Como tudo começou

12/10/08

OCEANÁRIO MARAVILHOSO


O Oceanário de Lisboa, é a expressão maior da ambiciosa plataforma temática da Expo’98 e por isso mesmo, um dos seus principais legados.

Projectado pelo arquitecto norte-americano Peter Chermayelff este Oceanário começou a ser construído em 1994. A concepção do edifício foi pensada de dentro para fora, tendo a vastíssima equipa de projectistas começado o seu trabalho pela identificação das espécies marinhas e vegetais e pela configuração dos espaços exigida pela sua acomodação. Só então se passou ao projecto de arquitectura e, assim, se conseguiu o efeito desejado e não uma pré-limitação das soluções expositivas ou exibicionais.


Proporcionando a descoberta e imersão no mundo marinho, o Oceanário é povoado por 16.000 animais e plantas de mais de 450 espécies. É composto por cinco habitats principais – um grande tanque central quadrado com cerca de 5.000 m3 de água salgada que representa o Oceano Global e quatro habitats costeiros que reproduzem a costa rochosa do Atlântico Norte, as orlas costeiras do Antártico, a floresta do kelp do Pacífico temperado e os recifes de coral do Índico tropical. Vinte e cinco tanques temáticos ilustram ainda características particulares de cada habitat. Na sua totalidade, o Oceanário é constituído por 30 tanques que contêm mais de 7.000 m3 de água salgada.
O percurso natural da visita segue uma lógica sequencial – no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio – em dois níveis distintos, o nível terrestre e o nível sub-aquático. Isto, proporciona uma interacção com plantas, aves, mamíferos, peixes e invertebrados, que procura fomentar o respeito pela vida, nas suas múltiplas manifestações, num tempo em que os, aparentemente inesgotáveis recursos oceânicos começam a revelar-se dramaticamente limitados e sensíveis à acção devastadora da poluição e da sobre-exploração.
O visitante, após percorrer a ponte de acesso ao Oceanário, que simboliza a passagem do mundo terrestre para o mundo oceânico e, de ouvir o canto das aves e o murmúrio do vento, é agitado pela gritaria das gaivotas e de outras aves costeiras e, vai, progressivamente mergulhando numa crescente experiência sensorial repleta de sons e cheiros. É a aventura da descoberta de tantos e tão diversos seres vivos, numa completa imersão no misterioso mundo marinho.

Este, é um breve apontamento de um belíssimo artigo de Victor Tavares de Castro, publicado na Revista do Club do Coleccionador.

Fotos de Mafalda Frade

M.A.

11/10/08

COLECCIONAR BONECAS


Uma colecção “é como um manual de aquisição de conhecimentos . Sobretudo numa como a minha, porque cada boneca desperta-nos a curiosidade para saber mais acerca do país, das pessoas, das origens dos trajes… e, assim, a gente vai aprendendo”, sublinha Maria Augusta Velhuco quando fala da sua colecção de bonecas.
Começou-a com um boneco vestido de guarda suíço do Vaticano e, em 1991 eram já 309 figuras apresentando as costumagens de povos das cinco partidas do mundo. Algumas das suas bonecas são corriqueiras, outras mais extravagantes, mas todas elas muito expressivas nos seus pormenores e no colorido dos adereços que as compõem. Umas foram-lhe dadas, outras, compra-as na Feira da Ladra. “Mas uma boa parte das que aparecem por lá já estão estragadas e é necessário restaurá-las, o que faço sempre com muito gosto”













De facto, enquanto fala do prazer que tem em coleccionar – além das bonecas, também organiza conjuntos de frascos de perfume, sabonetes e candeeiros em miniatura – e de como gosta de incuti-lo em toda a família e até nos amigos e vizinhos, denuncia com um brilhozinho nos olhos a satisfação que lhe dá o fazer pequenos adornos para melhor caracterizar e completar o vestuário das suas bonecas. Por isso, Maria Augusta Velhuco, baseando-se em postais e outros documentos iconográficos, desenha e costura os trajes com que enroupa alguns modelos. E assim vai completando a sua colecção.













Claro que há outro tipo de bonecas que também são coleccionáveis e, algumas delas até são muito sofisticadas e dispendiosas. Mas esta colecção, pela sua simplicidade, é extraordinariamente atraente pelo seu colorido e tem um inegável interesse documental.

(Excerto de um artigo e fotos publicados na revista Club do Coleccionador)

1- Argentina
2- Guarda Suíço
3- Senegal
4- Camponesa belga
5- Uruguai
6- India

M.A.

10/10/08

VISITA A ALGUNS CINEMAS ANTIGOS DE LISBOA

(Clique para ampliar)

Foi no Porto que, em 12 de Novembro de 1896 pela primeira vez em Portugal as pessoas “foram ao cinema” para verem a Feira da Crujeira e o Vira, filmados pelo próprio Paz dos Réis.













Naturalmente, a exibição de filmes não só se tornou num novo entretenimento como mudou os hábitos às populações e levou à construção de edifícios que se impuseram na trama urbana das grandes cidades e vilas do país.
No início do século, Portugal tinha cerca de seis milhões de habitantes e Lisboa cerca de 400 mil. Com a I República, a capital conheceu um intenso desenvolvimento urbanístico, em todas as direcções, sobretudo a partir de dois eixos principais com ponto de partida no Rossio. Um, delineado pela Av. da Liberdade-Picoas-Av. da República era o eixo “fino” e elegante, correspondendo aos sectores residenciais e funcionais mais ricos da cidade. É nesse percurso que, nas décadas seguintes vão surgir alguns cinemas que, pela sua concepção arquitectónica, marcaram a imagem da cidade: o Éden, o Condes, o Politeama, o Odeon, o Capitólio, o Tivoli, o S. Jorge, o Mundial e o Monumental.

