Como tudo começou

05/09/08

O MUSEU DO ORIENTE


Um local privilegiado para a difusão e o estudo das relações históricas, culturais e artísticas entre Portugal e os países do Oriente.

O edifício dos Armazéns Frigoríficos em Alcântara, que até há 15 anos serviu como armazém de bacalhau do Porto de Lisboa foi requalificado pelos arquitectos José Luís Carrilho da Graça e Rui Francisco e recebeu enquadramento paisagístico de Gonçalo Ribeiro Telles.
Nas suas novas funções, e em seis pisos de superfície mais cave, cabem dois andares de áreas expositivas, reservas, um auditório para espectáculos e cinema com capacidade para 360 pessoas e um restaurante panorâmico com vista para o Tejo.

O Museu, inaugurado em 8 de Maio de 2008, acolhe o acervo de arte da Fundação do Oriente e a colecção particular de um dos maiores sinólogos franceses, Jacques Pimpaneau, composta por milhares de peças de arte popular de diferentes países asiáticos.

Além das exposições, o museu terá uma programação cultural com música, dança, conferências e actividades lúdicas e pedagógicas a cargo do Serviço Educativo. O preço normal de entrada no Museu do Oriente é de 4 euros, mas há descontos. Há também bilhetes mais baratos para grupos e para famílias.
Exemplar dos Lusíadas impresso em 1609


Pois caros leitores, depois desta apresentação que fui buscar à Net quero dizer-vos que tive oportunidade de o ir visitar precisamente ontem. Após uma certa demora pela dificuldade de encontrar lugar para estacionar o carro, entramos e, digo-vos que a primeira impressão foi logo positiva pelo espaço amplo , sóbrio na decoração e com bom acolhimento da parte dos funcionários.

Neste momento, funciona no Piso O a exposição temporária relativa a “Máscaras da Ásia”: Ali vemos uma enorme variedade de exemplares, poderemos conhecer as principais tipologias das máscaras, proveniências ,significados e usos. Penso que os miúdos serão um público bastante receptivo a esta zona.


Depois ,no 1.º Piso, o tema é a “ Presença portuguesa na Ásia”. Toda a área do andar é ocupada por uma diversidade de peças que recordam não só a época dos descobrimentos como também as várias fusões entre Portugal e o Oriente através dos tempos. Não é fácil fazer um resumo do que vi pela enorme variedade.
São móveis, loiças, marfins, bordados, livros, objectos decorativos, etc. etc..



Já no 2.º Piso, onde o tema já é “Deuses da Ásia”, vamos entrar no mundo espiritual. Numa área idêntica à anterior, temos uma vasta informação sobre as diferentes religiões, vamos conhecer objectos rituais, diferentes deuses com as características que lhes são atribuídas, altares, enfim uma fonte infinda de conhecimento sobre o assunto.

Terminamos a visita almoçando no último piso, espraiando o olhar sobre o Tejo. O sistema é o de buffet, com boa apresentação e qualidade e um atendimento impecável. Sei que há também uma cafetaria no piso -1 mas não tive ocasião de a ir conhecer. Ficará para outra altura.

Deixo-vos algumas fotos que fiz como amostra do que poderão encontrar neste Museu.

M.A.

Exposição de pintura


A nossa associada e monitora no nosso atelier Ana Camilo, participa nesta exposição de 8 a 23 do corrente mês de Setembro.
A exposição prolonga-se até ao dia 9 de Dezembro.
Sugerimos várias visitas a este espaço, uma vez que as obras e os artistas vão mudando!

Clube Belém
Calçada da Ajuda, 76 - 80 (próximo Museu Coches)
Lisboa

Horário :
15 - 19 , 21 - 23h de Segunda a Sábado
fc

04/09/08

No próximo Sabado dia 6/09 começam as aulas no nosso Atelier

Na época de 2008/2009 o Atelier de Artes da SIMECQ tem disponíveis as seguintes opções:

Crianças:

Iniciação ao Desenho e Pintura (+ 6 anos)– das 16 às 17 horas (Sábado) (monitora Ana Camilo)

Atelier de Artes Decorativas (+ 6 anos) – das 15 às 16 horas (Sábado) (monitora Queta Minez)

Atelier de Riscos e rabiscos (4 aos 6 anos)-das 15:15 às 15:55 horas (Sábado) (monitora Ana Camilo)

Adultos:

Pintura em Seda – das 15 às 17 horas (Terças, Quintas e Sábado) (monitora Yvonne Kerne)

Técnicas de Estanho – das 16 às 18 horas (Quarta-feira) (monitora Francisca Carvalho)

Pintura em Cerâmica – das 16 às 18 horas (Sábado) (monitora Francisca Carvalho)


As inscrições podem ser feitas para o email: simecq.cultura@gmail.com, ou no próximo Sábado no Atelier, a partir das 15 horas.

fc

03/09/08

A história dos Números Árabes

Os números que usamos (1,2,3,4,5,6,7,8,9,0) são chamados "números árabes" para se distinguirem dos "números romanos" (I,II,III,IV,V,VI,VII,VIII,IX,X).

Os Árabes popularizaram estes números, mas a sua origem remonta aos comerciantes Fenícios que os usavam na sua actividade comercial.

