourinho manuelino bastante bonito. Do lado oposto mais uma casa senhorial, datada de 1716, o Solar dos Gamboas.
Continuando o percurso chegamos à Igreja Matriz que não pudemos visitar por se encontrar fechada.. Este edifício, embora remontando ao período medieval foi totalmente remodelado no Sec XVIII. É dedicado à Nª. Srª. Das Graças, orago da aldeia.
Além deste, existem outros templos, a Igreja da Misericórdia, construção do Sec XVII, uma capela medieval, dedicada a Santo António e outra a S. Brás. Como memória da antiga vida comunal , subsiste a Lagariça, um lagar talhado na rocha onde durante séculos terão sido pisadas as uvas dos habitantes da aldeia. Muitas outras descobertas interessantes fará o leitor quando tiver oportunidade de lá ir também.

GIESTAS EM FLOR PERTO DE CASTELO NOVO

Impõe-se agora, salientar igualmente, o asseio e o constante verde e colorido das flores que alindam ainda mais esta terra. Encanto este que fica, mesmo assim, aquém do da cortesia das pessoas com quem nos fomos encontrando e falando. Mais uma vez me pareceu estar num mundo diferente, desprovido de desconfianças, onde o sorriso é moeda corrente e nos tratam como se nos conhecessem de há longo tempo. Uma senhora, em jeito de “confidência” ofereceu-nos até a sua casa, caso “tivéssemos alguma necessidade premente”… Gostei de conhecer gente assim e, acreditem, todo o nosso grupo ( éramos 16 ) se manifestou muito bem impressionados com esta visita .

M.A.

06/05/08

Aliança, mãos e dedos

Parece que o costume de usar aliança vem desde a Civilização egípcia e terão sido os Faraós os primeiros a usarem círculos de ferro no dedo anelar da mão esquerda como alegoria da Eternidade, isto pela crença de que, desse dedo, partia uma veia directa ao coração. No entanto, associada ao compromisso de honrar um contrato de casamento a aliança só apareceu popularizada pelos romanos. Os metais nobres e as pedras preciosas apenas se tornaram moda já na época Medieval.


A troca de alianças nos casamentos das religiões de várias culturas digamos que sela o compromisso que os noivos tomam, entre si nesse dia. A aliança no casamento católico, a partir do Papa Nicolas I passou a significar, simultaneamente, um acordo de união de afecto e também legal..É geralmente feita em ouro e usada no anelar da mão esquerda, mas, por exemplo, na Espanha e Áustria , pelo contrário, são colocadas no anelar da mão direita.

Tradicionalmente gravam-se nas alianças os nomes dos noivos e a data da celebração do casamento.Só após a Concordata de 1940, entre a santa Sé e o Estado Português é que se passou a fazer também troca de alianças nos casamentos civis.
Como curiosidade, na Irlanda, as alianças Claddagh, mostram também alguns outros símbolos: um coração significa amor, uma coroa, eternidade,
mãos apertadas, simbolizam amizade.

As alianças de casamento judias são um simples aro de ouro, contínuo que significa uma união pura e eterna.

As alianças de casamento russas têm três anéis entrelaçados que representam a Santíssima Trindade e cada um deles pode ter um tipo de ouro diferente, rosa, branco e amarelo.

Já agora, porque estamos dentro do tema, veja este pequeno filme sobre os dedos.....



Os polegares são os pais

Os indicadores são os irmãos e irmãs


Os médios somos nós mesmos

Os anelares são o marido/mulher

Os mindinhos são os filhos.

Quando se juntam os dedos como se mostra,

conseguimos separar todos os outros porque

não é suposto que os pais vivam sempre connosco,

nem os irmãos, nem os filhos...

Só não se consegue separar os anelares

Aqui ficou, para os nossos leitores interessados, um breve conjunto de notas e curiosidades sobre o uso da aliança.

M.A.

05/05/08

Um pouco de Literatura Portuguesa - Cantigas de Amigo

Fragmento de canções do rei D. Dinis, descoberto pelo Prof. Harvey L. Sharrer. IAN/Torre do Tombo.

São cantigas de origem popular, com marcas evidentes da literatura oral (reiterações, paralelismo, refrão, estribilho), recursos esses próprios dos textos para serem cantados e que propiciam facilidade na memorização. Esses recursos são utilizados, ainda hoje, nas canções populares. Este tipo de cantiga, que não surgiu em Provença como as outras, teve suas origens na Península Ibérica. Nela, o eu-lírico é uma mulher (mas o autor era masculino, devido à sociedade feudal e o restrito acesso ao conhecimento da época), que canta seu amor pelo amigo (amigo = namorado), muitas vezes em ambiente natural, e muitas vezes também em diálogo com a sua mãe ou as suas amigas. A figura feminina que as cantigas de amigo desenham é, pois, a da jovem que se inicia no universo do amor, por vezes lamentando a ausência do amado, por vezes cantando a sua alegria pelo próximo encontro.
(Reiterações- repetiões, renovações)
(Paralelismo -
é um encadeamento de orações, ideias)
(Refrão e estribilho - Verso ou versos que se repetem no final de cada estância de uma poesia, refrão. O estribilho é um recurso frequente na poesia popular)