O outro eixo, definido dentro da área mais pequeno-burguesa e popular, era esboçado pelo conjunto, Martim Moniz-Rua da Palma-Av. Almirante Réis. Também ele foi pontilhado por edifícios vocacionados para a projecção de filmes, embora menos imponentes e arquitectonicamente menos arrojados. Destes, como o salão Lisboa, que acabou por ser conhecido como “o Piolho”, o Rex, o Lys (depois Roxy), o Imperial (depois Pathé) e o Império (um “gigante” compacto) já nenhum deles subsiste como sala de espectáculos cinematográficos.


Na década de 60, as novas possibilidades técnicas do cinemascope e dos “écrans gigantes” determinam a construção de salas espectacularmente grandes.No centro, nos bairros e nos arredores de Lisboa e Porto, assim como na província surgem os cinemas que ocupam quase quarteirões inteiros e se tornam pontos de referência.


Mas, na década de 70, com a concorrência da televisão já surgiu a necessidade de reduzir a dimensão das salas, de forma a melhorar a rentabilidade. É o fim da “arquitectura dos cinemas, progressivamente reduzida a arranjos decorativos interiores e à concepção dos “cine-estúdios, das salas-com-número e múltiplas, e dos cinemas integrados em edifícios com outras funções.

1- Animatógrafo do Rossio 1907
2 e 3- Politeama (do Arq. Ventura Terra) 1914 e Odeon 1927
4- Tivoli 1924
5- Condes 1951
6- Paris ( à Estrela) 1931

(Excerto de um artigo e fotos encontrados na revista do Club do Colecionador)

M.A.

09/10/08

128º aniversário SIMECQ - Agenda

Aqui fica um breve resumo das comemorações.

Lembraremos com mais pormenor próximo às datas dos eventos.

Para hoje não esqueça o jogo das nossas Veteranas.


9 Outubro

- 21H00 - Bolo de Aniversário e espumante, no Salão Nobre

- 21H45 - Jogo de Basquetebol Veteranos


11 de Outubro

- Concurso de Pesca no Rio Jamor, das 08H00 às 13H00

- a partir das 13H30 - almoço da Secção de Pesca e distribuição de Prémios anuais


17 a 19 Outubro

- Exposição de Pintura em Seda - de Yvonne Kerné - no Salão Nobre


26 Outubro- Sessão Solene

- 10H45 - Hastear da Bandeira -Porta Principal

- 11H00 SESSÃO SOLENE

- 15H00 - Concerto das Bandas do SAMOUCO e SIMECQ, no Salão Nobre


9 de Novembro

- 16H00 - Encontro de Coros - Cantapiano e Notas e Voltas, no Salão Nobre


15 de Novembro

- 21H30 - Peça de Teatro " CENAS PARA UM TEATRO SEM FUMO 2 " pelo Grupo de Teatro PALCOADAS E TEATRANÇAS

Parabéns SIMECQ pelo 128º aniversário



Porque nunca é demais relembrar como tudo começou, aqui fica a História da nossa colectividade:

Fundada em 9 de Outubro de 1880, a Sociedade de Instrução Musical e Escolar Cruz Quebradense denominava-se inicialmente de “Solidó”. Foi criada por um grupo de doze trabalhadores de uma fábrica de curtumes que se dedicavam ao desenvolvimento de actividades culturais, tendo sido seu primeiro Presidente Ferreira Godinho, empresário local.

À data da sua constituição, funcionou na Calçada do Salão (actual Calçada Conde de Tomar) um pequeno grémio e um pequeno grupo musical designado “Sol e Dó”.
Mais tarde, procurando a proximidade com a população, a Sociedade funcionou na Estrada Real (actual R. Direita do Dafundo), mas em 1919, devido à escassez de espaço das instalações foi novamente transferida, desta vez para a Travessa da Praia (actual Travessa Pinto Correia), junto ao antigo Largo 31 de Janeiro.
Contudo, com a construção da Avenida Marginal, a Sociedade voltou a ser transferida, finalmente para as instalações onde ainda hoje funciona.

De realçar o carácter lúdico da colectividade, que promovia semanalmente tardes ou noites dançantes e, mais espaçadamente, bailes temáticos, frequentados pela sociedade local.

Em 1924, passou a funcionar nas instalações da SIMECQ uma escola primária que se manteve operacional até 1990, tendo sido encerrada devido ao corte de apoios às escolas que não pertencentes à rede pública.
Na sequência do processo de remodelação da sede, a escola veio a ver demolida. No entanto, durante a sua existência, frequentaram o ensino na Sociedade mais de 2000 crianças.

Destaca-se também o Grupo de Teatro Amador que marcou uma época da vida cultural da colectividade, levando a cena centenas de peças.
Na década de 80 do século passado, aproveitando a dinâmica gerada pelas comemorações do primeiro centenário da colectividade, uniu-se um grupo de pessoas que viriam a revitalizar a actividade teatral, dinamizando algumas peças durante cerca de três anos. No entanto, com a saída da maioria dos elementos, o grupo entra em fase de dissolução e culmina com a efectiva extinção.