Então porque razão o “1” significa "um", “2” significa "dois“, e por aí adiante?

Parece que afinal é fácil de entender.
Observemos a lógica:
-Quantos ângulos tem cada um deles?

Se escrever o número na sua forma primitiva, verá que:



O número 1 tem um ângulo.
O número 2 tem dois ângulos.
O número 3 tem três ângulos.
E o "0" não tem ângulos.

Observe a imagem e certifique-se desta curiosidade.

Já aqui tinhamos falado sobre este tema, mas por sugestão da Borboleta cá estamos de novo com ele.

fc

02/09/08

D.CARLOS I, O REI PINTOR



Hoje venho falar-vos de D.Carlos I, o 33 º rei e o penúltimo que teve Portugal. Era filho de D. Luís I e de D. Maria Pia de Sabóia e nasceu em 28 de Setembro de 1863. Por morte de seu pai, subiu ao trono em 19 de Outubro de 1889, onde se manteve até 1 de Fevereiro de 1908, dia em que, no Terreiro do Paço foi assassinado a tiro. Com ele morreu também o príncipe herdeiro D Luís Filipe.
Este monarca foi casado com D. Amélia de Orleães de quem já falamos aqui em 28/8 passado.
Este, foi um reinado um tanto agitado e bastante contestado. Logo no seu início gerou-se grande mal-estar com a prepotente exigência da Inglaterra para que Portugal renunciasse ao Mapa-cor de-rosa, nome dado a um projecto de aproveitamento das explorações portuguesas no interior do Continente africano e que fariam a ligação de Angola a Moçambique. Portugal cedeu a essa imposição o que desagradou a muita gente. Entretanto começaram a crescer mais descontentamentos tanto à actuação, como aos gastos excessivos do rei e, especialmente na fase final do reinado, mais se iam fazendo sentir os ventos que deixavam adivinhar já a mudança de regime. Tudo isto vem a culminar com o Regicídio.
Seguiu-se um curto reinado de seu filho D. Manuel II. A Implantação da República acabaria por acontecer em 5 de Outubro de 1910.
Ainda hoje se discutem alguns dos factos ocorridos nesta época, considerando uns que, por mau aconselhamento de João Franco, o 1º Ministro na altura, a actuação do rei nem sempre foi a melhor, argumentando outros que ele não tinha alternativas, dado os tempos conturbados que se viviam. Deixo o aprofundar deste assunto, sem dúvida interessante, para outros mais entendidos em assuntos políticos.

A educação deste rei foi bastante completa. Teve bons mestres, viajou bastante, conviveu com gente influente, era o que se pode afirmar, uma pessoa culta. Tinha um gosto especial por tudo que dissesse respeito ao mar, utilizando o iate que tinha para fazer diversas pesquisas. Deixou mesmo alguns trabalhos escritos sobre o assunto. Foi por sua iniciativa que se criou também o 1º Laboratório português de biologia marítima.
Era um caçador apaixonado, ao que dizem, com uma pontaria notável. Passava várias temporadas no palácio ducal de Vila Viçosa precisamente pelo prazer das caçadas na tapada. Estas estadas no Alentejo eram também aproveitadas para pintar.
É que D. Carlos, que começou por ter lições com Mestre Fonseca e, depois com Miguel Ângelo Lúpi e Henrique Casanova, viria a revelar-se um artista de certo mérito, no desenho, na pinturas a óleo, e aguarela e também nos trabalhos com pastel. Foi executado nesta última técnica o quadro que abre o presente post. Este magnífico sobreiro alentejano (177m.x0,91m.) é uma das suas obras mais divulgadas.
Igualmente as suas aguarelas marítimas revelam boa técnica e sensibilidade artística.


Fica aqui uma amostra de obras suas e, muitas mais, os leitores irão descobrir, em visitas que façam aos Palácios da Ajuda, Vila Viçosa, Pena e vários outros onde se encontram expostas, muitas das pinturas do rei D. Carlos.
Fecharei este apontamento dizendo que, junto à Cidadela, em Cascais, foi inaugurada em 1/2/2008 uma estátua em bronze, da autoria do escultor Luís Valadares, .homenageando este rei.


Sobreiro,retrato de senhora e perfil de ancião - Pastel sobre cartão

Vultos de mulheres, Paisagem marinha e Veleiro - Aguarela sobre papel
M.A.

JF Cruz Quebrada/Dafundo ensina a ler

NUNCA É TARDE - PROJECTO DE ALFABETIZAÇÃO
Nunca é tarde para aprender, nunca é tarde para começar, nunca é tarde para saber” é a ideia que a Junta de Freguesia pretende transmitir aos seus fregueses que pretendam aprender ou relembrar o que aprenderam.

Assim, dado o elevado analfabetismo verificado na população da Cruz Quebrada – Dafundo, sobretudo ao nível da população idosa, a Junta de Freguesia apresentou à DELVT (Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo) um projecto de alfabetização a decorrer entre Outubro de 2008 e Junho de 2009.

Para aprovação do projecto será necessário o envio das listagens de formandos, pelo que se encontram abertas as pré-inscrições até ao dia 15 de Setembro.