Cantiga de Amigo escrita pelo rei D Dinis
"Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
ai Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pôs comigo!
ai Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amado,
aquel que mentiu do que mi há jurado!
ai Deus, e u é?"
fc

04/05/08

TRIBUTO ÀS MÃES

Existirem mães,
Isso é um caso sério.
Afirmam que a mãe
Atrapalha tudo.
É facto, ela prende
Os erros da gente,
E era bem melhor
Não existir mãe.
Mas em todo o caso
Quando a vida está
Mais dura, mais vida,
Ninguém como a mãe
P’ ra aguentar a gente
Escondendo a cara
Entre os joelhos dela.
_O que você tem?...
Ela bem que sabe
Porém a pergunta
É p’ ra disfarçar.
Você mente muito
Ela faz que aceita,
E a desgraça vira
Mistério p’ ra dois.
Não vê que uma amante
Nem outra mulher
Entende a verdade
Que a gente confessa
Por trás das mentiras!
Só mesmo uma mãe...
Só mesmo essa dona
Que apesar de ter
A cara raivosa
Do filho entre os seios
Marcando-lhe a carne
Sentindo-lhe os cheiros,
Permanece virgem,
E o filho também...
Oh vírgens perdei-vos,
P’ ra terdes direito
A essa virgindade
Que só as mães têm!


Poema-Mário de Andrade (bras.)
Escultura-Bruno Lucchesi ( itali.)

M.A.

03/05/08

CONVIDO A CONHECER

FLUVIÁRIO DE MORA


Desta vez venho desafiá-los a irem até Mora, no Alentejo, mais propriamente a Cabeção, que fica a cerca de 100 Klm de Lisboa e mesmo ao lado do Parque Ecológico do Gameiro. Iremos fazer uma visita ao Fluviário, que é nem mais nem menos que um conjunto de aquários e espaços envolventes, onde poderemos fazer a viajem entre a nascente e a foz de um rio Ibérico.


Ali teremos oportunidade de observar diferentes tipos de habitats e as espécies animais e vegetais que ali podem viver adaptados ao meio.


Encontramos também espécies já desaparecidas dos nossos rios, como o esturjão outras que, estando perto disso, como o pequeno peixe saramugo, precisam de uma maior atenção do homem para continuarem a existir. Como é evidente todas elas são importantes e necessárias para o equilíbrio dos ecossistemas.


Podemos igualmente encontrar espécies, também de água doce, mas oriundas de outros locais do mundo, como a bacia amazónica, tais como o pacú-negro, a piranha, a anaconda, também conhecida como sucuri. Esta última, quem não se lembra de ouvir falar tanto dela na telenovela “O Pantanal”?…
Dos grandes lagos africanos vieram a enguia-dinossauro, ciclídeos, o peixe gato, etc.


Deixo-vos algumas fotos como aliciante a esta visita a rios e lagos. Gostaria de ter fotografado também as duas lontras que ali estão, chamadas Cristiano Ronaldo e Mariza, mas, a verdade, é que talvez por estarem na hora da sua sesta, não se dignaram aparecer.
O Fluviário de Mora foi inaugurado em 21 de Março de 2007, está aberto todos os dias do ano, (das 10 às 19 H. de Verão e das 10 às 17 H. de Inverno) e sabemos que o seu número de visitantes já ultrapassou os 210 mil, o que é bem elucidativo do seu interesse.

M.A.

02/05/08

Bordado de Castelo Branco

De inspiração oriental, o bordado de Castelo Branco é conhecidas, pelo menos, a partir de meados do século XVI.Os seus elementos decorativos têm simbologia singular. Assim, a albarrada representa o lar e a árvore da vida; os pássaros juntos os desposados, quando não estão representados por simbólicos bonecos; os encadeados, a cadeia indestrutível do matrimónio; os cravos representam o Homem, e as rosas a Mulher; os lírios, a Virtude; os corações, o Amor; as gavinhas, a Amizade; a hera, a firme afeição; os jasmins, a virtude da castidade; as romãs e as pinhas, a solidariedade e união da família; os frangos e os galaripos, a prole bendita; e os lagartos, os amuletos da felicidade tão desejada.
No atelier de artes da SIMECQ, pode vir aprender a fazer estes nobres e belos bordados, com a monitora e responsável do Atelier, Francisca Carvalho.
Vejam estes dois exemplares, um já concluído e em utilização plena em casa da aluna, e outro ainda de outra aluna, em fase de execução.















Mais informações sobre estes bordados aqui e aqui


FC

01/05/08

Hoje é Dia da Espiga ou 5ª Feira de Espiga

O Dia da espiga ou Quinta-feira da espiga é celebrado no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga. Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte. As várias plantas que compõem a espiga têm um valor simbólico profano e um valor religioso. Crê-se que esta celebração tenha origem nas antigas tradições pagãs e esteja ligada à tradição dos Maios e das Maias.