Em 1952 surgiu oficialmente a Secção Desportiva, tendo sido construído em terreno contíguo à Sede, um campo de basquetebol, designado por Campo “Jorge Rocha de Almeida”.

A par do basquetebol, iniciado oficialmente em 1953, os jovens da SIMECQ ocupavam-se ainda nas modalidades de Ténis de Mesa, Pesca, Campismo, Canoagem e Triatlo. Algumas destas modalidades subsistem até ao presente.

No Triatlo esta Colectividade foi várias vezes Campeã Nacional e Ibérica, tendo sído Ricardo Costa Campeão do Mundo de Juniores na especialidade de Duatlo em Cancun (México) em 1996 e em Triatlo no mesmo ano.

Mais recentemente, tem sido o basquetebol a elevar o nome da colectividade, participando actualmente a Equipa Masculina na CNB1 e as restantes nos Campeonatos Regionais e Nacionais, quando apuradas.

Através de obra financiada pela Câmara Municipal de Oeiras, a Sociedade foi alvo de remodelação, tendo sido restaurado o Edifício Sede e construído contiguamente o Pavilhão Gimno-Desportivo. A inauguração do novo espaço teve lugar a 10 de Maio de 1997.

Hoje a SIMECQ oferece-nos:

Atelier de Artes - Pintura, Cerâmica e Bordados (para todas as idades)

Basquetebol - todos os escalões

Música - escola e banda (para todas as idades)

Pesca Desportiva para todos

FC/MA



08/10/08

QUEM DESEJA FAZER UMA VISITA AO ESTÁDIO OLÍMPICO DE PEQUIM?

Caros leitores:

Se querem aproveitar esta oportunidade,aínda que de uma visita virtual se trate, apenas terão que aceder ao link que lhes deixamos e, com os movimentos do rato, escolherem os planos que mais lhes agradarem. Boa viagem e divirtam-se passeando dentro do Estádo Olímpico de Pequim.

Foto 360º x 180º - Pequim 2008

http://www.karikuukka.com/peking2008/100m/

M.A.

07/10/08

PAULA REGO NO CENTRO DE ARTE MANUEL DE BRITO

("Pra lá e Pra cá", 1998 - Acrílico sobre papel, pormenor)
(Clique para ampliar)

Temos a partir de 4 de Outubro e até 18 de Janeiro de 2009, obras desta artista no Palácio Anjos, em Algés.

“A exposição de Paula Rego na Colecção Manuel de Brito tem obras que vão dos anos 60 até 2008 e abrange as diferentes fases da artista desde as colagens, os objectos em pano, desenhos em que os animais agem como seres humanos, as grandes pinturas das Óperas Carmen e Jenufa, ilustrações de livros de Camilo Castelo Branco e Eric Jourdan, um estudo para o grande painel da National Gallery de Londres e trabalhos significativos das principais séries de obras gráficas. Pela primeira vez vamos apresentar novo desenho de 2008, inspirado no livro do escritor chileno José Donoso, A Casa de Campo, intitulado A Marquesa saiu às Cinco e a nova série de gravuras Mutilação Genital Feminina e a Noiva. Tal como na série do Aborto Paula Rego aborda novamente um tema polémico. Com a acutilância e o rigor com que a artista trata estes assuntos prementes somos novamente confrontados com a violência física a que estão sujeitas tantas meninas. Ninguém pode ficar indiferente perante estas imagens”.

É com estas palavras que Maria Arlete Alves da Silva faz a apresentação da exposição que hoje mesmo fui ver.
M.A.
PALÁCIO ANJOS
Alameda Hermano Patrone, 1495-064 Algés
De Terça a Domingo das 11,30 horas às 18 horas
Das 11,30 horas às 24 horas na última sexta-feira do mês

06/10/08

PUBLICIDADE ANTIGA


“Uma colecção é uma fonte de conhecimentos, uma ponte entre o passado e o futuro, um catalizador de amizades e até pode ser um fundo de maneio num momento de aflição. Mas não é com certeza um sacrifício e muito menos uma tragédia, como por vezes acham os herdeiros de um coleccionador, que ficam sem saber como se podem desfazer daquela ‘tralha’ que lhes caiu nos braços”. Esta é uma das muitas opiniões curiosas que Manuel Paula, designer gráfico, coleccionador de publicidade antiga e não só, tem sobre o coleccionismo.




Era excelente que a divulgação da minha colecção motivasse outras pessoas para o mesmo tema ou, pelo menos, que viesse a dar origem a novos contactos e fomentasse a permuta de opiniões. Não conheço mais nenhum coleccionador de publicidade antiga mas é um monopólio que não me agrada”.

Em lugar de enaltecer o valor patrimonial das peças - que não enjeita – prefere sublinhar o seu significado cultural; em vez de se comprazer com a raridade, que torna a sua colecção mais valiosa, fica preocupado porque isso quer dizer que se estão a perder testemunhos insubstituíveis para a História das Artes Gráficas em Portugal.


Daí que na sua colecção de publicidade antiga, Manuel Paula tenha em atenção não só a qualidade estética, mas também a qualidade técnica. Por isso, este conjunto acumulado ao longo de muitos anos é não só uma excelente mostra sobre a evolução das artes gráficas, mas também um infindável manancial de informações sobre a sociedade urbana portuguesa, sobretudo desde há um século.