Para fazer a pré-inscrição basta dirigir-se à Junta de Freguesia munido do bilhete de identidade e indicar a morada e telefone de contacto.

Em Outubro a Junta de Freguesia contacta os pré-inscritos para informar se o projecto foi aprovado e a data para o seu início.

01/09/08

O linho - ( 3 )

Continuando a falar do linho (ver posts anteriores aqui e aqui)

Cultivo:
De uma maneira geral pode-se dizer que a planta se dá bem em quase todos os climas, no entanto prefere os terrenos silico-argilosos, de solo profundo, de consistências médias, frescas e permeáveis à água. Como a duração do seu ciclo vegetativo é muito curta, a planta deve absorver rapidamente os elementos minerais: os solos frescos e ricos são-lhe altamente convenientes, e nos terrenos pobres os processos de adubação devem ser cuidadosamente aplicados. A colheita é manual, arrancada pela raiz, a fim de se aproveitar todo o comprimento dos caules, formando-se em mancheias (pequenos molhos) com a parte da semente toda para o mesmo lado. Inicia-se quando o talo está amarelo-maduro, isto é, quando o terço inferior do talo ficou amarelo e ele esta perfeitamente redondo por fora. Na maturação total as sementes alcançam plena maturidade.

Neste estado, porém, o talo fornece uma fibra de pouquíssimo valor na fiação. Para o colher, arranca-se do solo o talo juntamente com as raízes. É a colheita do linho. Graças a um trabalho manual são executados pequenos feixes. Hoje já existem máquinas para colher. Obtém-se a secagem e a maturação final das sementes colocando-se os talos, reunidos em feixes, no campo onde formam montes chamados de capelas.

Ripagem
O linho é depois sujeito a uma operação que se chama ripagem com o objetivo de separar a baganha (película que envolve algumas sementes).
Seguidamente é posta a secar ao Sol para serem extraídas as sementes. Com pancadas verticais, faz-se passar por entre os dentes do ripanço (dispositivo para ripar) o topo das plantas.

As cápsulas, bem fechadas e rijas, saltam para o chão. Hoje em dia, existem as máquinas ripadoras, fazendo em parte o trabalho.

As cápsulas são postas 4 a 5 dias ao sol, para amadurecerem e, desta forma saírem as sementes (linhaça), que serão guardadas num saco de panolar”, para o ano seguinte.


Está visto, que o linho passa tormentos..... cá voltarei!

Texto e imagens com ajuda da Wikipedia e Flikr
fc

31/08/08

OLÁ MALTA JOVEM, ISTO É CONVOSCO!


Aproveitando o resto das férias eis uma sugestão para um passeio interessante. Sabendo nós que os animais, especialmente os selvagens, exercem sempre um certo fascínio sobre a gente jovem, aqui está então um local onde poderão observar alguns deles. Peçam aos vossos pais ou avós que vos levem a este parque.

Badoca Safari ParkAnimação Turística Parques Temáticos

Inaugurado em 1999, o Badoca Safari Park é um parque temático, desenvolvido em torno do tema central de África. Possui uma importante e rica colecção animal com espécies africanas (búfalos, gamos, zebras, girafas, tigres e veados, entre outros), e possui boas infra-estruturas de apoio, como restaurantes e parques de merendas, inspiradas no continente africano. Diariamente são realizados safaris, com uma hora de duração, onde é possível observar os animais à solta, assim como duas exibições com aves rapinas. Vocacionado para um público infanto-juvenil, existe um parque com grandes esculturas de animais em madeira, e uma aldeia africana, transformada em espaço de divertimento.
Localiza-se na Herdade da Badoca - Vila Nova de Santo André – Santiago do Cacém – Setúbal
Horário de Funcionamento: De Novembro a Fevereiro, das 10:00 às 17:00, de Março a Maio e de 15 de Setembro ao final de Outubro, das 09:30 às 19:00 e de Junho a 14 de Setembro, das 09:00 às 20:00.

Serviços: Lojas, Restaurante, Café/Bar, Parque de merendas, Parque infantil

Acessos: Deixando a A2 no nó de Grândola / Sines, seguir em direcção a Sines, via IP8 / IC33. O parque fica junto do quilometro 34.

Observações: Empresa licenciada pela D.G.T. O último safari é realizado 1h00 antes do encerramento do parque.

(Elementos recolhidos na Net)

M.A.

30/08/08

O electrodoméstico mais utilizado no mundo

Nos finais do século XIX e princípios do século XX, começaram a surgir os primeiros aspiradores, precursores dos modernos aparelhos.

Em 1869, surge o primeiro aspirador, inventado por Ives McGaffey, accionado por uma manivela. Outros eram providos de um tubo terminado por um bocal (com um formato idêntico ao dos dias de hoje) e o pó era bombeado manualmente para dentro de um pequeno contentor.


Em 1907 apareceu o primeiro aspirador eléctrico, inventado pelo americano Murray Spangler, empregado da empresa Hoover, a qual adquiriu os direitos de fabrico daquele invento em 1908. Tornaram-se um sucesso internacionalmente. Em 1926 a Hoover lançou um dos seus mais famosos aspiradores, o Hoover 700, conhecido por beats-as-it-sweeps-as-it-cleans, um aparelho mais eficaz na remoção do pó das alcatifas: bate o pó, varre e aspira-o. A partir daí foram lançados vários modelos mas sem grandes alterações nas características gerais do produto. Só a partir dos anos 80 é que se puderam ver algumas alterações mais concretas proporcionadas pelas novas tecnologias.