O dia da espiga era também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazero ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.

A simbologia por detrás das plantas que formam o ramo de espiga:

Espiga – pão

Malmequer – ouro e prata

Papoila – amor e vida

Oliveira – azeite e paz

Videira – vinho e alegria

Alecrim – saúde e força.

Eu não saí para ir apanhar a espiga, mas comprei-a e fico contente na mesma. E segundo a tradição da minha terra, ela deve ser guardada juntamente com uma moeda e com um pão do dia. E não é que este pão não ganha bolor nunca.......! Experimentem.....

fc

"A PORTUGUESA"


Alfredo Keil terá composto “A PORTUGUESA” na noite de Domingo de 12 de Janeiro de 1890, em protesto e indignação contra o Ultimato Inglês divulgado na véspera, ao país.

A seu pedido, Henrique Lopes de Mendonça (a) criou os versos. Ambos afirmariam mais tarde que a Marcha serviria, “tanto pela beleza da sua melodia como pelo vigor das palavras, para ser cantada nas horas solenes da nossa vida patriótica”. E foi na verdade o que veio a acontecer.
Rapidamente esta Marcha se difundiu, não só dentro como fora do País. Sempre que tocada, era notório o agrado que despertava. Inclusivamente, passou a ser distribuida gratuitamente a quem a solicitasse.
Entretanto, alguém fez correr a ideia de que nela se encobriam intentos revolucionários. Para evitar as consequências que daí poderiam advir, resolveram, os seus autores, numa longa carta publicada em 27 de Abril, no jornal “O Século”, demarcarem-se de quaisquer apropriações políticas e salientar apenas a intenção patriótica da Marcha. Na mesma altura, a expensas suas, Keil mandou afixar 50 cartazes da mesma, em vários locais de Lx.
Tempos mais tarde, na manhã de 5 de Outubro de 1910, foi ao som de “A PORTUGUESA”, tocada pela Banda de Caçadores 5, que as Forças Republicanas desfilaram pelas ruas de Lx. Em seguida a Implantação da República já lhe chamou Hino Nacional e, em 17 de Novembro o Ministro da Guerra do Governo Provisório resolveu torná-lo oficial. Porém, a consagração de “A PORTUGUESA” como Hino Nacional só surgiu, realmente, em 19 de Junho de 1911, proclamada na primeira sessão da Assembleia Nacional Constituinte.
Sem dúvida que nos devemos orgulhar do nosso Hino que é um dos mais bonitos jamais compostos. Geralmente só é cantada a primeira estrofe mas, “A Portuguesa” tem efectivamente três estrofes. Não vou aqui transcrevê-las para não tornar demasiado extenso este apontamento, mas, convido os leitores a que procurem ler esse bonito poema e, nele atentem bem, para avaliar quão intenso ali se exprime o fervor patriótico que inspirou o seu autor.

( a ) Como curiosidade, este ilustre oficial de marinha viveu vários anos na Cruz Quebrada.
M.A.

30/04/08

DISSERTANDO SOBRE OS LIVROS


Actualmente, ouve-se entoar em muitos lados o de profundis pelos livros e pela leitura. A electrónica e as formas de comunicação que lhe estão associadas vão tragando cada vez mais espaços; parece quase impossível que daqui a dez ou vinte anos alguém faça um gesto tão arcaico como abrir um livro. Eu não acredito que isto venha a suceder, porque os livros são indispensáveis. Os livros servem para compreendermos e para nos compreendermos, criam um universo comum a pessoas que vivem muito longe umas das outras. Se eu e tu lemos, por exemplo, Moby Dick, há mil e um assuntos que podemos discutir: as personagens, a intriga, as antipatias e as simpatias, os aspectos emocionantes e os aspectos enfadonhos.

Pensando bem, ler não é mais do que criar um pequeno jardim no interior da nossa memória. Cada livro vai trazendo alguns elementos, um canteiro, um carreiro, um banco onde podemos descansar quando estamos cansados. Ano após ano, leitura após leitura, o jardim vai-se transformando em parque e, nesse parque podemos vir a encontrar mais alguém. Pode descobrir-se uma amizade, pode, ­- porque não? - encontrar-se o amor, ou mesmo apenas um pouco de alívio num dia particularmente sombrio e tristonho. Ler não é um dever, nem um cálice amargo que tem de ser bebido até ao fundo, esperando receber-se sabe-se lá que benefícios. Ler é criar um pequeno tesouro pessoal de recordações e emoções, um tesouro que não será igual ao de ninguém mais, mas que poderemos partilhar com outras pessoas.

Susana Tamaro escreveu estas frases no seu livro “QUERIDA MATHILDA”. Achei curioso trazê-las a este blog.

M.A.

29/04/08

Ainda o Dia Internacional da Dança

O Dia Internacional da Dança é celebrado no dia 29 de Abril. A comemoração teve início em 1982 pelo Comite Internacional da Dança da UNESCO. A data comemora o nascimento de Jean-Georges Noverre (1727-1810), o criador do ballet moderno.
Entre os objetivos do Dia da Dança estão o aumento da atenção pela importância da dança entre o público geral, assim como incentivar governos de todo o mundo para fornecerem um local próprio para dança em todos sistemas de educação, do ensino infantil ao superior.
A dança tem feito parte da cultura humana através da história.