(Fotos e Excerto de um artigo publicado na revista do Club do Coleccionador )

M.A.

05/10/08

IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

(Clique para aumentar)


Há tempos, passando pela Rua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique, deparei com esta lápide colocada num edifício de bela traça com bonitos azulejos Arte Nova. Tenho que confessar que foram os azulejos que primeiro me chamaram a atenção e, só depois reparei na placa gravada.

Decidi fazer estas fotos para mostrar aos nossos leitores mais um bocadinho da nossa história que ali está representada.

Calculo que alguns já tenham por ali passado sem se darem conta da lápide, mas, agora, ficarão atentos, depois desta lembrança.

M.A.

AMIGOS...


Camilo Castelo Branco (16-3-1825 / 1-6-1890) o grande escritor português foi, para além de romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor.
Teve uma vida bastante atribulada e quando um dia acabou por cegar isso contribuiu também para lhe apressar a morte.

Este soneto, muito pouco conhecido, que hoje vos trago, é justamente, do período em que doente e já ser ver, faz uma crítica amarga, ao afastamento daqueles que havia considerado seus amigos até então.

OS AMIGOS

Amigos, cento e dez, ou talvez mais
Eu já contei. Vaidades que sentia:
Supus que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais!

Amigos, cento e dez, tão serviçais
Tão zelosos das leis da cortesia,
Que já farto de os ver me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.

Um dia adoeci profundamente:
Ceguei. Dos cento e dez houve um somente
Que não desfez os laços quase rotos.

_Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver!...
_Que cento e dez impávidos marotos.

Camilo Castelo Branco
( da Revista Ilustrada)


Também hoje, infelizmente há quem deixe de aparecer quando, a alguém as coisas começam a correr menos bem. O povo bem diz que é no hospital e na cadeia que os amigos se conhecem …

M.A.

04/10/08

BOM HUMOR E FRIOLEIRAS

Conforme prometi no post sobre “Renda de Frioleiras”, aqui colocado no dia 30/9 p.p. aqui estou para contar o tal episódio humorístico:

Pelas minhas recordações isto ter-se-á passado aí por 1945/50.
Um serão na província, numa sala de família. Enquanto se ouvia telefonia eu estava então revolteando mãos e dedos fazendo uma renda destas.

Para tratar de um qualquer assunto apareceu um indivíduo procurando o meu Pai e, com o à vontade que era habitual, foi mandado entrar para a sala onde todos estávamos.
Por certo nem me terei apercebido mas, a dita visita, terá ficado atenta e mesmo um tanto intrigada, com o que eu estava a fazer, indo, mais tarde, para casa, contar à mulher que eu sabia fazer renda sem agulhas, só com as mãos!

A mulher duvidou dele e, porque decerto lhe conhecia bem os hábitos, argumentou que ele estava era já tão bêbado que nem conseguira ver direito. Gerou-se uma briga rija entre o casal e imaginem só, um ou dois dias depois apareceu o homem de novo lá em casa, desta vez querendo falar comigo.

Um tanto encavacado, é certo, mas pedindo-me se lhe dizia o nome daquela renda que se fazia sem as agulhas que ele estava habituado a ver usar para, deste modo, se reabilitar junto da cara metade, pela acusação injusta que ela lhe fizera, de que se encontrava com os copos!

Perdida de riso lá lhe dei todos os esclarecimentos pedidos mas, num encontro posterior, com a esposa dele , numa das ruas da terra, não escapei a uma nova, abordagem para repetir a dita informação.

Pelo menos daquela vez o bom do homem estava inocente!

M.A.

03/10/08

CASTANHEIRA ESTÁ DE PARABÉNS


Acabei de ler uma notícia bastante curiosa que me trouxe à ideia aquele slogan que penso, é, ou era, usado no totobola ou totoloto: “É fácil, é barato, dá milhões!” Neste caso o total apurado não atinge os milhões, mas , fácil e barato é sem dúvida , o fim em vista justifica os meios, as pessoas divertiram-se e a imaginação, pelo menos para mim, é mesmo sui generis.

Ali para os lados de Paredes de Coura, numa pequena aldeia chamada Castanheira existe uma Associação Cultural e Desportiva. Como todos sabemos, nestas Associações, a falta de meios é um mal constante. Os sócios serão poucos e há que procurar formas de arranjar sempre mais um dinheirinho extra.

E aqui, leitores, entra a imaginação que começa com a compra de uma vaca e também com o dividir o campo de futebol em mil quadrados numerados, que, por sua vez, correspondem a outros tantos bilhetes para vender.

Depois, tudo é muito simples: As pessoas reúnem-se à volta do campo onde a vaca se vai passeando e, no quadrado onde esta defecar… estará encontrado o premiado que ganha 600 € ou, em alternativa, leva a vaca consigo!

O Sr. Albano Rodrigues, Presidente do club, contou que a vaca é alimentada nos últimos dias apenas a feno para provocar uma demora maior no que respeita a esta necessidade fisiológica; “assim mantêm-se a dúvida durante algum tempo e vendemos mais alguns bilhetes. Temos que esperar até que ela se decida”. (Também estou de acordo em que, certas coisas, não se coadunam com pressas! )

Depois, o 2º e 3º prémios são atribuídos pelo mesmo modo. O Sr. Presidente informou que, este ano, enquanto para o 1º prémio a vaca demorou 90 minutos a cumprir a “sua obrigação” depois foi mais rápida e levou apenas 15 minutos a completar o serviço. E lemos também que foi sempre aplaudida pelo público assistente.