Hoje em dia o aspirador é o robo doméstico mais ultilizado no mundo.

29/08/08

Linho ( 2 )

Prosseguindo o tema : O Linho,

A linhaça é a a semente do linho (Linum usitatissimum), muito utilizada em culinária, sendo consumida com casca e dela se extrai o óleo de linhaça, que é rico em Omega 3, OÓmega 6 e Omega 9. Além disso, o óleo de linhaça é usado na indústria cosmética e em farmácias de manipulação.

Outros usos do óleo de linhaça incluem a fabricação de linóleo - diluição de tintas a óleo para pintura de telas.

Os relatos mais antigos da semente da linhaça são datados de 5000 anos antes de Cristo, na Mesopotâmia. Foram até encontrados desenhos da semente em tumbas faraónicas, o que comprova o uso desta herbácea desde a antiguidade.

Mesmo sendo originária da Ásia, os seus benefícios foram difundidos por todo o mundo sendo o seu consumo muito comum na América do Norte e em países europeus.

A semente de linhaça é considerada um alimento funcional, pois, além de ter suas propriedades nutricionais básicas, tem propriedades preventivas graças aos compostos antioxidantes e anticancerígenos.


Sementes de Linhaça

Sementes de Linhaça

A semente de linhaça tem cerca de 39% de óleo na sua composição. O seu óleo é um dos alimentos mais rico em Omega 3 da natureza (cerca de 57%) e de Omega 6.

O óleo da linhaça tem na maior parte da sua composição gorduras poliinsaturadas não produzidas pelo corpo. Veja a porcentagem de gorduras do óleo de linhaça:

Tipos de Gorduras%Total de Gorduras
Gorduras Saturadas9%
Gorduras Monoinsaturadas18%
Gorduras PolinsaturadasÔmega-3 -- 57%

Ômega-6 -- 16%


Ainda haverá mais sobre este tema........

28/08/08

escultura



«Pedras parideiras» é a designação popular para um fenómeno geológico raríssimo, que em Portugal só ocorre nas proximidades da Frecha da Mizarela, na Serra da Freita, mais concretamente junto de uma pequena aldeia chamada Castanheira, que pertence à freguesia de Albergaria da Serra, concelho de Arouca, distrito de Aveiro. No resto da Europa, este fenómeno só acontece num ponto da Rússia.


No referido local do alto da Serra da Freita existe um afloramento granítico, que tem disseminados pelo seu interior uns nódulos rochosos revestidos de biotite (mica preta) e com uma forma biconvexa.Por acção da erosão, os nódulos que ficam à superfície da rocha granítica acabam por se soltar e, segundo se diz, chegam mesmo a saltar da rocha. A explicação para este fenómeno é simples. A biotite que reveste os nódulos, como é uma mica, tem muito pouca resistência mecânica, fracturando-se em folhas. A água da chuva e do orvalho infiltra-se nas folhas da mica e no Inverno congela. Ao congelar, a água aumenta de volume. Com o aumento de volume, o gelo faz de cunha e força os nódulos a soltarem-se da rocha granítica. Diz então o povo da região que os nódulos são «paridos» pela «pedra parideira».Acredita o povo da serra que existe um processo contínuo de formação de nódulos no interior das pedras parideiras e que os nódulos vão migrando, pouco a pouco, em direcção à sua superfície, acabando por ser «paridos». Julga, portanto, o povo que as pedras parideiras são uma espécie de "organismo" mineral, que vai gerando contínua e incessantemente nódulos no seu interior e que os vai expelindo também incessantemente!As pedras parideiras têm sido alvo da curiosidade das pessoas que visitam a serra, muitas das quais não têm quaisquer escrúpulos em apanhar e levar para casa os nódulos «paridos». Chegou-se ao ponto de ser relativamente difícil encontrar nódulos, sobretudo no local mais próximo da aldeia de Castanheira. Este vandalismo levou a Câmara Municipal de Arouca a colocar um aviso no local, pedindo para que se não levassem pedras para casa. Parece que o aviso teve o efeito precisamente contrário; era como se dissesse: «Notem que é possível apanhar as pedras e levá-las para casa»! Por fim, a Câmara resolveu vedar uma parte da zona das pedras parideiras com uma rede. Vamos lá ver quanto tempo é que a rede vai durar, se é que já a não destruíram também, pois já não vou ao local há algum tempo. Quando será que os portugueses terão um mínimo de civismo?
(Elementos recolhidos em “Matéria do Tempo” - Net
M.A.