A dança em Portugal depende muito do folclore português e este, por sua vez, das diferentes regiões do país. Das muitas danças que existem, podem destacar-se o Fandango, a Dança de Roda, a Valsa de Dois Passos, a Chotiça, o Corridinho, o Vira e o Verde Gaio.

Algarve

O corridinho é uma das danças tradicionais de maior expressão no Algarve. É dançado aos pares, as raparigas por dentro e os rapazes por fora. Giram no mesmo lugar, movendo os pés de forma rápida. Apesar de ser no Algarve que atinge maior notoriedade, também na Estremadura faz parte do folclore local.

Madeira

Nas diferentes regiões de Portugal há diferentes tradições, e a Madeira não é excepção. O Bailinho da Madeira, ou simplesmente bailinho, é a dança típica mais conhecida da ilha. É acompanhada do brinquinho - o instrumento regional tradicional, feito com castanholas, fitilhos e bonecos de paus, vestidos com o traje regional, que quando chocalhados contra a cana que os sustem, emite som.

Minho

O Minho, sobretudo o Alto Minho, é rico em danças tradicionais, das quais se destacam o Vira a Chula, a Cana Verde e o Malhão. O que mais sobressaí delas, à parte da dança propriamente dita, é o vestuàrio das mulheres, que com as suas cores e acessórios variados, adornam o bailado.

Ribatejo

No Ribatejo a dança com maior difusão é o Fandango. É uma espécie de dança da sedução, o homem gira em torno da mulher cantando e gritando de forma entusiástica. Por vezes a dança é feita por dois homens que "competem", um contra o outro, frente a frente, sapateando o melhor que poderem. .

Trás-os-Montes

Em Trás-os-Montes, os Pauliteiros de Miranda fazem uma dança que se mostra muito relevante no folclore da região. Um grupo de homens vestidos com trajes típico enfrentam-se uns aos outros com palotes. A dança evoluí com o som ritmado dos palotes a baterem e os movimentos dos intervinientes. Nestas "danças-combates" não entram mulheres, e o seu símbolo é a Capa de Honra.

Mais informação aqui

fc

DIA MUNDIAL DA DANÇA


PARA ASSINALAR O DIA MUNDIAL DA DANÇA TROUXE-VOS ESTA ESCULTURA DE ANTONIETA ROQUE GAMEIRO A QUE ELA DEU O TÍTULO "VOOS".

JULGO QUE A DANÇA TEM MUITO A VER COM O VOAR, ATRAVÉS DA MÚSICA, DA INSPIRAÇÃO, DO SONHO...

M.A.

28/04/08

CONVIDO A CONHECER

ALVOCO DA SERRA




Um fim de semana prolongado despertou em nós o desejo de partir ao encontro de novas terras e vivências diferentes. Desta vez o destino foi a Serra da Estrela. O ponto de apoio foi Alvoco da Serra, que é uma pequena freguesia do concelho de Seia, situada na vertente Norte de um extenso vale, cujo topo não dista muito do ponto mais alto de Portugal. A 680 metros de altitude, Alvoco fica, em linha recta, a pouco mais de 4,5 Klm da Torre. É, precisamente, a povoação mais próxima de lá.

Ponte Romana

Calçada Romana


Como tantas outras aldeias da zona, esta, esteve muito tempo isolada e só em 1937 se fez a ligação da E.N 231 a Loriga, que lhe fica a 9 Klm de distância. Anteriormente estas povoações estiveram ligadas por uma via romana e existem ainda várias pontes romanas em bom estado de conservação. É por uma delas que se faz, ainda hoje, a principal entrada na terra. Esta povoação chegou a ter título de vila e tem mesmo um foral concedido em 1514 por D. Manuel I.
No Sec.XIX e até meados do Sec.XX foi até um centro importante de lanifícios.




Passeando, subindo a rua principal, chegamos à sua Igreja Matriz, edifício de meados do Sec XVIII, uma vez que no lintel da porta está gravada a data de 1747. É seu orago Nª.Sª. do Rosário, cuja imagem, em pedra Ançã, (escola de Coimbra) podemos ver no seu interior e é considerada uma das quatro preciosidades escultóricas renascentistas que tem Alvoco da Serra.



As outras três, também esculturas religiosas, na mesma pedra Ançã, encontravam-se na Capela de S. Pedro, mas, por razões de segurança, dado o seu elevado valor artístico, foram transferidas para a Capela de Santo António. Estão colocadas em nichos, num frontal de madeira. Ao centro vemos S. Pedro. à sua dtª. um Espírito Santo e à esqª. uma Santa Catarina. Está em projecto um museu de arte sacra onde estas quatro peças da Renascença, mais umas outras que existem, como por exemplo um sacrário da autoria de João de Ruão (Sec XVI) virão a ser incluídas.