Reparem que tudo ali decorre com a maior lisura. A vaca nunca será acusada de corrupção como alguns desses árbitros ou jogadores que aparecem pelos jornais e tribunais e, tampouco creio que se vá importar com a “publicidade que naquele dia é dada” a um acto, tão corriqueiro para ela, em todos os dias do ano!

“Foram vendidos desta vez 920 bilhetes o que correspondeu a um encaixe financeiro de 4.600 € que serão empregues nas obras da sede, além de ser uma forma divertida o passarem a tarde vendo a vaca a passear-se”, concluiu o Sr Presidente!

Da minha parte, parabéns ao povo de Castanheira pela originalidade da ideia e, também, ao 1º. premiado que tinha o quadrado 78!

(Elementos e foto retirados da notícia de Paulo Romão, V. do Castelo, publicada no Diário de Notícias de 29 de Setº. último.)

M.A.

02/10/08

O ASTROLÁBIO

Reprodução de um Astrolábio Português


Apesar de não ter sido inventado pelos portugueses, visto que já existia desde a mais remota antiguidade, atribuindo-se a sua criação a Apolónio de Perga (Sec.II-III a.C.) ou a Eudoxo de Cnido (Sec. IV a.C.) foi com os marinheiros lusos que, depois de convenientes adaptações, passou a ser usado para determinar a latitude do lugar através da medida da altura dos astros, quando se iniciou a navegação astronómica.
Até meados do Sec. XV, quando se realizaram os descobrimentos que, grosso modo, correspondem aos do período Henriquino, as navegações fizeram-se com base na “náutica de rumo e estima”, ou seja, utilizando carta e bússola e calculando por estimativa as distâncias navegadas. A expansão nesta primeira fase, foi obra mais de coragem do que de ciência.
Mas, quando os portugueses inventaram a navegação astronómica, como resultado da acumulação de conhecimentos e experiências anteriores e como resposta aos problemas que levantavam as navegações até lugares cada vez mais distantes, logo os “pilotos se deram conta de que o astrolábio era dos instrumentos mais úteis e até, sem dúvida, o mais útil para observações solares”, sublinha Luís de Albuquerque.
Construíram-se centenas de modelos tanto de madeira, como de metal. No entanto poucos sobreviveram até aos nossos dias. A arqueologia subaquática tem contribuído para a recuperação de alguns exemplares. De cinco astrolábios recuperados nos despojos do galeão espanhol Nuestra Senhora de Atocha, afundado em 1622, nas costas da Florida, dois deles foram adquiridos pelo Museu da Marinha.
Apesar desse instrumento ser um testemunho e um símbolo da epopeia dos Descobrimentos até à década de oitenta, em que além daqueles dois, outros três, comprados ou doados, vieram enriquecer o património científico nacional, apenas existia um desses instrumentos em Portugal, pertencente ao Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra. No entanto, no total de sessenta e cinco exemplares conhecidos, vinte e sete foram fabricados por portugueses, ostentando alguns deles o nome dos fabricantes, como Agostinho de Goes ou João Dias, ou exibem características que autenticam a origem lusitana.
Cada astrolábio é conhecido por um nome próprio, correspondente ao navio a que pertenceu, ou, quando este não foi identificado, ao local onde foi achado. Pode acontecer ainda que venha a receber o nome do museu ou instituição onde se encontra guardado.
Se no passado estes instrumentos náuticos foram a chave que permitiu a abertura do Atlântico e a descoberta de novos mundos, hoje, pelo seu incomensurável valor documental, poderão abrir as portas para um melhor conhecimento do período mais glorioso da História de Portugal.

Excerto de um artigo, não assinado, publicado na revista Club do Coleccionador.

M.A.

01/10/08

TELEMÓVEIS E COMPUTADORES


Se nos detivermos a pensar na mudança que os telemóveis e computadores efectuaram nas nossas vidas, por certo que nos admiramos com o incremento que tudo isto tomou e a forma como nos fomos tornando dependentes de tais objectos.

Quanto aos telemóveis, parece que já ninguém consegue despegar do ouvido aquele brinquedo e, há mesmo quem ache que precisa de mais do que um na carteira!
No que respeita aos computadores, digamos que, é já uma “ferramenta”de uso diário com a qual, se houver também ligação à Internet, se pode tirar um partido infinito.
Mas, não deixa porém de ser preocupante o facto de toda esta maravilha da técnica ser por vezes também aproveitada num sentido distorcido, digamos mesmo, reprovável. Todos os dias, conhecemos exemplos do mau uso que, a coberto de um certo anonimato, também se faz dos computadores:
Seja a procura da pornografia, por vezes mesmo a infantil; seja o intercâmbio de jogos amorosos e relacionamentos mais ou menos duvidosos ( tantas vezes dirigidos a crianças) mas que servem para alimentar mentes distorcidas; sejam as compras que aliciando menores e, mesmo outras, dirigidas a adultos, tantas vezes resultam em burla e os leva a calarem a vergonha; sejam as múltiplas manigâncias com vista a copiar dados de cartões de crédito; enfim, o leque daquilo que, a este respeito, se vai lendo na imprensa, ouvindo nos noticiários, ou, simplesmente nas conversas entre amigos é bem variado e sempre cada vez mais sofisticado nos processos utilizados .
Todos os que ainda fazem questão de manter um mínimo de bom-senso, certamente lamentam esta realidade mas, pouco mais podem fazer que recusarem-se a entrar na mesma onda. Consiga cada um é ter a cabeça assente para saber o terreno que pisa e fazer a escolha acertada!
Tudo isto me ocorreu, depois de ter recebido um mail curioso que, com um certo humor, retrata situações correntes, divertidas sobre o uso do telemóvel e computador, mas que, ao mesmo tempo, são uma chamada de atenção para alguns exageros em que, nós todos, vamos caindo:

PODES ESTAR A FICAR UM TANTO LOUCO QUANDO:

1. Envias um e-mail ou usas o GTalk para conversar com a pessoa que trabalha na mesa ao teu lado.

2. Usas o telemóvel na garagem de casa para pedir a alguém que te ajude a levar as compras.

3. Esquecendo o telemóvel em casa, (coisa que não tinhas há 10 anos atrás), ficas apavorado e voltas atrás para o ir buscar.

4. Levantas-te de manhã e ligas o computador antes mesmo de tomar o café.

5. Conheces o significado de tb, qd, cmg, mm, dps, k, ...

6. Não sabes o preço de um envelope comum.

7. A maioria das piadas que conheces, recebeste por e-mail (e ainda por cima ris sozinho...).

8. Dizes o nome da tua empresa quando atendes ao telefone em tua própria casa (ou até mesmo o telemóvel!!).Digitas o '0' para telefonar desde tua casa.

10. Vais para o trabalho quando está a amanhecer e regressas quando anoitece.
11. Quando o teu computador pára de funcionar, parece que foi o teu coração que parou.

11. Estás a ler esta lista a concordar com a cabeça e a sorrir.

12. Estás tão interessado na leitura que nem reparaste que a lista não tem o número 9.

13. Retornaste à lista para verificar se era verdade que faltava o número 9 e, nem viste que há dois números 11.

14. E AGORA ESTÁS A RIR DE TI MESMO…

15. Já estás também a pensar para quem vais enviar esta mensagem.

16. Provavelmente agora vais clicar no botão 'Reencaminhar'... É a vida...Que mais poderias fazer?...
………………………………

P.S. Bom, eu, em vez de ter feito o ‘reencaminhar’, apressei-me foi a copiar esta lista para a dar a conhecer aos nossos leitores. Espero que a tenham achado divertida.
M.A.

30/09/08

RENDA DE FRIOLEIRAS

(Clique para ampliar)

Em 13 de Junho passado apareceu neste blog um apontamento sobre renda de bilros e alguém veio falar, num comentário, na existência da renda de frioleiras, (também chamada renda de espiguilha) que é igualmente bonita e que já pouco se vê. Disse na altura, respondendo a esse tal comentário, que, como sabia fazê-la, poderia um dia abordar este assunto. Chegou pois a ocasião.

Gosto sempre de dar umas noções sobre a origem daquilo de que falo, mas, desta vez, com grande pena minha não consegui encontrar nada que me desse quaisquer elementos sobre onde e como teria aparecido a renda de frioleiras.

Ainda muito miúda, lembro-me de, em minha casa, haver um livro, já muito usado, escrito em francês, sobre esta renda. Foi a minha Mãe que me ensinou as bases, mas, depois, foi com este tal livro que continuei e me aperfeiçoei.

Digamos que o material necessário se resume a uma navette, (vêem-se numa das fotos) na qual se enrola a linha, e uma pequena agulha de crochet que pode também ser substituída por um simples alfinete. Há navettes que têm já na extremidade uma pequena barbela que substitui a tal agulha de crochet. Alguns trabalhos mais complicados, exigem mais do que uma navette. Podemos também variar a cor da linha e até incluir, por exemplo contas coloridas, como se vê na foto da roseta cor de rosa.

O ponto básico resume-se a uma argola, feita com um nó corredio onde se vão fazendo caseados seguidos uns aos outros, entremeados ou não, por pequenas laças a que chamamos picôts. Cada caseado tem dois movimentos de mãos, diferentes. Essas dezenas, centenas, ou milhares de argolas de tamanhos variados, unidas umas às outras através dos picôts, seguindo um desenho pré determinado, acabam por nos dar, como resultado final, algo que considero bastante bonito.

Deixo-vos fotos de dois trabalhos em frioleiras feitos pela autora do texto. Quem sabe se conseguirei entusiasmar alguma das leitoras a aprender igualmente esta renda e a vir mais tarde mostrar-nos o que fez. Gostaria que isso acontecesse.

Um dia destes, como complemento deste post, contarei um episódio humorístico relacionado com alguém que me viu a fazer esta renda.

Nota – A renda fininha que aparece com as navettes é igual àquela que ornamentou varias peças de vestuário dos meus filhos quando bebés e, também, de várias outras criancinhas filhas de amigas minhas. Posso dizer-vos que foram mesmo muitos, os metros de renda que fiz com tal fim.

M.A.

29/09/08

Fomos visitar 2 exposições!

Sábado, dia 27, os alunos do Atelier de Artes da SIMECQ foram fazer a primeira saída, com o objectivo de visitar estas 2 exposições:














Saímos da Cruz Quebrada de autocarro da Carris, andámos mais um bocadinho a pé, e chegámos a Belém, ao Forte do Bom Sucesso....






Começámos por visitar a exposição dos alunos do 8º ano do Colégio Militar. Gostámos muito!