5º Salão da Vila Paço D'arcos


A Associação dos Artistas Plásticos de Paço de Arcos, Paço D`Artes, inaugura no próximo dia 30, pelas 18h30m, o 5º Salão da Vila, inserido nas Festas do Senhor Jesus dos Navegantes, em Paço de Arcos.A exposição Colectiva realiza-se no Salão nobre do Clube Desportivo de Paço de Arcos, junto ao jardim, onde decorrem as festas da Vila.
Fica a sugestão para o próximo fim de semana.
Apoie as iniciativas locais!
fc

27/08/08

APRESENTO-VOS O "PUPPY"

(Clique para ampliar)

Para quem não saiba, foi este o nome dado a um simpático cachorro, todo feito de flores e verdura, que se encontra desde 1997, defronte do famoso Museu Guggenheim, projectado pelo não menos importante arquitecto, Frank Gehry, em Bilbau, Espanha. O criador do Puppy foi o americano Jeff Koons.

Tem uma enorme estrutura em aço inoxidável que sustenta um composto de terra, onde foram plantadas milhares de flores, de variadas cores e espécies. Inclui igualmente um sistema de rega automático que mantém aquele conjunto sempre viçoso. É uma obra de arte que faz parte da exposição permanente do museu e veio mesmo a tornar-se um símbolo da cidade, aparecendo frequentemente em filmes, publicações etc., relacionados com Bilbau.

Não tenho dados do seu tamanho, mas convido-os a imaginá-lo, comparando-o com a figura humana que se vê, na foto, à direita.
Sei que o artista tinha já feito em 1992 um cachorro idêntico para uma exposição na Alemanha e, ainda, uma outra versão, que esteve junto do Rockfeller Center, em Nova Iorque. Este, na América, tinha, ao que se diz, 43 pés de altura ,(cerca de 13 metros) e era composto com 70.000 flores frescas.

Estive junto do Puppy em Outubro de 98 e lembrei-me de ir buscar uma das fotos que fiz na altura, para vo-lo dar a conhecer também!

M.A.

26/08/08

O PULO DO LÔBO

(Clique para ampliar)

No dia 17 de Agosto de 1998 fizemos nós o regresso de Monte Gordo - Algarve - depois de umas férias passadas em família. O percurso era feito pela serra, na E.N. 122 e, depois de um belo almoço com pratos alentejanos, sugeri que desviássemos um pouco para ir conhecer o chamado Pulo do Lôbo, local que ouvira dizer ser bastante bonito. Assim, pouco depois de Mértola cortamos à direita, rumo a Corte Gafo de Cima. Desde já previno que as estradas que terá que percorrer são bastante más mas, espero que isso não o leve a desistir. Vá seguindo as indicações na estrada de alcatrão e, a certa altura, vai ver-se numa outra, de terra batida, bastante poeirenta, onde o esperam mais cerca de 8 -10 Klm que obrigam a que o carro siga numa marcha ainda mais reduzida. Finalmente chegamos junto do rio e, então, desde este sítio onde ficam os carros é só descer um pouco mais, a pé.

Temos então à nossa frente as cascatas naturais do Pulo do Lôbo do Parque Natural do rio Guadiana, com a água e espuma a serpentearem pelas rochas, caindo de uma altura de cerca de 15 metros, espraiando-se a seguir numa vasta lagoa. Julgo que o nome dado ao local se deverá ao facto de, por o Guadiana, em certa zona, ter uma largura mais reduzida, ter servido de passagem a gente que vivia do contrabando. Rochas…água…pouca vegetação… todo aquele conjunto é de uma beleza agreste, que nos deixa realmente sem palavras. É a Natureza em toda a sua força pura!
Melhor do que tudo que eu saiba aqui dizer melhor será o leitor, um dia, experimentar lá ir também.
Por mim, concluí que valeu a pena o sacrifício do percurso para usufruir daquele espectáculo. Por outro lado penso, que toda a dificuldade para lá chegar, será o que afinal vai preservando toda aquela paisagem. Se os acessos até lá fossem outros, quem sabe se até já por ali haveria algum snack bar instalado…
(Fotos feitas nesta mesma visita)
M.A.

25/08/08

SABE O QUE É O "PRINCIPADO DA PONTINHA"?



Talvez não. Eu também não sabia, até há dias ter ouvido falar dele na televisão. Fiquei curiosa, fui em busca de mais elementos e a Wikipédia deu-me estes primeiros:
“O Forte de São José, também conhecido como Forte do Ilhéu, Forte da Pontinha ou Bateria da Pontinha, localiza-se na cidade e Concelho do Funchal, na ilha da Madeira, Região Autónoma da Madeira.


O forte ergue-se numa extremidade do porto, sobre a formação rochosa conhecida como ilhéu de São José. É acedido por escadas a partir do molhe, pela estrada da Pontinha. A edificação era pouco valorizada enquanto património histórico, arquitectónico e cultural da Madeira e de Portugal, até recentemente, quando foi adquirido por um particular que vem buscando revitalizá-lo, sustentando ser este o local da primeira fortificação madeirense, à época do seu descobrimento.”
Mas as coisas não ficam só por aqui, nem são tão simples quanto isto. Procurei mais e, soube então, que o Estado vendeu este ilhéu, em hasta pública, em, 1903, a uma família de apelido Blandy. Esta venda está documentada por Carta Régia, cujo original selado e assinado pelo rei D.Carlos, dizem estar guardado no Arquivo Nacional de Londres. Foram sendo dadas algumas utilizações a este espaço até que em 2000 um professor de nome Renato Barros, comprou este ilhéu por 9.000 contos e tem lutado, desde então, para que o mesmo venha a ser reconhecido como “Principado da Pontinha”.
Estamos a falar de uma área de 178 m2 que fica a cerca de 70 metros da cidade do Funchal, onde existe o velho Forte e pouco mais. O Sr. Barros argumenta que o ilhéu tem todas as condições para ser Estado, porque tem povo e porque tem lei: «Tem a sua própria constituição, respeita fundamentalmente as Nações Unidas, e tem a minha família, que é constituída por quatro pessoas e portanto já é povo, já é plural»
O assunto , como vêem, tem bastante de insólito e não deixa de ser interessante. Vamos todos ficar atentos aos próximos acontecimentos…
(Elementos colhidos na Net)
M.A.