Há também um pequeno museu ligado às lides agrícolas e artesanais e, onde, no piso superior, se mostra o interior de uma habitação rural.
Aproveitando ainda o potencial que a passagem de um rio proporciona, está construída uma piscina pública e também já, iniciada a reconstrução de velhos edifícios como infra-estruturas de apoio à mesma. Felizmente que, sem alterar o sabor primitivo destas casas de paredes de pedra solta, com telhado de lousa.

A gente da terra está consciente do meio em que vive e tem a perfeita noção de que deve preservar os seus valores. Ficamos com essa ideia nas diversas conversas que tivemos. A cortesia com que éramos cumprimentados nas nossas deambulações pelas ruas e becos e a resposta que nos foi dada a alguma informação pedida foram constantes. Por todo o lado, o asseio e arranjo com flores e verduras, também nos deixou uma impressão agradável. Mas, se me permitem uma das notas que salientarei como sinal de que por ali tudo ainda é bastante mais são é que, em inúmeras casas constatamos que a chave da porta se encontrava colocada na fechadura, pelo lado de fora!… Duvidam? Façam uma visita quanto antes …Não sabemos por quanto tempo mais se conservará este costume…

M.A.

27/04/08

Villa de São Cucufate

Em meados do século I d.C. foi construida uma villa, de condições e dimensões ainda muito rústicas, mas que adivinhava já a implantação ou reconstrução de uma nova villa, adaptada às necessidades arquitectónicas, estéticas e funcionais da época, ou seja do século II d.C.
Foto: Isa Costa

Só no século IV d.C., grande parte da villa que constituia uma miscelânea entre a primeira e a segunda, foi praticamente demolida, tendo apenas restado alguns alicerces. Uma nova construção foi edificada, desta vez apresentando estruturas de tipo palaciano, que perduraram no tempo até hoje.

O edifício foi abandonado aquando das grandes invasões bárbaras, e só voltou a ser ocupado, mais tarde, por volta do século X d.C., pelos muçulmanos, que fizeram da villa um mosteiro.

De novo abandonado pelos seus ocupantes, aquando da Reconquista Cristã, no século XII, só voltou a ter vida no século XIII, onde se estabeleceu um convento, que permaneceu até ao século XVI e cujo santo padroeiro deu o nome ao edifício que é hoje S. Cucufate.

Apesar de ter sido evacuada provavelmente com a ameaça de ruir, a villa manteve a sua capela, cujo culto foi perpetuado até ao século XVIII. As sucessivas comunidades monásticas que habitaram S. Cucufate souberam, em parte, preservar o património deixado pelos romanos, ao deixarem incólume a residência senhorial, mas arruinaram consideravelmente o espaço destinado à pars rustica, implantando lá um cemitério para os monges, local onde se situava a residência do feitor.

Monumento de valor e extremamente bem conservada, a villa de S. Cucufate ficava situada na circunscrição administrativa de Pax Iulia (Beja), tendo esta cidade sido, provavelmente, a sua grande cliente no mercado do vinho, do pão e do azeite, uma vez que esta produção ficou atestada pela descoberta de grainhas de uvas perto de uns pesos de prensas, e pelo respectivo lagar.

A villa contornada por um ribeiro possuia uma área circundante de terrenos fertéis e cultiváveis, e em redor destes, ricos pastos e bosques. Esta grandiosidade poderia supor que a villa pertenceria a um rico proprietário e que as suas terras constituiam um latifúndio.

Apesar desta suposição, não foram encontradas quaisquer inscrições que revelassem o nome da família, ou famílias, que habitaram a villa, até ao século IV d.C.

Foto: Isa Costa

A primeira villa

Em local pouco elevado, mas dominando visualmente a paisagem a sul, até Beja, instalou-se em época romana, no séc. I d. C., uma villa, centro de uma exploração agrícola: aí poderia residir o proprietário, organizavam-se os trabalhos necessários à produção, armazenavam-se e transformavam-se os produtos da terra que lhe pertencia.

Foi no decurso deste período, até ao século IV, que a "casa" da primeira instalação se foi progressivamente monumentalizando, tendo passado por duas grandes campanhas de obras.

De muito menores dimensões do que as restantes, a villa apresentava dependências de índole agrícola, cujas divisões serviam, por um lado, de armazéns e de salas de arrumação, e por outro, de espaço habitacional dos proprietários, não existindo, assim, uma distinção patente entre os dois espaços (rural e urbano) constituindo a villa uma quinta relativamente modesta, cujo pátio central, bastante amplo, permitia a entrada para a casa do proprietário, que por sua vez, circundava um pequeno quintal situado nas vertentes sul e oeste da villa.

A pars rustica estaria distribuida pelas fachadas sul e norte, ou seja, dos lados paralelos ao pátio central, e nas imediações da pars urbana.

Foto: Isa Costa

A segunda villa

Por volta da primeira metade do século II d.C., a villa de São Cucufate sofreu grandes transformações arquitectónicas e ampliou as suas dimensões para cerca do dobro. Possuia novas comodidades próprias ao estilo de vida que os cidadãos romananos cada vez mais fomentavam. Isto também tendo em consideração que os rendimentos económicos provenientes da comercialização dos produtos agrícolas tivessem progredido consideravelmente.