Fomos munidos de lápis e papel, para anotar alguns pormenores das exposições. Nunca se sabe se nos espera algum trabalho sobre a visita, por isso é preciso estar atento.








Não foi preciso lembrar os jovens do Atelier de Artes da SIMECQ que o livro de honra deveria ser assinado. Gostamos que nos façam o mesmo, e é dever de quem faz visitas, por isso deixámos as nossas impressões.




De seguida espreitámos a exposição de Leonardo Da Vinci - O Inventor....




Todas as instruções dadas pelas monitoras e pais foram acatadas com grande civismo e educação.










O objectivo desta visita estava concretizado. Aprender cada vez mais.















Vinham felizes e contentes.....


















O lanche, com o Tejo por companhia, soube muito bem!






















Estava na hora de regressar! O sorriso, demonstra bem a alegria que reinava no grupo. Pelo convívio, pelo passeio, pela visita, pelo lanche em conjunto, por um dia diferente, por tudo!











Queremos mais visitas destas!!!!!!!!!
(Esta visita ainda há-de dar mais que falar aqui no blog.......)
FC

28/09/08

1º PRÉMIO EM CONCURSO NOS E.U.A.

Investigação: Estudantes de Engenharia Mecânica de Coimbra ganham 1º prémio em concursos nos EUA

Guarda, 26 Set (Lusa) -- Dois alunos do Instituto Superior de Engenharia do Instituto Politécnico de Coimbra, venceram o concurso "Mastercam Wildest Parts Competition" de 2007-2008, realizado nos Estados Unidos, na categoria pós-secundário, com o trabalho intitulado "Ferrari Enzo", foi hoje anunciado.
Nuno Neves e Sílvio Gomes, alunos do terceiro ano do curso de Engenharia Mecânica, apresentaram no concurso internacional, o protótipo de um carro Ferrari Enzo e a respectiva base de suporte, à escala de 1/100.
Os dois estudantes de Coimbra, de 28 e 23 anos, utilizaram técnicas de multi-fixturing (junção de vários blocos) e mult-part assembly (junção de várias peças) para produzirem o protótipo do veículo.Nuno Neves disse hoje à agência Lusa que o júri ficou "impressionado" com a forma como criaram "peças separadas para os eixos e as rodas maquinadas".
O estudante reconhece que a atribuição do prémio "é o reconhecimento do esforço, dedicação e empenho envolvidos", uma vez que este trabalho absorveu "bastante tempo" e criou "diversas dificuldades" que foram superadas.
Referiu que a obtenção do primeiro lugar na classificação teve um significado "ainda mais especial" pelo facto de o concurso ter decorrido nos Estados Unidos e porque "a concorrência era de elevado nível, tendo alguns grupos concorrentes alguma tradição neste tipo de eventos".
"Nunca tínhamos concorrido a nada e tínhamos uma tecnologia mais limitada do que a concorrência", referiu o estudante, acrescentando que a vitória "foi óptima".
"Foi o reconhecimento da complexidade do trabalho e pelo tempo que a sua resolução nos absorveu", disse Nuno Neves.Indicou que só o desenho do protótipo "demorou cerca de um ano a ser feito e a construção do modelo sólido levou três a quatro meses" de trabalho.
"Esperamos que esta vitória, seja um factor de motivação e que, ao mesmo tempo, encoraje alunos e docentes a participar em iniciativas deste tipo, por forma a pôr em prática a criatividade e conhecimentos adquiridos ao longo do curso", sustentou.
"Penso voltar a participar no concurso, aumentando a qualidade e a fasquia do projecto em termos de complexidade", garantiu Nuno Neves, que deixou uma palavra de apreço e agradecimento aos docentes Fernando Simões e Paulo Amaro "pela ajuda e apoio demonstrados no decurso deste projecto".
O concurso, cujo objectivo é a concepção de uma peça através de técnicas CAD/CAM (Computer Aided Design/Computer Aided Manufacturing), é promovido pela empresa norte-americana Mastercam, CNC Software, Inc. e está aberto a qualquer aluno, grupo de alunos, ou instrutor.
Uma das exigências do concurso é que numa das partes da peça seja utilizado o programa MASTERCAM, sendo critérios de avaliação a originalidade, a qualidade das peças, o design e o acabamento das mesmas.
O prémio atribuído aos dois estudantes de Coimbra não é monetário, consistindo na atribuição de uma licença para a utilização de um determinado tipo de software, explicou Nuno Neves.

ASR.
Lusa

26/09/08

MARCOS GEODÉSICOS

(Clique para ampliar)

Há dias, passando por Carnaxide e reparando no Marco geodésico denominado Mama de Cima ( também chamado Mama do Sul, Mama Grande ou Mama da Mula) dei por mim a pensar no interesse que haveria em abordar este assunto, já que, entre quem me lê, pode haver quem desconheça o que são e para que servem. Para evitar dizer muitas tolices, além da pesquisa escrita que fiz, fui igualmente conversar com um amigo meu, conhecedor desta matéria.

Começarei por referir que a Geodesia é, ao mesmo tempo, um ramo das geociências e uma engenharia, que trata do levantamento e da representação da Terra. E, uma vez que o globo terrestre é esférico, havia que, (isto, numa explicação muito básica) procurar “transformar” esta superfície curva, numa face plana, com o fim de, obtermos uma Carta Geográfica. Imaginou-se que, a forma de fazê-lo no terreno, seria criar uma rede de vários triângulos ligados entre si, colocando em cada vértice um marco com determinada designação e informação. Depois, com aparelhos adequados que permitiram fazer medições e cálculos, a partir destes vértices, já foi possível obter a avaliação, que se pretendia, da superfície da Terra. Espero ter conseguido transmitir-vos, deste modo, a ideia base.