24/08/08

VIAGEM AO PASSADO

(Clique na foto para ampliar)


Caros leitores:
Ontem resolvemos ir à Feira de Artesanato ao Estoril e, ao deambular pelos vários stands que ali se encontram, eis que deparei com um que não acredito deixe alguém indiferente. Digamos que, ao olhar o conjunto de peças que ali se encontram, todos faremos como que uma viagem ao passado, muito para além mesmo da nossa infância.



Vamos “entrar” em várias divisões de habitações, decoradas até ao mínimo pormenor, com a presença também dos moradores que, eventualmente, ali teriam estado, vestidos de acordo com a época.


Tudo isto em tamanho “liliputiano”como poderão avaliar pelo cesto de pic-nic que se mostra na mão da sua autora. Esta, de nome Anabela Castelão Moreira, é uma professora, licenciada em línguas e literaturas modernas e mostrou-se de uma amabilidade sem limites permitindo que eu fotografasse tudo quanto queria.


Melhor do que as minhas palavras falarão as fotos, das quais destacarei a máquina de costurar que não tem mais do que 6/7 cms. e imaginem, tem até a linha enfiada no percurso próprio das verdadeiras! Estava a ser mesmo acabada quando eu a fotografei. Deliciem-se com as fotos, mas, se puderem vão também até lá!

M.A.

23/08/08

Jogo da Cadeira


Um jogo emocionante em que a música marca o ritmo.
Idade
A partir dos 5 anos
Duração
Aproximadamente 10 m
Jogadores
Toda a turma
Material
Uma cadeira a menos do que o n º de jogadores, um leitor de cassetes ou um instrumento musical.

1. Colocam–se todas as cadeiras de modo a formarem um círculo, com as costas voltadas para o centro. Os jogadores ficam de pé na frente delas, excepto um que controla a música.
2. Quando se começa a ouvir a música, os jogadores andam à volta das cadeiras, acompanhando o ritmo. No momento em que a música pára, todos tentam sentar– se numa das cadeiras. O que ficar sem assento é eliminado.
3. Retira-se uma cadeira e a música volta a tocar. Repete–se o jogo até que a última volta se faz só com uma cadeira.

Daniel Arnaut, Jogo das Cadeiras

Esta escultura encontra-se na Praça da República, em Viana do Castelo, mas há outras pela cidade.....
fc

22/08/08

CONFISSÃO DE UMA MULHER

(Clique para ampliar)


Pareceu-me ser este o título adequado para um, pouco divulgado, episódio da vida da nossa Rainha D. Amélia de Orleães e Bragança (1865-1951) que aparece relatado no livro mencionado abaixo. É um livro de memórias baseado em documentos inéditos dos arquivos da Casa de França e, no diário íntimo e correspondência da nossa última rainha. Esta obra aparece quase toda escrita em discurso directo.


"…Há dores íntimas, aquelas que uma rainha não confia nunca enquanto cumpre o seu dever de Estado, mas que uma mulher pode confessar quando chega ao crepúsculo da vida. Entre tantos lutos, há um que usei em segredo até hoje.
Há cerca de meio século que Joaquim Augusto Mouzinho de Albuquerque pôs fim aos seus dias, mais exactamente no dia 8 de Janeiro de 1902. Como todos os portugueses, eu admirava aquele magnífico oficial de cavalaria que fora governador geral de Moçambique e vencera os rebeldes de Gungunhana na Batalha decisiva de Coolela. Quando este herói voltara a Portugal, em 1897, tínhamos ido esperá-lo ao Arsenal, Carlos, as crianças e eu. Desembarcara da escuna real como um personagem lendário, aureolado de glória, exactamente como aqueles cavaleiros que eu via nos livros de imagens quando criança."

Segue-se uma descrição da entrega da Medalha de Valor Militar a Mouzinho,a partida dele para o estrangeiro, em algumas missões diplomáticas, nova ida para Moçambique como Governador e o regresso a Portugal. Fiz a abreviação para não alongar demasiado este apontamento.