A ligação das villae produtoras com as cidades consumidoras possibilitou não só esse aumento de capitais como o próprio estilo de propriedade foi influenciado pelo ritmo de vida das metrópoles.

Desta feita, a vila foi reconstruída a partir do modelo de casa de peristilo. Na fachada sul, estavam instaladas as termas e as dependências agrícolas, entre as quais um lagar e os armazéns. O complexo termal situava-se na vertente oeste e a villa rustica na vertente leste. A pars urbana estendia-se em volta do peristilo, mas apenas circundando-o de três lados, formando um quadrado, quando o quarto lado constituia a villa rustica.

A Norte, um grande tanque rectangular servia de reservatório, cujas águas eram abastecidas por um aqueduto. Com uma capacidade de 800 metros cúbicos, este tanque assegurava água corrente para a residência senhorial, para a pars rustica, para as termas e para a irrigação de jardins, hortas e pomares.

Termas de São Cucufate

A villa áulica

Após a destruição da villa anterior, foi de novo edificada uma construção cujos critérios arquitectónicos se elevaram ao máximo do requinte e do luxo, que fizeram de S. Cucufate uma villa de tipo palaciano.

O século IV d.C. testemunhava uma riqueza latifundiária que permitiu esse incremento espacial. Foi neste sentido que uma nova dependência surgiu, a sul, construída de raíz.

A villa de São Cucufate é uma construção rectangular de cerca de 105 por 25 metros, construída em dois pisos. O inferior abobadado poderia servir para armazéns e alojamento dos criados domésticos; o piso superior, de que se conservam alguns pavimentos, servia de residência ao proprietário e sua família. A fachada apreenta um longo patamar descoberto, ao qual se sobe por três escadarias. Este patamar, situado no rés-do-chão, embora mais alto que o nível do piso térreo, mediava, de cada lado duas imponentes aberturas em forma de torreão abobadado, e sua própria configuração faz lembrar a de um palco de grandes dimensões. Essa fachada conduzia a um segundo patamar, já coberto, que se abria para um jardim na rectaguarda, cujo espaço compreendia o antigo tanque da villa II que abastecia todas as dependências e irrigava o jardim circundante.

O primeiro andar da villa urbana era destinado à residência dos proprietários. As paredes parecem ter sido de mármore e o chão revestido por mosaicos. Uma varanda dava acesso à entrada nos quartos, ao terraço situado por cima de uma das torres e à entrada num salão situado no lado oposto da casa.

Apesar de persistir o pequeno tanque semi-circular do antigo peristilo, este último desapareceu, ou pelo menos foi incorporado num sector que pertencia à residência do feitor, tendo, deste modo, perdido toda a sua importância. A villa apresentava, ainda, a Leste, uma pars rustica inteiramente dedicada a oficinas, lagares, armazéns e instalações para os criados. Comportava ainda umas termas para estes últimos e para o villicus.

Existe um aspecto curioso nesta villa. Uma parte que estaria destinada a uma sala de recepção e a umas termas não foi concluída, tendo restado apenas os seus alicerces. Não se sabe o motivo deste abandono, conjectura-se, contudo, que a falta de orçamento o tenha possibilitado.

A Sul, um outro tanque de grandes dimensões servia a villa, e próximo deste, um templo que foi cristianizado, mais tarde, serve de entrada à imponente villa, cuja história e ruínas constituem um perfeito exemplo arqueológico do que foi, há muito tempo, uma propriedade romana que se elevou às custas de uma exploração rural e comercial no Alto Império.

Espólio

O espólio das escavações realizadas por uma equipa luso-francesa liderada por Jorge de Alarcão, R. Étienne e F. Maeyt estão trancados em depósito na Câmara Municipal da Vidigueira. Atendendo ao interesse da sua divulgação para um mais vasto conhecimento do local, espera-se que a promessa que anuncia a sua exposição na Casa do Arco, em Vila de Frandes, possa ser, em breve, uma realidade.

As ruínas de S. Cucufate estão abertas de quarta-feira a domingo, das 9h00 às 12h00 e das 14h00 às 17h00; terça--feira, das 14h30 às 17h00. Encerra à segunda-feira e nos feriados de 1 de Janeiro, Sexta-Feira Santa, Domingo de Páscoa, 1 de Maio e 25 de Dezembro.

Tel:284 441 113


fc
Nota : Fernando obrigada por este contributo

26/04/08

Jogo do BERLINDE

Berlinde também conhecido por bilas ou guelas, entre outros tantos nomes, é uma pequena bola de vidro maciço, pedra, ou metal, normalmente escura, manchada ou intensamente colorida, de tamanho variável, usada em jogos de crianças.