Em Portugal, a triangulação da rede geodésica portuguesa é constituída, no seu total, por 8.000 marcos.



O Centro Geodésico de Portugal está situado na Serra da Melriça, freguesia e concelho de Vila de Rei, distrito de Castelo Branco. Ali podemos encontramos o Marco Geodésico padrão, (construído em 1802), o Museu da Geodesia e serviços de apoio.

Conhecido popularmente por “Picoto da Melriça”, é assinalado com um vértice geodésico de 1ª ordem, (a) piramidal, em alvenaria, com 3,25 metros de base e 9 metros de altura e está, desde há muito, associado à história da cartografia moderna em Portugal. Esta, iniciou-se no Sec. XVIII, no reinado de D. Maria I que terá encarregado a Academia Real de Marinha de iniciar os trabalhos de triangulação geral do território, com vista à realização da Carta Geográfica do Reino.


Os Marcos geodésicos, também conhecidos por “talefes”, são sempre colocados em locais elevados e isolados com linha de visão para outros vértices.

Dividem-se em três ordens de grandeza:
1ª Ordem, Pirâmedes quadrangulares distando entre 30 a 60 Km
2ª Ordem, Cilindro + Cone com listas, distando entre 20 a 30 Km
3ª Ordem, Cilindro + Cone (de tamanho menor que o anterior) com listas, distando entre 5 a 10 Km
Aos marcos de 2ª. e 3ª. Ordem chamam-lhes vulgarmente “bolembreanas”.

Mas o progresso também se fez sentir na Geodesia e Cartografia e, no início da década de 60, foi já introduzida a medição electrónica de distâncias, MED. Mais tarde veio o uso dos satélites, como por exemplo o Echo I e II e o Pageos. Depois, entre 1965/70 foi um melhoramento importante a introdução dos satélites Geos A e B. Mais tarde veio o Sistema Transit (1967/90), predecessor do GPS e as técnicas a Laser, como o Lageos (EUA) e o Starlette (França).
Actualmente há centenas de satélites geodésicos em orbita, complementados por muitos outros de detecção remota e, também, pelos sistemas de navegação GPS e Glonass. Também está previsto que venha a funcionar em breve o sistema de satélites europeu Galileu . Claro que hoje, todas estas redes geodésicas são já muito mais flexíveis e económicas que as redes terrestres.
Os pontos fixos, em marcos geodésicos, continuam a existir talvez mais por razões administrativas e legais, à escala local e regional.
Aqui fica, em linhas gerais, a informação que reuni para os leitores que, eventualmente, possam estar interessados no assunto.

Nota - A configuração do Marco geodésico de Carnaxide, por razões que não consegui apurar, não seguiu o mesmo formato de pirâmede quadrangular, habitual nos marcos geodésicos de 1ª. Ordem.

(a) – Curiosamente, na Melriça, o centro geodésico exacto está a cerca de 100 metros deste marco que mostramos. Há também aí um pequeno marco, como sinal, mas sem qualquer destaque. Não vi isto referido em lado algum. A informação veio-me do amigo que mencionei no início e cujo, conhecimento, neste assunto, me merece total confiança. Contudo, ele não me soube explicar a razão de haver aqui estes dois marcos.

1- Marco de 1ª Ordem, em Carnaxide
2- Marco de 1ª Ordem - Centro Geodésico da Melriça
3- Marco de 2ª Ordem

M.A.

MENINO JESUS, NOS PACOTES DE AÇÚCAR


Há uns tempos atrás, num restaurante onde me encontrava, quando me trouxeram a chávena de café, reparei que o pacote de açúcar que a acompanhava tinha uma imagem do Menino Jesus. Achei curioso e o empregado que nos atendia, amavelmente, logo me foi buscar mais outros cinco pacotes com imagens idênticas, uma vez que a colecção era justamente de 6 estampas do Menino Jesus. Guardei-as e, há dias , quando por casualidade me voltaram às mãos resolvi fazer uma pesquisa sobre elas para falar disso com os leitores.




















Fiquei então a saber que um sacerdote de nome Francisco António Rosado Belo que viveu desde pequenino no Crato, dedicou toda a sua vida a coleccionar arte sacra. Acabou por doar todo o espólio, bem como o edifício onde se encontrava reunido, à Santa Casa da Misericórdia do Crato. Foi, deste modo, o criador e mentor do que passou a designar-se “Casa Museu Padre Belo” local que passou logo a receber um número considerável de visitantes.



















Ali se podem admirar mais de 900 esculturas relativas à infância e adolescência de Jesus e milhares de pinturas, presépios e peças em cerâmica representativas de Cristo. A colecção de crucifixos ali existente, julgo ser também importante.


Segundo sei, há mais colecções de pacotes de açúcar com o tema do Menino Jesus, esta, porém é do ano de 2004.
Perdoem a pouca qualidade das fotos apresentadas mas, talvez sirvam, pelo menos, para despertar em quem me lê, o interesse de ir até ao Crato conhecer esta colecção que se me afigura ter bastante interesse.

M.A.
Sociedade de Instrução Musical e Escolar Cruz Quebradense

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