"O rei nomeou-o seu ajudante-de-campo e preceptor do meu pequeno Luís. É evidente que nos encontrávamos muitas vezes. Nasceu em nós uma amizade plena de confiança, ainda mais profunda, na medida em que ambos éramos alvo das intrigas da Corte e das armadilhas políticas. Alguns acusavam-no de querer tornar-se ditador, outros tentavam arrastá-lo para um conluio político com João Franco.
Joaquim Augusto era demasiado inteligente para não sofrer com as campanhas políticas dirigidas contra ele, e demasiado militar para suportar as tolices e invejas da Corte. Contava-me os seus tormentos. Eu tentava reconfortá-lo, dizendo-lhe ao mesmo tempo porque podia compreendê-lo tão bem. Falávamos da educação do Pequeno, que ele amava ternamente. Também dávamos longos passeios a cavalo, sem pronunciar palavra, mas numa perfeita comunhão de almas. O seu respeito de fidalgo deixava por vezes transparecer uma pontinha de ternura. A minha estima por ele aproximava-se da afeição.
Creio bem que, na solidão da tapada, nos sentimos várias vezes atraídos um pelo outro.
No dia em que me vieram dizer que metera uma bala na cabeça, senti um desmoronamento íntimo, ainda mais atroz por nada poder deixar transparecer. Esperei pela calada da noite para poder chorar.
O desgosto nunca me abandonou, e a ele vem acrescentar-se o tormento de não compreender porque é que Joaquim se suicidou, no auge da glória, protegido pelo rei, amado pela rainha? Não acredito num acto romântico, apesar das ligações que mantinha com os escritores portugueses que se auto designavam 'Os Vencidos da Vida' Talvez estivesse desgostoso com o meio político e, sei que não suportava as campanhas de intrigas que o davam como meu amante. Durante muito tempo, tentei iludir a cruel verdade. Creio compreender neste momento que Joaquim se matou para nos evitar aquilo que os rumores espalhavam como certo, e que poderia ter atentado contra a minha honra. Salvou-me de mim própria, pois não posso jurar que teria tido a força de resistir. Na sua infinita misericórdia, Deus perdoar-lhe-á o seu sacrifício."

(Retirado do livro” Eu, Amélia, Última Rainha de Portugal” de Stéphane Bern , saído em Maio de 1999)

M.A.

21/08/08

ASSIM ERA CALOUSTE GULBENKIAN


Calouste Gulbenkian o rico e ilustre coleccionador de arte arménio, cuja Fundação com o seu nome se situa na Avª de Berna, em Lisboa, viveu os últimos anos da sua vida entre nós, no Hotel Avis. É uma personalidade por demais conhecida para eu me deter nos seus pormenores biográficos. Hoje, desejo apenas contar-vos dois episódios curiosos que nos mostram como ele se comportava em certas situações. Atrevo-me mesmo a dizer, que os meus leitores chegarão ao fim da leitura com um sorriso nos lábios...

“Ao que parece Gulbenkian era muito exigente com a comida e, aliás, tinha mandado vir um cozinheiro só para ele! Exigente e desconfiado. Ah! Isso é que ele era desconfiado! Ele gostava muito de peixe e mandava vir o peixe cru para lhe examinar a frescura. Uma vez teve uma zanga que foi um sarilho. Recusou-se a comer o peixe que estavam a servir-lhe e jurou que não era o mesmo que lhe haviam mostrado! Foi um tumulto, mas o sr. Gulbenkian tinha razão! É que ele, quando lhe mostravam o peixe cru, destacava sem que ninguém desse por isso, uma pontinha do rabo e depois conferia com o que lhe vinha para a mesa!”


“De outra vez, em Paris, ele tinha um cozinheiro turco que deixou a casa por ter sido convidado para ir para Moscovo servir o embaixador turco naquela cidade. Veio outro cozinheiro oriental para o serviço de Gulbenkian, mas depressa demonstrou não ser capaz de preparar o beurek , que era um pastel folhado de que Gulbenkian gostava imenso. Interrogado, o novo cozinheiro informou que só não podia fazer um beurek como devia ser porque não possuía um rolo de massa apropriado à confecção. Gulbenkian ficou indignado pois, uns anos antes mandara vir propositadamente de Istambul um rolo de massa apropriado, artefacto que custaria meia dúzia de tostões, mas cuja utilidade intrínseca, como se via era enorme. Gulbenkian pegou uma das fúrias que às vezes tinha e foi um tremendo sarilho lá em casa. Sabem o que ele acabou por fazer? Como se averiguou que tinha sido o cozinheiro anterior quem tinha levado o objecto consigo para Moscovo, mandou dois detectives de Paris recuperarem o rolo da massa.”

(Extraídos do livro “Calouste Gulbenkian, uma reconstituição” de Francisco Corrêa Guedes)

M.A

20/08/08

Hoje as ruas da Ribeira de Viana do Castelo estarão assim:




Festeja-se amanhã o dia da Senhora da Agonia!
Sendo a padroeira dos pescadores, e sendo Viana uma cidade com largas tradições na faina, todos os anos lhe é prestada homenagem.

A azáfama começa já hoje à tarde e há-de durar toda a noite! São ainda algumas as ruas a preparar para a passagem da Santa, que no seu regresso da procissão ao mar, passará então por todas as ruas preparadas ao pormenor para a receber.



Homens e mulheres, deitam mãos à obra e a imaginação permite criações como as que fotografei no ano passado. E ue bonito trabalho este!