As modalidades são tão variadas quanto os nomes que o berlinde recebe, variando de cidade em cidade, de rua em rua, de acordo com a criatividade das crianças. Entretanto, uma das brincadeiras mais conhecidas consiste num círculo desenhado no chão, onde os jogadores devem, com um impulso do polegar, jogar o berlinde. Os jogadores seguintes devem acertar neste, e se conseguirem retirá-la do círculo, ficam propriedade sua. Vence aquele que ficar com maior número de berlindes ganhos aos seus companheiros.

Principais modalidades

  • Três covinhas - Esta variante consiste em fazer um percurso de ida e volta no qual o jogador tem que colocar o seu berlinde dentro de cada cova, podendo também acertar nos berlindes dos adversários, afastando-os das covas de forma a dificultar as suas jogadas. O vencedor ganha o número de berlindes pré-estabelecido antes do jogo. Nalgumas regiões as covinhas são cinco, sendo quatro na horizontal e uma na lateral formando um "L".
  • Jogo do Mata - Consiste no uso apenas do berlinde principal (abafador). Com um número de jogadores ilimitado, o objectivo é num espaço aberto tentar acertar à vez com o nosso berlinde num qualquer outro berlinde adversário. Se houver sucesso recebe um ou mais berlindes do adversário (conforme acordado) e o jogo procede com nova jogada. Em caso de insucesso passa a vez ao próximo jogador. O jogo só termina por vontade dos jogadores.
  • Círculo - É desenhado um círculo no chão, onde os jogadores colocam um número pré-determinado de berlindes, distribuídos à vontade de cada jogador. Sorteado quem inicia, com o seu berlinde a uma distância também pré-determinada tenta tirar do círculo a maior quantidade de bilas que passa a ser suas. Se errar passa a vez a outro. Se o abafador ficar no círculo além da vez o jogador tem de deixá-lo. Usa então outro na sua próxima jogada.
  • Estrela - Uma variante do círculo é a estrela onde é colocado um berlinde em cada cruzamento da estrela. Os riscos são desenhados na terra.
  • Triângulo - Uma outra versão consiste num triângulo desenhado no chão. É predeterminado a quantidade de berlindes colocados por cada jogador dentro do triângulo e à vez tentam retirá-los com o seu, ficando estes de sua posse. Também vale acertar nos dos adversários para ganhar vantagem ou atrapalhá-los. Ganha-se a vez podendo continuar a sua jogada cada vez que o seu berlinde toca noutro, do triângulo ou mesmo dos adversários. Contudo, numa versão mais competitiva, o jogador que acertar no do adversário, não só o exclui do jogo, como também, passa a possuir as berlindes que por ventura tenham sido retiradas pelo outro do triângulo. Assim, o vencedor será aquele que evitará ser acertado pelos outros e que ficará com todos os berlindes colocados pelos vários jogadores no triângulo.

Fabrico

Os berlindes comuns são fabricadas com restos de vidro ou garrafas recicladas, despejando-se uma pequena quantidade de vidro derretido numa canaleta inclinada (um tubo de metal cortado ao comprimento). A gravidade faz com que a massa role pela canaleta, assumindo a forma esférica, até uma tina com água, que a arrefece rapidamente e conserva a sua forma.
A Wikipédia ajudou a explicar...
fc

25/04/08

25 de Abril - Dia da Liberdade


Com a revolução de 25 de Abril de 1974, os portugueses iniciaram o caminho da liberdade e da democracia.


Quem viveu esse dia jamais o esquecerá...

Os mais jovens deverão ter a preocupação de saber e conhecer o que se passou neste dia.
Porque vivemos num País Livre, há muita informação disponível sobre a história de Portugal e específicamente sobre o dia 25 de Aril de 1974, dia que ficou conhecido pela "Revolução dos Cravos". É bom que se perceba que graças a esta revolução hoje temos direitos e deveres, temos liberdade de expressão. Podemos ler, escrever, consultar, publicar, dizer.
Antes do25 de Abril, tudo isto estava condicionado.


fc

24/04/08

SIMBOLOGIA DA BANDEIRA PORTUGUESA



Desde os primórdios da Fundação de Portugal até ao fim do regime monárquico, foram inúmeras as bandeiras que tivemos. Cada um dos reis foi sempre escolhendo um símbolo representativo diferente. Dado que, uma vez mais, este é um tema vastíssimo para abordar aqui no blog limitar-me-ei a falar apenas da bandeira actual.

Foi esta bandeira, instituída em Novembro de 1910, pouco depois da implantação da República em Portugal (5 de Outº. de 1910).Houve um grande debate para decidir se iriam manter-se as cores azul-branco da monarquia ou se adoptaria o verde-vermelho do Partido Republicano Português. Prevaleceu como já adivinharam a mudança de cores para a nova bandeira, tendo sido a mesma criada e desenhada por Columbano Bordalo Pinheiro, João Chagas e Abel Botelho.

Em 30 de Junho de 1911 fez-se então o seu anúncio oficial. Seguidamente foram logo confeccionadas em larga escala e distribuídas por todo o país para, logo, serem hasteadas em todas as repartições no dia 1 de Dezembro, feriado, que se tornou, na altura, o Dia da Bandeira.

Embora tivesse havido quem discordasse da forma como todo este processo se desenrolou o certo é que, ainda hoje, é este o símbolo considerado nacional.

A bandeira é rectangular (2:3), bipartida de verde e vermelho, ocupando a primeira cor ( a que fica junto à haste) dois quintos da largura e a segunda cor os restantes três quintos. Centrado na divisão o Brasão da República, constituído pelo escudo, em formato “português”, sobreposto a uma esfera armilar, cujo diâmetro deve ser igual a metade da altura da bandeira.
Naquilo que me pareceu essencial encontrei uma certa uniformidade. Noutros pormenores há ligeiras diferenças entre os vários autores que consultei..
Posto isto, aqui vai o que pesquisei, quando ao significado das cores e demais elementos que compõem a nossa bandeira:

-Cor Verde: O verde no ideário positivista e republicano (Sec.XIX e XX), simboliza as nações que são guiadas pela ciência. Na versão popular simboliza a esperança no futuro.

-Cor Vermelho rubro: O vermelho é a cor das revoluções democráticas que, desde o Sec. XVIII percorreram a Europa, como a revolução de 1848, a Comuna de Paris (1871) ou a revolução republicana em Portugal, de 31 de Janeiro de 1891. Simboliza a luta dos povos pelos grandes ideais de Igualdade, Fraternidade e Liberdade. Na versão popular simboliza os sacrifícios do povo português ao longo da sua história; a coragem e o sangue dos portugueses mortos em combate.

-Esfera armilar: Emblema do rei D. Manuel I, “O Venturoso”, (1469-1521) e que desde então se manteve presente nas bandeiras de Portugal. É amarela, orlada a preto e simboliza o Universo e a vocação universal dos portugueses. Na versão popular simboliza os descobrimentos portugueses, o mundo que os navegadores portugueses descobriram nos Sec XV e XVI e os povos com quem trocaram ideias e comércio.

-Escudo: O Escudo de Armas, em encarnado, remete para a fundação de Portugal. Simboliza a afirmação da cultura ocidental no mundo e, em particular, dos seus valores cristãos. Os castelos, as quinas e os besantes evocam conquistas, victórias e lendas ligadas à fundação de Portugal por D. Afonso Henriques “O Conquistador”(1109-1185).

- As 5 quinas azuis simbolizam os 5 reis mouros que o mesmo D. Afonso Henriques venceu na Batalha de Ourique.

- Os pontos brancos dentro das quinas, também denominados besantes, simbolizam as 5 chagas de Cristo. Uma lenda conta que Jesus Cristo apareceu a D. Afonso Henriques, antes da Batalha de Ourique e lhe terá prometido a victória. Contando as chagas de todas as quinas e duplicando as da quina do meio, encontramos a soma de 30, representando os 30 dinheiros que Judas recebeu por ter traído Cristo.

- Os 7 castelos, de cor amarela, simbolizam as localidades fortificadas que o nosso primeiro rei conquistou aos mouros.

Muito sucintamente é isto que, no seu conjunto, representa pois a nossa Bandeira Nacional.

M.A.

23/04/08

AS VOZES DOS ANIMAIS




Hoje é minha intenção dirigir-me aos leitores mais novos. Aos que, por vezes sentem dificuldade de, nas redacções que fazem na escola, se lembrarem do nome das vozes dos animais. Imaginem que fui buscar isto a um livro de 1870 chamado “GENTE DO CAMPO”. Um xi-coração para vós.


Palram pega e papagaio
E cacareja a galinha.
Os ternos pombos arrulham
Geme a rola inocentinha.

Muge a vaca; berra o touro;
Grasna a rã; ruge o leão;
O gato mia; uiva o lobo;
Também uiva e ladra o cão.

Relincha o nobre cavalo;
Os elefantes dão urros; (a)
A tímida ovelha bale;
Zurrar é próprio dos burros.

Regouga a sagaz raposa
(Brutinho muito matreiro)
Nos ramos cantam as aves;
Mas pia o mocho agoureiro.

Sabem as aves ligeiras
O canto seu variar;
Fazem gorgeios às vezes
Às vezes ‘stão a chilrear.

O pardal daninho aos campos,
Não aprendeu a cantar;
Como os ratos e as doninhas,
Apenas sabe chiar.

O negro corvo crucita;
Zune o mosquito enfadonho;
A serpente no deserto
Solta assobio medonho.

Chia a lebre; grasna o pato;
Ouvem-se os porcos grunhir;
Libando o suco das flores,
Costuma a abelha zumbir.

Bramam os tigres, as onças,
Pia, pia o pintainho;
Cucurica e canta o galo;
Late e gane o cachorrinho.

A vitelinha dá berros,
O cordeirinho balidos;
O macaquinho dá guinchos,
A criancinha, vagidos.

A fala foi dada ao homem
Rei dos outros animais.
Nos versos lidos acima,
Se encontram, em pobre rima,
As vozes dos principais.

(a) Também se diz que bramem


M.A.
Sociedade de Instrução Musical e Escolar Cruz Quebradense

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