Na minha família também há pescadores! As buganvílias são religiosamente tratadas, para que a flor todos os anos sem excepção seja aplicada nos adornos das simpáticas e acolhedoras ruas da Ribeira.
Toda a programação das Festas aqui

fc

19/08/08

Jardins Históricos de Oeiras

De 9 de Agosto a 13 de Setembro 2008

A Câmara Municipal de Oeiras promove visitas guiadas, com Animação de Época, aos Jardins Históricos de Oeiras, todos os sábados de 9 de Agosto até 13 de Setembro.

Eis uma proposta para toda a família “embarcar” numa viagem ao século XVIII, proporcionada por esta iniciativa que se propõe referenciar factos e relatar memórias de outros tempos, através de breves encenações e dramatizações e envolvendo os visitantes em cenas de dança, de música e na realização de jogos.

As animações têm lugar no Jardim do Palácio Marquês de Pombal, em Oeiras, e no Jardim da Cascata da Quinta Real, em Caxias. Dois jardins, duas propostas, um tema: o universo familiar pombalino.

Os Jardins Históricos representam importantes peças do património de Oeiras. Monumentos que carecem de protecção especial e que constituem um valioso testemunho de uma determinada época enquanto reflexo do seu quotidiano social, político e económico.

É com vista à divulgação e fruição destes espaços que a Câmara Municipal de Oeiras decidiu apostar nesta iniciativa.

Entrada livre.

Programa

9, 16 e 23 de Agosto
Jardim do Palácio Marquês de Pombal
Das 17h30 às 19h30

30 de Agosto, 6 e 13 de Setembro
Jardim da Cascata da Quinta Real de Caxias
Das 17h30 às 19h30

http://www.cm-oeiras.pt

18/08/08

BOCAGE, MUITO CONHECIDO E POUCO LIDO

(Clique para ampliar)

Toda a gente já ouviu falar do poeta Bocage e das suas anedotas brejeiras. Mas poucos conhecem a sua vida e a sua obra, apesar de ser considerado o mais completo autor da estética pré-romântica.

Manuel Maria Barbosa du Bocage nasceu em Setúbal, em 15 /09/1765 e morreu há 203 anos, em Lisboa. Retratava-se como um homem magro, de olhos azuis e carão moreno. Irrequieto e aventureiro, assentou praça aos 14 anos, matriculando-se depois na Academia Real de Marinha . Pouco cativado pelo curso, torna-se uma destacada figura de botequim e de boémia. Vai ao Rio de Janeiro em 1786 e logo depois embarca para Goa onde chega com 21 anos e várias competências entre elas a de tradutor de francês e italiano. Chega a tenente de infantaria, mas dada a sua rebeldia incomodar muita gente teve que fugir para Macau. De lá regressa a Lisboa em 1790.




No ano seguinte publica o primeiro dos três volumes de “Rimas” (editados entre 1791 e 1850) e entra na Arcádia Lusitana adoptando o nome de Elmano Sadino. A sua vida desenrola-se então entre noitadas e tertúlias onde usa e abusa dos seus dotes extraordinários de improvisação. Também frequenta os palacetes da aristocracia. A linguagem enriquece-se de termos de calão que ele utiliza dando à sua poesia um travo de veracidade popular que levou mesmo Herculano a dizer que ele trouxera a poesia dos salões para a praça pública.
A sua natureza rebelde e libertina continua a trazer-lhe dissabores e, em 1797 é mesmo acusado de irreverências antimonárquicas e anticatólicas. Esteve preso durante meses no Limoeiro. Influências de amigos e até de inimigos conseguem transformar o delito contra o Estado em erro religioso, o que o fez transferir para os cárceres da inquisição, muito debilitada depois do governo pombalino. Fica também com a obrigação de receber , no Convento das Necessidades a doutrina da Congregação do Oratório. Tudo isto lhe provoca um certo desgaste e, quando sai, é alguém bem diferente. Com 40 anos é um homem conformado e precocemente gasto. Ganha a vida com traduções, revisões de provas, aperfeiçoamento de obras alheias. As sua traduções de Virgílio, Ovídeo, Delile, Castel, Rosset, abriram caminho para um certo gosto descritivo nas letras portuguesas.
Considerado o maior poeta português do Sec.XVIII, ficaram conhecidos os seus sonetos, epigramas sarcásticos e apólogos em jeito de fábula. Entre 1791 e 1804, além das “Rimas” publicou os “Improvisos” e “Novos Improvisos”. Em 1811, seis anos depois da sua morte, foram publicadas as Obras completas no Rio de Janeiro.
O inimigo de hipócritas e frades morreu, vítima de um aneurisma, no dia 21/12/1805, em Lisboa. A sua vida foi uma constante confrontação entre conceitos tantas vezes opostos, entre contradições aflitivas que o seu génio e visão romântica foram sempre ultrapassando.

Retrato de Bocage de Augusto Flamengo, 1889 (óleo sobre tela, Casa de Bocage, Setúbal)
Autógrafo de Bocage.(Biblioteca Pública de Évora)
Frontespício das “Rimas”. Tomo I, 4ª Edição, Lisboa (Imprensa Nacional)

Elementos biográficos e fotos retirados do “Club do Coleccionador”.

M.A.
Sociedade de Instrução Musical e Escolar Cruz Quebradense

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